“O aumento da oferta da pré-escola não garante sua universalização”

Para Rita Coelho, do MEC, fazer com que todas de 4 e 5 anos estejam na escola não significa apenas aumentar número de vagas, mas garantir sua permanência e a qualidade da educação

 

Por Ana Luiza Basilio, do Centro de Referências em Educação Integral

Inserir 600 mil crianças de 4 e 5 anos na pré-escola. Esse é o desafio que a educação infantil deve enfrentar para cumprir o previsto na meta 1 do Plano Nacional de Educação (PNE). A seis meses do término do prazo para essa meta, no entanto, a única garantia que se tem é que ela não será alcançada.

Convidada pelo Centro de Referências em Educação Integral para repercutir esses e outros desafios da agenda, a coordenadora da Coordenação Geral de Educação Infantil (Coedi) do Ministério da Educação (MEC), Rita Coelho, coloca que pesa sobre o descumprimento questões como volume de financiamento e capacidade de gestão dos municípios.

Ela também entende que para equacionar esse direito são necessárias outras políticas para além da educação infantil, já que o desafio da universalização da pré-escola está ligado ao combate à desigualdade social do país. Hoje, quem não consegue acessar esse direito são as crianças que vivem em zonas rurais – incluindo as indígenas e quilombolas – ou nas periferias dos grandes centros urbanos. Assim, afirma Rita Coelho, não basta apenas aumentar o número de vagas na educação infantil, já que para que essas crianças possam de fato ocupar esse espaço, é necessário articular essa oferta com outras políticas sociais. Confira a entrevista completa:

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Centro de Referências em Educação Integral: qual é o papel da educação infantil na vida de uma criança?

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Rita Coelho. Créditos: reprodução

Rita Coelho: É um papel muito importante, considerando as características do desenvolvimento nesta faixa etária. Esses primeiros anos de vida são essenciais do ponto de vista da formação humana. Além disso, a educação infantil é o primeiro espaço coletivo, de vida pública e de interação com outros adultos e crianças. Ela deve ter entre os objetivos de aprendizagem respeitar os direitos das crianças. Ao mesmo tempo, a educação infantil é uma forma institucionalizada e profissionalizada de organizar essas mediações, o que é um papel dos adultos, sobretudo quando elas começam a conhecer a si e aos outros, a se expressarem, a brincarem. Nessa faixa da vida, a educação –  seja ela familiar ou como um processo de socialização amplo –  é muito importante. No caso da educação escolar, estamos falando de um dever do Estado. Então, ela se diferencia das outras formas de educação, principalmente porque é institucionalizada, coletiva, profissionalizada, com intencionalidades planejadas para o desenvolvimento da criança.

CR: Como você avalia os desafios de atendimento da educação infantil, considerando o compromisso de universalizá-la na pré-escola, este ano, para crianças de 4 a 5 anos?

RC: Nosso percentual médio de atendimento hoje é em torno de 84% da população. O desafio da universalização da pré-escola é muito ligado à desigualdade social do país. Quem não consegue hoje acessar esse direito é a população moradora do campo, indígenas, quilombolas e os das periferias dos grandes centros. Então, não adianta apenas você aumentar a oferta de vagas na pré-escola. Mesmo assim, pode ser que não ocorra a universalização. É preciso direcionar esse crescimento para algumas regiões e populações mais desprivilegiadas. Temos um desafio de expansão? Temos. Mas ele não é o maior; o maior é garantir a equidade no acesso, a igualdade de condição para as crianças mais pobres, vulnerabilizadas. Esse é o grande desafio da pré-escola.

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CR: Quais as estratégias necessárias para garantir a inclusão das crianças mais vulnerabilizadas, levando em conta realidades tão específicas?

RC: Essa é uma discussão que nós precisamos fazer, na qual o governo federal tem uma responsabilidade grande. As próprias diretrizes curriculares, a Lei de Diretrizes e Bases (LDB) e a Constituição Federal garantem o respeito a essa diversidade, à especificidade das identidades culturais. Por outro lado, isso não pode significar a flexibilização das características identitárias da educação infantil. Não posso oferecer um programa de brincadeiras, por exemplo, ou um programa de desenvolvimento de literatura infantil como equivalente ao direito à educação infantil.

Então, que formato é esse, que ajustes são esses que vamos fazer para a população do campo, por exemplo, em termos pedagógicos e de formato? Lembrando que essas populações são dispersas, de regiões com características muito desafiadoras, como a amazônica ou o semi-árido. Entretanto, em nome de ajustar a educação infantil a essas realidades, não podemos prescindir de professores habilitados, de propostas pedagógicas sistematizadas, de financiamento e da frequência sistemática das crianças. O Brasil precisa de debate, de pesquisa, de interlocução com essas populações para construir essa adequação. É um grande desafio. Essa escola que fazemos hoje, com jornada de até nove horas e um mínimo de 60 alunos por escola, por exemplo, não atende a realidade do campo.

Leia a entrevista na íntegra aqui

2 comentários

  1. Educação para valer, com o auxílio da Inteligência Artificial

    http://singularityhub.com/2016/06/20/this-is-the-tech-that-will-make-learning-as-addictive-as-video-games/?utm_source=Singularity+Hub+Newsletter&utm_campaign=16db4dfedf-RSS_EMAIL_CAMPAIGN_Daily&utm_medium=email&utm_term=0_f0cf60cdae-16db4dfedf-57724849

    This Is the Tech That Will Make Learning as Addictive as Video Games

    BY ON JUN 20, 2016ARTIFICIAL INTELLIGENCEFEATUREDTECHVIRTUAL REALITY 6731  2  AddThis Sharing Buttons 

    The way we learn today is just wrong.

    Learning needs to be less like memorization, and more like…Angry Birds.

    Half of school dropouts name boredom as the number one reason they left.

    How do we get our kids to want to learn?

    The post is about why the future of education will be about flipping our current model on its head and about how key exponential technologies like AI, VR and gamification are going to drive a revolution in education.

    For fun, here’s a video summary of this post.

     

     

    From A’s to Angry Birds

    In the traditional education system, you start at an “A,” and every time you get something wrong, your score gets lower and lower.

    In the gaming world, it’s just the opposite.

    You start with zero, and every time you come up with something right, your score gets higher and higher.

    It completely flips the way we currently learn, and it’s addictively fun.

    How addicting?

    Over 155 million Americans play video games, and spend upwards of 3 billion hours per week engrossed in a game.

    Think about what you do when you play a video game.

    You observe a problemYou form a hypothesisYou test the hypothesisYou ultimately learn from the immediate feedback and you try it again.

    It’s the scientific method.

    We need to make kids as addicted to learning as they are to gaming.

    One strategy is to literally “gamify” learning itself.

    FoldIt: A Brilliant Example of Gamification

    One compelling example of combining gamification and learning is an application called FoldIt.

    Proteins are the basic building blocks of your cells. For the longest time, predicting how a protein folds has been a very difficult problem. A group of graduate students asked the question: “Is the ability of the human brain able to predict protein folding better than a computer?”

    In 2008, they created a game called FoldIt, in which a user gets a digital representation of protein and then begins to manipulate and fold the protein on the screen.

    The lower the stress and strain on that protein molecule, the better their score.

    Over 240,000 registered users signed up to play.

    Brilliantly, it turned out that humans were much better at folding proteins than algorithms — and it turned out that the best protein-folder was a woman who, during the day, was an executive secretary at a rehab clinic and, at night, became the best protein folder on the planet.

    Gaming outperforms textbooks in every area. Pilots and surgeons trained on video games and simulations outperform those who are not. Customized gaming teaches creativity and innovation. Hours spent playing video games is associated with increased executive function in children. And so on.

    So where is this all going?

    The Future of Education — Personalized, Perfect and Free (Thanks to AI and VR)

    Right now, online platforms like Khan Academy and Coursera have made a plethora of educational resources available 1) for free and 2) on demand, such that you can pick and choose what you learn and at what speed you learn it.

    Khan Academy has delivered over 300 million lessons since it started in 2006, features 5,000 free instructional videos in 65 languages, and allows users to complete 4 million exercises every day — simply amazing.

    In 2011, Stanford professor Andrew Ng decided to put his machine learning course online for free, thinking that maybe a few additional people would tune in with his students. Within days, 100,000 people had signed up to take the course.

    We are already seeing technology democratize access to education — but soon the education itself will become even more powerful with the help of AI and virtual and augmented reality.

    In the near future, artificial intelligence will be able to personalize learning platforms to each individual student.

    The AI will have unlimited access to information and will deliver it at the optimal speed to each student in an engaging, fun way.

    This AI will be freely available to everyone (just like Google), and the quality of the education will be higher than that which only the wealthiest people on the planet can afford today.

    Then, add this to high-resolution, photorealistic virtual reality experiences and your kids will be voraciously consuming knowledge.

    For example, rather than read about Julius Caesar in a history textbook, kids will put on their VR headset, and an AI-driven avatar of Julius Caesar himself will tell them stories as they walk around a virtual rendering of the Roman Coliseum.

    Rather than try to learn about relativity in a physics textbook, students will be able to “ride” in a virtual spaceship alongside Albert Einstein explaining his thought experiments directly to them.

    We are headed toward a future in which education is much better, more robust, and widely available than we can possibly even imagine.

    A future in which the poorest child on Earth and the wealthiest child are both getting access to identical opportunities, orders of magnitude beyond what we have today.

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