A navalha na carne

O atentado contra Bolsonaro não rendeu uma diminuição da rejeição dele. As trapalhadas do general vice certamente empurraram mais votos para a urna do Haddad. A reação das mulheres irá sepultar as chances eleitorais do capitão falastrão. Todos os demais candidatos devem estar morrendo de inveja do petista depois da performance do candidato do PT no Jornal Nacional.

https://www.youtube.com/watch?v=-kZg-whSenU

Ciro Gomes já percebeu que perdeu a vaga no segundo turno e começou a fazer ataques pessoais a Dilma Rousseff e a Lula para tentar sequestrar os votos de Alckmin. Meirelles pode gastar quanto dinheiro quiser, ele nunca se tornará o queridinho dos desempregados que produziu no governo Michel Temer. Eleitoralmente Amoedo não vale nem mesmo uma moeda furada. Marina Silva é mais falsa que uma nota de três cruzeiros. O chuchu tucano não conseguiu nascer nas cercas de varas do semi árido. Boulos cumpre seu papel: ele separa a direita da esquerda e prepara o terreno para uma retomada dos programas sociais.

A estratégia de Lula de estressar ao máximo o sistema de poder político/midiático/judicial que assaltou o poder em 2016 parece ter funcionado. O carisma, firmeza e preparo de Haddad farão o resto. Dividida e atordoada, a direita brasileira será uma vez mais derrotada. O cenário eleitoral, que se estabilizou em favor do PT, lembra muito a obra de Plínio Marcos.

“A peça pode ser vista como metáfora dos mecanismos de poder entre as classes sociais brasileiras, uma vez que as personagens, embora pertençam ao mesmo estrato social, se dedicam a uma contínua disputa pelo domínio sobre o outro. Nessa disputa, as personagens vão da força física à chantagem pela autopiedade, da sedução à humilhação, da aliança provisória entre dois na tentativa de isolar o terceiro, mas a possibilidade de juntar suas forças para lutar contra a situação que os oprime nunca é cogitada.” http://enciclopedia.itaucultural.org.br/evento398588/navalha-na-carne

É irônica a inversão de valores que ocorreu no Brasil. A elite brasileira, que sempre se apresentou unida para comandar uma nação desorganizada e dividida, se fragmentou exatamente no momento em que pensou ter recuperado o poder. Todas as tentativas da mídia e do Judiciário para dividir o PT e/ou de destruir a capacidade de liderança de José Dirceu e Lula fracassaram. A conciliação entre os trabalhadores e seus representantes emerge como a única força política importante capaz de governar o Brasil na próxima década.

Jessé de Souza disserta nos seus livros sobre a estupidez da intelectualidade tupiniquim e estuda o processo de criação e perpetuação da ralé brasileira. Nos próximos anos ele será obrigado reformular alguns conceitos. Afinal, está ficando cada vez mais claro que a ralé brasileira conseguiu se elevar à condição de nova elite enquanto a elite tradicional passou a se comportar exatamente como a ralé referida na peça de Plínio Marcos.

A governabilidade, porém, não é um fato consumado. Haddad terá que enfrentar três inimigos terríveis:  a mídia monopolizada, um congresso conservador e corrupto e as gananciosas corporações do sistema de justiça que odeiam a soberania popular e querem controlar o estado. O principal trabalho do novo presidente será desarticular o sistema de poder mafioso organizado em torno de Michel Temer para melhorar a economia e do padrão de vida para os brasileiros. Mas Haddad não poderá contar com a ajuda do mercado para fazer isso, exceto se ele conseguir convencer os financistas internacionais de que eles poderão ganhar muito mais se a tróica brasileira for destruída.

Uma coisa é certa, a facada na barriga Bolsonaro não cortou o cordão umbilical que liga a maioria dos brasileiros ao desejo de preservar a democracia. A navalha na carne dos juízes, procuradores, barões da mídia e parlamentares conservadores corruptos irá renovar nossa esperança. Caso contrário, seremos obrigados a ver mais uma vez a mesma tragicomédia que começou a ser encenada quando Aécio Neves se recusou a aceitar a derrota para Dilma Rousseff.

 

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