Bolsonaro ganha, Mourão governa?, por Fábio de Oliveira Ribeiro

Bolsonaro ganha, Mourão governa?, por Fábio de Oliveira Ribeiro

A incontinência verbal do general vice já se tornou um problema para Bolsonaro. Cada vez que Mourão abre a boca ele enfia uma facada na própria candidatura e um prego no caixão eleitoral que está fabricando para o colega de chapa.

Acostumado a lidar com subalternos num ambiente hierarquizado, Mourão fala o que quer onde bem entende. Ele age como se estivesse num Quartel e presume que deve ser obedecido. Os descontentes têm, no máximo, o direito de ficar quietos e acatar suas determinações como ordens válidas e irrevogáveis.

Bolsonaro pediu para ele moderar, mas ele obviamente não obedeceu ao comando do líder da chapa. Onde já se viu um general abaixar a crista para capitão? 

Entre os militares as reclamações sobem e as ordens descem. O inverso não pode ocorrer, pois um comandante que se sujeita aos comandados, ou não disciplina a tropa, perde o comando dela. A inversão da hierarquia não se coaduna com a mentalidade militar. Mourão não é José Alencar.

O vice de Lula era um grande empresário e tinha, portanto, uma condição social melhor do que o líder petista. Mas ele não tinha uma mentalidade rígida. Ao contrário de Mourão, Alencar não viveu décadas confinado num ambiente social fechado em que a hierarquia e a disciplina são mais importantes do que as qualidades inatas ou adquiridas que distinguem e devem estabelecer precedências entre os lideres políticas.

José Alencar aceitava voluntariamente a liderança de Lula. Ao fazer isso, ele foi um vice-presidente brilhante e pode colocar toda sua experiência de empresário a serviço de um projeto de Brasil que deu certo. O vice de Lula pode ser considerado um dos responsáveis pelo crescimento acelerado do Brasil durante o Milagrinho.

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Homem reservado e autoconfiante, José Alencar nunca exigiu homenagens públicas exageradas. Mesmo assim, Lula nunca deixou de retribuir e premiar a modéstia e a eficiência do vice diante das câmeras de TV. Mourão é diferente. Desde o momento que trocou a farda pela passarela da política, o general vice demonstrou que gosta de salamaleques e que se considera o verdadeiro comandante da tropa que levará Bolsonaro à presidência. Tanto que ele chegou a requerer na Justiça o direito de substituir o candidato a presidente nos debates televisivos.

Em 2018, o Brasil está sendo sacudido por uma disputa entre civilização e barbárie. Mas no polo da barbárie a disputa interna é crescente e evidente. A relação entre Mourão e Bolsonaro não é e nunca será tranquila, harmoniosa e produtiva como foi aquela que existiu entre Lula e José Alencar. Caso ambos sejam eleitos, se o capitão não se curvar ao general as coisas irão se complicar. Mourão já está deixando bem claro que pretende ser o verdadeiro “chefe de governo”, algo que inevitavelmente rebaixaria o novo presidente ao papel decorativo de “chefe de Estado”.

Bolsonaro aceitará ser subalterno do general vice? Até o presente momento o candidato tem dado a entender que não. Mas em algum momento ele pode se resignar, bater continência e dizer: “Sim senhor, general; o senhor manda”. Quando isso ocorrer o regime presidencial brasileiro deixará de existir, mas nós não estaremos vivendo num parlamentarismo.

O perigo da eleição da chapa Bolsonaro/Mourão, portanto, não é apenas econômico. As disputas entre ambos podem acelerar o processo de degradação do sistema constitucional erigido em 1988. O povo será definitivamente colocado para fora do cenário político. A predominância do ego do vice sobre o ego do presidente irá dar origem a uma nova forma de (de)governo muito diferente daquela que foi aprovada pelo povo no plebiscito de 1993. Não só isso.

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Caso venha ocorrer uma ruptura entre Mourão e Bolsonaro após a vitória eleitoral, o general vice sempre terá precedência ao presidente. Afinal, quando os generais se reunirem para decidir o que fazer Mourão poderá falará com eles de igual para igual enquanto o Bolsonaro será sempre considerado um oficial subalterno descartável.

 

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12 comentários

  1. O Mourão estava como pinto no

    O Mourão estava como pinto no lixo…

    Uma alegria só!

    Se seguirmos o encadeamento de seu pensamento poderemos ver que isso que ele lançou não são palavras soltas ao vento, elas têm sentido e organização interna, o que ele não pode é se expressar de forma clara!

    1 – Primeiro ele falou que a nossa constituição é cheia de regras, diferente da americana…

    2 – Ele disse ser possível um auto-golpe!

    3 – Uma nova carta escrita por notáveis, muito possivelmente amigos dele!

    4 – Ai estas coisas como décimo-terceiro, férias desapareceriam…

    Uma jaboticaba – Tudo bobagem de esquerdista!

    O Temer levou uma eternidade e bilhões para não conseguir aprovar a reforma da previdência!

    O Bolso e o Mourão e seu auto golpe fariam todas as reformas de uma semana para outra!

    A lentidão do temer e a falta de suporte politico para as reformas, para os golpistas, são os motivos do golpe ter falhado!

    Se o bolso passar isso deverá ser tentado!

    Foi mandado ele silenciar, quem sabe já não seria o caminho natural do pós-auto golpe?

    Candidatura bolsonaro, não é um tiro no escuro!

    É um tiro certeiro no povo brasileiro!

    • Em entrevista ao Datena,

      Em entrevista ao Datena, Bolsonaro disse: Se não ganhar é fraude.

      Para ele, as urnas são frágeis, nosso sistema será fraudado…

      Não sobrará instituições que não sejam corruptas, a não ser as forças armadas! 

      Ele refundaria tudo!

      Agora, perdendo temos que preocupar com cabeças de militantes radicais!

      Então o roteiro que escrevi e que o Mourão foi soltando por partes, numa ditadura Bolsonaro é o que eles buscarão!

  2. Ninguém quer enxergar o óbvio!

    Na reta final do primeiro turno, começam pautas bombas contra Bolsonaro, saído da VEJA!!! (alguém acha que a Veja virou antifascista?)

    Qualquer idiota se pensar um pouco vê que o ESPANTALHO chamado BOLSONARO, está sendo eliminado no primeiro turno, quem entra é Alckmin.

    Alckimin com seus votos, mais de Bolsonaro, mais de Marina e parte de Ciro, ganha com facilidade no segundo turno e o PT vai ficar com cara de Bunda e aceitar os resultados da eleição.

    O fechamento do golpe vai ser fantástico, validando um tucano no governo federal.

    Bolsonaro não duraria seis meses no governo, já Alckmin e seus sucessores ficarão 20 anos, com a ajuda do democrático #EleNão que até a Neca Setubal aprovou.

    Quando as pessoas vão deixar de ser idiotas e caírem como patinhos em armações ingênuas como esta.

     

  3. Caros amigos, se o povo

    Caros amigos, se o povo eleger o Alckimin, então um merecerá o outro e adeus soberania e justiça social.  Por outro lado, Mourão é a prova cabal e difinitiva que militar sabe administrar quartel, portanto, se eleito, o general vai transformar o pais num quartel eo bozo vai bater continência.

  4. + comentários

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