Letra cursiva: a caminho da extinção?

Por Eliana Rezende

Recentemente lia sobre a decisão, e que em alguns países está se tornando lei, que é a não ensinar mais a letra cursiva nas escolas para estudantes que estão sendo alfabetizados.

Ao que parece tal decisão pauta-se mais pelos que consideram que a escrita digital está substituindo a escrita cursiva, e que esta última não possui sentido em um mundo feito de gadgets e outras formas de composição do escrito.

Não sei se esta radicalização é correta neste momento ou se basta deixar os anos correrem para ver se a escrita cursiva de fato cairá na obsolescência e consequente esquecimento, tal como o dizem seus profetas apocalípticos. Tudo acaba sendo especulativo. Mas de fato, creio que essa opção de extirpar a escrita cursiva, ainda na alfabetização, será alvo de acaloradas e intensas discussões.

Um artigo interessante do The New York Times trata desta questão do ponto de vista do que se tem com a escrita de próprio punho. Veja aqui:

No lado oposto estão os que defendem que a escrita de próprio punho é, não apenas salutar, como ajuda a desenvolver aspectos neurológicos, de memória e retenção que nos meios digitais não seriam possível.

Em relação a isto, e até mesmo no Brasil muitos conteúdos têm sido revistos quanto à sua importância no currículo, e a letra cursiva é mais uma destas reflexões.

O que precisa ser levado em conta é que a transmissão da ideia de um texto escrito necessita ser inteligível a qualquer um, em dois aspectos: coesão e letra. Pois a ideia pode ser ótima, mas se perde quando a letra não possibilitar sua leitura e compreensão. Penso que a letra (qualquer uma delas) é um recurso intermediário e nunca o objetivo final.

De que vale uma letra maravilhosa com pobreza de ideias, sem clareza de raciocínio?

Para nós, que temos o domínio de todas as formas e formatos que a escrita pode ter, é apenas uma questão de escolha por um ou outro meio. Agora, optar pelo não ensino é uma discussão que vai muito além.

O maior problema que temos assistido é que da mesma forma que os suportes tem feito a cisão entre conteúdo e forma, o mesmo vem ocorrendo, ainda que de forma sutil entre escrita digital e cursiva.

Para, além disso, a escrita vem tornando-se fonética e encontra públicos usuários de todas as idades. Tenho para mim que seria um dos motivos de estarmos assistindo uma inviabilização da escrita cursiva com alguma fluência. Os alunos quase que junto com a alfabetização começam a se comunicar utilizando essa forma de linguagem.

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Tão logo aprendem as primeiras letras incorporam os vícios da linguagem fonética.

Em outros tempos éramos alfabetizados e utilizávamos o encurtamento de caracteres para simplificar a escrita ágil, em geral para anotações de aula. Obedecíamos as regras e a forma taquigráfica tinha como base uma boa redação. Hoje o que temos são alunos que não aprenderam a ler, a se expressar e transformam essa expressão em código escrito que tenha inteligibilidade e correção.

Nossa sociedade, em especial as digitais, está se habituando cada vez mais com a pirotecnia e a cisão entre forma e conteúdo.

Em tempos analógicos seria impensável separar conteúdo de suporte.

Daí que a escrita de próprio punho cunhava sobre o papel modos de ser e expressar… a grafologia fornecia uma possibilidade concreta de análise do individuo a partir de seus dados.

Com os processos digitais, conteúdo e forma se cindiram e hoje esta cisão acaba sendo “natural”, até para propiciar links e hiperlinks que saem de um lugar e vão ao outro em ritmo de sons, imagens, textos e cores e que muito pouco possuem do traço do individuo.

De um lado, pode-se ter acréscimos se pensarmos em compartilhamentos de qualidades e que amarrem de fato ideias. Mas sabemos o quanto isso tem se distanciado do ideal.

Aqui temos outra dimensão do tripé: leitura, escrita e comunicação.

Enquanto a escrita de próprio punho possa sofrer alterações de ritmo e velocidade em função das tecnologias utilizadas, a leitura e a comunicação de ideias não possuem as mesmas características.

Apesar de programas facilitarem correções ortográficas e erros mais óbvios, eles não conseguirão extirpar problemas que tenham que ver com clareza e objetividade de ideias. Neste sentido a escrita tem um componente mais “braçal” no sentido de exigir da parte de quem escreve, esmerilhar as palavras e encontrar as que comuniquem com maior clareza suas ideias.

Em tempos de imediaticidade, contenção e superficialidade os textos, ainda que curtos, perdem muito da fluidez da boa escrita, pautada em boas leituras e concatenadas com raciocínio articulado. Essa “terceirização” que muitos estão fornecendo a corretores ortográficos e similares mutila e deforma conteúdos, mesmo os ditos profissionais…. infelizmente.

Com o tema encontramos a bifurcação entre a expressão comunicacional e seus suportes. Como um dado de suporte os meios que temos hoje chegam a agilizar pensamentos e formatar ideias. Mas é apenas, e tão somente, um meio. Se o que antecede a tudo que é formatação mental de uma ideia, um conceito que, ou o que quer que seja, não tenha um embasamento sustentável não haverá tecnologia que “concerte” isso.

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Engraçado pensarmos como foi difícil todo esse processo. Lembro que no início escrevia tudo à mão para depois digitar com medo que tudo se perdesse.

Hoje em dia, tenho que confessar minha escrita manual está cada vez mais lenta.

Mas gosto de pensar que tudo é uma questão de escolha. Não creio em radicalismos, em especial o de simplesmente um decreto pondo o fim ao ensino da letra cursiva na alfabetização básica. Acho que as pessoas tem que ter a escolha… sem aprender fica um pouco difícil.

Essa facilidade que nós, da versão analógica sentimos, talvez não seja a mesma que as crianças sintam. Basta ver o fascínio que as telas sensíveis ao toque exercem até em bebês!

Notamos uma busca de ergonomia dos gadgets para que se assemelhem a modos que estávamos habituados a nos expressar, sendo a escrita cursiva uma delas, alguns inclusive incluem canetas e estilos em seus acessórios.

Estamos de novo com sinais de novos tempos e apropriações culturais de códigos e postura no ler e escrever.

As sociedades nem sempre mantiveram os mesmos padrões para a leitura e muito menos para a produção do escrito. Essa relação foi desde o sagrado (já que dominar a arte da escrita aproximava o homem de sua divindade) à estruturas que colocavam o escriba como um alto funcionário do governo.

Era uma escrita técnica e absolutamente dominada por bem poucos.

A passagem para pergaminhos e tintas também não foi sem certa dose de elitismo já que era apenas nos mosteiros que elas eram realizadas e possuíam ainda essa característica de um poder concedido a poucos.

A imprensa e com elas os meios de disseminação da leitura, popularizaram posteriormente também a escrita. Foi a partir daí que as tintas ganhavam o papel e o imaginário das pessoas como forma de externar sentimentos e os séculos mais recentes, em especial o XVIII e XIX, conheceram a escrita romântica e o desenvolvimento das chamadas escritas ordinárias. Foi o época dos diários e da relação com a escrita como uma catarse. O século XX manteve boa parte disso e até mesmo técnicas de grafologia foram desenvolvidas exatamente para relacionar aspectos de personalidade com a escrita de próprio punho.

Hoje assistimos mais uma transformação. De novo com muitos questionamentos. É difícil estar em meio a toda essa transformação e entender para onde vamos. Só historiadores e outros pesquisadores de transformações sociais do futuro serão capazes de entender o que de fato se passou.

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Talvez eu ainda seja romântica no sentido crer que a expressão pelas palavras deve vir em todas as formas e me encantam mais as palavras que seus suportes..

Talvez esse saudosismo que deixo transparecer pela escrita de próprio punho tenha que ver com uma pratica profissional e com uma experiência de vida.

O tema da escrita e seus suportes são, para mim, forte questão até por que transcende meu gosto pessoal e perpassa meu ofício: sou historiadora e a lida com suportes de outro tempo quase sempre uma constante. Dado que aí é impossível não fazer as comparações. Ainda tenho muito vincado em mim a experiência da escrita de próprio punho.

Hoje em dia, as palavras deixam de ser pensadas e as correspondências giram em torno do imediato. Roubou-se a aura da palavra cunhada e da magia que seus complementos tinham (os selos, os papéis, os timbres, as tintas, o rebuscado de letras e formas, sua sinuosidade e curvas).

Apesar do ar saudosista tenho claro que as alterações no mundo em que vivemos são parte de um processo e que como tal não deve ser desprezado ou ignorado. Não vejo como um problema essa alteração que nossos tempos e tecnologias vêm imprimindo à escrita.

O desafio é grande por que não vem só com a escrita fonética é todo um conjunto, e o que é pior: avassala toda uma geração cultural.

Há ainda a questão do raciocínio lógico e o uso de operações consideradas básicas. Os alunos em geral têm passado longe dessa capacidade e o que vemos cada vez mais é um analfabetismo funcional que alcança os níveis de graduação.

Não culpo apenas o sistema de ensino. Volto a dizer que sou fruto dele e nunca estive em uma escola particular. Foi necessária muita determinação e empenho. Algo que parece meio em desuso pela maioria dos discentes. Muitos optam pela lei do menor esforço e em geral até a escolha de uma faculdade passa por aquela que não tem processos rigorosos de ingresso nem de permanência.

Mas isso é assunto para outro post…

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Publicado originalmente no Blog Pensados a Tinta

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24 comentários

  1. É bom ou ruim? Não sei.

    Regulava o ano de 1988 e meu pai me deu uma máquina de escrever Olivetti.

     

    Aprendi a datilografar em casa com o manual. E desde a minha quinta série do primeiro grau (antigamente era assim que se chamava), que comecei em 1989, passei a escrever em letra de fôrma (atualmente se diz ”letra digital”).

     

    Se passaram desde então 25 anos, desde o tempo em que eu era um guri de calça curta, e nunca mais consegui escrever com letra cursiva. Gostaria de saber o que perdi ao abandonar a letra cursiva e substituí-la pela letra digital, por livre e espontânea vontade, aos 10 anos, lá em 1989. 

    • O que se perde enquanto os olhos piscam?

      Você provavelmente não perdeu nada porque já havia sido alfabetizado na letra cursiva.

      Eu também escrevo em letras de forma.

      O que é necessário ser avaliado é quais são os processos cognitivos que ocorrem quando se escreve unindo uma letra à outra. Pois são esses processos cognitivos que as crianças deixaram de fazer.

    • A mesma situação

      Também aprendi a datilografar sozinho, mas em uma daquelas máquinas portáteis, emprestada de um amigo. E também foi lá pelos idos de 1990.

      Na mesma época parei de escrever com letra cursiva pois achava a minha horrorosa e, as vezes, as pessoas não conseguiam entender o que escrevia. Mudei para a letra de forma, com todas maiúsculas, e não parei mais. Resultado: a coisa de um ano, durante uma aula, tentei escrever algumas palavras no quadro sobre o tema proposto com letra cursiva e não consegui. As únicas palavras que consigo escrever com cursiva são meu nome quando necessito assinar alguma coisa pois não gosto de usar abreviações ou desenho para isto.

      E isto está me incomodando até hoje, mesmo tendo adotado o hábito de, eventualmente, voltar a utilizar a letra cursiva.

    • Um pouco ruim, apenas.

      Quando se usa a letra cursiva, somos obrigados a usar mais (micro)movimentos dos dedos para ligar as letras, e melhores ou mais elaborados movimentos para o desenho da letra ser legivel e pequeno. Ao contrario, as letras de forma (sim sou dessa epoca tb.) sao maiores e mais simples, poucos (2 ou 3) movimentos definem uma letra e elas sao normalmente mais claras.

      Durante os anos de formacao ou aprendizado isso se junta ao processo de raciocinio logico e cria uma nocao de aprimoramento ou otimizacao.

      Uma discussao interessante existe hoje sobre este tema, escrita manual, que mostra que quem toma notas escritas retem mais conteudo e aprendem mais do que aqueles que tomam notas por digitacao num teclado.

       

        Diogenes

       

      • Discordo, Diógenes. O próprio

        Discordo, Diógenes. O próprio nome do tipo de letra (cursiva) é a prova de que ela “corre” mais fácil ao escrever, ou seja, quase não se precisa tirar a ponta da caneta do papel, ao contrário da letra de forma.

      • E NAO É VERDADE que letra de forma seja mais legível…

        Já leu textos escritos com pressao de tempo (em provas, por ex.) em letra de forma? Acho que qualquer professor te dirá quao ruim isso é. Afinal, a letra cursiva foi desenvolvida exatamente para tornar mais fácil a escrita à mao. Tudo em maiúsculas, entao, é horrível, a gente leva anos  criando mecanismos cerebrais para a leitura em letras minúsculas (nesse caso, tanto em cursiva como de forma) e tem dificuldade em ler tudo em maiúsculas, fora de manchetes, cartazes, etc., com letra bem maior do que o habitual. 

    • A possibili// de escrever só com SUAS MAOS, sempre disponíveis

      Pode-se escrever à mao sem teclados, celulares, etc. E a letra cursiva é a adequada para se escrever a mao. Sou professora, nao há nada pior para ler do que textos de alunos que escrevem, mesmo a mao, com letra de imprensa. Fica ilegível o resultado. 

  2. Profeta Isaac Asimov

    Podemos extrapolar essa questão da matemática para a escrita cursiva…

    A SENSACAO DE PODER

    “Em meu conto “A Sensação de Poder”, publicado em 1957, lancei
    mão de computadores de bolso, cerca de dez anos antes de tais
    computadores se tornarem realidade. Cheguei mesmo a
    considerar a possibilidade de eles contribuírem para
    que as pessoas acabassem perdendo a capacidade
    de fazer operações aritméticas à maneira antiga.”
    (Introdução – Isaac Asimov)

    Jehan Shuman estava acostumado a lidar com os homens responsáveis pelas tropas espalhadas pela Terra. Era apenas um civil, mas tinha criado os programas que possibilitaram o surgimento dos mais avançados computadores automáticos de guerra. Consequentemente, os generais ouviam sua opinião. Os líderes das comissões parlamentares também.
    Havia um militar e um político no salão especial do Novo Pentágono. O general Weider tinha um rosto bronzeado pelos raios de muitos sóis, e sua pequena boca, cheia de rugas, quase não aparecia. O deputado Brant tinha um rosto suave e olhos claros. Ele fumava um charuto denebiano com a segurança de alguém cujo patriotismo era tão notório que podia se permitir certas liberdades.
    Shuman, alto, distinto, um típico programador de elite, encarou-os destemidamente.
    – Cavalheiros – disse ele -, esse é Myron Aub.
    – É aquele que tem um talento incomum, que você descobriu por acaso – disse Brant, sereno. – Ah. – Ele estudou o pequeno homem de cabeça oval e careca com uma curiosidade cordial.
    Em resposta, o homenzinho torceu os dedos de suas mãos ansiosamente. Nunca tinha visto homens tão importantes em sua vida. Era um técnico envelhecido e sem importância, que há muito tempo tinha fracassado em todos os testes destinados a selecionar as pessoas talentosas da humanidade e se acomodara numa rotina de trabalhos não especializados. Tinha apenas um passatempo que, de pois de descoberto pelo grande programador, acarretara todo esse estardalhaço.
    – Acho infantil esse clima de mistério – disse o general Weider.
    – Vai deixar de achar em um minuto – disse Shuman. – Esse é o tipo de coisa que não pode vazar para qualquer um… Aub! Havia um pouco de autoritarismo na sua maneira de pronunciar esse nome monossilábico, mas, nesse caso, era o grande programador falando para um simples técnico. – Aub! Quanto é nove vezes sete?
    Aub hesitou um pouco. Seus olhos pálidos brilharam, ligeiramente ansiosos.
    – Sessenta e três – disse ele.
    O deputado Brant levantou as sobrancelhas.
    – Ele acertou?
    – Veja você mesmo, deputado.
    O deputado tirou seu computador de bolso, apertou as teclas duas vezes, olhou para a superfície na palma de sua mão e guardou-o.
    – É esse o talento que você trouxe para nos mostrar? Um ilusionista?
    – Mais que isso, senhor. Aub decorou algumas operações e com elas faz cálculos num papel.
    – Um computador de papel? – disse o general. Ele parecia aflito.
    – Não senhor – disse Shuman pacientemente. – Não é um computador de papel. É um simples pedaço de papel. General, o senhor faria a gentileza de sugerir um número?
    – Dezessete – disse o general..
    -E o senhor, deputado?.
    – Vinte e três.
    – Ótimo. Aub, multiplique esses números e, por favor, mostre a esses cavalheiros como você faz isso..
    – Sim, programador – disse Aub, fazendo uma reverência com a cabeça. Tirou um bloco de um dos bolsos da camisa e do outro uma caneta de bico fino. Sua testa se enrugava enquanto desenhava meticulosamente no papel..
    O general Weider interrompeu-o bruscamente..
    – Deixe-me ver isso.
    Aub entregou-lhe o papel..
    – Bem, isso parece com o número dezessete – disse Weider..
    O deputado Brant balançou a cabeça..
    – Parece sim, mas eu acho que qualquer um pode copiar as figuras de um computador. Talvez até eu possa fazer um dezessete razoável, mesmo sem prática..
    – Se vocês deixarem Aub continuar, cavalheiros – disse Shuman, sem se perturbar..
    Aub continuou com as mãos um pouco trêmulas. Depois de algum tempo, disse em voz baixa:.
    – A resposta é trezentos e noventa e um..
    O deputado Brant checou de novo o computador. – Por Deus, é isso mesmo. Como ele adivinhou?.
    – Ele não adivinhou, deputado – disse Shuman. – Ele calculou o resultado nesse pedaço de papel..
    – Conversa furada – disse o general, impaciente. – O computador é uma coisa, desenhos no papel são outra..
    – Explique, Aub – pediu Shuman..
    – Pois não, programador. Bem, eu escrevo dezessete, embaixo dele, escrevo vinte e três. Depois, digo comigo mesmo: sete vezes três….
    – Só que o problema é dezessete vezes vinte e três interrompeu-o o deputado, cortês..
    – Sim, eu sei – disse o pequeno técnico, num tom sério. Mas eu começo por sete vezes três, porque é assim que funciona. Agora, sete vezes três são vinte e um..
    – Como é que você sabe isso? – perguntou o deputado..
    – É uma questão de memória. É sempre vinte e um no computador. Já conferi um monte de vezes..
    – Isso não quer dizer que vai ser assim para sempre, não? disse o deputado..
    – Talvez não – gaguejou Aub. – Não sou matemático. Mas as minhas respostas sempre estão certas..
    – Continue..
    – Sete vezes três é vinte e um, então eu escrevo vinte e um. Depois, um vezes três é três e, então, escrevo o três embaixo do dois de vinte e um.
    – Por que embaixo do dois? – perguntou de pronto o deputado..
    – Porque… – Aub olhou desesperado para o seu superior, como se estivesse pedindo ajuda. – É difícil de explicar..
    – Se vocês aceitarem o seu trabalho por um momento, podemos deixar os detalhes para os matemáticos..
    Brant se acalmou..
    – Três mais dois é igual a cinco – disse Aub. – Então o vinte e um vira cinqüenta e um. Você deixa isso de lado um pouquinho e começa de novo. Você multiplica sete por dois, que é catorze e um por dois, que dá dois. Se você colocá-los assim, isso vai dar trinta e quatro. Agora coloque o trinta e quatro embaixo do cinqüenta e um dessa forma e faça a soma, então terá a resposta final, que é trezentos e noventa e um..
    Houve um momento de silêncio..
    – Não acredito nisso – disse o general Weider. – Ele vem com essa conversa furada e desenha os números, multiplica e soma dessa maneira, mas não acredito. Isso é muito complicado. Não passa de um truque..
    – Não, senhor – disse Aub, ansioso. – Só parece complicado porque o senhor não está acostumado. Na verdade, as regras são muito simples e funcionam com qualquer número..
    – Qualquer número, hein? – disse o general. – Então, vamos ver. – Pegou o seu computador (um modelo GI de estilo austero)e apertou-o ao acaso. – Escreva cinco sete três oito no papel. Isto é cinco mil, setecentos e trinta e oito..
    – Sim, senhor – disse Aub, pegando uma folha em branco..
    – Agora – mais toques no seu computador – sete dois três nove. Sete mil, duzentos e trinta e nove..
    – Sim, senhor..
    – Agora, multiplique esses dois números..
    – Isso vai demorar um pouco – disse Aub, com uma voz trêmula..
    – Fique à vontade – disse o general..
    – Vá em frente, Aub – disse Shuman, incisivo..
    Aub pôs-se a trabalhar, inclinando-se para baixo. Virou outra página e mais outra. O general pegou o relógio e viu as horas..
    – Você já terminou o seu número de magia, técnico?.
    – Estou terminando, senhor. Aqui está, senhor. Quarenta e um milhões, novecentos e trinta e sete mil, trezentos e oitenta e dois. Ele mostrou o resultado rabiscado no papel..
    O general Weider sorriu amargamente. Ele pressionou o botão de multiplicação do seu computador e deixou os números rodopiarem até parar. Então ele olhou o resultado e gritou surpreso. – Grande Galáxia, esse cara está certo..

     

    O Presidente da Federação Terrestre tinha adquirido uma expressão macilenta devido à longa permanência nos escritórios; nas audiências, ele permitia que uma expressão vagamente melancólica tomasse conta de suas feições. A guerra denebiana, depois de um breve começo de grande agitação e muita popularidade, tinha se restringido a uma sórdida questão de manobras e contramanobras, com o descontentamento crescendo continuamente na Terra. Provavelmente também estava crescendo em Deneb..
    E agora, o deputado Brant, líder do importante Comitê de Apropriações Militares, estava alegre e entusiasmadamente desperdiçando a sua audiência falando barbaridades..
    – Calcular sem um computador – disse o presidente, impaciente – é absolutamente impossível..
    – Calcular – disse o deputado – é apenas um sistema de manipulação de dados. Uma máquina pode fazer isso, da mesma forma que a mente humana. Deixe-me dar-lhe um exemplo. E, usando as novas habilidades que tinha aprendido, desenvolveu somas e produtos até que o presidente, a despeito de sua desconfiança, se mostrou interessado. – Isso sempre funciona?.
    – Sempre, Sr. Presidente. É infalível..
    – É difícil de aprender?.
    – Passei uma semana até pegar o macete. Acho que o senhor precisaria de menos tempo..
    – Isso é um joguinho interessante – disse o presidente, depois de pensar um pouco. – Mas qual a sua utilidade?.
    – Qual a utilidade de um bebê recém-nascido, Sr. Presidente? Por enquanto, não tem nenhuma utilidade, mas o senhor não vê, isso aponta o caminho que libertará a máquina. Pense bem Sr. Presidente. – O deputado se levantou e sua voz profunda automaticamente assumiu algumas das entonações que usava nos debates. – A guerra denebiana é uma guerra de computador contra computador. Os computadores deles produzem um escudo impenetrável de contramísseis contra os nossos mísseis, assim como os nossos fazem contra os deles. Quando modernizamos nossos computadores, eles também modernizam os deles, e há cinco anos existe um equilíbrio precário e inútil..
    Agora temos em nossas mãos um método para ir além do computador, pular por sobre ele, ultrapassá-lo. Combinaremos a mecânica do computador com o pensamento humano; teremos o equivalente aos computadores inteligentes; bilhões deles. Não posso prever detalhadamente quais serão as conseqüências, mas elas serão incalculáveis. E, caso os denebianos se antecipem a nós nesse aspecto… o resultado pode ser uma catástrofe..
    – O que podemos fazer? – disse o presidente, preocupado..
    – Colocar o poder da administração em favor de um projeto secreto de computação humana. Chame-o de Projeto Número, se quiser. Posso me responsabilizar pelo meu comitê, mas vou precisar do apoio da administração..
    – Mas até onde a computação humana pode ir?.
    – Não há limites. De acordo com o programador Shuman, que me apresentou essa descoberta….
    – Já ouvi falar de Shuman, é claro..
    – Sim. Bom, o Dr. Shuman me disse que, teoricamente, não há nada que um computador faça que não possa ser feito pela mente humana. O computador apenas processa um número finito de dados e opera um número finito de operações a partir deles. A mente humana pode reproduzir esse processo..
    O presidente pensou um pouco..
    – Se Shuman diz isso, estou inclinado a acreditar nele… em teoria. Mas, na prática, como alguém pode saber como um computador funciona?
    Brant sorriu cordialmente..
    – Sr. Presidente, eu fiz a mesma pergunta. Ao que parece, houve uma época em que os computadores eram projetados diretamente pelos seres humanos. Eram computadores simples; antecederam a época em que o uso racional dos computadores fez com que eles projetassem computadores mais avançados.
    – Sim, sim. Continue.
    – Aparentemente, o técnico Aub conseguiu, por puro lazer, reconstituir alguns desses velhos esquemas, estudou os detalhes do seu funcionamento e descobriu que podia copiá-lo. A multiplicação que acabei de fazer para o senhor é uma imitação do funcionamento de um computador.
    – Surpreendente!
    O deputado tossiu educadamente.
    – Se posso fazer mais uma observação, Sr. Presidente… quanto mais pudermos desenvolver essa coisa, mais poderemos desviar nosso esforço federal da produção de computadores e de sua manutenção. Assim que o cérebro humano assumir o poder, nossas melhores energias poderão ser canalizadas para procurar a paz, e a influência da guerra nos homens comuns será menor. Isso será mais vantajoso para o partido no poder, é claro.
    – Ah – disse o presidente. – Entendo o que você quer dizer. Bem, sente-se, deputado, sente-se. Preciso de algum tempo para pensar. Enquanto isso mostre-me esse truque da multiplicação de novo. Deixe ver se eu consigo pegar o macete. O programador Shuman não tentou apressar o assunto. Loesser era conservador, muito conservador, e gostava de lidar com os computadores da mesma forma como seu pai e seu avo. Mesmo assim, ele controlava o monopólio de computadores do oeste europeu; se conseguisse entusiasmá-lo com o Projeto Número, um passo muito grande seria dado.
    Mas Loesser continuava com um pé atrás
    – Não sei se gosto da idéia de afrouxarmos as nossas rédeas sobre os computadores. A mente humana é uma coisa caprichosa. O computador sempre nos dará a mesma resposta para o mesmo problema. Qual a garantia que temos de que com a mente humana será assim?
    – A mente humana, Loesser, apenas manipula os fatos. Não importa se a mente humana ou a máquina faz isso. Elas são apenas instrumentos.
    – Sim, sim. Acompanhei sua engenhosa demonstração de que a mente humana pode imitar o computador, mas isso me parece um pouco vago. Aceito a teoria, mas que razão n6s temos para achar que a teoria será confirmada na prática?
    – Acho que temos uma razão, senhor. Afinal de contas, os computadores não existiram sempre. O homem das cavernas, com suas trirremes, machados de pedra e estradas de ferro, não tinha computadores .
    – E provavelmente não sabia calcular.
    – Você sabe muito bem que sim. Até a construção de uma estrada de ferro ou de um zigurate requeria algum tipo de cálculo, e, como nós sabemos, isso foi feito sem computadores.
    – Você está sugerindo que eles calculavam da mesma maneira que você me mostrou?
    – Provavelmente não. Afinal de contas, esse método, que, a propósito, chamamos de “grafítico”, da velha palavra européia graphos, que quer dizer “escrita”… esse método foi desenvolvido a partir dos próprios computadores, portanto não pode ter sido usado pelos primitivos. Ainda assim, o homem das cavernas deve ter tido algum método, não?
    – Artes perdidas! Se você está falando de artes perdidas…
    – Não, não é isso. Não sou um entusiasta das artes perdidas, embora não afirme que não exista nenhuma. Afinal, o homem comia cereais antes de aprender a fazer culturas hidropônicas, e se os primitivos comiam cereais, eles deviam cultivá-los no solo. De que outra forma poderiam ter conseguido?
    – Não sei, mas só acreditarei em terra cultivada quando vir algum grão crescer no chão. Também só acreditarei que se faz fogo esfregando uma pedra na outra no dia em que me mostrarem que isso é possível.
    Shuman tentou ser conciliador.
    – Bem, vamos nos ater aos graníticos. Isto tudo faz parte do processo de eterificação. O transporte por meio de pesados equipamentos está sendo substituído por transferência direta de massa. Os instrumentos de comunicação se tornam cada vez mais leves e mais eficientes. Por causa disso, compare seu computador de bolso com aquelas engenhocas pesadas de mil anos atrás. Então, por que não dar também o Ultimo e definitivo passo, e abolir os computadores? Vamos, senhor, o Projeto Número é inevitável; ele está progredindo rapidamente. Mas queremos sua ajuda. Se o patriotismo não for suficiente para engajá-lo, pense na aventura intelectual que está em jogo.
    – Que progresso? – disse Loesser com ceticismo. – O que você pode fazer além de multiplicar? Pode integrar uma operação transcendental?
    – Dentro em breve, senhor, Dentro em breve. No mês passado, aprendi a dividir. Posso determinar, e corretamente, quocientes inteiros e quocientes decimais.
    – Quocientes decimais? De quantas casas?
    O programador Shuman tentou manter um tom natural.
    – Qualquer número!
    Loesser ficou de queixo caído.
    – Sem um computador?
    – Faça um problema.
    – Divida vinte e sete por treze. Em seis casas.
    Cinco minutos depois, Shuman disse:
    – Dois, vírgula, zero sete meia nove dois três.
    Loesser conferiu.
    – Isso é realmente fantástico. A multiplicação não me impressionou muito porque, afinal, isso envolvia números inteiros e acho que uma hábil manipulação pode conseguir isso. Mas decimais…
    – E isso não é tudo. Há uma nova pesquisa em curso que até agora é ultra-secreta e que, falando sinceramente, não posso revelar. Mesmo assim… estamos perto de aprender a fazer uma raiz quadrada.
    – Raiz quadrada?
    – Ainda tem algumas coisas pendentes e não conseguimos acertar na mosca, mas o técnico Aub, o homem que inventou essa ciência e que tem uma incrível sensibilidade para a coisa, assegura que está prestes a resolver o problema. E ele é apenas um técnico. Um homem como o senhor, um matemático talentoso e tarimbado, não encontraria tanta dificuldade.
    – Raiz quadrada – resmungou Loesser, encantado.
    – Raiz cúbica também. E então? Está conosco?
    Loesser levantou a mão rapidamente.
    – Pode contar comigo.
    O general Weider marchava de um lado para o outro da sala e se dirigia aos ouvintes à sua frente como se fosse um professor ranzinza diante de uma turma de estudantes indóceis. Pouco lhe importava se eram os cientistas civis que coordenavam o Projeto Número. O general era um líder em todos os lugares e assim se comportava em todos os momentos de sua vida.
    – Nenhum problema com as raízes quadradas, então – disse ele. – Eu mesmo não sei como fazê-las, mas já estão concluídas. Mesmo assim, não vamos interromper o projeto só porque já solucionamos os problemas que alguns de vocês consideram essenciais. Vocês podem fazer o que quiserem com os grafíticos depois que a guerra acabar, mas, nesse exato momento, temos problemas específicos que precisam ser solucionados.
    Num canto distante, o técnico Aub ouvia aflito. É claro que há muito tempo deixara de ser um técnico, tendo sido dispensado de suas tarefas e convocado a participar do projeto, com um título pomposo e um ótimo salário. Mas é claro que as diferenças sociais permaneciam e os líderes científicos, altamente classificados, jamais o aceitariam em seu meio ou o tratariam em pé de igualdade.

    E Aub tampouco desejava isso. Sentia-se tão incomodado entre eles como eles se sentiam incomodados na sua presença.
    – Nós só temos uma meta, cavalheiros – estava dizendo o general. – Substituir os computadores. Uma nave que possa viajar pelo espaço sem um computador a bordo pode ser construída em um quinto de tempo e por um décimo dos custos de uma nave computadorizada. Poderíamos ter frotas especiais cinco ou dez vezes maiores do que as de Deneb se eliminássemos os computadores. E até vejo mais além disso. Talvez agora pareça loucura ou um simples sonho. Mas no futuro eu posso ver mísseis tripulados .
    Houve um instantâneo murmúrio por parte da platéia.
    O general prosseguiu:
    – No momento, nosso problema principal é que a inteligência dos mísseis é limitada. O computador que os controla não pode alterar o rumo programado e, por essa razão, eles sempre acabam sendo detidos por antimísseis. Poucos mísseis, se é que algum consegue chegar a seu objetivo, e a guerra de mísseis está prestes a acabar; felizmente, tanto para o inimigo, como para nós.
    Por outro lado, um míssil com um ou dois homens dentro, controlando o vôo com graníticos, seria mais leve, mais ágil e mais inteligente. Isso nos daria uma vantagem que pode significar a vitória. Além disso, cavalheiros, as necessidades da guerra nos obrigam a lembrar de uma coisa. Um homem é mais descartável do que um computador. Mísseis tripulados podem ser lançados em maior número e sob circunstâncias que nenhum general empreenderia se usasse mísseis computadorizados.
    Ele discorreu sobre muito mais coisas, mas o técnico Aub não esperou. O técnico Aub, na intimidade dos seus aposentos, elaborou cuidadosamente sua carta de despedida. Ela dizia o que se segue: “Quando comecei a estudar o que agora chamam de graníticos, isso não passava de um passatempo. Nada mais do que um agradável passatempo, um exercício para a cabeça.
    Quando o Projeto Número começou, achava que as pessoas fossem mais esclarecidas do que eu e que os graníticos poderiam ser usados para ajudar a humanidade, apoiando a modernização dos instrumentos necessários à transferência de massas. Mas agora vejo que ele só será usado para a morte e a destruição.
    Não posso suportar a responsabilidade de ter inventado os grafíticos.

    Depois, virou contra si o foco do despolarizador de proteínas e morreu instantaneamente.
    Eles se reuniram em torno do túmulo do pequeno técnico para prestar-lhe honra por sua notável descoberta.
    O programador Shuman fez uma reverência com a cabeça, junto com os outros, mas continuou imóvel. O técnico tinha dado sua contribuição e não era mais necessário. Ele podia ter começado os graníticos, mas agora que o projeto já estava em andamento, iria se desenvolver automaticamente até triunfar, tornando os mísseis tripulados uma realidade, juntamente com tantas outras coisas.

    Nove vezes sete, pensou Shuman com orgulho, sessenta e três. Não precisava mais que um computador lhe dissesse isso. Sua própria cabeça era um computador. E isso lhe dava uma fantástica sensação de poder.

    ASIMOV, Isaac. Sonhos de Robô. Rio de Janeiro, Ed. Record, 1991.
    p. 320/330

    • No conto, parece brincadeira; mas a reali// está aí

      As pessoas nao sabem mais fazer contas no papel. Se digitam errado um número na calculadora e encontram um resultado impossível, aceitam, nao vêem a impossibilidade. Cansei de ter experiências desse tipo em restaurantes. 

      E é o mesmo raciocínio da letra cursiva… As máquinas estao aí, para que as crianças precisam aprender a fazer contas? OK, nao é exatamente a mesma coisa, no caso da Matemática é mais importante saber, nao só pela independência das máquinas — até aí seria o mesmo caso — mas porque senao nao é prossível prosseguir com o aprendizado matemático; mas será que ninguém vai dizer que até mesmo isso é dispensável, já que podemos usar os computadores? 

  3. Impressionante como, hoje em

    Impressionante como, hoje em dia, essa gurizada fica usando essas abreviaturas. Estão destruindo a educação clássica e a boa língua! Ninguém consegue entender mais nada!

  4. A preocupação com a ensino da

    A preocupação com a ensino da escrita cursiva, na escola, não deveria ser embasada em um argumento de praticidade. De fato, com as novas tecnologias, em termos de praticidade, a escrita cursiva não é grande necessidade.

    O que se perde com o não ensino de escritas cursivas é a dimensão ESTÉTICA, ARTÍSTICA. E, se formos ver por este lado, não bastaria a retenção do ensino burocrático de uma escrita cursiva, mas do ensino dos caracteres cursivos em um enfoque caligráfico, desenvolvendo o senso estético das crianças.

  5. Minha letra e feia mas

    Minha letra e feia mas manterei firme  minha cartilha “”Caminho Suave” até

    o dia de  fazê-lo.

    Obs.Quem garante que letras  e escrita cursiva não se torne um código

    ante a uma invasão alienígena?

  6. À mão, não

    O estado norte-americano de Indiana, seguindo uma tendência de mais de 40 estados do país, aboliu a exigência do ensino de letra cursiva em suas escolas. A nova norma recomenda aos professores não dar ênfase na aprendizagem da letra cursiva – escrita manuscrita em que as letras são arredondadas e ligadas umas às outras pelas pontas – e focar em outras habilidades, como a digitação de textos em teclados. Desse modo, os educadores norte-americanos conferem menos importância à prática de caligrafia, algo que sempre foi tradição no país. Na prática, a norma significa o desestímulo ao trabalho de uma das formas da escrita à mão – e mantém-se a exigência do ensino da letra de forma (também chamada de “imprensa”), o que acarreta na diminuição do tempo gasto com a aprendizagem da forma manuscrita. A medida adotada por Indiana é um reflexo do crescente peso das novas tecnologias na sala de aula. Os responsáveis por sua adoção creem que o uso cada vez mais frequente pelos alunos de computadores torna desnecessário que a criança concentre esforços na forma cursiva.

    http://blogdopg.blogspot.com.br/2011/07/mao-nao.html

  7. PERSONALIDADE

    A letra cursiva é como a impressão digital : cada um tem a sua. Ninguém escreve exatamente como outra pessoa escreve. Estão aí os grafólogos que não me deixam mentir. Até em textos para empregos, os RHs se valem da caligrafia do pretendente para analisá-lo. Letra cursiva é personalidade. Não consigo abrir mão dela. Além disso, me causa muito mais emoção receber uma carta escrita à mão do que o  sempre rápido e valioso e-mail. É como se o(a) autor(a) estivesse mais próximo(a) de mim. Mas, quem sabe seja apenas apego as coisas várias que estão se acabando…Um pouco de nostalgia, tão somente?

  8. Letra cursiva também é bom

    A cursiva é boa para a informalidade. Há profissões que requerem rapidez, agilidade de escrita, que só a cursiva pode conseguir.

    Mas não tem nada não, a internet continuará ensinando o que a escola se negar a passar para os alunos. O professor complementar cada vez mais será o google.

  9. Letra Cursiva a caminho da extinção?

    Ol@s…

    Como disse acima, a escrita cursiva não significa apenas motricidade. Movimenta todo um conjunto de conexões cerebrais que favorecem o aprendizado, e não podemos deixar de pensar que é tbm tecnologia! Será uma grande perda de fato. Mas não creio que isso seja consenso por ora.

    Por isso o debate é tão fundamental! Afinal escrever ou não deve ser opção. Limar esta possibilidade desde o princípio pode ser um erro. E usamos as mão mais do que para escrever. Pensemos em profissionais como Arquitetos, Engenheiros que em teoria deveria saber usar as mãos…

    Por ser algo tão intrigante e preocupante que decidi escrever o post. Não acho que este assunto se encerra por agora, mas há inúmeros ângulos a considerar.

    Abs

    Eliana

  10. Sou empresário e não contrato

    Sou empresário e não contrato quem não domina a caligrafia cursiva. É o pré-requisito número um para alguém trabalhar em uma das minhas lojas.

  11. + comentários

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