Campos diz a senadores que crise no Brasil é questão de tempo

Lourdes Nassif
Redatora-chefe no GGN
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Nas conversas que Eduardo Campos têm mantido com políticos e empresários, vem definindo de forma muito clara o seu discurso de candidato a presidente. Deixa no ar: 1) uma aposta de que o estilo centralizador da presidenta Dilma Rousseff interromperá o ciclo de dez anos de governos de esquerda bem-sucedidos; 2) e uma ofensiva contra a legitimidade do papel que o PT tem desempenhado desde 1989, de articulador da unidade dos partidos de esquerda. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva não tem figurado nas suas críticas ao establishment.

 

De O Globo

Campos diz a senadores que crise no Brasil é questão de tempo

Maria Lima
 

BRASÍLIA – Se houve um certo desconforto no almoço com apenas seis dos
12 senadores do bloco governista União e Força, o presidente do PSB e
governador de Pernambuco, Eduardo Campos, sentiu-se à vontade no jantar
que varou a madrugada com 14 senadores do PMDB, DEM, PDT e até do PSDB
na casa do senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), anteontem. Numa
exposição de cerca de uma hora e, depois, em conversas que só terminaram
às 3h da manhã de ontem, ele disse que a gestão centralizadora da
presidente Dilma Rousseff está emperrando o país e que é uma questão de
tempo o estouro de uma crise maior diante de um cenário internacional
em que os investimentos estão voltando aos Estados Unidos.

Usando imagem feita pelo senador Jayme Campos (DEM-MT) em relação à
sua determinação de bater chapa com Dilma em 2014, Eduardo Campos
deixou muito claro que seu carro não tem mais marcha a ré.

– Há um mundo moderno lá fora. O Brasil passou de bola da vez para o
descrédito. A presidente Dilma foi eleita como uma grande especialista
em gestão, principalmente na área energética. Ela acha que tem
credibilidade, mas na prática faz uma administração extremamente
centralizadora e o governo não anda. Vai emperrar. Faz uma política
econômica equivocada e isso vai estourar. Só não sei se vai estourar
este ano ou em 2014 – avaliou Campos, segundo relatos detalhados pelos
presentes.

Os senadores saíram impressionados com a segurança com que Eduardo
Campos discorreu sobre temas que foram dos riscos do aparelhamento do
Estado pelo PT, principalmente agências reguladoras, ao perfil
“truculento” de Dilma e do PT para esvaziar pré-candidaturas
adversárias, inclusive nos palanques estaduais. O PSB vai costurar
esses palanques até setembro, quando deve reunir seu Diretório Nacional
para oficializar ou não a decisão de candidatura presidencial e, se
for o caso, entregar os cargos do governo.

Campos ainda criticou a proposta do governo de reduzir o esforço
fiscal este ano e em 2014, como proposto na Lei de Diretrizes
Orçamentárias (LDO) enviada esta semana ao Congresso. O governador
disse que faria diferente:

– Se precisasse mexer na fórmula de cálculo do superávit, diria de
forma transparente que era preciso fazer isso para manter os
investimentos. O recurso da maquiagem não é bom. O governo pegou U$ 100
bilhões lá fora e foi para onde? Distribuiu aqui e ali em
investimentos de retorno incerto em empresas como a JBS, Marfrig e
outras. E na hora de pagar esses empréstimos, o cenário internacional é
complicado.

Segundo senadores presentes, o único momento em que o socialista se
exaltou e ficou emocionado foi quando relatou as ações do PT e de
governistas para esvaziar suas articulações políticas e candidaturas
adversárias. Mais do que indignado, um dos senadores disse que Campos
está surpreso com o comportamento da presidente Dilma e da cúpula do
PT.

– Fui criado numa casa onde meu avô (Miguel Arraes), com a metralhadora no peito, não fez acordo. Não vão me intimidar – avisou.

Sobre as chances de uma candidatura vitoriosa, ele avaliou que tem
sido muito bem recebido por vários setores, do político ao empresarial,
mas que precisa construir apoios de partidos que lhe garantam pelo
menos quatro minutos de tempo de TV, para brigar com os 20 minutos de
Dilma.

– A ultima campanha, de 2010, teve um debate pobre, sem propostas
para avançar o país. Dilma foi apresentada como a mulher do Lula e o
grande debate foi sobre aborto. Agora pode ser diferente – avaliou,
segundo os relatos.

No mapa de palanques que começa a desenhar, Campos não desistiu de
ver o ex-governador José Serra como candidato ao governo em suas
fileiras. Sobre a pré-candidatura de Aécio Neves (PSDB-MG), elogiou
muito o potencial do provável adversário, mas acha que ele pode ser
prejudicado por um fator: O PT já aprendeu a derrotar o PSDB.

– O Aécio é o melhor candidato. Jovem, articulado. Tem dificuldades com Serra. Azar do Aécio e sorte minha – brincou.

Os senadores Luiz Henrique e Casildo Maldaner, do PMDB de Santa
Catarina, que tinham encontro na mesma noite com a ministra Ideli
Salvatti e eram dúvida no jantar, compareceram.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Lourdes Nassif

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