Cenário eleitoral: grita de Cabral faz parte do jogo de alianças para 2014

Jornal GGN – A gritaria do governador Sérgio Cabral (PMDB), que ameaça tirar o palanque de Dilma Rousseff no Rio, na disputa pela reeleição do ano que vem, faz parte de um muito incipiente jogo entre dois parceiros eleitorais fortes, PT e PMDB, para definir as alianças às eleições de 2014. Este é só o começo. Os arroubos públicos dos personagens políticos envolvidos nessa articulação são uma tentativa de pressionar os outros negociadores, de fora para dentro, para que recuem de posições que possam prejudicá-los no futuro.

O PT e o PMDB apenas iniciaram conversas para ver como comporão o palanque da presidente Dilma Rousseff à reeleição em 2014, e quais as possibilidades de alianças para os governos estaduais entre os dois partidos. Há um mês, a direção do PT e líderes do PMDB, aí incluído o vice-presidente Michel Temer, mapearam todo o Brasil e tentaram uma primeira radiografia das possibilidades eleitorais de cada legenda nos Estados. É apenas uma radiografia. No final das negociações, terá sido concluído um grande acordo onde PT e PMDB serão aliados na disputa pelos governos de uns Estados, e essa aliança definirá também candidatos ao Senado dos dois partidos, ou definirá duas candidaturas em outros. Na hipótese de um candidato do PT e outro do PMDB numa aliança nacional, Dilma disporá de dois palanques diferentes no Estado.

Este é um trabalho inicial. Para o PT, interessa que essa conversa se prolongue e só tenha um desfecho no final do ano, inclusive para ter tempo de conciliar os interesses dos dois partidos com as demais agremiações com as quais tradicionalmente se coliga. Para o PMDB, principalmente o do Rio, interessa que o PT puxe o freio para que os seus potenciais candidatos ao governo não se fortaleçam muito e tornem suas postulações um fato consumado. No caso do Rio, o senador petista Lindbergh Farias formalizou sua pré-candidatura, percorre o Estado em campanha e hoje já figura como o candidato com mais intenções de voto do Estado. Quanto mais ele se fortalece e mais liberdade tem para fazer sua campanha, mais difícil fica para o PMDB convencer a direção nacional do PT a obrigar que retire a sua candidatura em favor de uma aliança com Luiz Fernando Pezão, o vice-governador do Rio que será o candidato do PMDB à sucessão de Cabral.

Esse é apenas um dos problemas que serão enfrentados nas conversas que serão feitas entre os dois partidos até o final do ano, para a formalização da aliança que sustentará a candidatura da presidente Dilma Rousseff no próximo ano. Nessas conversas, o PMDB ganhou tanta desenvoltura porque o PSB, maior aliado tradicional do PT, colocou um pé para fora da aliança com o PT, quando o governador de Pernambuco e presidente do PSB, Eduardo Campos, tornou pública a sua intenção de ser candidato contra Dilma. Se ele recuar, já terá perdido muito terreno nas negociações de alianças com o PT. Isso é ruim para o partido de Campos. E é ruim para o PT, que nas eleições passadas teve o PSB como seu maior aliado à esquerda, com o papel de conter os ímpetos de chantagem do PMDB na montagem dos palanques estaduais da candidatura de Dilma.

Redação

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