Estudante acreano é o 1º brasileiro na Wise Learners

Do Terra Magazine

Autodidata em inglês, estudante do Acre chega a uma cúpula global de educação

Altino Machado

 

Primeiro brasileiro a integrar o Wise Learners, André Lucas Melo, 19 anos, é estudante de direito da Universidade Federal do Acre (Ufac). Ele participou na semana passada do World Inovation Summit for Education, uma grande cúpula anual realizada em Doha, capital do Qatar, quando foi nomeado um dos trinta Wise Learners de 2013 por sua atuação voluntária como embaixador do Estudar Mais, um projeto da ONG britânica React & Change na América Latina.

Filho único de um carpinteiro e de uma servidora pública, André Melo já participou de eventos como Parlamento Jovem Brasileiro, Youth Parliament do Mercosul, World Youth Congress, Youth Blast durante a Rio+20, International Student Week, em Ilmenau, e Global Entrepreneurship Summer School, em Munique.

Aprendeu inglês sozinho e já chegou a ser selecionado pela Unesco como editor internacional jovem de uma publicação global sobre educação e também já foi escolhido pela Hesselbein Global Academy como um dos 50 estudantes líderes de ponta.

Em 2012,  o acreano foi contemplado com o Prêmio Estudar Ciência. Apesar de ter um perfil aparentemente distante das ciências, foi um dos melhores classificados na Olimpíada Brasileira de Astronomia.  Aos 17,  ele já era Membro do Parlamento Jovem Brasileiro e representante do Acre – a convite do Parlamento Juvenil do Mercosul e do Ministério da Educação – em conferências nacionais de educação.

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Após a premiação pela Fundação Estudar,  foi convidado a contribuir como editor do Youth Summary, relatório organizado pela Unesco em parceria com a Peace Child International sobre a educação ao redor do mundo. Em seu texto, além de falar do desafio da educação na Amazônia, André Melo tratou de projetos de incentivo à educação, capacitação e engajamento juvenil. Dentre centenas de jovens de todo o mundo, seu texto foi eleito um dos 10 melhores trabalhos, o que lhe rendeu um convite pela Unesco a um encontro editorial no Reino Unido.

– Nunca tive que pedir ou mandar o André fazer as tarefas da escola – resume com satisfação a mãe Marilza Buriti Melo, papiloscopista do Instituto Médico Legal do Acre.

Ele mora numa casa humilde de alvenaria, na Rua Formosa, em Rio Branco, que está sendo reformada, pintada de cores claras apenas internamente.

Nascido no Acre, cujos problemas sociais são agravados pelo tráfico de drogas e a violência e onde a principal fonte de emprego é a máquina pública, André Melo destoa na paisagem com seu 1,79m de altura, cara de criança e uma determinação exemplar.

André Melo, que estudou em escola particular até o primeiro ano do ensino médio e migrou para escola pública na esperança obter bolsa de estudo, lém da Ufac, foi aprovado em vestibular para cursar direito na Universidade Federal da Integração Latino-Americana, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Universidade Federal do Amazonas e Universidade Federal de Campina Grande.

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Em que pese o brilhantismo, o estudante ainda manifesta incerteza quanto ao futuro:

– Penso muitas coisas, desde seguir carreira na área da magistratura até mesmo trabalhar em outras organizações. Mas o que eu gostaria mesmo é trabalhar com educação futuramente. Talvez lecionar, mas focar em políticas para a educação.

Segundo André Melo, se pudesse voltar no tempo, estudaria muito mais, pois acha que não se esforçou totalmente.

– Aprendizado, educação, foi algo que me interessou bastante. E posso dizer que foi algo que mudou completamente a minha vida. A maneira como eu vejo o mundo, as experiências que tive oportunidade, tudo isso é muito relacionado à educação, essa vontade de aprender, de ir além. Acho que todos nós temos um pouco disso dentro de nós.

O estudante brasileiro do Acre diz que todos os problemas sociais que afetam a sociedade brasileira estão relacionados à educação.

– Acho que o problema das drogas no Acre, assim como o problema da violência, da criminalidade, de todas as esferas, na saúde, devem ser sanados e podem ser sanados com investimento maior na educação, com a valorização da profissão do professor e com outros investimentos básicos na área de educação. Acredito que educação é a base de tudo, é a base de todas as áreas. É uma frase, um pensamento clichê, mas que faz muito sentido para mim. Ela pode mudar os mais diversos históricos.

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