Bolsonaro ignorará anos de racismo, homofobia e misoginia em “Manifesto à Nação”

Acompanhe alguns dos episódios e declarações polêmicos e recheados de preconceito do presidenciável extremista
 

Foto: Agência Câmara
 
Jornal GGN – O candidato da extrema direita Jair Bolsonaro (PSL) convocou uma equipe para preparar um documento chamado “Manifesto à Nação”, que tem como objetivo responder às acusações de racismo e misoginia, além de tentar afastar sua imagem dos resquícios da ditadura, que é uma das principais críticas de movimentos sociais, mulheres e minorias que rechaçam a imagem do presidenciável.
 
O documento deverá ainda ser gravado – em formato de vídeo ou de leitura de texto – de dentro do hospital, explorando ainda mais a imagem de “vítima de ataques” do candidato, com forte tom emocional. Contraditoriamente inspirada na “Carta aos Brasileiros”, de Lula, em 2002, o “Manifesto à Nação” de Bolsonaro pretende ser um ápice na campanha do postulante da direita e, com ela, angariar mais eleitores, faltando poucos dias para as eleições presidenciais no país.
 
Uma das intenções de Bolsonaro é retrucar o abaixo-assinado “Pela democracia, pelo Brasil”, assinado por 333 pessoas, principalmente artistas e intelectuais de diferentes trajetórias públicas e posicionamentos políticos: do economista Bernard Appy, que atuou no governo Lula, até o jurista Miguel Reale Jr, um dos autores do impeachment de Dilma e ligado ao PSDB, os artistas de esquerda Alessandra Negrini, Tulipa Ruiz, Caetano Veloso, Paulo Lavigne, Patricia Pillar, e também os tucanos Andrea Calabi e Celso Lafer, ex-ministros de FHC.
 
Também assinaram contra o presidenciável o ex-apoiador de Marina Silva, Guilherme Leal, o médico Drauzio Varella, a historiadora Lilia Schwarcz, o ator Wagner Moura, a socióloga Esther Solano, o comentarista esportivo da Rede Globo Walter Casagrande Jr, o cineasta Walter Salles, entre centenas de outros artistas, personalidades e interlectuais.
 
Com receio do abaixo-assinado atingir seu próprio eleitorado, Bolsonaro usará um dos principais argumentos sustentados pelos eleitores: o de que tais imagens criadas em torno de seu nome – racismo, misoginia, restrições de liberdade, machismo, medidas antidemocráticas, etc – são manipulações da mídia, criadas contra ele.
 
Também aproveitará o momento para dizer que não foi um conflito interno a defesa de seu guru econômico e cotado por ele ao Ministério da Fazenda, Paulo Guedes, pela recriação de um tipo de imposto similar à antiga CPMF – política esta que é contrária às defesas sustentadas até então pelo próprio candidato.
 
Entretanto, além deste caso específico de visível conflito existente dentro de sua equipe de campanha – com Paulo Guedes e também junto ao candidato a vice, o general Mourão – [leia aqui], as posições atribuídas a Bolsonaro contra direitos e defesas sustentados na nossa Constituição tratam-se de declarações públicas escancaradas e disponíveis para todos os eleitores. O GGN selecionou alguns destes episódios, acompanhe:
 
RACISMO
 
O candidato foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República pelo crime de racismo, por suas declarações contra as comunidades quilombolas e indígenas, durante uma palestra no Clube Hebraica do Rio de Janeiro, em abril de 2017.
 
Na ocasião, Bolsonaro comparou os quilombolas a animais, ao dizer quanto pesavam em “arroba”, medição que é feita a gados, por exemplo, indicar que são preguiçosos e afirmar que eles “não serviam” nem mais “para procriar”.
 
“Eu fui num quilombo, o afrodescendente mais leve lá pesava sete arrobas. Não fazem nada! Eu acho que nem para procriador ele serve mais. Mais de R$ 1 bilhão por ano é gasto com eles”, foram as aspas do deputado e atual candidato à Presidência. 
 
https://www.youtube.com/watch?v=3ttY0OH0XbI]
 
Entretanto, a Primeira Turma do Supremo, composta por cinco ministros, votou por rejeitar receber a denúncia de racismo. Apenas Luis Roberto Barroso e Rosa Weber enquadraram o caso como ato de racismo; Luiz Fux, Marco Aurélio Mello e Alexandre de Moraes não consideraram estas declarações como racistas.
 
MISOGINIA E INCITAÇÃO AO ESTUPRO
 
Ainda na mesma palestra no Clube Hebraica, Bolsonaro disse que sua última filha foi fruto de “uma fraquejada”. “Eu tenho quatro homens, na quinta [vez] eu dei uma fraquejada e veio uma mulher”, afirmou:
 
https://www.youtube.com/watch?v=R7REGMJPTmQ]
 
E o candidato já é réu no Supremo Tribunal Federal (STF) por apologia ao crime de estupro e injúria, após ter dito à deputada Maria do Rosário (PT-RS), em 2014, no Plenário da Câmara dos Deputados e também em entrevista ao jornal Zero Hora, que a parlamentar “não merecia ser estuprada” só porque ela seria “muito feita” e porque “não faz” seu “tipo”.
 
https://www.youtube.com/watch?v=bVG-qdZiZQ4]
 
Com isso, Bolsonaro não só incitou o crime de estupro, como também demonstrou que acredita que a violação sexual seria um elogia a uma mulher. O caso teve ampla repercussão com vídeos e reproduções em todas as redes sociais e, mesmo após 4 anos, ainda tramita na Suprema Corte sem conclusão. 
 
https://www.youtube.com/watch?v=LD8-b4wvIjc]
 
HOMOFOBIA
 
Sobre o preconceito contra LGBTS e homofobia, o atual candidato não só foi contra a distribuição do chamado “Kit Gay” nas escolas, que buscava conscientizar a população desde criança contra a homofobia, como desde 2010 defendia que a violência física pode evitar que uma pessoa se torne LGBT. 
 
“O filho começa a ficar assim meio gayzinho, leva um ‘couro’, ele muda o comportamento dele. Olha, eu vejo muita gente por aí dizendo: ainda bem que eu levei umas palmadas, meu pai me ensinou a ser homem”, disse em sessão parlamentar na Câmara, em 2010.
 
https://www.youtube.com/watch?v=JZtaYvzzeTQ
 
Também até hoje vem defendendo que há relação entre homossexualidade e a pedofolia, este último, um crime de violência sexual. “Estão escancarando as portas para a pedofilia”, disse no dia 28 de agosto, em agenda de campanha no Rio de Janeiro, aonde se exaltou sobre o tema: “Porra, nosso filho é homem e ponto final, porra!”, afirmou em outro momento, batendo com a mão na mesa, ao se posicionar contra o Kit Gay.
 
“Ele [seu filho, sofresse violação “por um cara barbado” não vai ter tesão por mais ninguém na vida, pode ter certeza disso, tá ok?. (…) Mas se vocês encontrarem alguém, um marmanjo aí fora, enfiando um pênis no anus de um menino de três anos de idade, você não pode chamar a polícia não, você tem que levar aquele cara pro hospital, submetê-lo a um laudo psiquiátrico. Se ele estiver sofrendo de transtorninho, ele tem que ser internado”, continuou.
 
SALÁRIO MENOR A MULHERES
 
E, ao contrário do que abafou durante a sua campanha eleitoral deste ano, também em entrevista ao jornal gaúcho Zero Hora, Bolsonaro não só acredita que equilibrar o salário de homens e mulheres não é função da Presidência, como explicitou que é a favor de mulher receber menos porque engravida. Nessa mesma linha, também defendeu a redução do tempo de licença maternidade.
 
“Eu tenho pena do empresário no Brasil, porque é uma desgraça você ser patrão no nosso país, com tantos direitos trabalhistas. Entre um homem e uma mulher jovem, o que o empresário pensa? ‘Poxa, essa mulher tá com aliança no dedo, daqui a pouco engravida, seis meses de licença-maternidade…’. Bonito pra c…, pra c…! Quem que vai pagar a conta? O empregador. No final, ele abate no INSS, mas quebrou o ritmo de trabalho. Quando ela voltar, vai ter mais um mês de férias, ou seja, ela trabalhou cinco meses em um ano”, disse.
 
“Eu sou um liberal, se eu quero empregar você na minha empresa ganhando R$ 2 mil por mês e a Dona Maria ganhando R$ 1,5 mil, se a Dona Maria não quiser ganhar isso, que procure outro emprego! O patrão sou eu”, disse, continuando: “Eu não quero ser carrasco das mulheres, mas, pô…”.
 
A fala foi concedida em entrevista ao Zero Hora em dezembro de 2014 e pode ser lida aqui. Mas além dessa frase, a declaração também foi feita em entrevista à RedeTV! em 2016. À apresentadora Luciana Gimenez, Bolsonaro disse: “Eu não empregaria [mulheres e homens com o mesmo salário. Mas tem muita mulher que é competente”.
 
[video:https://www.youtube.com/watch?v=AGd2h464Hvo
 
Abaixo, outras declarações polêmicas de Bolsonaro, em 2011, ao programa CQC, entre elas defendendo ditadores do regime militar no Brasil – além do torturador Carlos Brilhante Ustra, chamando-o de heroi durante a voação do impeachment de Dilma Rousseff:
 
[video:https://www.youtube.com/watch?v=Yw74RtoZE_I
 
 
 
 

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