Secretaria de Educação diz que pilha de livros abandonados “pode ser montagem”

Ao GGN, a Secretaria de Educação do governo de Geraldo Alckmin não explicou o excesso de materiais guardados intactos e não quis fornecer as licitações dos instrumentos musicais, carteiras e apostilas encontrados
 
 
Jornal GGN – Aos poucos, os alunos da rede estadual de ensino de São Paulo vão deixando as escolas ocupadas. Fecham um ciclo na história do Brasil com a reivindicação de estudantes pela melhoria na qualidade do ensino. Mas foi quando a Escola Estadual Fernão Dias, na zona oeste da capital paulista, uma das primeiras a iniciar a onda de protestos, entregou as chaves nesta segunda-feira (04), uma prática já conhecida nas escolas foi revelada: materiais, pilhas de livros didáticos, apostilas, instrumentos musicais e até carteiras estavam retidos em salas, intactos pela embalagem, sem a entrega ou uso dos estudantes.
 
A primeira denúncia foi feita pelo Diário do Centro do Mundo, conversando com alunos e professores, que davam conta que a situação é antiga. Se, por um lado, a Secretaria da Educação respondeu que todos os estudantes recebiam os materiais, o pai de uma das estudantes do Fernão Dias afirmou o contrário: “É tudo muito precário, muito complicado, é preciso copiar da apostila do amigo e no fundo estava tudo aí”, disse Luiz Paulo Baravelli, ao jornal.
 
A denúncia motivou outras escolas ocupadas a buscarem os tais materiais escondidos e não entregues. Na E.E. Fernão Dias foram encontrados lotes de livros para 2016, mas também referente aos anos 2012, 2013, 2014 e 2015, além de mochilas, uniformes esportivos e até computadores. “Recentemente pedimos mochilas e a diretora disse que não tinha. Tinha mais de uma caixa”, disse o aluno Heudes de Oliveira.
 
Fotos tiradas pelos estudantes
 
Na E.E. Arthur Chagas, que fica no Conjunto Habitacional Teotonio Vilela, na zona Leste de São Paulo, os estudantes encontraram três salas completas com livros lacrados dos anos de 2012, 2013 e 2014 que não foram distribuídos. Em outra, cadeiras novas e embaladas. E, ainda, instrumentos musicais nunca utilizados e lacrados.

 
Fotos tiradas pelos estudantes
 
Fotos tiradas pelos estudantes
 
Fotos tiradas pelos estudantes
 
Fotos tiradas pelos estudantes
 
O GGN também identificou que a E.E. Godofredo Furtado, na região de Pinheiros, há pilhas de livros intactos e embalados encontradas no auditório da escola. Os estudantes também acharam apostilas, além de livros do Ensino Fundamental, e a escola oferece apenas o curso do Ensino Médio.
 
Fotos tiradas pelos estudantes
 
Fotos tiradas pelos estudantes
 
“Eu não sei se isso pode ser uma montagem, uma mentira”, foi a resposta da Secretaria de Educação, por meio da assessoria de imprensa, ao Jornal GGN.
 
O GGN solicitou o posicionamento da pasta diante das denúncias, registradas por fotos que foram enviadas ao setor de comunicação, junto com o pedido das licitações do governo estadual para a aquisição dos materiais (instrumentos musicais, apostilas e carteiras). Uma nota omitindo a maioria das solicitações foi enviada, colocando a responsabilidade para o Ministério da Educação, uma vez que alguns livros fazem parte do Programa Nacional do Livro Didático (PNDL).
 
A justificativa da Secretaria de Educação é que os materiais ainda serão distribuídos no início das aulas, marcadas para começarem no dia 15 de fevereiro, e que “caso as imagens façam referência a livros do ano passado pode se tratar da reserva técnica”, que seriam materiais para repor ao longo do ano, segundo a pasta.
 
A nota não justifica a existência de livros desde o ano de 2012, tampouco uma explicação para a grande quantidade de materiais, que chega a ocupar salas das escolas. Sobre os instrumentos musicais, carteiras e apostilas, nada foi informado. 
 
Ao entrar em contato com o GGN, a assessora justificou que as escolas precisam ser desocupadas para se verificar as licitações. Quando questionada se os contratos de compra de materiais não estavam no sistema online da Educação, a funcionária mais uma vez se ateve ao fato de que as escolas não poderiam ainda ser visitadas, mas que “assim que fosse possível, as denúncias serão apuradas”.
 
Depois de insistir para o envio dos documentos de acesso público, com base a Lei de Acesso à Informação, a porta-voz da Secretaria de Educação sugeriu ao GGN buscar as licitações no Diário Oficial do Estado, sem informar datas em que os contratos foram fechados, criticou o jornal por enviar à Assessoria denúncias sem o nome do denunciante e ameaçou: “se vocês publicarem algo que não for condizente com a Secretaria de Educação, vamos exigir retratação”, antes de desligar a chamada sem conclusão. 
 
A sequência de ataques ocorreu após a funcionária afirmar que o governo está “passando por um momento delicado e crítico para a rede [de Educação]” e o GGN frisar que as declarações estavam sendo registradas como o posicionamento da pasta. 
 
A seguir, algumas denúncias publicadas nas redes sociais:
 

10 comentários

  1. Também vi…

    Esse humilde blogueiro que deu uma aula pública na escola estadual ocupada Antônio Inácio Maciel em Taboão da Serra também constatou pilhas de livros didáticos da editora moderna acondicionados sob um extenso balcão da sala de vídeo da escola – na verdade, o que parecia um antigo laboratório adaptado a sala audiovisual.

    Livros novos e intactos das mais variadas disciplinas. É o modus operandi da (con) gestão Alckmin.

  2. Pacotes e mais pacotes

    Pacotes e mais pacotes de livros montados uns sobre os outros, isso sim. Cara de pau das otoridades paulistas.

    Os governos gastam os tubos com editoras na aquisição de livros pra estes ficarem sem uso. Entre outras coisas, essas ocupações de escolas servirão também para as comunidades escolares exigirem a distribuição dos livros e de outros materiais. Aliás, o professorado deveria fiscalizar isso, mas cadê que o fazem?

  3. São os dois pesos e duas

    São os dois pesos e duas medidas que Dilma se referiu hoje aos jornalistas no café da manhã. Ela se referia à seletividade das denúncias dos bandidos da Lava Jato, mas essa forma de vê, de enxergar os erros cometidos pelas autoridades estaduais também babem nessa observação da Presidente. Basta sabermos que se Alkmin fosse do PT nem precisava estarmos diante de um crime tão nefasto à educação de São Paulo; bastaria os alunos terem manifestado tanto repúdio por ações do governo, de última hora admitindo mudanças radicais nas diversas escolas, para a imprensa, sempre de plantão, fazer o que bem sabe: denegrir a imagem do PT. Sem contar o que já teriam feito os parlamentares da oposição, nos seus discursos inflamados, cheios de falsa-moral.

    Imagine como estão se sentindo alunos e familiares diante de uma coisa tão lastimável como essa. É batom na cueca, Caberia ao governador, se fosse sério, ele mesmo se indignar com os fatos, e dizer em público que tomaria as devidas providências contra os responsáveis por isso que só pode ser considerado um crime, na medida em que é o dinheiro público jogado no lixo.

  4. É preciso saber quanto foi

    É preciso saber quanto foi pago por esses livros. Provavelmente entrou em algum acerto de Alckim e lavou -se dinheiro da Educação com a compra.  A diretora deve ter recebido o material sem qualquer solicitação. Já trabalhei com Educação vi casos como esse.

     

     

     

  5. Crime contra a Educação

    É muito dinheiro jogado no lixo. O (des)governo de SP não tem vergonha na cara ao dar uma resposta dessas.

    Se Geraldo Alstom tivesse um mínimo de vergonha na cara, mandaria a polícia civil investigar esse ABSURDO imediatamente. Mas ele não fará isso, pois sabe que é blindado pela nossa gloriosa mídia.

  6. E esses

    E esses diretores/dirigentes/coordenadores/vice diretores/assistentes de direção ganham salários dos cofres públicos para ferrar com a educação.

  7. Livros abandonados

    É verdade, sou professora e vejo em todas as escolas que percorro pilhas e mais pilhas de livros novos abandonados pelos corredores e no espaço “supostamente”  dedicado à biblioteca.

  8. Vá fundo GGN

    Não é armação. É tudo verdade. Acontece no Brasil inteiro, independente de quem  seja o governante. A responsabilidade maior são dos gestores escolares, diretores e coordenadores. Eles são responsaveis pela entrega dos livros aos alunos. O PNLD  é um patrimonio e uma conquista que precisa ser preservada. Porém requer uma maior fiscalização, uma verdadeira auditoria sobre o processo de escolha e distribuição. As escolas precisam justificar por que acumulam tanto material. No meu estado as reservas tecnicas são de responsabilidade da secretaria de educação, e não das escolas. Por isso, se há acumulo de material nas escolas é por que houve alguma falha na entrega ou na escolha. O proprio secretario deveria ser o primeiro a investigar, a fim de evitar tanto desperdicio. A resposta da secretaria de educação do estado de São Paulo é uma perola do autoritarismo e do descaso com a educação publica. 

  9. Patrícia, parabéns pela

    Patrícia, parabéns pela matéria muito bem feita.

    Compartilho com vocês uma postagem mais técnica sobre a péssima qualidade de um estudo feito pela mesma Secretaria de Educação que deu um chilique com vocês.

    https://sociaisemetodos.wordpress.com/2015/12/04/repudio-ao-relatorio-tecnico-sobre-as-escolas-em-sp/

    Nossa sociedade não é esclarecida sobre a gravidade dos problemas educacionais e matérias como a de vocês são divisores de água, absolutamente fundamentais para calibrarmos nosso debate e planejamento político futuro.

    Um grande abraço e mais uma vez parabéns pela excelente matéria!

    Rafael

  10. Mais uma do sr. alkimia

    Compram lixo imprestável, depois tem que jogar fora !!!!

    Se as escolas não fossem ocupadas pelos estudantes, nunca saberíamos de mais um caso de incompetência do sr. alkimia… Ah, já sei, foram os alunos que compraram um monte de livros novos e deixaram nas escolas só para queimar o sr. governador, afinal foi uma ocupação política não ???

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