UFBA tem R$ 55,9 milhões bloqueados, afirma reitor João Carlos Salles

Números foram atualizados durante protesto contra o corte de 30% do orçamento das universidades federais decidido pelo governo Bolsonaro

Reprodução

Jornal GGN – Estudantes e professores da Universidade Federal da Bahia (UFBA) realizaram nesta segunda-feira (06) protestos em Salvador contra o corte de 30% do orçamento de três universidades federais: além da UFBA, Universidade de Brasília (UnB) e a Universidade Federal Fluminense (UFF).

A UFBA contabilizou que o anúncio do governo resultou em um corte de R$ 37,3 milhões. Durante um discurso nesta segunda, o reitor da instituição, João Carlos Salles, recalculou o montante de “crédito indisponível” em um total de mais de R$ 55,9 milhões, juntando os bloqueios que já tinham sofrido anteriormente.

“Acrescentaram [recursos] em emendas parlamentares, acrescentaram a capacitação [reajuste dos salários] do servidor”, refletiu o reitor, explicando antes que o corte atinge diretamente os créditos disponíveis da Universidade para custear energia, água, reformas, limpeza, segurança e serviços de terceirizados.


Em nota, a diretora de Relações Institucionais da UNE (União Nacional dos Estudantes), Bruna Brelaz, avaliou que o corte anunciado pelo Ministério da Educação, liderado por Abraham Weintraub, é baseado em elementos ideológicos alimentados pelo governo Bolsonaro, tanto que após as manifestações de protestos contra os cortes às três universidades, o governo decidiu estender a medida para todas as universidades federais do país.

“Bolsonaro e Weintraub não tem projeto para educação pública e nenhum tipo de compromisso em fazer com que é esperada de uma nação forte: consolidar como primazia o ensino superior público e ampliar socialmente para produção de ciência, novas tecnologias e saberes”, pontuou.

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“Recursos para utilização de laboratórios, bolsas, aquisições de livros e também recursos de custeio que basicamente servem para mantimento das universidades são prejudicados com tal ação”, completou arrematando que especialistas em gestão educacional alertam para a inconstitucionalidade da determinação de “cortes sem especificar uma motivação ou critério claro”.

“O governo Bolsonaro tem um objetivo claro: desmontar a educação pública e desmoralizar as universidades de excelência que contribuem com a produção intelectual do Brasil. O secretário de Educação Superior do MEC, Arnaldo Lima, afirmou que os cortes foram preventivos por conta da economia, porém, podem se reajustar se caso a Reforma da Previdência fosse aprovada. A educação e a ciência viraram moeda de troca para interesses de um governo que vem tentando implementar medidas que destroem a perspectiva do povo”, conclui.

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1 comentário

  1. Parece que começa vigorar as retaliações contra a Bahia, em função da grande votação que Haddad conquistou da população baiana. A grotesca inflada no corte nas verbas da UFBA, além de mostrar o instinto vingativo e ditatorial do governo, também mostra que toda essa onda de corte nas verbas universitárias pode ser uma possível armadilha. Primeiro: a armadilha identificaria quais unidades não se alinham com os métodos impopulares promovidos pelo do governo. Segundo: a armadilha, feito uma arma de fogo, já teria um gatilho pronto para disparar projétil inflacionário que imediatamente reajustaria para mais, o corte da unidade rebelde. Terceiro: no momento, ainda não identificado. Contudo, nos é possível perceber isso não é tudo, e que muito mais ainda estará por vir.

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