Uma vida sem problemas, por Maikon Pitas

Uma vida sem problemas, por Maikon Pitas

Já imaginou sua vida sem problemas, onde tudo vai dando certo? Será que isso é realmente possível? Lógico que você vai me responder que é impossível, um devaneio da minha cabeça, mas será que não podemos criar uma realidade na nossa vida livre de problemas? E eu respondo que sim, é totalmente possível uma vida sem problemas. Como? Libertando-se das crenças que te limitam.

Herdeiros de uma cultura cristã, criamos no inconsciente coletivo uma crença de um ¨Deus¨ imperialista, que nos observa julgando de acordo com suas próprias regras, criando castigos e provações, para que possamos aprender a seguir conforme o certo e errado determinado por “ELE” e, assim, sermos “abençoados “com suas graças no fim das nossas vidas” e, no “Juízo Final”, poderemos obter a benção de adentrar ao céu. Lógico que não posso atribuir crenças de um deus autoritário e punitivo apenas ao cristianismo. Muito antes disso, em outras culturas, já tínhamos deuses tão caprichosos o quanto.

Afinal, quem conhece um pouco de mitologia grega pode lembrar que Zeus odiava ser contrariado. Podemos até perceber similiaridades entre Zeus e o próprio Deus do antigo testamento, em suas formas de atuar com diversos castigos sobre os humanos, mas meu intuito aqui não é dizer quais são as formas corretas de crenças, e sim despertar um novo olhar para que possamos refletir o quanto essa dependência em um Deus paternalista que, mesmo com medo de estarmos errando segundo a sua visão divina, acaba nos tirando a  autonomia de seguirmos nossas vidas independentes, sem amarras de culpas e obrigações que nos aprisionam em nossas mentes.

Nessa conjuntura já estamos automatizados a crer em uma salvação vinda do externo, que, de alguma forma, traria a solução dos problemas, ficamos dependentes como filhos que não conseguem tomar suas próprias decisões sem considerações finais de seus pais, que, mesmo com toda opressão em nossas mentes, uma falsa segurança que alguém estará para passar as mãos em nossas cabeças pelos nossos erros, mesmo que tenha um castigo no final acreditamos que seremos perdoados.

Aprendemos em conceitos espiritualistas e religiosos que temos o livre arbítrio, o poder de escolha e decisão de nossas atitudes para nosso caminho de aprendizado e evolução como ser humano, só que na prática não queremos aceitar esse poder de escolhas, pois começa a despertar uma insegurança decorrente da nossa cultura, que não transmite uma liberdade total do ser, e sim uma dependência em um “Pai”, que decidiria por você.

Com o passar dos anos e minha estreita relação com os desencarnados (sou médium), comecei a aprender que, mesmo estando nessa dimensão, fazemos parte de um todo e as escolhas que tomo direcionam minha realidade. Com isso fui buscar mais conhecimento estudando filosofias e crenças religiosas orientais e outras que, de alguma forma, compartilhassem dessas ideias.

Comecei a entender que somos realmente parte do todo nesse universo e que esse “DEUS”, essa força universal habita dentro de todos nós, apesar de nessa dimensão que estamos o adensamento material nos tirar um pouco dessa percepção.

Para entender isso, precisamos aprender que a realidade se molda conforme são nossas crenças. Com isso podemos entender que ela funciona individualmente para cada pessoa, mesmo que estejamos vivendo em conjunto, em sociedade, cada pessoa tem uma percepção da sua realidade e interage de uma forma única com aquilo que vive; sendo assim, podemos acreditar que, conforme são nossas atitudes interiores, nosso mundo exterior materializa as posturas que tomamos para nossas vidas.

Somos responsáveis por cada acontecimento em nossas vidas, criando, assim, uma realidade única para cada um. Se abrirmos nossa mente para essa visão, podemos sim criar uma vida sem problemas.

O “problema” em questão é a nossa visão distorcida sobre algo que ocorre. Aprendemos a ver a vida com muitas dificuldades, vangloriamos “heróis” e “mártires” que passam as suas experiências “sofridas”, mas têm o apoio e as considerações das pessoas que observam seu sofrimento e aplaudem o “coitadismo”. Afinal, não validamos o que vem com facilidades, como se algo com sua natureza tranquila e calma fosse irreal, só restando a nós uma vida mergulhada em dificuldades e provações.

Com essas crenças, acabamos limitados e, assim, castramos nossas capacidades, dando espaço para as ilusões que compramos ao decorrer da vida: para ser feliz temos que alcançar situações estabelecidas pela sociedade, “vestimos” esses conceitos e não vivemos a felicidade, e sim buscamos ela na cabeça, ou seja, no mundo mental.

Acreditamos que temos que batalhar uma vida inteira para ter algo no final, seja uma casa, estabilidade financeira ou até mesmo uma iluminação espiritual e, com todas essas ideias, continuamos a criar expectativas achando que o importante é o que vem no fim do caminho, esquecendo totalmente de viver o agora, de pensarmos e observarmos que não existe um fim, só uma vida cheia de continuidades e que sempre estamos no caminho.

Essas crenças que vamos aprendendo desde criança, de que nada é permitido, as “obrigações” diárias, aquelas histórias de que a vida é muito difícil, todas essas ideias que estão enraizadas no inconsciente coletivo popular são pensamentos negativos sobre a vida que geram em nosso mundo interior “verdades absolutas” e, assim, começamos a atrair para nosso dia a dia situações que refletem nosso íntimo.

Temos um instinto de estar sempre em movimento de aprendizado. Com isso a natureza dos acontecimentos ao nosso redor gera os conflitos resultantes da nossa vida interior. Só conseguimos lidar com aquilo que já estamos acostumados. Nosso sistema de defesa inconsciente trabalha de forma ativa para que nossa sensação de segurança seja constante, mesmo que ela não esteja confortável. Daí vem nossa dificuldade com o novo.

Nessa defesa inconsciente sintonizamos frequências que trabalham ao nosso favor, atraindo, assim, para nossa vida adversidades, para que possamos alcançar um refinamento maior como indivíduos. Cada adversidade é vivenciada única e exclusivamente por cada pessoa, convidando-lhe a olhar para seu mundo interior e analisar qual a razão de criar tal situação para sua vida.

Assim, os tais “problemas” se materializam gerando em nossas realidades os conflitos necessários para aprendermos com as adversidades e criarmos habilidades em todos os setores de nossas vidas. Quanto mais eu encaro as adversidades do meu dia a dia com sua forma natural e tirando o melhor que posso do aprendizado, entendendo que sou eu que crio minha realidade, então não existem erros. Tudo o que fazemos é aquilo que sabemos e podemos naquele momento, e está perfeito.

Infelizmente não aprendemos dessa forma e gastamos tempo e energia buscando causas exteriores para tudo aquilo que não está de acordo com o que acreditamos que seria o “certo” para nós.

Se olharmos os problemas como algo a ser trabalhado para mudança, e não como um peso em nossas vidas que não tem solução, começaremos a ter um agora mais fácil e com qualidade para desfrutar melhor os aprendizados que se apresentam.

Reflita que esse agora em que estamos é a única oportunidade que temos para os melhores momentos a serem vivenciados. Isso só é possível se permitirmos e percebermos as riquezas dos acontecimentos ao nosso redor a todo instante. Não existe problema, e sim conflitos gerados por nós para nosso crescimento na escada evolutiva do ser.

 

Maikon Pitas é terapeuta holístico, médium e dirige o Espaço Filhos da Libertação em São Paulo/SP. O seu canal no youtube traz ensinamentos sobre autoconhecimento e despertar da consciência com vídeos dele próprio e dos seus guias nele incorporados: https://www.youtube.com/channel/UCQ00vCJKQrkZ9Mwvo1PS6Uw.  

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2 comentários

  1. “Pais, maridos, governos…”

    “… só que na prática não queremos aceitar esse poder de escolhas, pois começa a despertar uma insegurança decorrente da nossa cultura, que não transmite uma liberdade total do ser, e sim uma dependência em um “Pai”, que decidiria por você.”   Livre arbítrio significa que você pode errar, não que você vai/tem que errar.

    Muito bom!!!

  2. Gostei desse questionamento

    Gostei desse questionamento do Deus-pai. Também gostei do questionamento sobre os “erros”. Mas não existe nada coletivo, social? Tudo se exprime e se resolve unicamente no indivíduo? Além do “eu”, não existe um “nós”? Acho que existe experiências coletivas que devem ser consideradas.

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