Torre de Marfim: a crise universitária nos Estados Unidos

A CRISE UNIVERSITÁRIA NOS ESTADOS UNIDOS

https://vimeo.com/130861841

Dica de Lacyr João Sverzut

Da Folha

A nova bolha americana

POR BAIXO MANHATTAN

Maio e junho são meses de formatura em escolas e universidades americanas e período para que um assunto quase clandestino seja jogado à luz: o da dívida estudantil.

O economista e professor Richard Wolff, em entrevista a Bill Moyers, chamou a atenção para o nível da dívida estudantil nos Estados Unidos, explicando que, historicamente, o país nunca alcançou marcas como as de hoje (calcula-se que ela esteja acima dos 1,2 trilhões de dólares, maior do que a de cartões de crédito e representando 6% da dívida interna). “Não apenas estamos obrigando estudantes a contraírem dívidas nunca antes contraídas, mas oferecemos a eles a pior perspectiva de emprego possível”, disse Wolff. “Você pega emprestado mais do que pode pagar e depois consegue um emprego que jamais deixará que você quite a dívida”.

Wolff segue: “Estamos, enquanto nação, dando um tiro no pé. É uma demonstração da disfuncionalidade do sistema”.

Segundo o “The Wall Street Journal” a turma de universitários que se formou em 2014 foi a mais endividada da história, com uma média de US$ 33 mil, ou R$ 100 mil, o que significa dizer que o recém-formado entra no mercado de trabalho devendo R$ 100 mil. Números para os formados em 2015 ainda não foram divulgados, mas devem superar os de 2014.

De acordo com o instituto de pesquisas Pew, desde 2008, e portanto desde depois da crise do mercado financeiro, a dívida estudantil cresceu 84%. Em 1994 menos de 50% dos estudantes deixava a universidade devendo para o mercado, hoje mais de 70% saem da sala de aula endividados.

Leia também:  Abstenção no Enem: alunos relatam medo de Covid-19 e dificuldade com ensino à distância

Wolff lembra que a legislação americana permite que quase todos declarem falência, inclusive mega corporações e bancos, mas nega esse direito a estudantes.

O linguista e ativista Noam Chomsky vai mais longe e considera as mensalidades cada vez mais altas das universidades americanas uma forma de doutrinação.

O recém-formado, tendo diante de si dívidas de US$ 30 mil (ou R$ 100 mil) é obrigado a aceitar os empregos que melhor pagam, abrindo mão de vocações, talentos e sonhos, especialmente daqueles que levariam a uma carreira voltada para o social, e entrando sem pensar muito em uma máquina desenhada para alimentar as profissões que sustentam o sistema como ele se apresenta hoje: um que é incapaz de resolver a questão da desigualdade social e que só faz aumentá-la.

Da próxima vez que você assistir um desses filmes em que universitários jogam para o alto, felizes da vida, seus chapéus de formatura lembre-se de que, muito provavelmente, se trata de alguém que ainda não tem trabalho mas já acumula uma enorme dívida.

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10 comentários

  1. Escravidão… não é proibido?

    Me lembrei de moças brasileira, pobres e ingênuas, que eram “exportadas” para a Europa sob a promessa de que lá se tornariam modelos famosas mas que acabavam tendo que se prostituir porque seus financiadores aliciadores faziam suas dívidas crescerem a ponto de torná-las escravas… Esses estudantes viram escravos dos bancos.

  2. Reserva de Mão de obra

    O “sistema” garantindo a sua reserva de mão de obra mais barata…..

    E tem muita gente “inteligente” querendo isto para o Brasil, desde que o devedor(a) não seja seu filho(a). 

     

     

  3. R$ 100 mil é em nosso país de

    R$ 100 mil é em nosso país de terceiro mundo.

    Considerando que lá U$ 30 mil é igual a R$ 30 mil, ainda é mais barato que escola particular no Brasil.

  4. Para os defensores dos Tucanos

    Quando falo que Serra/Alckmin levaram a USP à liquefação, dizem que ensino superior devia ser pago, como é nos EUA.

    Os EUA são o modelo de estado da arte em ensino superior pra eles…

  5. E aqui? ao invés de universidades públicas

    com ensino gratuito e de qualidade, o governo Dilma tem gastado rios de dinheiro com o fies e agora já fala em fies para o ensino médio. É assim que se constrói um sistema que usa educação como mercadoria: dando dinheiro para o ensino privado e sucateando o público.

    • Mas esses direitistas mentem!

      Segundo o Portal da Transparência o MEC gastou 13,8 bilhões com o FIES em 2014. E no mesmo ano para a UnB foram 1,7 bilhão, para a UFMG mais 1.7 bilhão e pra UFRJ 2,75 bilhões. Em 3 universidades federais, apenas, tem meio FIES. Fora a CAPES, que recebeu 3,39 bilhões.

      Se você tivesse ao menos vergonha de mentir, lembraria que em 8 anos FHC criou zero universidades novas, e nos mesmos 8 anos Lula criou 14. Em 2013 de uma canetada só Dilma criou 4…

      Lê isso aí abaixo, pra ver se tu aprendes alguma coisa…

      http://cartamaior.com.br/?/Editoria/Educacao/Educacao-superior-em-Lula-x-FHC-a-prova-dos-numeros/13/16291

      http://www.brasildefato.com.br/node/30280

      A mentira virou a marca registrada da Direita!

       

      • Por que tanta ofensa? Seja menos grosso!

        O repasse para as federais é verba para elas funcionarem e tem sido feito com atrasos e tem havido cortes. Grande parte da verba da capes tem sido consumida com o ciência sem fronteiras e retirada das verbas de bolsa de pós graduação, o que prejudica o investimento em ciência, se é que você se importa com isso. Aliás, nossa política para ciência é quase nula, mas isso não é mérito do Dilma. Elogio muito o Lula não apenas pela construção de universidades, mas também pela expansão das universidades federais que já existiam. Mas a Dilma diminuiu e muito o ritmo de avanços que o Lula estava fazendo. Nem vou responder seu comentário quanto ao FHC por que não sou de direita, não o defendo, vim da usp e sei o tamanho da merda que o psdb tem feito lá, e nem acho que a Dilma merece ser comparada a ele. Mas que o Lula foi imensamente melhor do que ela, disso eu não tenho dúvidas. O problema de pessoas como você é que a sua vontade de me chamar de ignorante é tão grande que você nem chega a aceitar críticas que devem sim ser feitas a Dilma. O fies só é bom se for feito como um programa de transição enquanto se aumenta a malha de universidades federais. Pagar universidades particulares, geralmente com níveis de ensino muito inferiores ao das públicas, e diminuir o avanço no número de vagas em universidades públicas é tao ruim quanto o governo de São Paulo pagar leito em hospital particular e não investir na construção de novos hospitais públicos. Falar em fies do ensino médio quando se anuncia cortes no mec é um absurdo, nossa educação pública é péssima, então, como solução, vamos passar a financiar a educação privada? Para terminar, acho um puta desrespeito você me chamar de mentirosa sem nem me conhecer, calma um pouco com sua agressividade. Se você acha que a direita é mentirosa, seu comportamento não contribui muito para que a esquerda seja vista com bons olhos. Eu não gosto de como a Dilma tem tratado a educação, sou do meio universitário e vi a diferença entre o governo dela e o do Lula e a tendência e piorar muito esse ano. Gostaria muito que ela fosse de esquerda de verdade e tivesse a pátria educadora não como lema de campanha publicitária, por que para isso ela não cortou verba, mas como lema de uma revolução no país. Seria a primeira a defendê-la se, ao invés de cortar verbas do mec, ela cortasse os juros e investisse mais em educação. Mas, infelizmente, parece que ela foi vencida pelo financismo.

    • Pior..

      Pois é… 

      O pior é que, em geral, essas universidades particulares nem universidades são. A maioria é um colejão (deixa com j mesmo) onde passam para frente engenheiros que não sabem calcular, advogados que não sabem ler, etc.

  6. Mas o mais impressionante de tudo!

    É ver os direitistas encherem isso aqui de comentários do tipo “aqui é bem pior!”.

    É uma gana violenta de defender os EUA a qualquer custo, que vou te contar!

    Daqui a pouco o Nassif publica uma receita de bolo dos EUA, e os direitistas vão escrever “se fizer no Brasil o bolo vai sair solado!”…

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