Cenário eleitoral no Brasil é ‘angustiante’ e ‘imprevisível’, avalia historiador norte-americano

Para brasilianista, “Lula tem importância histórica imensa”; mas a preocupação é com o surgimento de “um setor” da população brasileira que não respeita a “democracia plural”
 
Imagens: Colagem entre reprodução de foto de McCann e Agência Brasil
 
Jornal GGN – A eleição presidencial de 2018 tem componentes que remetem à eleição de 1945, quando Getúlio Vargas conseguiu exercer poder de transferência de votos que resultou na eleição de Eurico Dutra, o primeiro presidente eleito pelo voto direto após o Estado Novo. No caso atual, Lula é quem detém essa capacidade com mais força. A avaliação é do historiador norte-americano, professor da Universidade Georgetown e brasilianista, Bryan McCann, em entrevista à Folha de S.Paulo
 
“Lula tem uma importância histórica imensa para o Brasil. A questão principal agora é tentar entender como essa importância dele vai ter influência na eleição. Acho que a candidatura dele vai ser barrada, mas acredito que ele tenha grande poder de transferência de votos. E mesmo se o candidato dele não conseguir passar ao segundo turno, Lula ainda terá capacidade de transferir votos no segundo turno, para o candidato que tiver mais proximidade”, analisou.
 
Apesar de apontar para esse quadro, McCann acredita que há um risco real da vitória de Bolsonaro nessas eleições, mesmo com pouco tempo de propaganda gratuita na TV e rádio. “Depois da vitória do ‘brexit’ e da eleição de Trump, o que temos visto nos últimos anos é um mundo político em que um movimento populista que simplesmente quer acabar com a situação atual e quebrar a casa pode vencer, sim”, afirma. 
 
O historiador elabora, ainda, que a situação política e eleitoral brasileira hoje é “angustiante” dada sua grande imprevisibilidade e o surgimento de “um setor da população brasileira que não respeita” a democracia plural que se desenvolveu no país, especialmente, nas últimas 30 décadas.
 
“Sim, é verdade que ao longo dos últimos três anos o Brasil está em crise, mas ao longo de três décadas o Brasil alcançou avanços enormes por causa da consolidação e da construção de uma democracia plural. A eleição é um momento angustiante para a democracia brasileira”, arremata, considerando que o fenômeno revela que parte da população não valoriza as conquistas sociais obtidas nas últimas décadas.
 
MacCann concorda, também, que as eleições deste ano tem componentes das eleições de 1989, quando Leonel Brizola e Lula acabaram dividindo os votos da esquerda, porém acha o momento atual mais difícil de avaliar, sobretudo porque a os partidos que representam às esquerdas brasileiras não foram capazes de se organizar em uma frente única contra o levante da extrema-direita.
 
“A esquerda brasileira aparentemente não aprendeu a lição. Não vemos agora uma união de forças contra o Bolsonaro, por exemplo. Vemos Ciro e Lula disputarem, e mesmo dentro do PT tem tendências disputando espaço”. 
 
Por fim, na entrevista, ressaltou que a candidatura de Lula, preso, causa “dúvidas e incertezas” no cenário eleitoral pontuando que não existe, fora do país “uma percepção geral de que Lula foi injustiçado”. 
 
“O que há é uma incerteza sobre o que está acontecendo, como ele pode ser candidato, e uma ideia de que no fim ele não vai poder concorrer, então o partido dele vai ter que apoiar outro nome”, conclui. 
 

14 comentários

    • Será …

      Será que um dia os americanos vão se preocupar com o que pensa um “americanist” da UFF !?

      José da Silva se preocupa caso Brucd Wills seja o próximo presidente…

  1. O sotaque do interesse
    Brasilianista especializado em coxas e patas.
    Primeiro, coisa típica do colonialismo cultural essa mania brasileira de apelar a “brasilianistas” – não se vê a mesma reverência a estudiosos estrangeiros* especializados no país alheio em outros países e regiões… – como se entendessem mais da situação por serem estrangeiros (há brasilianistas brasileiros mas estes quase não são ouvidos), ou porque, por serem estrangeiros e terem estudado a história do Brasil teriam uma visão dialética interessante e sintética sobre nossa situação de que não seríamos capazes… O futebol já mostrou que isso não funciona.
    E a maneira subserviente e acrítica como são questionados e têm suas opiniões reproduzidas não dá margem a dúvida sobre a intenção de reafirmar nossa subalternidade subjetiva como país – muito diferente de apresentar como a visão de alguém que estuda o país e pode, como todo estudioso, estar enganado ou estar sujeito a vieses que interferem em sua análise, é a autoridade sagrada da igreja da idade média substituída pela autoridade científica e intelectual da academia moderna, ambas desacreditadas, pelo bem e pelo mal, mas com a pompa da infalibilidade catedrática…
    Segundo, sobre a escolha do panfleto, obviamente é a resposta espelhada ao artigo de FHC no Financial (não poderia ser Social, óbvio, rs) Times, como se a mera opinião de dois partidários tivesse valor de verdade factual ou conceitual, que não tem.
    Sobre a visão internacional sobre o Brasil, depende de quem e de onde olha, e principalmente para onde olha. Poderiam perguntar a opinião do cidadão sobre a operação Lesa-Pátria, por exemplo, e aí poderíamos entender melhor de que lugar de fala ele se pronuncia, e para quem, rs.
    F@lha em seu melhor papel, de lixo reciclável – serve para nos mostrar que certos truques de persuasão não funcionam mais em sociedades hiperexauridas pelo discurso pútrido do mercado, do qual a comunicação é parte indissociável porque cúmplice, sócia e CEO, e cujo aprendizado da farsa se dá pela via da vida real vivida e não contada, com suas dificuldades, sofrimentos e fracassos que nenhuma abstração bem vestida de explicação consegue enganar, pois a lei da gravidade não mudou fora da bolha dos incluídos.
    Como os brasileiros com esse discurso já estão manjados, chamem o “universitário” classe mundial, rs.
    Não surpreende a F@lha seguir seu manual de adestramento, mas o GGN poderia reproduzir o material com alguma “revisão crítica” própria – pra ler o panfleto eu faria assinatura, não iria aos blogues progressistas.

    *https://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/2017/06/24/ser-brasilianista-e-pensar-com-sotaque-e-sem-colonialismo-diz-pesquisador/

    Sampa/SP, 26/08/2018 – 13:10 (alterado às 13:48).

  2. “não existe, fora do país

    “não existe, fora do país “uma percepção geral de que Lula foi injustiçado””:

    ZZZZZZZZZZZZZZZZ…

    E como se nao bastasse, ele “falou diki” em mais de uma maneira!

  3. Quando a morte é uma bênção

    Se Eric John Ernest Hobsbawm, que morreu em 2012, ainda estivesse vivo, teria hoje exatos 101 anos. Se cometesse a imprudência de uma entrevista com avaliação semelhante seria agraciado com os seguintes epítetos: velho, gagá, frustrado, fracassado (!), ultrapassado, “brasilianista” intrometido de merda, palpiteiro, “quem tá pagando”?, charlatão, embusteiro, picareta, e por aí vai. 

    Às vezes, é uma bênção estar morto. 

    • Farisaísmo intelectual
      E o que o faz sonhar que Hobsbawn teria opinião como a do tal brasilianista da F@lha? E mesmo que Hobsbawn tenha sido crítico ao PT e à acomodação das esquerdas latino-americanas, não seria raso nem tendencioso como o entrevistado – cuja única diferença e motivo para ser publicado. é a condição de “brasilianista estrangeiro” que fala o que interessa ao panfleto , repetir o discurso (neo)liberal em inglês ou em português com sotaque tem um charme irresistível pra burguesia que lê a F@lha e sonha em ser cosmopolita… A Maria Rita Kehl lançou livro recentemente sobre essa virose, o Bovarismo brasileiro – cuidado, não é bolivarianismo, rs.
      E duvido que Hobsbawn fosse apresentado como um brasilianista, o que não seria correto, nem como xingamento. Ele se interessava pela América Latina como um todo, e não pelo Brasil em especial – exceto pelo futebol e pela música – separadamente da visão regional.
      Se parece tão saudoso de Hobsbawn, respeite sua memória e reputação e não o utilize como medida torta para defender quem fala o que você, cirista e antipetista, quer ouvir, afinal, qual a relação entre Hobsbawn e o entrevistado, que desconheço, autoriza a analogia capenga?

      P.S. Hobsbawn foi gênio mas não significa que não se pudesse/possa discordar dele. Suponho que ele preferia quem ousava pensar por si mesmo a quem seguia marcas de grife acadêmicas de maneira automática, pedante, inconsciente e “autoserviente”.

      Sampa/SP, 26/08/2018 – 17:40

  4. INVENTARIANDO V

    Inventariando o que os excelsos gaiatos casuístas do STF já declararam sobre a questão, com a EDSON FACHIN já “são” CINCO votos a favor da liminar da ONU.

     

    ALEXANDRE DE MORAES:

    [video:https://youtu.be/4g-bvQnITQc%5D

     

    ROBERTO BARROSO:

    [video:https://youtu.be/eWc6pQfEgE%5D

     

    ROSA WEBER:

    [video:https://youtu.be/maFRcTqB3nM%5D

     

    GILMAR MENDES:

    [video:https://youtu.be/eLTJuz9S3q4%5D

     

    EDSON FACHIN:

    [video:https://youtu.be/Cf2ESiYTmKM%5D

  5. Concentração de renda e o liberalismo econômico

    Com a aprovação da reforma trabalhista, da lei da terceirização, e o fim da exigência de conteúdo nacional na Petrobras e no BNDES, grande parte do eleitorado está percebendo que o Liberalismo econômico deixou de ser uma bela propaganda da maior parte da grande mídia, para virar uma perversa realidade,

    Ainda resta a reforma da previdência, aposentadoria após 70 anos, para aqueles que sobreviverem a dura vida do liberalismo econômico,

    Trabalhadores sem estabilidade no emprego, tem restrição ao crédito, via juros mais altos e/ou prazos de financiamentos bem mais curtos, o que reduz   o mercado interno, emprego e a renda.

    Quase 50% do eleitorado pertencem a famílias com renda de até 2,5 salários mínimos.

    Não falta bala de prata contra Jair Bolsonaro, certamente é com isso que conta a candidatura do PSDB, mas provavelmente os eleitores com renda familiar  ate 2,5 salários mínimos de Jair Bolsonaro, podem votar no candidato do PT, muito mais em função da perversa realidade do liberalismo econômico, do que por preferência partidária.

    Basta mostrar as votações da reforma trabalhista e da lei da Terceirização para demonstrar de que lado está o PSDB.

  6. Superando Pinóquio
    Cinismo ou falta de espelho?
    Quando o entrevistado falou de ” ‘setor da população’ que não respeita democracia plural” o panfleto não perguntou exatamente qual(is)? A mídia e o sistema de justiça, e portanto a classe média e a burguesia do país, deram um golpe em mais de 54 milhões de eleitores, e estão dando outro em número maior, com a farsa contra Lula e o povo brasileiro, e o problema pro engomadinho e pra F@lha é o eleitor da direita, que ela ajudou a alimentar dando palanque e legitimidade em sua sanha antipetista?
    Paciência tem limite mas a cara de pau do panfleto e dos golpistas, não.

    Sampa/SP, 26/08/2018 – 18:25 (alterado às 18:27 e 18:30).

  7. Como os outros comentaristas

    Como os outros comentaristas já apontaram aqui: ianques não perdem tempo com a opinião de “americanistas” extrangeiros.  Como se precisássemos da opinião de um extrangeiro quando temos excelentes críticos aqui mesmo. Isso cheira ao velho complexo de vira-latas das nossas elites… Sem falar que o entrevistado omitiu a perseguição jurídica que Lula vem sofrendo.

    O que aprendi: um brasilianista é como um coxinha, mas que nasceu de fato em Miami.

  8. + comentários

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