TV GGN 20hs: é hora de se falar a sério do impeachment de Bolsonaro

Confira o comentário de Luis Nassif sobre o caos da saúde em Manaus e o cenário político brasileiro nesta sexta-feira, 15 de janeiro

O debate em torno do impeachment de Jair Bolsonaro é um dos temas da TV GGN 20 horas desta sexta-feira (15/01). Na abertura do programa, Nassif é contundente: “estamos chegando em um ponto de ruptura que não dá para continuar. Não dá”

“Hoje, o que está acontecendo é um morticínio. Você tem um genocida lá, a sensibilidade dele com relação às mortes é mínima, é zero, zero. E você tem jornalistas que não tem vergonha e tentam endossar essa história falando ‘ah, deu problema lá em Manaus porque não fizeram que nem em Belém do Pará, onde alguém distribuiu a hidroxicloroquina, fez o tratamento prévio’, essas bobagens aí”

“Peguei nossa base de dados: Manaus, explodindo. Belém, um pouco menos. E você pega São Luis, menos. Se São Luis tem um crescimento da curva menor do que Belém do Pará, como ele diz que Belém se salvou por conta da hidroxicloroquina? Pegando as altas nos últimos 14 dias: o Pará é o terceiro ou quarto em aumento de casos (…)”

“O pior fake news é o fake news que vem através da mídia, porque esse fake news pega um público que teoricamente estaria mais blindado em relação aos fake news das redes sociais. E embute dúvidas na cabeça do pessoal”, diz Nassif. “O que está acontecendo é que essa segunda onda está vindo com uma virulência sem tamanho, e é uma segunda onda nacional”

E os efeitos dessa segunda onda podem ser vistos nos últimos dados do GGN Covid: 69.198 novos casos e 1151 novos óbitos apenas nesta sexta-feira. Na média diária semanal, foram 54.255 novos casos (21,3% maior do que sete dias atrás) e 969 novos óbitos (alta de 12,2%).

Na média de casos dos últimos sete dias, os Estados com avanços mais expressivos foram São Paulo (145% em sete dias), Minas Gerais (79,5%), Paraná (61,6%), Rio Grande do Sul (60,9%) e Rio de Janeiro (60,2%). “Nós estamos falando dos maiores Estados brasileiros”

No registro de óbitos dos últimos 14 dias, o salto de registros no Amazonas foi de 270,9% (mas pode ser muito mais), seguido por Tocantins (192%), Ceará (112,2%), Goiás (106%) e Minas Gerais (62,4%). “Para onde você olha, você está tendo essa explosão de covid com uma virulência muito maior do que em outros tempos”

Nassif aborda o caso White Martins, lembrando o monopólio que a empresa chegou a exercer junto às Santas Casas e os hospitais durante os anos 90 – “Como era cartel, impunham o preço que queriam”

Ao abordar a questão da White Martins do fornecimento de oxigênio, a repórter Patricia Faermann explica que entrou em contato com a Secretaria de Estado da Fazenda do Amazonas para identificar a contratação do oxigênio líquido para o Amazonas

“Identifiquei que esse contrato é datado de 2016. Na verdade, foi um pregão realizado naquele ano, que a validade se estendia até 2022”, diz Patricia.

“A White Martins, antes de mais nada, faz parte do maior conglomerado de fornecimento de gases industriais e engenharia do mundo, que é um grupo norte-americano chamado Linde”

“A concorrência não chegou a ser no formato de inexibilidade de licitação (que é quando o governo quer evitar concorrências e já tem alguma empresa que realiza aquele serviço específico). Não foi esse caso, foi um pregão público, divulgado, só que só teve como competidora a White Martins”

“De lá para cá, chama a atenção que foram feitos oito aditivos nesse pregão, que somaram R$ 11 milhões aproximadamente a mais do que o contrato original recebidos pela empresa – o que inclui, além do oxigênio líquido, outros gases para serviços hospitalares”

“Desses R$ 11 milhões, quatro milhões foram de aditivos durante esse período da pandemia em 2020. Um penúltimo aditivo foi feito em novembro do ano passado”

“A White Martins admite que haveria necessidade de maior demanda de oxigênio líquido para o estado. Ainda em novembro do ano passado, a empresa já se antecipava e tomava conhecimento dessa demanda. E o que acontece é que eles pedem um adicional de 22% mensal nesse contrato”

A íntegra da reportagem de Patricia Faermann sobre o contrato que a White Martins fechou com o governo do Amazonas pode ser lida aqui.

Sobre o atual governo, existem muitos questionamentos a serem feitos – a começar pelo carnaval feito com anúncio da compra de vacinas da Índia. “O avião de maior carga da FAB não está aqui no momento, está nos Estados Unidos em treinamento. Ontem à noite, Bolsonaro na live disse que o Pazuello era o melhor que tem, foi em Manaus e resolveu tudo. Uma capacidade de mentir sem paralelos”

“Agora, vem uma intimação para o Butantan entregar as vacinas para o Ministério da Saúde. Em situação normal, é o Ministério da Saúde que tem de receber as vacinas e distribuir para os Estados dentro do Plano Nacional de Vacinação. O que nós temos é que o Supremo tem que acordar, o Congresso tem que acordar. Nós temos milhares de pessoas cuja vida está nas mãos de Bolsonaro e Pazuello”

“O Bolsonaro tem um conjunto de iniciativas e declarações claramente boicotando vacina. Ele é um genocida. Ele boicota a vacina. Então você vai pegar as vacinas do Butantan e vai entregar para o Pazuello, que é um serviçal. Ele não serve à Pátria (…) O Pazuello é da ativa das Forças Armadas. Ele se subordina a todas as loucuras do Bolsonaro, não tem a menor condição operacional de tocar uma campanha de vacinação. Então, como é que você vai pegar todo esse conjunto de vacinas e entregar nas mãos de um pessoal absolutamente inepto?”

“Você tem um quadro claro de um genocídio que está sendo praticado. Em Manaus, médicos chorando porque tinha 15, 20 pessoas morrendo na frente deles por falta de oxigênio. Isso é por falta de um planejamento de governo, pela questão da politização feita pelo Bolsonaro. Pela questão de uma disputa inócua com o governador de São Paulo, sem nenhuma preocupação com a vida humana. Estamos falando de dezenas de milhares de vidas”.

“Como é que vai permitir que esse cara continue à frente do país em um momento desse? Cadê o valente Barroso? Gilmar, cadê você? Rodrigo Maia, que só reage quando acha que vai perder o controle da presidência da Câmara? Os jornais perderam a noção de prioridade. Como os jornais perderam totalmente a condição de influenciar governo, porque esse governo anda para a imprensa, eles só vão naquilo que tem algum poder – mercado (…) Perderam totalmente a noção de prioridade para o país”

“Você tem uma estagflação caminhando aí, você vai ter o desespero das famílias que não vão ter mais dinheiro nem para alimentação (…) Agora você tem a pandemia pegando a classe média. Você tem todo esse carnaval”

“E daí você tem toda a parte mais soturna da história: de um lado, Forças Armadas cooptadas pelos empregos oferecidos pelo Bolsonaro, e de outro lado as milícias armadas que vão aparecer a qualquer momento”

“Pega esse desespero de Manaus, amplia para outros Estados. Pega o desespero das famílias que estão sem condição de alimentação, e joga no exponencial. Pega essas empresas que, sem expectativa de recuperação esse ano, muitas vão fechar e vão despedir. Pega todo esse conjunto de tensões e vai jogando para a frente. E na outra ponta, você coloca um presidente e uma família de alucinados (…) É a selvageria em estado puro, e o país está nas mãos deles”

“A cada dia que passa, nunca é mais. É sempre menos, é menos dias que você tem para defender a democracia. Bolsonaro e seus ministros são incapazes de segurar essa crise. Pelo contrário, estimulam a crise. E de outro lado, eles tem milícias armadas ligadas a eles prontas para agir quando a fervura chegar em grau de ebulição. Então, como é que vai se deixar isso solto?”

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor.

Apoie e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Apoie agora

4 comentários

  1. Sem protestos massivos contra os desgovernos golpistas nada vai mudar. Os verdadeiro fiadores (e principais promotores) desses desgovernos não é o tal “bolsonarismo” (sic) ou um propalado “fascismo” mas a turma da Bufunfa (apud PNBJr) particularmente sua facção “Faria Lima”. São eles os formuladores dessa “agenda de reformas” (mescla de mistificação e pura e dura destruição e pilhagem econômica) que esses “governos office boys” carregam. Sim sabemos que essa “agenda de reformas” não passa de uma mescla de ruminação de “economia vulgar” reciclada do velho neoliberalismo de “cátedra” misturada com lições do Consenso de Washington, sim suas propostas morreram nos anos 90 mas os meninos e meninas da Faria Lima não sabem (aliás não sabem muita coisa, alguns raros chefes até sabem mas fingem não saber), ou seja, são como aqueles personagens de Incidente de Antares que passaram desta para melhor mas não foram enterrados. É essa “consciência científica” do Golpe que sustenta esses desgovernos. Por exemplo, na época do escândalo do Joesley a facção Grande Imprensa quis dar um “golpe dentro do golpe” contra Temer, o que fez a Faria Lima, pôs “panos quentes” e esfriou a fúria golpista da imprensa, enquadrou tudo mundo e bola para frente. Temer, o primeiro tiranete golpista, saiu (como dizem os espanhóis)”de rosistas”, inclusive vem sendo aventado como possível ministro do segundo tiranete golpista. Engraçado que o primeiro desgoverno golpista foi formada pelo alto clero do Congresso e o segundo pelo baixo (e baixíssimo) clero, enfim a base de apoio de todo governo demotucano. Aliás Temer foi figura fundamental de dois impeachments, um que foi evitado (a FH) e outra que foi ele o beneficiário direto (o de Dilma). Enfim os tucanos sempre utilizaram o “instituto” do impeachment quando o acesso eleitoral a presidência parecia bloqueado e assim desmoralizaram o instituto do impedimento previsto na nossa Constituição que deveria ser justamente utilizado contra desgovernos delinquentes como foram os do segundo FHC, o governo ilegítimo de Temer e o desgoverno delinquente desse energúmeno.

    Eles apenas contam com o nosso silêncio, contam com nossa ausência de luta. Foram eles que impe

  2. Por mais abjetos que sejam, Bolsonaro e seu grupo atendem interesses econômicos poderosíssimos e políticos a esses interesses ligados, daí a grande dificuldade que estamos assistindo para juntar forças em torno de um candidato contra o oficial para a Presidência da Câmara, e o sujeito contra Bolsonaro ainda é da turma do Michel Temer, vejam só onde chegamos.
    Não tem povo nas ruas, portanto não haverá impeachment. É uma pena ter de dizer isso, mas teremos de aturar essa gente até dezembro de 2022, no mínimo, porque Bolsonaro é candidato à reeleição daqui a 20 meses.

Deixe uma mensagem

Por favor digite seu comentário
Por favor digite seu nome