As propostas de Ciro defendidas na Sabatina Estadão-FAAP


Foto: Reprodução
 
Jornal GGN – O candidato do PDT à Presidência, Ciro Gomes, seguiu o discurso defendido em sua campanha política durante sabatina realizada pelo Estadão, em parceria com a Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP), nesta terça-feira (04). Sugerindo um sistema de Previdência diferente da proposta pelo atual governo Temer, com base na capitalização, Ciro também reafirmou as propostas de aumentar impostos sobre heranças e a diminuição do endividamento da população, para reaquecer o consumo.
 
“Esse sistema [de Previdência] morreu. Temos que ter clareza no diagnóstico, porque senão a gente erra na terapêutica. Não se tratam de parâmetros. Idade mínima, máxima, tudo isso é fácil de resolver. O problema aqui é orgânico”, falou, de maneira acertiva.
 
Chamando o atual modelo proposto por Temer como de repartição, Ciro, por outro lado, acredita que é preciso sim enfrentar o problema da Previdência, mas sugere o modelo de capitalização, em uma transição inicial em que os trabalhadores teriam parte da Previdência sustentada pelo atual modelo, com um teto a ser definido, e o restante com uma poupança.
 
“Estou propondo criarmos um novo regime, em linha com as melhores práticas internacionais, que é o regime de capitalização. Qual é a lógica? Cada trabalhador poupa pra si mesmo. Parte da poupança é compulsória ditada pelas leis. E parte complementar, em cima de um teto que compactuaremos, é voluntária”, apontou.
 
De acordo com ele, diante dos dados de envelhecimento da população, não é possível mais que os trabalhadores da ativa contribuam com o sistema para os que já se aposentaram. Mas assumiu que a tarefa não é fácil.
 
“Politicamente é um desafio. É importante o conjunto de ideias. A força política de transformar em realidade é muito grande. Me deem apoio para ver se eu não faço isso”, disse, garantindo-se no apoio parlamentar.
 
Sobre o tema dos impostos sobre heranças, Ciro Gomes lembrou que apenas o Brasil e a Estônia não cobram esse tributo e acredita que somente com isso já será possível angariar R$ 70 bilhões a mais no Orçamento para a União. 
 
De modo não tão popular, já mais polêmica, outra alternativa para melhorar as contas públicas de Ciro é a retirada das renúncias fiscais, a desoneração para setores da economia. “Aqui, com R$ 354 bilhões (da renúncia fiscal), conseguiria puxar um pente fino e acharia mais R$ 60 bilhões. Aí acaba o déficit fiscal. Mas isso tudo é técnico”, apontou.
 
Na pauta de retirar a população do endividamento, o candidato à Presidência do PDT sugere que os bancos refinanciem as dívidas em até 36 vezes. Apesar de ter sido repetida diversas vezes pelo candidato e já criticada, Ciro lembra do efeito prático na economia, de que “se as famílias não consomem, o comércio não vende. Se o comércio não vende, a indústria não produz”.
 
Também defendeu a retomada de 7,2 mil obras públicas, com prioridade em moradia popular e saneamento básico, além de rodovias e infraestrutura. “Como a ferrovia Transnordestina, Oeste-Leste na Bahia, concluir finalmente a Norte-Sul, estabelecer a ferroiva Norte para os caminhos diretos a Paranaguá”, citou.
 
Sabendo que a Operação Lava Jato é defendida por boa parte da população, Ciro ficou em cima do muro. Disse que a Operação foi “um momento importante da vida brasileira”, mas criticou que houve “alguns abusos”. 
 
“A Lava Jato pode ser um sinal de que a impunidade não é mais um prêmio para todos os bandidos de colarinho branco. (…) O que procuro ser é isento. Sendo isento, acho que ela comete alguns erros: não é sadio que autoridades policiais, do Ministério Público e do Judiciário vivam falando com a imprensa de gravatinha borboleta em homenagens, reuniões, destruindo reputações antes da formação da culpa”, manifestou.
 
Assista à íntegra da sabatina com Ciro Gomes:
 
https://www.youtube.com/watch?v=41Sa2A2A0rY width:700 height:394
 
 

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3 comentários

  1. Sobre a Previdência,  Ciro

    Sobre a Previdência,  Ciro Gomes tem razão: o modelo esgotou. Se não reconfigurado se tornará inviável e as consequências deixarão a crise grega no chinelo. A questão é: quem colocará o guizo no gato? Ou seja: quem será convocado para pagar a conta? Em todas as dimensões – política, administrativa(gestão), atuarial, fiscal – é uma tremenda batata quente.

     Apesar de não vedar expressamente a bitributação, a Constituição estabelece as devidas competências. E o imposto sobre transmissão “causa mortis” e doação é de competência dos estados e do Distrito Federal. Vencer a resistência do Congresso será um desafio e tanto. Ou se estabelece a bitributação para a espécie ou nada. Os entes federados, é de se supor, jamais abdicarão dessa prerrogativa.

    Uma ótima ideia, NO PAPEL, essa de ajudar os inadimplentes a “limparem” os nomes e assim voltarem a consumir. Resta combinar com os “indios”, isto é, os credores(bancos). E o processo não é tão simples como parece crer o candidato. Uma dívida inadimplida tem uma “história”, portanto tem um caráter singular. Tanto pelos aspectos técnicos como humanos. Não é simplesmente reescalonar ou novar e pronto. Devem estar presentes todos os pré-requisitos da boa técnica bancária, a começar pela capacidade de pagamento. E esta por sua vez estará umbilicalmente ligada a situação financeira do mutuário. Ciro tenta passar como simples o que na realidade é complexo e dependente de muitas variáveis. 

    A Lava a Jato é indefensável pela magnitude dos seus erros e pelos estragos infligidos ao país nas dimensões política, econômica,. institucional e jurídica. Ciro Gomes apenas faz média com certa faixa do eleitorado.   

  2. Pra variar os 20% do
    Pra variar os 20% do orçamento gastos com aposentadorias são um problema maior do que os quase 50% gastos com juros, deve ser por que os velhinhos ganhem aqui e gastem e/ou invistam a fortuna que ganham no exterior……..

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