Alckmin jogou água no chope de Ciro, por Bernardo Mello Franco

Adriano Machado/Givaldo Barbosa | Reuters/Agência O Globo

 

Jornal GGN – E lá vai água no chope de Ciro Gomes. E quem jogou foi Alckmin. Com a abertura da temporada de convenções partidárias, o tucano empanou a festa de Ciro, e levou o centrão. Esta é a tônica do artigo de Bernardo Mello Franco, em O Globo. O negócio com o centrão deu nova vida à candidatura de Alckmin, que estava desacreditado, sem poder de convencimento. Na outra ponta, Ciro terá que se virar para não sumir do radar do eleitor.

Alckmin, na pré campanha, estava aflito. Doria, seu afilhado, o sabotou e parte de seu eleitorado se bandeou para os lados de Bolsonaro. E ele amargando somente 7% das intenções de voto, o que é sofrível para quem governou São Paulo por quatro mandatos. 

Daí, sua estratégia saiu do foco do ético e foi para os lados do centrão, com Valdemar Costa Neto e Roberto Jefferson, nem um pouco afeitos à pauta inicial. E o coloca no reforço da base de Temer, que ele tentava negar. O articulista não estranharia se o MDB desistisse de Meirelles para apoiar Alckmin. E o candidato se turbina em tempo de TV, mas não custa lembrar que celular, WhatsApp e Facebook são bons cabos eleitorais.

Leia o artigo a seguir.

em O Globo

Alckmin jogou água no chope de Ciro

por Bernardo Mello Franco

Geraldo Alckmin jogou água no chope de Ciro Gomes. O pedetista abre hoje a temporada das convenções partidárias. Ontem à noite, o tucano estragou os preparativos da festa. Ele venceu a disputa pelo apoio do centrão na corrida presidencial.

Alckmin estava desacreditado. Desde o início do ano, ele sofre para convencer aliados, empresários e eleitores de que não será um peso morto na eleição. O acordo tem potencial para ressuscitá-lo.

Ao fechar negócio com o centrão, o tucano garantiu um latifúndio no horário eleitoral. Ele poderá chegar a seis minutos a cada bloco de propaganda em rádio e TV. Agora Ciro é quem terá que se mexer para não sumir do radar do eleitor.

Até aqui, Alckmin só colecionava más notícias na pré-campanha. Ele foi sabotado pelo afilhado João Doria e viu parte do eleitorado cativo do PSDB migrar para a candidatura de Jair Bolsonaro.

O tucano aparece em quarto lugar no Datafolha, com apenas 7% das intenções e voto. É um desempenho sofrível para quem já foi candidato ao Palácio do Planalto e governou por quatro vezes o estado mais poderoso do país.

Apesar de investir no discurso ético, o presidenciável pediu socorro a símbolos do que diz combater. Ele costurou o acordo do centrão com o ex-deputado Valdemar Costa Neto, o poderoso chefão do PR. Alguns dias antes, selou aliança com Roberto Jefferson, dono do PTB.

É uma estratégia curiosa. Na eleição de 2006, Alckmin apostou tudo na indignação do eleitorado com o mensalão do PT. Agora ele se alia a dois caciques que foram presos e condenados por corrupção no mesmo escândalo.

O acordo com o centrão também reforça o vínculo do candidato do PSDB com o governo Temer, do qual ele tentava se distanciar. Agora o tucano terá em seu palanque a maior parte da base aliada no Congresso. Não será surpresa se o MDB desistir de Henrique Meirelles para apoiá-lo.

O tempo de TV deve impulsionar Alckmin, mas não é garantia absoluta de sucesso na eleição. Em 1989, Ulysses Guimarães e Aureliano Chaves tiveram as maiores fatias da propaganda na TV. Um terminou a disputa em sétimo lugar. O outro, em nono. E naquele tempo não havia celular, WhatsApp ou Facebook.

 

 

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28 comentários

  1. Se teve alguém que meteu os

    Se teve alguém que meteu os dois pés na jaca nessa pré-campanha, esse alguém foi Ciro Gomes.

    Foi tentar atrair o tal centão (que está mais para “direitão”), queimou as pontes com o PT e com o resto da esquerda e agora ficou de mãos abanando.

  2. Desacreditados

    Engana-se aquele que pensa positivamente a favor da candidatura Alckmin depois desse conluio com o Centrão. Ele fica mais desacreditado do que já está quando aparece ao lado de João Doria Jr.: essa “amizade” com aquele ex-prefeito de SP que foi chamado de traidor por muitos tucanos quando ojovem correu na frente de seu, protetor, Alckmin, para se viabilizar candidato a presidente) soa cínica, falsa. O PSDB por essas e outras (ter o senador  Aécio em seu quadro depois do escândalo dos 2 miljhões em espécie) também perdeu c´redito. Enfim, uma dupla de desacreditados: candidato e partido. Principalmente Alckmin em que eu já votei. Não voto mais. Chega de fisiologismo

  3. Alckmin é Temer

    O apoio do “centrão” a Alckmin é a vitória da racionalidade.

    O PSDB,  o “centrão” e o PMDB do Temer sempre foram a base do golpe e os responsáveis pela destruição do Brasil.

    Ficou tudo mais fácil para o eleitor: Alckmin é a continuidade de Temer.

  4. O diabo cobra depois

    Ciro caíu no mesmo erro que Lula e Dirceu no passado , ou seja, ao compor com Roberto Jefferson PTB, Valdemar Costa Neto PR Michaeel Temer sua quadrilha, venderam  a alma ao Diabo e depois ( Mercado, Midia e Judiciario ) vieram cobra na forma do Mensalão.Quanto ao Alckimin esta onde sempre esteve. E  estão pensando que sua candidatura se turbina em tempo de TV, mas não custa lembrar que celular, twitter, WhatsApp e Facebook são bons cabos eleitorais. Portanto quando o Povão descobri que Alckimin é o candidato do Temer e do continuísmo ele não sairá dos 7% que já possui

  5. Disputa para empurrar goela abaixo do eleitor

    tudo o que há de pior na política.

    E é a completa desmoralização da lava jato e do judiciário. Não era para “limpar” a política? Pois não passou de uma grande farsa. Basta ver o resultado do que oferecem aos eleitores como candidatos “permitidos” a serem votados: todo o centrão do Eduardo Cunha está aí livre, leve e solto. 

    O mais honesto presidente da história do Brasil está preso, o que saiu mais pobre, o que teve a vida vasculhada e tiverem que inventar bens que nunca foi dele para condená-lo, e um dos únicos que cumpriu promessas de campanha com os mais pobres, está preso. 

  6. O diabo cobra depois

    Ciro caíu no mesmo erro que Lula e Dirceu no passado , ou seja, ao compor com Roberto Jefferson PTB, Valdemar Costa Neto PR Michaeel Temer sua quadrilha, venderam  a alma ao Diabo e depois ( Mercado, Midia e Judiciario ) vieram cobra na forma do Mensalão.Quanto ao Alckimin esta onde sempre esteve. E  estão pensando que sua candidatura se turbina em tempo de TV, mas não custa lembrar que celular, twitter, WhatsApp e Facebook são bons cabos eleitorais. Portanto quando o Povão descobri que Alckimin é o candidato do Temer e do continuísmo ele não sairá dos 7% que já possui

  7. Está todo mundo vendo o que

    Está todo mundo vendo o que está acontecendo…

    Se votarem nele não poderão dizer que foram enganados!

    É por que aprovam tudo que aconteceu até aqui…

    Acredita até que o PCC vai querer vê-lo presidente, por que eles saberão com quem e como negociar…

    • ”Acredita até que o PCC vai

      ”Acredita até que o PCC vai querer vê-lo presidente, por que eles saberão com quem e como negociar..”

      Vc está certo–sem ironia.

      Assim como todas empreiteiras corruptas votam no Lula–sem ironia.

      • Empreiteiras não são

        Empreiteiras não são corruptas, quem são corruptos são seus gestores. Essa mentalidade de que as empresas devam ser criminalizadas e destruídas causou o fim de milhões de empregos qualificados no Brasil e dizimou a engenharia pesada brasileira. As empreiteiras são ativos nacionais indispensáveis para a geração de empregos e do crescimento econômico.

        Não há paralelo entre o PCC e as empreiteiras. O PCC é uma organização concebida para a prática de crimes, responsável por milhares de mortes e impõe o terror nos presídios e nas comunidades mais pobres do país, ou seja, é uma organização terrorista. Por outro lado as empreiteiras são empresas lícitas que geram empregos, pagam salários e encargos trabalhistas aos seus empregados, assim como pagam impostos para o desenvolvimento do país.

        Se o Lula for eleito tem mais é que ajudar as empreiteiras a recuperar seu papel como agente econômico responsável pela geração de empregos e de riqueza.

         

        • ”Empreiteiras não são

          ”Empreiteiras não são corruptas, quem são corruptos são seus gestores. ”

          Empreiteiras é inanimado.Então nem respondo,já respondendo.

          ” As empreiteiras são ativos nacionais indispensáveis para a geração de empregos e do crescimento econômico.”

          Organizações criminosas geram mais empregos que empreiteiras.Se esse é o argumento…

               Bom dizer, que o crime também requer trabalho e planejamento e risco.–e sem o apoio do governo, ao contrário.

          ”Não há paralelo entre o PCC e as empreiteiras”

             Não há mesmo. O roubo das empreiteiras mata muito mais que explico a seguir.

          ”’ O PCC é uma organização concebida para a prática de crimes, responsável por milhares de mortes e impõe o terror nos presídios e nas comunidades mais pobres do país, ou seja, é uma organização terrorista.”

                Vc tem ideia de quantas pessoas morrem sem saneamento básico, sem hospitais, sem segurança que as empreiteiras em conluio com políticos roubam da população ? Não,não tem.

             ”Por outro lado as empreiteiras são empresas lícitas ‘

               kkkkkkkkkkkkkk Para de ser ingênuo. A matriz até pode ser lícita.Mas o polvo( laranja) ilícito delas é uma grandeza.

            ”Se o Lula for eleito tem mais é que ajudar as empreiteiras a recuperar seu papel como agente econômico responsável pela geração de empregos e de riqueza.”

                  Se Lula for eleito…

                    Impossibilidade por impossibilidade prefiro Jesus Cristo que Lula.

                         Mas vc não. Eu sei.

           

  8. Pronto, para quem ainda tinha

    Pronto, para quem ainda tinha dúvida sobre qual é o empregado que a firma “Globo” vai infiltrar no estado, taí.

    A escolha de Ciro Gomes para escada da candidatura daquela firma estava óbvia: citar Bolsonaro ou, pior, Lula seria jogar holofote em quem, segundo a firma, deve ser desprezado. E se tem algo que essa firma sabe fazer, além de estimular a idiotia geral – da, como disse o Nassif, “dona de casa de Botucatu” à classe média e empresários – é manipular seus holofotes. Ciro escada da bandidagem é mais fácil: o candidato se fragiliza quando mostra certo respeito por firma como essa.

    Será que vai ter texto de “já ganhou” para os outros candidatos?

  9. Historinha (e comportamento) correlatos

    Historinha (e comportamento) correlatos

    Desde ontem estou acompanhando a reação (histérica e exultante) da militância petista nas redes sociais sobre as consequências da adesão do Centrão ao Alckmin, em detrimento da campanha do Ciro. Os comentários evocaram lembranças de comportamento semelhante. Aqui vai.

    Setembro/1999 – No final da tarde de um domingo, uma tradicionalíssima e muito antiga (mais de 150 anos) empresa norte-americana ingressa na corte de Nova Iorque com pedido de concordata preventiva/recuperação judicial (chapter eleven). Terremoto no mercado.

    A subsidiária brasileira, minha cliente, já vinha mal, porém sob controle, embora atolada nos bancos em operações de giro, ACC (adiantamento sobre contratos de câmbio), e até uma operação improvável para o porte da empresa, desconto de duplicatas, reflexo da delicada situação que vinha se arrastando.

    Segunda-feira, meio-dia, chegamos na gigantesca sede da empresa, multidão na porta, jornais, carros da reportagem da afiliada da TV Globo e o caminhão de som do sindicato compunham o cenário de caos.

    Passamos pelos portões na frente dos repórteres da Globo, credores têm preferência. Fomos recebidos pelo diretor financeiro, velho conhecido. O semblante dele dava pena, cara de quem tinha passado a noite em claro. Repetia mecanicamente que “o que tinha acontecido na matriz não guardava nenhuma relação com a subsidiária, os compromissos todos seriam honrados normalmente, os ACCs todos performados nos devidos prazos, nenhum embarque previsto seria cancelado, etc. O papo de sempre, calma e serenidade diante da derrocada da empresa e do caos.

    Não havia o que fazer senão aguardar, cumprida a formalidade da visita ao moribundo. No trajeto de volta, o colega da mesa de câmbio, que havia contratado/negociado todos os ACCs dos últimos 2 anos, maior parte do passivo da empresa, fez o comentário insólito: “Pelo menos cobrei caro e adiantado o deságio de cada ACC!” Não contive a gargalhada, estávamos atolados em vários milhões na empresa moribunda e o colega comemorando a cobrança de juros escorchantes e adiantados.

    Corre a linha do tempo para daqui a 78 dias. Noite de 7 de outubro. A militância petista não lamenta o PT não estar no segundo turno, pelo contrário, comemora o fato de o Ciro também não ter passado.  

    PS 1.: No final da tarde da nossa visita à empresa moribunda, a subsidiária brasileira igualmente ingressou nos tribunais com o pedido de recuperação judicial/concordata preventiva, por orientação da matriz. Participamos de um teatro na mesa do diretor.

    PS 2 : “Ainda face à realidade concreta, se não for possível unir a todos, que estabeleçam uma estratégia comum para garantir presença no segundo turno e ousar vencer. É possível. Uma pactuação progressiva sem vetos de nenhuma espécie”. Walter Sorrentino, hoje no GGN

    • Tiros no pé

      Pois é, como se Ciro oferecesse mais do que insultos e depreciações ao PT, alguma ameaça eleitoral…

      O PSDB sempre foi, digamos, a elite do chamado “centrão”. E esse “centrão” pensou que teria alguma chance junto à elite só porque Cunha viabilizou o golpe e Temer ganhou um agrado, ficar na presidência por um tempinho. A elite sabe distribuir caixinhas gordas tanto aos manobristas quanto à sua tropa de choque. O PCC que o diga…

      Resta, talvez, a quem tem os olhos abertos, a questão: como extripar da alma da classe média a admiração por uma elite que vive de sabotá-la, expoliá-la, abusar dela? Será que a submissão embasbacada da classe média à elite é puro masoquismo? Incapacidade absoluta de questionar seu condicionamento pavloviano à aprovação de tudo que é vendido como “fino”? Mesmo ao que a prejudica? Às vulgaridade coloridas e poucas – contas de vidro colorido – com que o Capitalismo a alicia?

      – “Pelo menos vou à churrascaria. E de SVU, tá? E pago com cartão ‘special VIP elitst’.” Essa classe média que se orgulha em ter dívidas…

      “Quem tem dívida é porque tem crédito.” E num umbiguismo patológico, esquizofrênico, completa: “O Santander acredita em MIM.”

      Bah… quando foi que a classe média teve alguma noção do que é democracia, do que é um estado nacional? Bem, depois de tanto penar, quem sabe a classe média comece a acreditar que vinha sendo ludibriada esses anos todos a aderir à “fineza”, né? Quem sabe pensa mais em seus filhos, netos, no povo a que pertence?

      • Lazzari, muito bem

        É isso. Resumindo a situação atual, ainda que de forma um pouco chula, estamos com a merda no nariz, respirando de canudinho. Não dá para brincar, e faltam apenas 78 dias. Precisamos de muito juízo. O que vai abaixo, da brilhante Marcia Tiburi, vale para todos: 

        • Que povo, moça?

          Nada mais estapafúrdio que se referir à existência de um “povo brasileiro”. Aqui há uma massa de pessoas, escrava das paixões que a fortuna e e os “espertos” lhes impõe. Povo (no sentido de uma totalidade de CIDADÃOS) é algo que ainda não surgiu na terra de Santa Cruz.

        • Com minha opinião + R$ 10

          Com minha opinião + R$ 10 reau você já pode catar um prato-feito do dia, com direito a suco de cajú. Mesmo assim, na impossibilidade momentânea de socialismo comunista, dou preferência ao estado de bem-estar social. É o mínimo que aceito.

  10. É o PT quem rechaça Ciro!
    O comportamento do PT com Ciro é lamentável desde o início.

    O PT se alinhou ao PMDB fisiológico, colocou bancários no BC, nada fez contra o monopólio Globo, se envolveu em inúmeros escândalos de corrupção, errou na política econômica e… Ainda quer que Ciro se curve a ele! Como se a centro-esquerda lhe fosse exclusiva.

    Já Ciro, com um programa nacionalista mais sólido desde o inicio, sinaliza constantemente ao PT para tê-lo como vice… Mas os petistas jogam pedra em Ciro, rechaçam e boicotam suas alianças, empurram Ciro ao centro e quando as diferenças emperram essa aproximação, o que faz o PT? Acusa Ciro de se aproximar do centro. Ou seja: o PT recusa a aliança com Ciro para depois acusá-lo de buscar o centro, como ele próprio havia feito.

    PT, duas vezes hipócrita.

    • Discurso de paneleiro…

      E que vota em Ciro. É no que dá candidato que vira à direita.

      E centrão não é centro, é direita. Receber adesões da diireita quando o candidato já tem uma base de esquerda de maior tamanho tem menos problema, pois a direita não tem hegemonia na base de apoio. É o caso do PT, era o caso do Brizola. O problema é quando o candidato não tem outra base de apoio e apoios de direita se tornam hegemônicos.

  11. É Lula Presidente

    Ciro não precisa da ajuda de ningúem para se queimar, ele o faz sozinho.

    Como se anunciava antes e se confirma agora, a chapa da esquerda é a chapa de Lula, é a chapa do PT.

    #HaddadNoGovernoLulaNoPoder

  12. Pontos …

    Pontos :

    Centrão é o golpe , passar quatro anos olhando para trás.

    Tempo de tv aberta hoje creio muito relativo face às redes sociais , mesmo nas camadas mais pobres , a greve dos caminhoneiros mostrou usto.

    Ciro não que parece saber para onde vai , não sei dizer que ônibus elecdeve pegar.

    Tudo mundo segue “fazendo campanha” para o Bolsonaro.

  13. O “centrão” e a Eleição

    Farei a seguir uma análise particular da nova conjuntura Política com a criação da candidatura do “centrão” encabeçada por Geraldo Alckmin. Análise associada à realidade socioeconômica do pós-Golpe e a alguns fatos eleitorais históricos, em especial o surgimento de Bolsonaro, a partir do Golpe de 2016.

    Alckmin vai reaver os votos que escaparam da direita neoliberal e foram para na extrema-direita representada por Bolsonaro? O eleitor tradicional do PSDB vai retornar para o partido ou migrar para candidatura outra ou nenhuma se não seguir com Bolsonaro?

    Não gosto muito das análises que, ainda, partem da ideia de que há no Brasil um povo numeroso incapaz de compreender a realidade e que se possa taxar de ignorante e vote via cabresto midiático, via manipulação da informação e das mentes. Existe, uma parcelo do povo, mas ela não é decisiva em uma Eleição presidencial e nem é numerosa. Há fatores diferentes que demarcam votos para a direita e para a esquerda além da mídia.

    Devemos é pautar as coisas dentro de contextos mais reais. Há no Brasil um povo numeroso desmobilizado, acomodado para travar a Luta por direitos e extremamente individualista, fruto do nosso processo educacional que valoriza sobremaneira o mérito pessoal, o esforço individual, a carreira, o vestibular, o sucesso, o eu e não o coletivo, e que pode leva-lo a não associar todas as suas conquistas e perdas a uma relação harmônica ou desarmônica entre a ação do Estado, o planejamento, a economia, a iniciativa privada, as Lutas sociais, o emprego e, claro, o esforço pelo trabalho. Porém, povo ignorante não há em quantidade significativa mais e a prova é a aprovação de Temer e seu Governo. 

    O povo sabe das coisas, por incrível que possa parecer, aos assustados de plantão com a formulação da chapa do “centrão” encabeçada por Geraldo Alckmin do PSDB.

    O povo não está alienado da realidade brasileira a ponto de ser levado a acreditar em tudo o que o Sistema lhe oferecer como alternativa no período eleitoral, mesmo com toda a força econômica do Imperialismo e o Departamento de Estado Norte-Americano, do Capital nacional e estrangeiro, do Agronegócio, da estrutura de Estado da Justiça elitizada e do Poder Midiático.

    Temer e seu Governo não passam dos 5% de aprovação desde, pelo menos, 1 ano. Isto é ignorância ou conhecimento da realidade por parte do povo brasileiro? E esta aprovação com o monopólio das informações e notícias do Brasil e do Mundo a cargo da máquina de moer a verdade chamada Rede Globo apoiando a maioria das medidas socioeconômicas do Governo Temer, que o povo brasileiro desaprova e pesquisas comprovam!

    Vencemos 4 eleições seguidas dentro do quadro de mídia, Judiciário (mais em 2014) e do Grande Capital fazendo de tudo para o povo brasileiro não votar no PT. E ele votou! O povo brasileiro deixa para decidir sua vida na Eleição, isto é fato concreto.

    Por que o povo, hoje, dando no máximo 5% de aprovação ao Governo do Golpe, votaria em Alckmin, não associando Alckmin e seu PSDB a tudo o que está aí posto, ao caos atual? Eles estiveram desde o primeiro instante comandados por Aécio, tucano, na derrubada da Presidenta Dilma e prometendo que viria um oásis e crescimento econômico no dia seguinte do Impeachment e, assim, não ocorreu bem sabemos.

    Devemos nos preocupar, claro que sim, com os golpismos eleitoreiros de última hora e com a questão da posse em 1° de janeiro, esta pode ser uma batalha a ser travada nas ruas, se os golpistas não quiserem entregar o Poder. No voto o Golpe tem tudo para perder se a esquerda tiver minimamente coesão e inteligência.

    Uma campanha não é só desconstrução do adversário, as 4 vitórias seguidas nos mostram isto. É preciso mostrar propostas de Governo e o que foi feito, a memória dos tempos de bonança temos a nosso favor, e ser assertivo e ter coragem de dizer a que veio. E vamos ser sinceros: os golpistas não vão apresentar propostas com seriedade no período eleitoral, vão é utilizar das artimanhas de sempre:

    Vão apelar para temas como aborto, descriminalização das drogas, questionar união homoafetiva, que defendemos bandidos, etc. Misturando estes temas com prisão de pessoas próximas de nosso candidato, coercitivas, condenações próximas da Eleição, calendário eleitoral voltado para o sítio de Atibaia colocando, como já sabemos, a audiência de Lula no começo de setembro e a condenação por Moro na semana da Eleição, o ele sabia de tudo da Veja e da Istoé, sem contar que virá a ameaça comunista, o bolivarianismo, o confisco de nossa casa se o PT ganhar, etc. via Internet e assim por diante. Não têm novidades. É o jogo de sempre, o jogo do desvio das propostas para as acusações ao adversário, da busca do voto dado pelo medo do adversário e não voto a favor de um candidato que possa ser o ideal para o eleitor.

    Esta forma de agir já está manjada. Deu resultado eleitoral em 2016 nas eleições municipais na excepcionalidade da Lava-Jato e a capacidade dela, já não mais possível, de gerar um processo de ódio coletivo contra o Governo Dilma, o PT e Lula desencadeado da Operação em sua dobradinha com a velha mídia capitaneada pela Rede Globo e Veja, que culminou no Golpe. Naquele período a Lava-Jato chegou a ter 90% de aprovação, hoje, não chega a 40% e Moro tem menos aprovação que Lula, apesar de todo o Lawfare diário durante mais de 3 anos contra o ex-presidente, segundo a pesquisa Ipsos desta semana.

    Sendo Lula candidato ou quem ele escolher não temos mais a Lava-Jato como único fiel da balança, e temos, ainda, a situação nova da desaprovação de Alckmin que está nos 70% com apenas 18% de aprovação, segundo a mesma pesquisa Ipsos; Lula aparece com 45% de aprovação e 54% de desaprovação, ou seja, tem 2/3 a mais de aprovação que Alckmin e 16% a menos de desaprovação com tendência de diminuição da desaprovação quanto mais o Golpe se volta contra a sua candidatura. Lula que tem a capacidade de transferência em 1° turno de até 32% dos seus votos, segundo afirmou o Diretor da Vox Populi Marcos Coimbra no meio da semana.

    Hoje, a força capaz de gerar ódio coletivo contra Dilma, o PT e Lula se arrefeceu e ficou encastelada no extremo político de direita que é a chapa Bolsonaro e Janaína Paschoal. E este ódio e desejo de derrubada do PT e de Dilma foi lá em 2016, 2 anos atrás, e a História seguiu e o povo brasileiro tem consciência de que foi enganado e que a vida está piorando ao extremo, que o desemprego grassa, que a fome se expande, que as dívidas crescem e o consumo e os direitos somem.

    Junto ao caos econômico e social gerado pelo Golpe temos o detalhe importante: a candidatura do “centrão” já nasce numa encruzilhada inicial que é a de reaver os quase 20% de eleitores seus que bandearam para a extrema-direita e lá querem ficar ou, talvez, buscar um anti-Alckmin sem ser Lula e/ou seu candidato, é claro, e que se sentem enganados pelos líderes do Golpe na direita política que são os tucanos.

    Estes quase 20% não eram eleitores Bolsonaro e nem estavam votando em candidatos de extrema-direita votavam, quase todos, na direita neoliberal do PSDB.

    Lembremos, o fenômeno da extrema-direita eleitoral com 1/5 dos votos pós-redemocratização é resultado do Golpe de 2016.

    Então, fazer o eleitor que aponta Bolsonaro nas pesquisas abandoná-lo não significa a certeza de voltar o seu voto para os braços do PSDB, pode acontecer em parte, mas, a História nos mostra que partidos podem desaparecer ou se tornar insignificantes.

    E este eleitorado que bandeou para o Bolsonaro, pela incapacidade política do “mito”, pode nem ir votar e/ou votar branco/nulo e até em outro candidato da direita neoliberal e dividir os votos do “centrão”.

    Por isto, podemos até dizer: querem que o Álvaro Dias deixe de ser candidato para não fragmentar por demais o voto na direita neoliberal.

    Torna-se preciso entender que a direita neoliberal e a extrema-direita disputam, em boa parte, o mesmo eleitor cativo em torno de 30% do eleitorado no 1° tuno, sendo que a extrema-direita está com quase 20% deste conjunto de eleitores e a direita com Alckmin e o “centrão” tem no máximo 7% de votos, mais um pouco de votos com Álvaro Dias. Já Marina e Ciro é outro tipo de eleitorado, não colocaria atualmente, a maioria dos que apontam o voto neles em pesquisas, no grupo clássico dos 30% de incluídos da sociedade de castas tradicional do Brasil e nem no eleitorado tradicional da direita no 1° turno.

    E com o detalhe, a direita neoliberal no Poder tem feito ações que mexem até no bolso dos seus eleitores tradicionais, desde a ideia de mudanças nos modelos de plano de saúde e seus reajustes abusivos, passando pela CLT, pelos reajustes das mensalidades escolares, pelas prestações de aluguel e casa própria impraticáveis na crise socioeconômica crescente e chegando na Previdência. 

    A classe média tradicional não desaprova Temer à-toa, desaprova porque ele vem com tudo na destruição da própria realidade do dia a dia desta classe social que busca, e não tem permitido com êxito o Golpe, exclusividade nos consumos e lazeres e distinção social. Todos estão entrando em decadência social e não se desenha um modelo clássico dos incluídos e excluídos. O Golpe é radical a ponto de não considerar sequer uma fração de incluídos com privilégios no seio da sociedade, é a produção mais fidedigna da sociedade do 1% e com rebarbas para mais alguns poucos privilegiados.

    Não corroboro da ideia de que com o surgimento do “centrão”, está decretado que ele irá receber de volta os votos de Bolsonaro e vencer a esquerda porque temos a indefinição da candidatura Lula ou de seu candidato e mais uma ou outra candidatura no nosso campo político.

    Eu acredito é que vamos ter um embate na direita muito importante, que será o jogo arriscado e que pode ser fatal para Alckmin de se transformar num Bolsonaro mais Light para tentar roubar os votos que a Lava-Jato e o Golpe levaram para a extrema-direita e neste momento se desfigura o candidato do “centrão” e a imagem de bom moço dele.

    O brasileiro, creio eu, não tem propensão a extremismos, uma parcela, sim! Talvez, na excepcionalidade e rescaldo do processo que culminou no Golpe, contemos 15% do eleitorado, e ele já está com seu candidato fabricado desde a Lava-Jato e o Golpe: Bolsonaro. Se Alckmin for busca-lo de volta pode tirar de si outra parcela que não se identifica com Bolsonaro e assemelhados. Então, se a estratégia do “centrão” apelar na campanha para fundamentalismos ligados aos temas: Religião, direitos civis, “bandido bom é bandido morto”, direitos humanos e LGBT tende a se perder no meio do caminho.

    José Serra em 2010 e 2012 apoiou-se em parte destas bandeiras e perdeu a Eleição para petistas.

    Fiemos nossas esperanças na apresentação de propostas; nos nossos até 3 minutos de horário eleitoral em 1° turno podemos mais que o Alckmin com 6 minutos e tendo que se contorcer todo para se fingir que não é o candidato do Golpe e de tudo o que aí está e tendo de reconquistar os votos que foram pro Bolsonaro. E tem a questão do segundo turno, onde o tempo de TV será igual.

    Paremos de ter medo do Sistema, no sentido de crer que ele pode tudo na hora do voto. Ele não conseguiu adiar as eleições, não conseguiu implantar o parlamentarismo ou semipresidencialismo, não implementou nenhuma Ditadura Militar, não conseguiu cassar a legenda do PT e a única coisa que tem conseguido é manter Lula preso e quase incomunicável, o que mesmo assim não tem surtido efeito porque Lula tem ao menos 40% dos votos válidos em 1° turno, daí para mais, e poder alto de transferência destes votos para outro candidato.

    Como disse no começo, nossa preocupação maior é como garantir que os golpistas entreguem as chaves do cofre em 1° de janeiro de 2019 e em que condições entregarão.

    Lembremos que nesta Eleição Lula não estará colado no santinho dos golpistas dos partidos fisiológicos, anteriormente da “coalizão”, da base aliada dos governos petistas. Nós vamos ter apenas nossos candidatos da coligação petista de centro-esquerda e esquerda ligados a Lula nos santinhos. É um diferencial a ser explorado. E temos a chance de criar um parlamento mais progressista e eleger um conjunto de deputados (as) e senadoras (es) para formar uma base parlamentar capaz de aprovar Leis e projetos de interesse do Brasil e do povo brasileiro e, certamente, se formos didáticos na campanha em pedir que se vote nos candidatos de Lula, Manuela, que torço para ser a Vice na chapa do PT e Boulos para o Legislativo, em caso de vitória, ficará impossível outro Golpe, pela chance da presença de ao menos 173 deputados (as) de esquerda para impedi-lo.

    Enfim, os nossos adversários do “centrão” e do Golpe tem no máximo 5% de aprovação governamental. Partamos desta realidade. Fugir dela é gerar um pânico desnecessário, é se assustar com a novidade do “centrão”, que nada mais é do que o Golpe disfarçado, mas, que nesta altura do campeonato não consegue mais dissociar Alckmin de Temer, vamos ser mais práticos, dissociar os dois é uma tarefa hercúlea.

    E vamos para a campanha sem medo de ser feliz!

     

  14. Duas bolas de ferro grudadas às pernas:

    Duas bolas de ferro grudadas às pernas: Aécio Neves e Michel Temer. Fora os parlamentares impolutos – só que não – do centrão. Não se sabe qual será a tônica da campanha deste ano. Geraldo Alckmin está no patamar de voto em que está hoje. Quem garante que crescerá? Há resistência crônica a seu nome na região nordeste. A Lava-jato também lambeu seu cangote. O estado de São Paulo, administrado pelo tucano, também tem lá seus problemas de gestão, como por exemplo a questão da recente crise hídrica.

    Tempo de TV, como lembrado pelo articulista, em outras ocasiões não fez milagre. É de se destacar o último parágrafo do texto: “O tempo de TV deve impulsionar Alckmin, mas não é garantia absoluta de sucesso na eleição. Em 1989, Ulysses Guimarães e Aureliano Chaves tiveram as maiores fatias da propaganda na TV. Um terminou a disputa em sétimo lugar. O outro, em nono. E naquele tempo não havia celular, WhatsApp ou Facebook”. 

    A batalha nem está ganha nem perdida por ninguém. A luta é aberta. Com uma boa estratégia, a esquerda conseguirá ir ao segundo turno, quiçá vencer o pleito. Resta lembrar que o excesso de candidatos no campo popular é evidente – e que a “estratégia Lula” implica, sim, a assunção de um risco imenso: a esquerda poderá ficar fora do segundo bloco da eleição…

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