É a causa da nossa vida. É a liberdade que está em jogo, diz Haddad na CUT

ROBERTO PARIZOTTI

Roberto Parizotti

do Portal CUT

“É a causa da nossa vida. É a liberdade que está em jogo”, diz Haddad na CUT

Temos em torno de 40 milhões de pessoas fora dessa porta que querem votar na gente. Precisamos convencer mais 10 milhões para vencer a eleição, diz Haddad a representantes dos movimentos sociais na sede da CUT

Escrito por: Tatiana Melim

Os dez dias que faltam para o segundo turno da eleição são uma eternidade e ainda dá tempo de “afastar o fantasma que assombra a democracia” brasileira, disse o candidato do PT à Presidência da República, Fernando Haddad, na plenária dos movimentos sindical e sociais ligados às frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, que reúne entidades como MTST, MST, CMP, UNE, CUT, CTB e Intersindical, realizada nesta terça-feira (16), na sede da CUT, em São Paulo.

É a causa da nossa vida. É a liberdade que está em jogo, é a democracia que está em jogo, é a dignidade humana que está em jogo, é o futuro das próximas gerações

– Fernando Haddad

“Temos em torno de 40 milhões de pessoas fora dessa porta aqui que querem votar na gente. Nós precisamos ampliar mais 10 milhões para ganhar a eleição. Nós já temos 40 milhões e mesmo que estivéssemos sozinhos, só entre nós, essa luta valeria a pena, porque a causa é muito nobre, a causa é muito justa”, disse Haddad para aplausos dos participantes da plenária que reuniu muito mais pessoas do que os responsáveis pela atividade poderiam imaginar.

O auditório lotou. Não cabia mais ninguém, nem mesmo em pé. O local teve de ser alterado de última hora e a opção foi transferir a plenária para o saguão do prédio onde fica a sede da CUT, no bairro do Brás. Mesmo assim, o povo teve de ocupar a rua em frente à Central. Era muita gente reunida, todos preocupados com o futuro do Brasil e dos brasileiros.

Jovens, lideranças comunitárias, dirigentes sindicais, aposentados e trabalhadores e trabalhadoras de diversas categorias, apreensivos com o momento político pelo qual atravessa o Brasil, se reuniram, nesta terça-feira (16), para dizer ao candidato do PT à Presidência da República, Fernando Haddad: “estamos juntos, continuamos mobilizados em defesa da democracia e intensificaremos a luta nessa reta final nas ruas, de porta em porta, no corpo a corpo”.

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O compromisso com a democracia, com o país, com os direitos de todos os brasileiros, independentemente da raça, do credo, da região do país onde nasceu e das orientações sexuais deram o tom de todas as falas de representantes dos movimentos sociais e sindical. Para todos os dirigentes e políticos, a luta é por um Brasil democrático, com liberdades civis garantidas, justiça e inclusão social, respeito a todos, tolerância, sem violência nem agressões.

“Estamos aqui para reafirmar o nosso compromisso com a democracia, intensificar a campanha de rua e ganhar essa eleição”, afirmou o presidente da CUT, Vagner Freitas, que disse ser uma alegria para a Central ser anfitriã da ‘companheirada’ de luta.

Estamos aqui para dizer que somos todos 13, somos Haddad e Manuela em defesa da democracia e dos direitos do povo brasileiro

– Vagner Freitas

Segundo Vagner, não é hora de se abalar com pesquisas eleitorais e o jogo baixo da candidatura de extrema direita representada por Jair Bolsonaro (PSL), que foge dos debates e vive de mentiras no submundo das redes sociais. 

“O momento é de intensificar daqui até o dia 28 a nossa presença nas ruas, favelas, periferias, locais de trabalho e todo lugar onde o povo está. Estamos habituados a defender a classe trabalhadora e a democracia. Nascemos fazendo isso e não será diferente agora”, ressaltou o presidente da CUT.

Haddad agradeceu a CUT por estar sempre disponível nos momentos críticos da história do País e também a militância presente pela disposição de luta de todos. Mas, em sua fala, fez questão de destacar dois agradecimentos: o apoio da vice de sua chapa, Manuela d’Ávila, e de Guilherme Boulos, candidato à presidência pelo PSOL.

“Quando Lula, em São Bernardo do Campo, se despedia de nós em um momento dramático da vida nacional, ele levantou a mão de Boulos e da Manuela e falou que estava diante do futuro do Brasil. E em muito pouco tempo vocês dois demonstraram a estatura que têm para liderar o processo histórico da esquerda brasileira”, disse aos dois presentes na atividade.

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Para Haddad, a firmeza de posicionamento de ambos, que se equipara a lideranças como Miguel Arraes, Leonel Brizola e Mario Covas, “que não titubearam em se posicionar em 1989 diante da ameaça imposta pelo outro projeto”, é fundamental para que o Brasil não volte aos tempos sombrios representados pela candidatura de Jair Bolsonaro (PSL).

“O significado de a elite apoiar incondicionalmente uma figura como Bolsonaro quer dizer que ela está disposta a tudo para evitar que o projeto que representa o povo e a classe trabalhadora volte a governar esse país”.

Mas, continuou Haddad, quem está aqui não pode desanimar diante das dificuldades e das pesquisas eleitorais. “Se fosse assim, eu não teria ganhado do Serra em 2012 e nem a Dilma do Aécio em 2014. Quando eu ganhei em 2012, não apareci na frente em nenhuma pesquisa eleitoral. Em 2014, eles já estavam abrindo a champagne para comemorar uma vitória que não aconteceu”, disse se referindo a eleição da ex-presidenta Dilma Rousseff, com mais de 54 milhões de votos.

Virar o jogo nas ruas

Todas as lideranças presentes fizeram questão de destacar que o momento é de virar essa eleição nas ruas, no debate corpo a corpo com o povo, pois é o futuro da democracia, os direitos da classe trabalhadora que estão em jogo.

“Em um momento como esse, importante e delicado para a história do Brasil, não é hora de ficar em cima do muro ou com ressentimento político. É a defesa da democracia contra um projeto autoritário, ditatorial, que ataca os pobres, os negros, as minorias”, enfatizou Guilherme Boulos. 

“Temos mais de 10 dias para construir a virada e desmistificar para o povo quem é Jair Bolsonaro. Ele diz que defende a segurança pública, mas apoia publicamente milícias no Rio de Janeiro. Esse é o Bolsonaro que precisamos mostrar ao povo.”

A presidenta do PT, senadora Gleisi Hoffmann, também destacou o momento crucial pelo qual passa a jovem democracia brasileira e conclamou a militância a lutar contra a máquina de mentiras e o jogo “sórdido” dos adversários.

Temos 10 dias para evitar uma tragédia. Não podemos recuar diante dos gritos de ódio

– Gleisi Hoffmann

“Em 1988, defendemos uma democracia completa para o povo, com direitos, além das liberdades democráticas. Defendemos o direito básico e sagrado na vida de uma pessoa, que é o direito a comida, trabalho, educação. E é isso o que está em jogo e precisamos defender”.

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“Não vamos esmorecer. É na luta que nascemos e é por ela que estamos aqui. É a causa do povo que nós faz ficar em pé”, disse Gleisi.

Já o presidente do PSOL, Juliano Medeiros, afirmou que a plenária é uma marca da virada rumo à vitória, apesar das propagações das mentiras e da intensificação do ódio e da intolerância por parte dos apoiadores de Bolsonaro. “Eles são o autoritarismo e a ditadura no Brasil. Vamos barrar essa ameaça com o nosso povo na rua, que é o que nós sabemos fazer”.

O vice-presidente do PC do B, Walter Sorrentino, também fez coro à resistência nas ruas e conclamou a militância a não baixar a cabeça. “Nós não vamos baixar a cabeça, ficar na defensiva. Nós temos os argumentos e, como diria Lula, sabemos o que precisa ser feito até o último dia, até o último minuto”.

Para o secretário-geral da Intersindical, Índio Carneiro, não há dúvidas de que, “se fizermos o diálogo certo com o povo, vamos ganhar essa eleição”. Segundo ele, o Bolsonaro votou contra todas as medidas favoráveis ao povo e isso precisa ficar muito claro à população para que ele seja barrado nas urnas.

“Se dependesse de Bolsonaro, o salário mínimo hoje seria de R$ 500, pois ele votou contra a política de valorização do salário mínimo”, disse Índio, que concluiu: “a classe trabalhadora precisa saber disso”.   

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2 comentários

  1. Eleição manipulada

    “Algoritmos” aterradores

    Lembram-se todos, semanas antes do primeiro turno, Haddad vinha crescendo nas pesquisas e já ameaçava Bolsonaro!

    Na véspera da eleição, os institutos de pesquisas davam números próximos, Bolsonaro na frente.

    Terminada a contagem dos votos, verificou-se que Bolsonaro teve mais votos do que aqueles previstos pelos institutos, quase ganhou no primeiro turno!

    Já nos dias seguintes verificou-se que houve uma chuvarada de “fake” nas mídias sociais, que indicavam  os possíveis motivos daqueles resultados.

    Muitas hipóteses mais foram levantadas.

    Surgiu no cenário o nome de Steve Bannon, marqueteiro de Donald Trump, que estaria assessorando a campanha de Bolsonaro. No programa de ontem o PT questiona.

    Por acaso, estou lendo o livro “Homo Deus – Uma breve história do amanhã”, do historiador Yuval N. Harari, livro interessante e intrigante, que ”prevê” o domínio do homem por “sistemas”, através dos já famosos “algoritmos”.

    Ele fala dos avanços já feitos pelo Google e outros, do conhecimento e da manipulação de dados dos clientes das redes sociais, através do Facebook e outros.

    Está lá escrito, páginas 342 e 343:

    “Um estudo recente encomendado pela nêmese do Google – o Facebook – apontou que já em nossos dias o algoritmo do Facebook é melhor do que amigos, pais e cônjuges como juiz de personalidades e disposições humanas. O estudo foi conduzido com 86.220 voluntários que tem conta no Facebook e que …”

    “Na verdade, em alguns campos os algoritmos do Facebook sairam-se melhor do que a própria pessoa.”

    Continua, “Numa observação mais sinistra, o mesmo estudo implica que, nas próximas eleições presidenciais nos Estados Unidos, o Facebook poderia saber não só as opiniões políticas de dezenas de milhões de americanos, como também quais entre eles representam os votos críticos que podem fazer a diferença e como esses votos podem ser mudados.”…

    “Como o Facebook poderia obter esses dados políticos inestimáveis? Nós lhe damos essa informação, e de graça.”

    Bingo! A eleição de Bolsonaro pode estar sendo conduzida pelo “sistema”, assim com foi o de Trump!

    Não por acaso, dois direitistas loucos!

    Os brasileiros equilibrados poderão modificar o resultado já previsível?

    Joel

     

    • E os manipulados, manipulam através do whatsapp…

      Não resta dúvida quanto à atuação da Cambridge Analytica. Em 48 horas houve uma modificação intensa  nas intençoes de votos em todos os estados. Conseguiram manipular uma grande maioria. E daí num crescente, as mentes cristalizadas estão manipulando pelo whatsapp, haja vista o resultado de ontem das pesquisas para governador do Rio e Minas Gerais. É inesplicável e preocupante.

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