A polarização no campo eleitoral e a derrocada tucana, por Emir Sader

Sugestão de Assis Ribeiro

da Rede Brasil Atual

A polarização no campo eleitoral e a derrocada tucana

Por Emir Sader
 
Um provável segundo mandato de Dilma deve ser distinto e, segundo Lula, melhor que o primeiro. Requer um novo pacto e uma reforma política para contornar obstáculos hoje existentes
por Emir Sader, para RBA publicado 10/09/2014 11:09
 
RICARDO STUCKERT/INSTITUTO LULA
Lula e Dilma

Um possível segundo mandato de Dilma Rousseff deve ter presença maior de Lula

Tal qual nos outros países com governos pós-neoliberais, também no Brasil a oposição se situa sempre à direita do governo. Na Bolívia, no Equador, na Argentina, na Venezuela, no Uruguai e aqui também, a polarização se dá entre os governos e forças de direita. A ultraesquerda foi incapaz de construir força política, permanecendo no plano das denúncias. O forte apoio popular que as políticas sociais promovem nesses países dificultam a articulação da oposição de direita e levam a ultraesquerda a um isolamento.

Diante da dificuldade de tomar posição diante das políticas sociais bem-sucedidas desses governos, as oposições transitaram da negação à aceitação, ficando embaraçadas para se propor como alternativa diante de administrações que satisfazem as necessidades populares, negadas por eles quando governantes.

Já os setores historicamente, em tese, mais identificados com as causas populares, em vez de se posicionar mais à esquerda do governo – criticando seus erros, mas reconhecendo seus méritos –, em todos os países mencionados caíram na armadilha oportunista de se situar de forma equidistante entre governos e oposição de direita. E, na prática, tomando os governos como principais adversários, porque têm consciência de que enquanto esses governos mantiverem seu sucesso não há lugar para eles. Então, se aventuram a alianças de fato com a direita contra os governos progressistas.

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Os governos pós-neoliberais latino-americanos encontram mais problemas no cerco internacional a seus países pelo capital especulativo e pelas campanhas da mídia externa e interna do que na oposição politica. A pressão recessiva vinda de fora encontra aliados internos, que canalizam investimentos para a especulação financeira, em vez de investimentos produtivos, pressionando para que as economias entrem em recessão – como segue acontecendo nos países do centro do capitalismo. A oposição busca explorar isso, valendo-se do monopólio privado dos meios de comunicação, para fomentar um clima de pessimismo, que tem efeitos sobre o grande empresariado, ele mesmo alinhado politicamente com a oposição.

Nas eleições brasileiras, com a provável vitória de Dilma – no primeiro ou no segundo turno –, o segundo mandato deve ser distinto do primeiro. A promessa de baixar as taxas de juros aos patamares internacionais deve ser um objetivo central, para poder concretizar o que ela anuncia como um novo ciclo expansivo da economia. O que só pode vir acompanhado da elevação do dólar, que ampare a competitividade externa do Brasil.

Será um outro governo, como tem expressado o ex-presidente Lula, ao dizer que o segundo mandato de Dilma será melhor que o primeiro. Um mandato em que o próprio Lula terá uma ingerência mais direta e que, segundo ele, terá de se fundar em um novo pacto político, que contorne alguns dos maiores obstáculos políticos existentes até aqui.

Entre os novos elementos estará, sem dúvida, a reforma política, que introduza o financiamento público, o voto por lista e as cotas nessas listas, talvez até mesmo o patamar de votação mínima para a existência de partidos. Um novo impulso nos processos de integração latino-americana poderia apontar até para ênfases novas na política exterior, de que o sucesso das últimas decisões dos Brics são uma demonstração.

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Quanto à oposição, caso não triunfe agora, enfrentará muitas incertezas. Os tucanos devem sofrer sua pior derrota, mesmo que logrem manter São Paulo, diminuindo sua bancada e ficando sem um nome presidenciável. A morte de Eduardo Campos deixa a oposição sem alternativa, já que a candidatura de Marina não cumpre os requisitos para essa difícil função.

 

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23 comentários

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    Em Montes Claros, Aécio defende Marina de ataques do PT

    Tucano afirma que Dilma Rousseff parte para agressões pessoais e promete destacar apenas “contradições”

    DA REDAÇÃO | 11/09/14

    Aécio Neves participa de coletiva em Montes Claros

    O candidato do PSDB à Presidência da República, Aécio Neves (PSDB), saiu em defesa da rival Marina Silva (PSB) no embate com a presidente Dilma Rousseff (PT). Em Montes Claros, nesta quinta-feira, o tucano afirmou que a presidente faz ataques pessoais que seriam, na opinião dele “inaceitáveis” contra Marina.

    “Estamos vendo ataques pessoais na TV comparando Marina a outros ex-presidente da República. Eu não faço esse tipo de ataque pessoal. Não entro em vale-tudo para ganhar a eleição”, disse Aécio, em referência ao fato de a campanha do PT ter comparado Marina aos ex-presidentes Fernando Collor e Jânio Quadros.

    Apesar da defesa, Aécio disse que continuará usando a estratégia de mostrar o que chama de “contradições de Marina”, o que, para ele, é diferente de ataque.

    As falas do candidato já podem ser sinais de uma mudança de estratégia após pressão de parte da cúpula tucana e dos aliados, que considera que bater em Marina é “fazer o jogo do PT”. 

    Aécio ainda comentou as últimas pesquisas de intenção de voto reveladas. Na do Datafolha, divulgada na quarta-feira, ele aparece com 15%, contra 36% de Dilma e 33% de Marina.

    “Há uma estabilização do quadro depois de uma mudança muito rápida em três semanas. É preciso que as pessoas conheçam em profundidade quem são os candidatos”, explicou.

    Arrecadação

    O fato de aparecer em terceiro lugar nas pesquisas de intenção de voto, segundo Aécio, não representou queda na arrecadação de sua campanha. Ele disse que caso isso tenha ocorrido, não foi “avisado”. Mas frisou que sua campanha “não é rica”, mas “vai bem” e será feita “dentro do planejado”. E, apesar de ter arrecadado mais que o dobro da candidatura de Marina Silva, afirmou que “as doações estão indo de forma muito vigorosa para as outras candidaturas”.

    De acordo com a segunda parcial da prestação de contas à Justiça Eleitoral, a campanha tucana arrecadou R$ 42 milhões, contra R$ 19 milhões arrecadados pelo PSB. Mesmo somados, os valores não chegam à metade dos R$ 123 milhões arrecadados até o momento pela campanha pela reeleição da presidente Dilma Rousseff.

    Com Agência Estado

    • E o Min. Gilmar, pedindo

      E o Min. Gilmar, pedindo “vista”, do processo em que devería abolir as doações de Pessoa Jurídica, acho que deu um tiro no Aécim…..a campanha de Dilma está com as ‘Burras”, cheias…….

  2. Emir Sader?? não li e não gostei

    pode ser preconceito, mas o que li de Emir Sader é de uma burrice, cheia de obviedades.Mas tem seu público, que o merece, assim como Marilena Chauí. Uma vez, no salão de atos da Reitoria da UFRGS, vi Sérgio Paulo Rouanet (“As razões do Iluminismo”) publicamente ensinar o bê-a-bá da an´lise marxista a Chauí. Não leiam também.

    • Se o Nassif tivesse mais um

      Se o Nassif tivesse um pouco mais de pulso firme, já teria expulsado nickname do blog. Concordei totalmente com a análise do Emir Sader, não tenho nenhum reparo a fazer ou a contestar. Chamar o grande professor Emir de burro merece um bom contragolpe na orelha.

      • lê minha observação mais acima.

        grande professor e grande aluno. Sobre aquele, não é só o nickname que assim o considera. A forma de como me expresso muitas vezes é que, admito, fogem da etiqueta. Quero ver alguém cometer erro precipitado e se retratar publicamente, e dizer que foi erro, sim, postado numa 4 seções. Duvido que você (humano erra, sabia?),mas deixa pra lá.

          • gosto é gosto

            há nomes que são, de fato, apelidos. Um Morallis pode ser um nome-apelido. Uma anarquista lúcida (por onde anda?) protestou e pediu providências porque alguém descobriu sua identidade e isso a incomodou, deve ter seus motivos. Não troco, nickname não é original? Meu nome completo é de conhecimento do blog e sua equipe. Email, IP, podem até encontrar meu endereço e telefone, e, se duvidares, sabem até mesmo meu mapa astral (andas mais educado, já desejaste boa morte em 2 comentários consecutivos, alguém protestou publicamente, mas não apertou comodamente o botão Denunciar, nem outro veio e pediu corajosamente tua expulsão. Protegem-se, já são amigos, ou sei lá.

    • tá brabo não entendem, mesmo

      usei frase expondo e gozando com preconceitos. Burrice não é ofensa, já vi coisa muuuitíssimo pior mas, seja comentarista antigo, seja já amigo do blogueiro, não foi explulso, nem, que eu saiba, recebeu advertência pública, como deveria (a meu ver). Pulso firme pra isso? Ora, cadê estrelinhas de general, não os militares da democracia (que houve) , mas dos ditadores, dos autoritários.

  3. O Conversa Afiada comenta matéria de Janio de Freitas

    É sobre  a mudança de opinião da  Marina com relação aos trangênicos.

    A coluna de Janio de Freitas, na Fel-lha (*) de hoje (11), tem um título que descreve bem a Bláblárina: ‘Esqueçam o que ela escreveu’. O artigo traz à tona outra contradição na campanha da candidata do PSB: os transgênicos.

    Além das polêmicas declarações sobre religião – clique aqui para ler sobre a “roleta bíblica” – outros temas fizeram com que Bláblárina revisse posições e até mesmo seu Programa de Governo que, depois, mostrou-se em constante revisão.

    Janio citou a restrição da candidata ao pré-sal – que é prioridade nos EUA -, mostrou que a entrevista de Bláblá ao jn foi repleta de controvérsias e que a posição da “socialista” sobre os transgênicos mudou. E muito.

    Para exemplificar essa mudança, o colunista trouxe informações de Fernando Molica, do “O Dia”, e de Mário Magalhães, no UOL. Ambos buscaram discursos de Bláblárina – entre 1998 e 2002 -, onde ela se posicionou claramente contra os transgênicos.

    Em um dos pronunciamento, a então senadora condenou os transgênicos com referência a “cinco referências bíblicas”, “tendo em vista o lado espiritual”, e acrescentou:
     

    “Em Gênesis 21,33, o próprio Patriarca Abraão, com mais de 80 anos, resolve plantar um bosque. Quem planta um bosque com quase 100 anos está pensando nas gerações futuras, que têm direito a um ambiente saudável. Era esse o significado simbólico do texto. No Êxodo 22,6, há determinação explícita no sentido de que quando alguém atear fogo a uma floresta ou bosque deverá pagar tudo aquilo que queimou. Talvez essa regra seja mais rigorosa do que as do Ibama. Com relação aos transgênicos, o livro Levíticos 22,9 expressa claramente que não se deve profanar a semente da vinha e que cada uma deve ser pura segundo a sua espécie”.

    A passagem acima foi reproduzida pelo Blog do Mário Magalhães.

    Vale lembrar que Bláblárina negou, em entrevista ao jornal nacional, ser contra os transgênicos. A candidata classificou a afirmação como “lenda”. Como se vê, a lenda é verdadeira.

    Clique aqui para ler “Bláblárina é contra os transgênicos. Lenda é ela …”.

    Mudar de ideia não é novidade para a Bláblá. O apoio dela aos gays durou menos de 24 horas. Assim como a posição quanto a energia nuclear. Além disso, mentiu sobre seu voto na CPMF.

    E, como se sabe, a Bláblá não aguenta um Twitter !

    João de Andrade Neto, editor do Conversa Afiada

     

  4. Grande Emir!!!

    É com muita satisfação que assisto seus comentários diariamente no Repórter Brasil.  Grande Emir, e quem somos nós para contestá-lo?  Bravo Emir!!!!

  5. Então…………………..

    Com a campanha do Aécio fazendo água, já se vê até o FHC, nas entrelinhas, apoiando a Marina!!

    O que eles querem, custe o que custar, é tirar o PT do governo, não importa como!

    É como disse um general de pijama – ” não importa quem apoiaremos, contanto que tiremos os peltistas do governo.”

    Então, estão jogando no quanto pmior melhor!!! Vá entender estes vendilhões!!!!

    Para não ficar muito partidário, sou até favorável que exista e deva existir uma oposição a qualquer governo, mas uma oposição séria, não está que está aí!

    Tanto não são oposição, que foi preciso a mídia fazer o papel, e que papel!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

    São na realidade vendilhões, oporltunistas e quinta-colunas, nada mais!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! 

  6. Uma coisa que ninguem fala é

    Uma coisa que ninguem fala é que o PT está indo pessimamente nas eleições estaduais. Parece que deve perder Rio Grande do Sul e Bahia e mesmo MG não tem vitória garantida. Pode ser uma derrota histórica do PT nos estados. É bom a Dilma tratar de ganhar mesmo. senão a coisa fica feia para o partido.

      • Olha, não é por nada não, mas

        Olha, não é por nada não, mas tudo indica que Paulo Camara (PE), Ana Amélia (RS) e Rolemberg (DF) devam vencer as eleições. Talvez o Agnelo tenha alguma chance, mas pelo que vi nas pesquisas não vai ser fácil não.

        Me parece que o que mais tem chances, ainda, é o Pimentel, em MG. Mas, ainda sim, com o Aécio tomando essa lavada, ele fará de tudo para reverter a situação lá.

    • Em Pernambuco, a cabeça é do PTB, apoiada pelo PT.

      No RS,pelo menos POA,população mais civilizada e politizada do país,acho q Tarso Genro ganha.Se nao ganhar,sai de cabeça erguida.Noutros cantos, acho que não.Um dos problemas que acho (piso em ovos em idéias e palavras diante de uma Irmandade ativa e vigilante) é o PT não ter candidato na cabeça em Pernambuco,pelos erros (a arrogância cegou e cega).O nível a que direção municipal,estadual e a “superior” Direção Nacional chegaram,na escolha pra Prefeito,todos sujaram a imagem do PT em Recife,o maior eleitorado do estado,é bom lembrar.Quem entraria e quem optaria e votaria num partido de lutas fraticidas,acusações de corrupção,uma luta pra ver quem é mais de esquerda,pra ver quem melhor representa – ou conquista… o povo -, quem?Assim,E. Campos se elegeu.Então,não é apenas por uma base filiada militante e seus simpatizantes,mas o buraco é bem mais embaixo,no sentido de que é bem mais em cima!Não vou me repetir ao remeter erros já no nascimento do PT.Fica como tema de casa,como exercício escolar,dever de casa,enxergar e nao mais repetir erros já surrados cometidos pelos partidos de esquerda no Brasil e no mundo. Nem defender o passado fervorosamente.Repetir práticas stalinistas sob um discurso de que surge “novo e diferenciado, de baixo pra cima” é desconhecer a história. Ora, P… Ora. K… a 4.

  7. Insuportável!

    Olha, eu me considero de esquerda, vou votar na Dilma, mas uma coisa que me impressiona no Emir Sader é que suas verdades sagradas estão cada vez mais prepotentes.

  8. desejos e realidades (hipóteses e futurismos)

    Li. Mais educado, e sem o autoritarismo de um Cafezá, Athos referiu-se a obviedades e entrelinhas no Post-título. Emir Sader reforça: é previsível e é um torcedor, parece brincar com desejo e realidades (plural, hipóteses sobre a realidade, futurismos). Alguém aqui disse que não é artigo de um cientista político.

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