FNDE lançará sistema para agilizar distribuição de livros didáticos

Por Mariana Tokarnia – Reporte da Agência Brasil – Da rede de Noticias do Centro de Referências em Educação Integral

Sistema permite que escolas cadastrem o número de estudantes matriculados e os livros que receberam a mais ou a menosArquivo/Valter Campanato/Agência Brasil

Para reduzir eventuais problemas de falta de livro didático em algumas escolas e evitar situações em que os estudantes esperam até o segundo semestre para receber um ou outro exemplar, o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) vai lançar no ano que vem um sistema que permite que escolas cadastrem o número de estudantes matriculados e os livros que receberam a mais ou a menos. Com isso, os centros de ensino poderão se comunicar e fazer os remanejamentos necessários.

“Verificamos que nos estados é suficiente a quantidade de livros adquiridos. Raramente, existem exceções, a quantidade é inferior. Mesmo assim, quando isso ocorre, a reserva técnica supre a necessidade. O que falta é que as escolas possam remanejar o material”, explica a coordenadora de Apoio às Redes de Ensino do FNDE, Ana Carolina Souza Luttner. “O remanejamento é um dos pilares que o PNLD [Programa Nacional do Livro Didático precisa ter para executar bem o recurso público, para que o aluno tenha um livro de qualidade nas mãos, com mais agilidade”, acrescenta.

Anualmente, as escolas públicas recebem livros pelo PNLD, cujas compras são feitas pelo FNDE. O número de exemplares adquiridos é baseado em projeção feita pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) com base no número de estudantes cadastrados no último Censo Escolar. É calculada ainda uma reserva técnica de 3% do total de estudantes de cada rede de ensino para eventuais aumentos inesperados de matrículas.

Caso esses livros não sejam suficientes para atender a demanda, é possível solicitar uma compra complementar. Esse processo, no entanto, é demorado e o estudante tem acesso aos livros apenas no segundo semestre.

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Para buscar resolver a questão, o FNDE reformulou o Sistema de Controle de Remanejamento e Reserva Técnica (Siscort), que ficou no ar de 2004 a 2011. O novo Siscort estará no ar em fevereiro. No sistema, as escolas poderão atualizar o número de alunos e especificar os livros que receberam a mais ou a menos. Para as escolas onde faltam livros, o próprio sistema informará, de acordo com a proximidade, escolas no mesmo município ou estado que receberam as obras a mais. Aquelas que têm livros sobrando receberão uma notificação caso outros centros de ensino precisem dos livros. O sistema também disponibilizará os contatos para que os gestores se comuniquem. O transporte das obras deverá ser custeado pelas secretarias de Educação, que também acompanharão o processo.

Segundo Ana Carolina, o próprio FNDE poderá antecipar as compras complementares, verificando as obras que não poderão ser remanejadas ou supridas pela reserva técnica.

O FNDE vai realizar campanhas para que as escolas e secretarias participem e acessem o sistema. A autarquia pretende vincular o pedido de livros da reserva técnica ao preenchimento dos dados. Em 2015, as redes que não tiverem pelo menos 50% das escolas com os dados atualizados não poderão fazer os pedidos. A intenção é que o percentual aumente ano a ano até a adesão completa.

“Com o novo Siscort, a gente espera que os alunos tenham o livro em mãos muito antes. O remanejamento levava tempo para ser feito. Com o sistema, esperamos que o quanto antes, até mesmo já em fevereiro, os alunos todos tenham os livros. Além disso, o FNDE espera fazer compras mais inteligentes. A autarquia vai poder consultar o sistema para ver o que está sobrando no Brasil”, diz Ana Carolina.

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6 comentários

  1. Seria muito mais produtivo e

    Seria muito mais produtivo e econômico o Ministério da Educação entrar na era do livro digital. Além de aumentar o interesse dos alunos e propiciar a alfabetização digital deles, levaria a falência a Abril Cultural (editora que publica aquela merda de revista neocom que vive criando crises). Isto para não falar na economia de papel e, portanto, do alívio da pressão exercida sobre as florestas brasileiras. 

    • Mais realismo, por favor

      Osalunos precisam dos livros em papel para estudar. Nem todos têm computadores em casa. E deixar a impressao por conta deles sai caro. 

      Agora, deixar os livros on line teria a vantagem de permitir que várias gráficas conveniadas, locais, se encarregassem da impressao. Poderia facilitar a logística de distribuiçao. 

  2. O novo sistema de

    O novo sistema de distribuição de livros didaticos, a Siscort, é uma boa novidade. Contudo, o que falta é uma revalorização dos livros didaticos nas escolas publicas, sobretudo no ensino medio. Com o advento dos sistemas de ensino apostilado, os conteudos passaram a ser tratados de forma cada vez mais superficial. A analise e a leitura cuidadosa proporcionada pelos bons livros didaticos passaram a ser substituidos pelo enciclopedismo raso das apostilas. Sistemas de ensino, tais como o Objetivo, estão na vanguarda do processo de mercantilização do ensino basico, num contexto de aumento na demanda por vagas nas universidades combinada à pessima qualidade da educação brasileira – um belo terreno para se lucrar em cima da educação. Assim, o material produzido por esses sistemas de ensino está voltado exclusivamente para os vestiibulares, estabelecendo um critério de aprendizagem utilitarista. Já as apostilas fornecidas pelos governos estaduais, bem, só pode ser piada. Essas excressencias didaticas são tão pobres de conteudo que não servem nem mesmo para um cidadão passar numa faculdade de quinta. As apostilas que o governo do ilustrismo senhor Geraldo Alckimim fazem alunos e professores engolirem goela a baixo é pior lixo didatico que já vi na minha vida escolar. É pior que as apostilas distribuidas nas escolas estaduais do Ceará, onde estudei também. Bem na verdade esse lixo apostilado quase não tem conteudo: de  50 paginas, 45 só de exercicios massantes que professor e alunos são obrigados a fazer. Para o nosso desgosto, essa apostilas não servem para complementar as aulas com atividades – tampouco pra isto serviriam. Mas se pretende que o uso delas dominem as aulas, substituindo a transmição de conhecimento pelo proprio professor – que fica inutilizado na sala de aula –  e os bons livros didatico, que tendem a ficar mofando nas bibliotecas.

    Diante disso, perdi totalmente a fé na capacidade de os Estados cuidarem da nossa sucateada educação básica. Federalizar o ensino talvez seria a melhor via para se contruir o modelo nacional de educação universal e gratuita, que correspondessem as nossas aspirações por formação cidadã e qualificação no trabalho. E nesse modelo o livros didaticos cuprirão papel importante.

  3. livro didatico

    ####

    Ola Nassif,

    Pelo visto esse post, lembra-me um tempo em que se falava em um computador por aluno,

    E em vez dele ficar carregando uma mochila cheia de livros deformando suas colunas,

    Poderiam carregar uma biblioteca inteira, nos seus tablets,

    Muito mais leve e pratico, “mas é preciso financiar-se a custas de dinheiro publico os parques gráficos da “grande imprensa manipuladora,” eles também têm filhos para sustentar,

    Já passou e muito o tempo de todos os livros serem digitais,

    Ate os judiciários estão numa política de acabar com os processos em papel, acabando com aquela papelada sem fim, com o alto risco de incêndios normalmente suspeitos de criminosos,

    Que pena, ainda há na nossa maquina administrativa coisas arcaicas como

    O uso de sistemas operacionais proprietários e livros didáticos em papel,

    E olha que tudo isto no ministério da nossa ““educação””, (ou submissão ), que pena,

    ####

  4. Os livros citados são aqueles

    Os livros citados são aqueles de papel feitos de árvores? Ainda existe isso?

     

    Porque não disponibilizar todo o conteúdo on-line? Tipo O Livro!

    Fica a sugestão. Acho que sou um gênio!

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