A indústria da Fake News de Bolsonaro: o pedido de investigação à Polícia Federal

Jornal GGN – Um dias antes da Folha de S. Paulo revelar que empresas anti-PT financiam ilegalmente a campanha de Jair Bolsonaro, disparando mensagens em massa, via WhatsApp, contra a candidatura de Fernando Haddad – incidindo em possível crime de caixa 2 e abuso de poder econômico, motivo para cassação -, a coligação que representa o petista acionou a Polícia Federal para investigar a indústria da fake news.

O requerimento [leia a íntegra em anexo] está dividida em quatro pilares. No primeiro, a coligação lembra que a campanha de Bolsonaro e seus aliados foi condenada mais de uma vez a remover conteúdo considerado falso pelo Tribunal Superior Eleitoral. Sempre que confrontado com a indústria da fake news, o candidato do PSL argumenta que não pode controlar a rede que o apoia voluntariamente. 
 
Mas a coligação de Haddad afirma que “não é crível atribuir apenas à militância orgânica dos noticiados a capacidade produzir e disseminar com tamanha eficácia todas as notícias falsas editadas” contra o presidenciável do PT. No requerimento, a defesa, feita pelo escritório de Eugênio Aragão, informa que as fake news a favor de Bolsonaro já atingiram aproximadamente 20% do eleitorado.
 
“As fake news durante o processo eleitoral são um fato, devendo ser missão de todos os atores que atuam junto ao Poder Judiciário, tal como essa Polícia Federal, debruçar-se sobre tudo aquilo que pode ser realizado para mitigar os danos e identificar os responsáveis”, diz o requerimento, lembrando que a Justiça Eleitoral tem falhado em combater a disseminação de falsidades no WhatsApp.
 
FINANCIAMENTO ESTRANGEIRO E STEVE BANNON
 
Outro eixo do requerimento diz respeito ao empresário Steve Bannon, que foi o marqueteiro da campanha de Donal Trump à Presidência dos Estados Unidos. Hoje, diversas reportagens e documentários informam que o empresário utilizou métodos obscuros para levar Trump à vitória, incluindo a análise de dados de usuários de Facebook, sem que os mesmos tenham tomado conhecimento. Esses dados permitiram a segmentação do eleitorado em vários nichos, que foram “atacados” com mensagens personalizadas que alavancaram a populidade de Trump.
 
O filho de Bolsonaro, Eduardo, teve um encontro com Bannos nos Estados Unidos, e admitiu à imprensa, depois, que o empresário “se colocou à disposição para ajudar. Isso, obviamente, não inclui nada de financeiro. A gente deixou isso bem claro, tanto eu quanto ele. O suporte é
dica de internet, de repente uma análise, interpretar dados, essas coisas”, disse.
 
Para a coligação de Haddad, “em que pese existir a afirmação do próprio Eduardo Bolsonaro de que este auxílio não representaria algo financeiro, imperioso o destaque que o serviço de assessoria de redes representa gasto eleitoral e, portanto, de necessária declaração.”
 
“Contudo, por se tratar de estrangeiro, tal recurso representa doação advinda de fonte vedada e, por conseguinte, irregularidade eleitoral.”
 
“Ademais, destaca-se serem fortes as evidências de que a colaboração de Steve Bannon não parou apenas no encontro ocorrido em agosto entre ele e Eduardo Bolsonaro, tendo em vista existirem diversas características em comum nas campanhas presidenciais de Bolsonaro e Trump.” 
 
A coligação refere-se às peças veiculadas por Bolsonaro, que promovem seus discursos segmentados que apelam para a emoção das pessoas, e não para a racionalidade.
 
A terceira frente indicada pela coligação para investigação surgiu de reportagem do UOL que mostra que uma empresa chamada Raposo Fernandes Associados (RFA), pessoa jurídica especializada em mídias digitais, tem promovido mensagens a favor de Bolsonaro em redes sociais, atingindo mais de 20 milhões de interações em apenas 1 mês. A campanha oficial do PSL, contudo, não paga este serviço.
 
“(…) não é crível que uma empresa, que possui todos os seus custos de funcionamento, aloque tamanha mão-de-obra em fazer de uma candidatura sem que haja uma contraprestação. (…) mesmo que o improvável aconteça, o volume da atuação da referida empresa,
capaz de gerar interação com praticamente 20% do eleitorado brasileiro, sendo
imensurável o tamanho do seu alcance e capilaridade, faz com que os seus serviços possuem impacto direto no pleito eleitoral, o que promove a necessidade se contabilizar
seus serviços como prestados à candidatura noticiada.”
 
Por fim, a coligação pede que a PF investigue a rede de falsidade no WhatsApp, alegando que é “plausível que parte da estrutura direcionada aos aplicativos de mensagens acabe por, no mínimo, corroborar com a propagação destes boatos.”
 
“Isto é, considerando ser missão do candidato atuar em conformidade com a lei e,
caso se depare com ilegalidades em propagandas cometidas a seu favor, ter a obrigação
de adotar todas as medidas necessárias à interrupção de tal veiculação, o silêncio profundo
e a completa inação dos noticiados significa verdadeira afronta à Democracia, além de
ilicitude eleitoral.”
 

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2 comentários

  1. PF…

    Sera que a PF vai agir da forma que é necessaria ou vai fazer de conta que toma as medidas preventivas? A maioria dos fãs do bozo faz parte das policias no Brasil. Que o Haddad tome muito cuidado para não ser contra-atacado com algum dossiê falso, que so se comprovara falso depois das eleições. 

  2. Alguém acredita…

    que a pf, tse, stj, stf farão alguma coisa?

    Estamos no limiar da desgraça absoluta e estes elencados acima são os grandes responsáveis por tamanha destruição!

    Infelizmente o brasileiro é povo sem par no mundo… corre feliz para o matadouro, escolhendo com orgulho aqueles que o levarão ao cadafalso.

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