Conheça o perfil dos eleitores brasileiros 2018

O PERFIL DOS ELEITORES BRASILEIROS EM 2018

Por alunos de Pós-graduação de Opinião Pública da FESPSP*

De acordo com os dados do TSE, os eleitores brasileiros dividem-se em dez faixas etárias, que começam a ser contabilizadas a partir de 16 anos idade. Ressalta-se que o voto é obrigatório entre 18 e 69 anos, e facultativo para menores de 18 anos e maiores de 70 anos de idade, conforme prevê a Constituição.

De acordo com a tabela abaixo, 66,1% dos eleitores estão concentrados em três faixas etárias contínuas, que correspondem aos eleitores entre 25 a 59 anos de idade. Na sequência, a quarta maior concentração de eleitores está entre os 60 a 69 anos de idade.

Fonte dos dados do gráfico: TSE

Por escolaridade

Em relação ao grau de instrução, a maioria dos eleitores tem o Ensino Fundamental Incompleto (25,8%, correspondendo a 18.752.002 dos eleitores). Seguido por 22,9% dos que possuem Ensino Médio Completo e 16,9% com Ensino Médio Incompleto. O total de 20.889.746, correspondente a 14,2% dos eleitores, estão entre os que possuem Ensino Superior, completo ou incompleto. Os analfabetos, grupo para o qual o voto também é facultativo, representam 4,5% do eleitorado.

Por sexo

Quando observamos a distribuição entre as faixas etárias por sexo, tem-se uma presença maior de mulheres em todos os agrupamentos de idade, sendo  45 a 59 anos a faixa com maior número de pessoas (18.864.271) ou o equivalente a 52,8% de mulheres.

Quando cruzado o grau de instrução por sexo, observa-se uma concentração maior de mulheres com ensino superior completo e incompleto se comparado ao gênero masculino. Entre os homens, a maioria tem Ensino Fundamental Incompleto (19.300.911), e entre as mulheres a maioria tem Ensino Médio Completo (18.906.172).

Por região

A região Sudeste concentra a maior parte dos eleitores no Brasil, com 43,4%, seguida pelo Nordeste com 26,6%, Sul com 14,5%, Norte com 7,8% e Centro-Oeste com 7,3%. 

Por Grau de Instrução

Algumas Análises

A partir das variáveis que mostramos acima, é possível fazer algumas considerações:

Os dados apresentados sobre universo total de eleitores do Brasil têm muita influência da região Sudeste, que representa 43,4% dos eleitores. Analisando por região, observa-se algumas variações:

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PARTIDOS E FILIAÇÕES PARTIDÁRIAS

Dentro dos 35 partidos avaliados foram identificados aproximadamente 16.800.000 de filiados, o que corresponde a 11% do eleitorado. Segmentados por faixa etária é possível constatar uma concentração maior de filiados entre 45 a 69 anos, com representação de 34,6% do total de filiados.

Observa-se que dentre o público jovem (16 a 24 anos) a participação enquanto filiados é pouco significativa (2,0%), enquanto que na faixa etária acima de 60 anos a participação fica em 32,3%, o que evidencia o envelhecimento dos partidos. Não formar jovens para política leva à  ausência de novas lideranças.

A análise de gênero mostra que existe um padrão na participação entre homens e mulheres, em todas as faixas etárias, mantendo uma proporção média de 44% do público Feminino e 56% do público Masculino, como mostra o quadro abaixo.

Considerando que a participação das mulheres no parlamento brasileiro ocupa a posição 154, atrás de todos os países da América Latina no Ranking Interparlamentar entre 193 países avaliados, o número de filiadas aos partidos possivelmente cresceu pós lei de cotas, onde a legislação exige 70% a 30% de gênero. O que de modo algum ampliou a participação da mulher na política.

Nos 11 maiores partidos brasileiros (MDB, PT, PSDB, PP, PDT, PTB, DEM, PR, PSB, PPS e PSC), tanto para homens quanto para mulheres, a faixa etária majoritária mantém-se entre 45 a 59 anos. As faixas adjacentes também têm representatividade (35 a 44 anos e 60 a 69 anos), mas as faixas na base ou no topo da pirâmide etária são pouco representativas.

A participação política de mulheres na Rede Sustentabilidade, partido da candidata à presidência Marina Silva, é a terceira mais baixa entre os partidos brasileiros. Apenas 37,6% dos filiados à Rede são mulheres.

O partidos com a menor participação de mulheres entre suas filiadas são é o partido NOVO com apenas 14,6% de filiadas mulheres.

A coligação de Alckmin à Presidência abarca PSDB, PTB, PRB, PP, PR, DEM, SDD, PPS e PSD. Ou seja, seis dos maiores partidos em relação ao número de filiados, somando 42,8% do total de filiados dos partidos analisados.

 

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QUANTITATIVO E SITUAÇÃO DOS CANDIDATOS

Todos os Estados são estados, assim Maquiavel o coloca em sua obra, essa ampla estrutura formada por instituições encontra-se em constante processo de transformação, suas instituições são operacionalizadas por sujeitos que serão responsáveis pela forma e pelo conteúdo de seu devir. As eleições têm papel central nesse processo, por isso a necessidade de olhar atentamente o perfil dos candidatos e avaliar o potencial de mudança que representam.

De acordo com dados disponíveis no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), há nestas eleições o total de 28.349 pedidos de registros de candidatura, o que representa cerca de 8% de aumento se comparado às últimas eleições federais em 2014. Até o momento, dentre esses pedidos, 92.10% ainda aguardam o julgamento para participarem do pleito, 0.78% foram indeferidos, restando por hora apenas 7.1% de aptos.

A maior parte dos candidatos concorrerá a uma vaga nas Assembleias Legislativas dos estados: são 17.526 candidatos a Deputado Estadual, seguido por Deputado Federal (8.369), Deputado Distrital (963), Senador (355) e, por fim, os cargos no Executivo com Governadores (199) e Presidente (13). Em termos de concorrência o pleito será mais acirrado no Distrito federal onde há 40.13 contendores para cada vaga, seguido pelos Deputados Estaduais (16.93 por vaga), Deputados Federais (16,31 por vaga), Senadores (6.57 por vaga), Governadores (7.37 por vaga) e Presidente (13 por vaga).

Outro dado importante por conta da variabilidade é a quantidade de candidatos lançados por cada partido, o menor, com 0,3%, o Partido Comunista Brasileiro (PCB) registrou 95 nomes, ao passo que o Partido Social Liberal (PSL) lidera o ranking com 5,3%, ou seja, 1.511 nomes. Pela ordem, entre os que registraram mil ou mais possíveis candidatos, temos: Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) com 1.332, Partido dos Trabalhadores (PT) com 1277, Patriota com 1.164, Movimento Democrático Brasileiro (MDB) com 1.107, Partido Republicano da Ordem Social (PROS) com 1.072 e, por fim, Avante com 1.017. Somente esses 7 partidos representam cerca de 30% de todos os registros, há ainda outros 28 partidos com menos de mil, o que marca uma concentração significativa.

Por fim, o perfil dos candidatos é um importante indicador das possíveis pautas com maior potencial de serem discutidas e, sobretudo, o tipo de abordagem que os representados devem esperar. Nessas eleições, os eleitores devem ver uma maioria de homens brancos, casados, entre 40 e 54 anos, empresários e com curso superior completo. Os dados apontam 68,9% de homens contra 31,1% de mulheres, o que prediz uma possível baixa representatividade da mulher nos cargos eletivos para esse ano, principalmente quando olhados os dados levantados pelo IBGE nos quais a quantidade de homens é inferior à de mulheres em âmbito nacional. Já a faixa etária evidencia um número menor de jovens com intenções de participar da política institucional, dos 18 aos 29 anos há cerca de 5,4% dos candidatos, ao passo que dos 40 aos 54 anos encontramos 46,7%, quase metade está concentrada somente nessa faixa.

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Em relação à raça a maioria se autodeclara branca (52,6%), em seguida parda (35,5%), preta (10,8%), amarela (0,6%) e indígena (0,5%). A maioria possui superior completo (49,1%) ou ensino médio completo (29,2%), sendo “empresários’ a carreira com maior concentração em termos de ocupação (10.3%), seguida por “advogados” (6,3%), a categoria ‘‘Outros’’ possui o maior conjunto de dados compilados (19,3%). É interessante notar que Deputado e Senador aparecem como ocupações frequentes, 3,9% e 3,3% respectivamente, o que pode interferir na taxa de renovação do Poder Legislativo neste ano.

 

*Assinam este artigo os alunos:

Beatriz Ramires de Britto, Camila P. Monteiro Costa, Danilo de Oliveira Romano, Débora Toniolo, Felipe Pragmacio Travassos Teles, Ivair J.A. Junior, Júlia Isabel Miranda Travaglini, Jimmy Augusto Moreira Pitondo, Jusuá Jihad Alves Soares, Kathleen Angulo, Larissa Regina Ramos da Silva, Marcela Pereira Pedro, Mariana de Camargo Rodrigues, Robson Leandro de Almeida, Rodrigo da Silva Pereira, Rosimeire da Silva dos Anjos, e a professora Jacqueline Quaresemin, Pós-Graduação em Opinião Pública e Inteligência de Mercado – Disciplina de Opinião Pública e Pesquisa Eleitoral, na FESPSP.

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1 comentário

  1. JÁ ENTERRARAM MARIELLE? OU SOMENTE DEPOIS DAS ELEIÇÕES?

    Voto Obrigatório de Urnas Eletrônicas com Biometria Castradora pela manutenção de Estado Absolutista. Excremento Fascista de Golpe Civil-Militar Ditatorial. R$ 1.700.000.000,00 de Fundo Partidário. Serão R$ 4.000.000.000,00. Mais de R$ 550.000.000,00 somente para este Pleito. Um a cada dois anos. Ciro diz que temos 63.800 assassinatos por ano. Não temos não, caro Candidato. As estatisticas, subnotificações e subtrações escondem os mais de 100.000 assassinatos por ano. O restante do Mundo, tem números muito mais Civilizados. Em Urnas de Papelão ou Plastico Reciclável baratssímos, com Voto de Papel em Eleições Facultativas. E também não tem a perpetuação de Legislação Fascista. Elite que não se enxerga Elite, também não vê que o Brasil é de muito fácil explicação.    

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