Tábata e as secundaristas das ocupações vão desenhar o futuro da educação, por Luis Nassif

Os maiores avanços civilizatórios brasileiros ocorreram quando foi possível montar pactos sociais em torno de temas relevantes.

Os maiores avanços civilizatórios brasileiros ocorreram quando foi possível montar pactos sociais em torno de temas relevantes.

Foi assim com a saúde. O grande pacto que se consolidou na Constituição de 1988 criou uma bancada da saúde, independentemente de partidos políticos. Foi o que garantiu a continuidade das políticas de saúde passando por Itamar, FHC, Lula e Dilma até desembocar no mais consistente programa de política industrial integrado da história: o Programa de Desenvolvimento Produtivo, que a mídia tratou de destruir devido à disputa partidária.

No governo Collor, a implementação da Câmara Setorial da Indústria Automobilística foi o primeiro passo consistente para se praticar pactos democráticos. Viam-se, ali, a indústria automobilística, fornecedores variados, sindicatos de trabalhadores em torno de um mesmo objetivo: conferir competitividade à indústria brasileira frente aos competidores externos.

O auge desse modelo foi na fase final do governo Lula. A Conferência de Inovação juntou empresas inovadoras, pesquisadores, sindicatos de técnicos em laboratórios, universidades. A da educação criou consensos relevantes entre associações de secretários municipais, ONGs do setor privado, sindicatos de professores.

Por tudo isso, não se entende a campanha que alguns setores fazem contra a jovem deputada Tábata Amaral, querendo provar o que? Que ela não é uma líder de esquerda, porque aprova a reforma da Previdência entre outros temas liberais.

E não é mesmo. Mas a análise a ser feita é outra: Tabata é uma guerreira da educação em uma cidadela, dos liberais, que precisa, mais do que nunca, ser inoculada com bandeiras sociais, reforçando o papel da ONG Todos Pela Educação.

O grande desafio consiste em encontrar os pontos em comum entre as bandeiras liberais e da esquerda.

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Lembro-me de um Brasilianas, ao qual compareceram a representante do movimento Todos Pela Educação, a presidente da associação das secretárias de educação do estado e uma sindicalista.

Na praça, havia uma discussão sobre os modos de melhorar a educação. Uma corrente primária abominava qualquer forma de avaliação. Outra corrente, tão primária quanto, colocava os indicadores como ponto único de motivação. Educadores de pensamento primário chegaram a sugerir que cada escola ostentasse a nota IDEB na entrada para manter os alunos permanentemente convocados para a guerra das notas. E eram incensados por uma mídia incapaz de entender a educação acima dos lugares-comuns.

No Brasilianas, explicitou-se o consenso: o professor tem que ser bem remunerado e contar com condições boas de ensino. Postas essas duas pré-condições, sua atuação tem que ser medida e avaliada.

Nos últimos anos, antes do desastre do impeachment, houve enormes avanços nos modelos de avaliação. Mais que isso, foram sendo identificadas as melhores práticas e disseminadas para o restante da rede, os levantamentos passaram a levar em conta o contexto social de cada escola, as relações entre pais, alunos e professores. Do pequeno Piauí vieram lições preciosas de modelos educacionais, assim como do Ceará. Depois, o próprio MEC identificou algumas dezenas de escolas modelo, e seus exemplos foram disseminados. Enfim, um modelo para tratar com a complexidade do mundo real, e que foi atropelada pelo golpe “iluminista” do Ministro Luis Roberto Barroso.

Essa discussão terá que ser retomada quando o país recuperar os valores civilizatórios. E louve-se o fato de que, em um dos lados da grande frente em defesa da educação, estará Tábata do Amaral. Porque do outro lado estarão as bravas meninas líderes do mais emocionante movimento gerado pelas redes sociais: o da ocupação das escolas secundárias.

21 comentários

  1. Concordo em gênero, número, grau, e o que tiver que ser. Obrigado por levantar essa bandeira. Estão querendo entregar essa menina inteligente, super bem intencionada e corajosa para os braços da direita. Não podemos deixar. Aposto que Lula não deixaria isso acontecer. Ciro não deixou.

  2. As eleições são uma grande operação de manipulação. Por essas, me equivoquei duas vezes: votei em Ciro no primeiro turno (depois caiu a ficha: um engodo), e votei em Tábata Amaral para deputada federal. Depois fui saber que essa menina faz parte de um tal Renova BR (https://www.renovabr.org/en/home/). Entrem no site e vejam, grotesco. Tábata é uma espécie de Guaidó, uma jovem deputada treinada nos EUA pelos piores interesses.

  3. Desculpe Nassif, mas quem sai numa foto ao lado de um cara como o joão dória (para depois o marqueteiro fazer propaganda) , ou é profundamente inocente ou defende as idéias do troglodita. Acho que a Tábata não é tão ingênua assim. Quanto as bandeiras em comum, por motivos díspares, entre petistas e bolsonarista, só existe duas: o ódio à globo e disposição em fazer reeleição no caso de impedimento do presidente. O resto é ilusão.

  4. Fora essa Tabata ser defensora do golpista Guaidó e ligada à organização neoliberal RenovaBR, tenho mais nada contra ela. Grupos como esses, financiados por banqueiros, até agora só desenharam golpes e desmonte de serviço público. Coitados de nós se o futuro da educação for desenhado por essa funcionária da rapina.

  5. Tudo bem, Nassif, mas eu te sugiro acompanhar mais de perto as manifestações dessa deputada Tábata.
    Ela muitas vezes parece ter uma certa eloquência, mas dá a impressão de tratar os temas relevantes com uma falsa profundidade.
    Parece muito que bebe com gosto nas fontes poluídas de globonews e congêneres.
    E parece também, numa expressão que se tem usado, fazer o tipo lacradora.
    Fica esperto, Nassif.

  6. Interessante proposição: “O grande desafio consiste em encontrar os pontos em comum entre as bandeiras “liberais” e da esquerda” O fato da deputada apoiar a reforma da previdência, é sim, uma impostura! Assim como a dita direita (“liberal”) e a dita esquerda, já terem uma bandeira em comum, nevrálgica, porém, esquecida (propositadamente?) que é o famigerado sistema da dívida pública, em sua maioria ilegal, o qual ambas as “extremidades” desse jogo de poder insistem em ignorar. A egrégia deputada, desconhece os detalhes da distribuição do orçamento público da união? Os demais que apoiam a impostura da reforma, seja como for, ignoram a parcela desse orçamento que é direcionada para o pagamento e amortização da dívida pública? Indico a vossas senhorias, inclusive à deputada, a Auditoria Cidadã, para que diminuam a extensão de seu desconhecimento em relação ao que, de fato, destrói este e tantos outros países mundo afora; a sanha dos bancos (na verdade, de quem se esconde por trás deles, mantendo seu anonimato) e dos marionetes, engajados no poder nos vários escalões, que os serve com esmero. No mais, é só cortina de fumaça, senhoras e senhores.

  7. A interseção entre as “bandeiras liberais” e as “da esquerda” é — operação entre conjuntos — quando muito, alguns vidros de perfume. E o conteúdo, sabe-se, é volátil. Bem volátil.

    Mas para quem tem “fixação por perfumes”, não é o meu caso, logo logo a coisa se reverte – e começa a cheirar mal.

    O conjunto resultante da interseção é vazio. Como vazia resultará a atuação da jovem (bem jovem, jovem até demais…), inteligente e bem falante e coisa e tal, caso dê corda à sua (aparente) tendência a apoiar “bandeiras liberais” de mais – e consequentemente – “bandeiras de esquerda” de menos.

    Como conciliar, por exemplo, a defesa do virtual fim da previdência social (para quê? para atender a que grupos?) com uma “educação” realmente avançada?

    Talvez não se estude em Harvard impunemente.

    Tábata – com todo o respeito que ela merece, acho que merece – precisa decidir.

  8. Seria realmente muito bom, Nassif. Mas a questão é saber se a deputada estará disposta a abrir mão de sua arraigada visão liberal, que pensa serem as bandeiras sociais algo “de sangue”, nas palavras dela, e que a Previdência Social é um mecanismo de reprodução das desigualdades sociais no Brasil, comprando de barato o discurso anti-estado da grande mídia.

  9. O jornalista poderia se informar melhor sobre as posições desta deputada. Seu projeto é neoliberal dos setores empresarias da educação. Não existe consenso possível.
    Esta deputada defende: a reforma do ensino médio do Temer, a proposta da Base Nacional Comum Curricular, o Homesscohling etc.
    Todos projetos defendidos pelos reformadores empresarias neoliberais da educação – Eduardo Silveira Mufarej (Grupo Somos Educação – Editora Ática, Moderna, Scipione, Saraiva, Rede Anglo etc.), Jorge Paulo Lemann (Gera Venture Capital negócios espalhados na educação), Nizan Guanaes, Abílio Diniz, Armínio Fraga, Claudia Costin, “Todos pela Educação” etc. São projetos que acabam com a perspectiva de construção de escola pública e gratuita de qualidade social defendida pelos setores de esquerda e progressistas. Tomam como modelo de educação o projeto aplicado nos EUA e dissecado com maestria pela Diane Ravitch no seu livro “Vida e Morte do Grande Sistema Escolar Americano”.
    Agora em mesmo, este movimento “Todos pela Educação” (Tábata é membro deste movimento) em conjunto com a “Confederação Nacional dos Municípios” (CNM) querem a pura e simples exclusão dos professores do Fundeb e o fim do reajuste para o piso nacional da categoria.
    É bom deixar claro que educadores e suas entidades não são contra avaliar o trabalho das escolas e dos professores, somos contra a avaliação em larga escala que visa na proposta neoliberal punir o professorado. Para se informar melhor bastaria entrar nas páginas na internet dos professores Luís Carlos Freitas, Salomão Ximenes, Fernando Cássio dentre outros.
    Por fim, não misture os movimento de ocupação dos secundaristas com as propostas desta deputada, estão muito distantes. Aliás, existe declaração dela a favor das ocupações?
    Renato

  10. Algum parlamentar tem que iniciar essa missão de colocar a educação com prioridade número um do país! A Tababa pode sim assumir essa liderança, e iniciar o processo de um grande pacto Nacional pela educação. Ela é pesquisadora, e está muito distante desse discurso simplório de direita e esquerda que atrasar o crescimento do País.

  11. Estão dando muita bola para essa moça, como se ela fosse um Lindemberg Farias. Foi eleita, ótimo, faça o seu papel , defenda suas ideias, mas não aprove essa reforma da previdência, reforma fajuta, que independe dos problemas fiscais, e que visa apenas a capitalização e a propaganda enganosa. O corte na educação é uma chantagem para dizer que a reforma é necessária porque e deficitária. Chega de salvadores da pátria e de heróis néscios!

  12. A esquerda que a direita adora essa que acha que a tatibitabata vai fazer alguma coisa pir educação publica, gratuita e de qualidade…

  13. Tábata Amaral foi eleita com a ajuda desse tal movimento RenovaBR que tem Jorge Lemann como um dos seus mentores. Essa reportagem da revista IstoÉ mostra como essa Tábata é cria de Lemann: “Os candidatos de Jorge Lemann”. https://www.istoedinheiro.com.br/os-candidatos-de-lemann/ No início eu via Tábata com outros olhos, mas depois de ver sua atuação na Câmara dos Deputados e saber quem bancou sua campanha milionária para ser deputada federal fiquei com pé atrás com essa mocinha. Nessa semana mesmo li um artigo na internet que menciona quem são os empresários ricos que bancaram sua campanha e dentre eles consta o nome do publicitário Nizan Guanaes, aquele que disse que apoiava Temer em todos os seus projetos impopulares. Por aí se vê que essa Tábata Amaral jamais vai defender os trabalhadores e, sim, os interesses dos patrões.

  14. A Tábata está comprometida com os financiadores de sua candidatura do RenovaBR. Não tenho nenhuma ilusão em relação a ela. Disse que o FHC é seu ídolo, teve encontro com o Dória (um Bolsonaro de banho tomado), reconheceu Juan Guaidó como Presidente Legítimo da Venezuela e agora esse apoio a essa reforma da previdência. Ela já deu sinais claros de que lado ela está. Ela está sendo diligente, seguindo à risca a cartilha do movimento neoliberal “acredite”. É melhor tomar cuidado e não se comoveram com esse rostinho bonitinho!

  15. Que visão a sua, caro Nassif, e que visão bonita diante de um futuro cada vez mais ameaçado.
    A Tábata é nova. Temos que dar tempo para que amadureça e é preciso saber que ela é passível de erro. Confio nela.
    Quanto aos estudantes secundários: aí sim estão em grande parte nossas esperanças. O que esses meninos e meninas fizeram e demonstraram é de nos encher de orgulho e esperança.

  16. Respeito as observações do senhor editor sobre essa Deputada Tabata,mas ao olhar para ela remeto-me à memoria do Papai.Do alto da sua intelectualidade deblaterava para o todo e sempre:”Meu filho,inteligência não se herda e cultura não é Montepio”.A agua que ela pisa,não lhe cobre os pés.O Papai,um dos maiores intelectuais da Bahia,diria que os conhecimentos desta Deputada sobre esse triste País,teriam a consistencia de ossos de borboleta.

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