Bolsonaro diz que não participa de debate por perigo de “sair à rua”, como Sérgio Moro

“Os cães ladram e a caravana passa”, escreve Bolsonaro sobre as declarações no vídeo
 
Jornal GGN – Após a repercussão de que Jair Bolsonaro (PSL) já está em condições de saúde, liberado por seu médico, para participar de debates na televisão, mas a sua campanha admitir que não convém a ele estar presente no enfrentamento de ideias junto a Fernando Haddad (PT), Bolsonaro recuou no discurso e disse, desta vez, que o motivo pela ausência é o perigo de estar em meio a aglomerações.
 
E, aproveitando a ampla adesão popular que detém o juiz da Vara Federal de Curitiba, Sérgio Moro, comparou-se ao magistrado da Lava Jato, quase nas condições de heróis, de que ambos não podem “sair às ruas”.
 
“Fui aconselhado a não ir porque ao pousar em São Paulo eu teria de fazer um deslocamento e poderia sofrer um atentado, e isso seria ideal para esses que estão aí [adversário e aliados de Haddad]”, afirmou, durante uma transmissão ao vivo nas redes sociais, na noite desta quinta (18).
 
“O pessoal [do Haddad] quer que eu vá a debate. Eu posso ter um problema com a bolsa de colostomia. Posso ter que voltar ao hospital”, também disse.
 
No vídeo, Bolsonaro ainda se comparou ao juiz Sérgio Moro, porque supostamente “a esquerda” representa uma ameaça a sua vida e a do magistrado.
 
“Eu não pertenço mais a mim mesmo. Hoje em dia eu e o Sergio Moro [juiz federal responsável pela Operação Lava Jato] não temos mais liberdade no Brasil. Nós não podemos ir a uma padaria comprar um pão, ir à praia com nossos filhos, perdemos completamente a liberdade. É um jogo de poder. A esquerda fará tudo para me tirar de combate”, completou.
 
Imediatamente após a declaração, tentou se corrigir, voltando atrás ao dizer que não está acusando a esquerda de ter planejado a tentativa de homicídio contra ele. Logo após sofrer o ataque a facada, durante um ato em Minas Gerais, Bolsonaro acusou diretamente o PT e a esquerda de terem sido os autores.
 
Ainda explorando a vitimização pelo atentado que sofreu, mostrou no vídeo os 35 pontos que levou no abdômen e a bolsa de colostomia, carregada no lado direito, ligada ao seu intestino grosso e que é usada para a eliminação das  fezes.
 
Como de praxe, o candidato da extrema-direita não aprofundou nas justificativas para a sua ausência, e aproveitou para atacar seu adversário, Fernando Haddad: “Eu não vou debater com um poste porque o Haddad vai falar de ministério, mas quem vai botar as pessoas lá é o Lula”, iniciou.
 
A referência é sobre as recentes polêmicas de que o candidato do PSL, que se auto-apresenta como o “novo” na política, está sondando ministros do atual governo impopular de Michel Temer para seguir no cargo em seu possível governo, como o ex-ministro Mendonça Filho (DEM-PE) e integrantes da equipe econômica de Temer.
 
Mas sem sequer explicar as últimas divulgações sobre suas intenções para compor o governo em 2019, caso eleito, Bolsonaro partiu para o ataque, reafirmando a imagem de que Haddad seria um “fantoche” de Lula, e que o ex-presidente seguiria governo de dentro da prisão.
 
Ainda, Bolsonaro deu uma introdução do discurso que deve adotar caso o recente episódio de caixa dois praticado por empresários que pagaram serviços de remessas em massa de mensagens por whatsapp contra o PT e contra Haddad possa ameaçar a sua candidatura.
 
O presidenciável já indicou que deve carregar o discurso de atentado contra a sua candidatura democrática e, também, reforçar a ideia de que, caso ele seja retirado das eleições, a disputa ficará entre dois candidatos da esquerda.
 
“Segundo a Constituição, se eu morrer assassinado por uma facada, por um tiro de um sniper [atirador de elite], o que vai acontecer é o terceiro colocado vir a disputar a eleição. Então teremos o segundo turno entre Haddad e Ciro”, afirmou.
 
 
 

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