Após auditoria não indicar fraude nas urnas, ministros do TSE rebatem PSDB

Jornal GGN – Os ministros do Tribunal Superior Eleitoral se posicionaram na manhã desta quinta-feira (5) a respeito do relatório da auditoria nas urnas eletrônicas divulgado ontem pelo PSDB. Após 10 meses de trabalho e R$ 1 milhão investidos pelo partido do senador Aécio Neves, candidato derrotado na disputa contra Dilma Rousseff (PT), a auditoria não identificou indícios de fraude na eleição presidencial de 2014.

Leia mais: Auditoria do PSDB não encontra fraude nas urnas na eleição de 2014

O presidente da Corte Eleitoral, Dias Toffoli, enfatizou hoje que não foi verificada nenhuma evidência de que houve adulteração de programas, de votos ou mesmo qualquer indício de violação ao sigilo do voto no pleito do ano passado. “O objetivo da auditoria era verificar a lisura das Eleições 2014, ou seja, averiguar a integridade das urnas eletrônicas e sistemas adjacentes, buscando evidências que comprovassem alguma suspeita ou tese de fraude, e volto a dizer que não foi encontrada nenhuma evidência em tal sentido”, destacou Toffoli.

Toffoli ainda disse que o TSE teve muita “toda tolerância” com o PSDB, pois o trabalho do partido deveria ter sido concluído em julho passado, mas o relatório da auditoria só foi apresentado quatro meses depois.

Ontem, durante a divulgação do resultado, o PSDB afirmou que o sistema do TSE é “inauditável”, pois cria obstáculos à identificação de fraudes, e que o partido tentou até mesmo recorrer à contratação de uma empresa estrangeira para passar o pente fino nas urnas. O Tribunal, entretanto, não autorizou a interferência de agentes de outros países, alegando que isso fere a soberania nacional do Brasil.

Ainda no relatório de auditoria, o PSDB apresentou uma série de sugestões ao TSE no tocante à urna eletrônica. De acordo com o ministro Toffoli, essas propostas serão analisadas oportunamente pelo Tribunal, mas ele destacou que algumas das recomendações vão ao encontro de ações já adotadas pelo TSE.

O partido de Aécio sugeriu, por exemplo, a realização de testes públicos de segurança do sistema eletrônico de votação e apuração. O plenário do TSE já aprovou esse expediência, em abril passado. Outra sugestão, a votação paralela adaptada ao sistema biométrico, também já está em estudo na Corte.

Ministros defendem a urna eletrônica

A investida do PSDB contra a eficácia das urnas eletrônicas foi alvo de comentários dos ministros do TSE. Herman Benjamin foi o primeiro a pedir a palavra para acrescentar que o processo eleitoral brasileiro é respeitado e reconhecido no mundo inteiro por sua eficiência e confiabilidade. “Qualquer proposta que venha no sentido de retroceder esses avanços certamente deve receber uma resposta muito dura das instituições e do país como um todo”, disse ele ao acrescentar que tem “profunda dificuldade” de compreender a proposta do PSDB que sugere o voto impresso.

Até o ministro Gilmar Mendes afirmou que o relatório do PSDB apenas confirma aquilo que já é convicção da Corte em relação à segurança da urna eletrônica. “Nós devemos sempre primar por normas de organização e procedimento no que diz respeito à transparência desse processo e temos que intensificar esse trabalho. Não para que nós nos convençamos, mas para que haja essa certeza por parte de todas as pessoas que lidam com esse fenômeno”, disse ele ao explicar que o tema ‘fraude’ é muito suscetível a distorções por lendas urbanas e isso passa a ser verbalizado de forma muito intensa especialmente nos tempos da internet. “As fofocas ganham uma velocidade que nós não conhecíamos”, disse.

A ideia do voto impresso já havia sido aprovada pelo Congresso em um dos projetos que tratam de minirreforma eleitoral, mas foi vetado pela presidente Dilma a pedido do próprio TSE, por representar um gasto extra bilionário por eleição.

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor.

Apoie e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Apoie agora