É inadmissível que Crivella vença as eleições no Rio, diz Jean Wyllys

Faltando poucos dias para 2º turno, deputado faz apelo para população carioca escolher Freixo; entenda os argumentos que explicam dificuldades do PSOL ganhar neste pleito

 
Jornal GGN – A última pesquisa de intenção de votos no segundo turno das eleições municipais do Rio de janeiro, divulgada pelo Ibope nessa quinta (27), aponta vantagem de 15 pontos percentuais do senador Crivella (PRB) sobre o deputado Freixo (PSOL). Mas o que chama atenção no levantamento é a proporção de entrevistados que afirmaram que irão votar branco ou nulo: 22%. 
 
Faltando alguns dias para a votação, o deputado federal Jean Wyllys (PSOL/Rio) fez um apelo, durante entrevista ao programa Na sala de visitas, para os cariocas votarem no seu colega de partido, analisando que é “inadmissível” e “assustador” que Crivella, um candidato que, segundo o parlamentar, é apoiado abertamente pelas milícias, igrejas fundamentalistas que pregam o ódio contra as religiões de matriz africana, além de ser autor de um livro onde atacou homossexuais e a Igreja Católica, classificando essa e outras instituições não alinhadas ao seu neopentecostalismo de pregadoras de “doutrinas demoníacas”, vença a eleição no Rio. 
 
Marcelo Freixo é exatamente um contraponto à linha defendida pelo oponente, começando por um programa de governo construído com a participação de milhares pessoas consultadas no projeto que recebeu o nome “Se a cidade fosse nossa”. 
 
“Marcelo tem um programa de governo muito consistente, não só porque ele conheceu experiências de gestão de cidades e outros lugares do mundo (…), mas porque também o programa foi construído por mais de 6 mil pessoas no Rio de Janeiro”, frisou o parlamentar. 
 
Existem dois argumentos que explicariam a distância de Freixo em relação a Crivella na disputa eleitoral. Um, menos provável de estar correto, mas levantado por setores da esquerda carioca, é o possível sepultamento da carreira de Freixo, e do próprio PSOL, caso conquiste a prefeitura de uma cidade como o Rio, com desafios econômicos e sociais talvez piores do que os enfrentados pelo prefeito petista em São Paulo, Fernando Haddad, que mesmo implantando políticas modelos em países de primeiro mundo e, pela primeira vez em décadas, colocando as contas da metrópole no azul, não foi reeleito.
 
Logo, eleitores, que até são simpáticos às propostas Freixo, estariam desistindo de votar desacreditando que seu plano de governo dará certo. 
 
Para quem defende essa justificativa, Jean Wyllys responde que o PSOL não está alheio aos desafios, mas que enxerga grandes oportunidades de mudar a cidade. “Temos uma oportunidade sim de ter um laboratório, não só para o Brasil, mas para outros lugares do mundo, de fazer uma super gestão da cidade e transformar o Rio de Janeiro numa cidade de fato maravilhosa porque, no momento, como diz [a escritora norte-americana] Elizabeth Bishop, o Rio é um maravilhoso cenário para uma cidade, mas não é uma cidade maravilhosa, é uma cidade partida”.
 
E, para provar que seu partido não desconhece os grandes desafios de administrar o Rio, o deputado federal avalia que as Organizações Globo não vão “dar trégua” para Freixo. “A Fundação Roberto Marinho tem negócios na cidade, negócios na área de educação, cultura”. Wyllys também reconhece que, se vencer as eleições, Freixo não terá trânsito fácil na Câmara dos Vereadores, composta em sua maioria por políticos apoiados por, ou que são, “milicianos, pastores evangélicos fundamentalistas, neopentecostais, e demagogos que cuidam de suas paróquias e bairros”. 
 
Por fim, o parlamentar avalia que a própria Diocese do Rio de Janeiro poderá representar resistência “à laicidade que Freixo propõe na sua gestão”. 
 
O segundo argumento para a disparada de Crivella nas intensões de voto, em relação a Freixo, é o que já vem sendo identificado nas eleições passadas: a queda de credibilidade do sistema político como um todo. 
 
O primeiro turno da eleição municipal no Rio consolida essa tese: cerca de 32% dos eleitores não compareceram ao local de votação, optaram por votar em branco ou nulo. O desinteresse pelos candidatos em 2016 foi o maior já registrada na cidade desde as eleições de 1996. 
 
O mesmo fenômeno ocorreu na cidade de São Paulo que teve o maior índice de abstenções, brancos e nulos já registrados nas últimas seis eleições: 21,84% deixaram de votar, 11,35% votaram em branco e 5,29% anularam. O candidato João Dória (PSDB), que venceu o pleito na metrópole em primeiro turno, registou 3.085.187 votos – cerca de 11 mil votos a menos do total de abstenções, brancos e nulos. 
 
Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral, o desinteresse na escolha de um dos candidatos que competiram as eleições municipais superou o 1º ou 2º colocado em 22 capitais, no primeiro turno. 
 
A construção de um projeto de gestão baseado na consulta de milhares de cariocas é uma tentativa do PSOL de aproximar a população da política proposta por Freixo. Ainda assim, o mecanismo parece que não surtiu o efeito desejado. Uma questão que fica para os cientistas políticos tentarem responder, mas que pode estar relacionada ao grande conflito de informações. Afinal, além da apatia política dos brasileiros, Freixo tem contra sua candidatura a capilaridade que os meios de comunicação evangélicos colocam à disposição de Crivella, e o próprio desafio de converter mentes e corações que durante décadas foram ensinadas a demonizar a esquerda e a diversidade. 
 
https://www.youtube.com/watch?v=6nUsTxlXJVg?t=1173

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20 comentários

  1. Evidências

    Essa análise rasa do deputado Jean Wyllys não resiste as simples evidências da provável vitória do Senador Marcelo Crivela. Ele possui uma base de votação consolidada no meio religioso e entre os menos favorecidos. O senador tem uma carreira política sólida, aliados leais e conhecimento de causa. Essa é a sua quinta tentativa para um cargo no executivo; o que traz uma permanência na mente do eleitorado, além de evocar a ideia de que chegou a sua vez. O Freixo não tem chance.

  2. O descrédito nos políticos vence

    O percentual das abstenções, nulos e brancos já diz tudo. A raiva dos políticos e a descrença não deixa estas pessoas perceberem que uma escolha importante será feita com ou sem a participação delas e que todos que se omitirem também sentirão as consequências.

    Caso se confirme a vitória de Crivela, ainda assim o PSOL cresceu e ganhou uma visibilidade inédita durante a campanha. Deveria reformular suas estratégia e buscar interagir com as camadas mais pobres da periferia.

    se o PSOL ganhar ( minha esperança não morre) terá uma tarefa ainda mais difícil pela frente: angariar apoio popular para implementar seu programa de governo, que inevitavelmente será sabotado por gente muito poderosa

  3. Cade a  militancia do PSOL

    Cade a  militancia do PSOL batendo de porta em porta para mostrar as propostas do Freixo?

    mais nada a declarar.

  4. Não é inadmissível que o

    Não é inadmissível que o Crivella vença a eleição, faz parte da democracia. Inadmissível é uma Presidenta eleita pelo voto direto seja removida do poder através de um golpe articulado por uma rede de tv que hoje apoia (ou ao menos torce) para o adversário do pastor. Por sinal, não entendo porque o candidato do PSOL poderia temer a rede golpe se vencesse já que seu partido fez uma das homenagens mais belas que a globo já recebeu em toda sua história.

    http://www.esquerdadiario.com.br/rede-globo-e-profundamente-elogiada-pelo-senador-randolfe-do-psol

     

    A Rede Globo é uma empresa de superlativos (…) é motivo de regozijo para todos nós brasileiros (…) quando temos um patrimônio superlativo, isso tem que ser reconhecido pelo Brasil e espalhado com motivo de orgulho (…) tem um papel que temos que reconhecer de integração nacional (…) através de um Jornal Nacional, da sua tele-dramaturgia, propagandear, ampliar espaços, torna essa rede de televisão um elemento fundamental para discutir os destinos do país. Porque como diria o bom e velho Gramsci, o papel da cultura, é o papel da superestrutura da sociedade. Hoje não tenho dúvida que o papel cumprido pela Rede Globo é indispensável na formação da cultura e na formação da opinião pública nacional. Por isso, em momentos como os de hoje, de crise que o país atravessa, de crise política, de crise moral, de crise econômica, é fundamental e indispensável o papel de uma rede de televisão que cumpra o papel fundamental de integração nacional e que estabeleça espaços de debates públicos. Além de tudo isso, a existência de uma emissora dessa natureza mostra o quanto para nós é fundamental a democracia e um dos principais valores da democracia, que é o valor da liberdade de expressão, o valor da liberdade de investigação característico do jornalismo investigativo. Este é um valor que é indissociável de qualquer regime democrático. Isto tem sido e tem que ser reconhecido por nós como um patrimônio defendido pela Rede Globo”.

    • Mas quando o Collor levou o

      Mas quando o Collor levou o impeachment a esquerda bateu palmas e adorou sem contar q apoiou pedidos de impeachment de todos os Presidentes da era democratica até a era Lula! 

  5. Pode não ser inadmissível para muitos

    Mas, pra mim, é no mínimo impressionante como uma grande ala da militância petista se impregnou com o espírito do ódio. Ódio ao mundo, de modo geral agora. Desde os pobres (porque não votaram no PT na última eleição) atè aos outros partidos de esquerda e mesmo analistas e/ou cientistas comprometidos com o país e seu povo, mas que por vezes criticam o PT. A lista de odiados é tão grande que é mais simples dizer que o PT de hoje odeia tudo o que não seja o espelho, tudo o que não for petista até o último fio de cabelo.

    É muito ódio! Isso só vai levar a mais isolamento. Eu, sinceramente, não reconheço mais o PT da estrela que brilha(va) lá. Da esperança, do amor… Posso passar por cima de alianças espúrias e inócuas (como se comprovou), de conciliação com as elites, de eventuais atos de corrupção, etc. Mas não suporto esse PT que ama acima de tudo a si próprio e odeia tudo mais.

    • Uai, essa eu nao entendi. Nao

      Uai, essa eu nao entendi. Nao estou sendo irônico, nem retórico. Nao entendi mesmo. Pelo que sei, o pt decidiu apoiar o Freixo e o Edmilson (Belem). O Psol preferiu que isso não fosse muito público, por algum cálculo eleitoral. Mas o apoio houve.

  6. se freixo ganhar

    Se Freixo ganhar, o que realmente é muito dificil, só tem condições de fazer um governo se  tiver grudado nos movimentos sociais organizados e não deixar sem respostas as criticas a sua gestão,

    Vai ter que fazer uma guerra diaria com o PIG, burguesia, pastores exploradoes.

    Tem que ter um batalhão de pessoas trabalhando para que o seu programa seja colocado em pratica que explicem a população.

    Para isso tem que haver organização, motivação e grandes lideranças que sejam ponte  entre a administração e a polulação.

    Dezenas de JW, o que não é facil de achar..

     

  7. pastores e seus truques…

    fazer que o juízo final seja hoje, todo dia

    seguidores não votam para terem melhores escolas, hospitais, etc, votam para serem salvos, desviados de qualque situação de penúria, de perigo, de doença ou vício

    perigo dessa mistura, religião e política, é, a meu ver, extamente isso

     

  8. Não comparecer nem sempre é apatia ou desinteresse
    Estou longe de ser desinteressado da politica, especialmente para prefeito da minha cidade. Mas existem outros fatores que as vezes nos impedem de votar mesmo querendo. Estou em ferias , em uma cidade mineira proxima ao Rio de carro , mas de muito dificil acesso por onibus, como é o meu caso. Da medma forma , muitos servidores estão aproveitando o feriadão fora da cidade. Caso as pesquisas apontassem empate tecnico não teria duvidas em pegar 4 onibus pra votar no Freixo (como eleitor do PT, a fala da Graça Lago -http://jornalggn.com.br/blog/vania/e-hora-de-cerrarmos-fileira-em-defesa-do-rio-por-graca-lago – ‘me representa’). Penso também que já é hora de implantarmos voto à distância, pela internet e antecipação de voto (a exemplo de alguns estados americanos). Tecnologia com segurança já existe.

  9. Quase igual ao …

    “inadmissível” …

    Quase igual ao “vou aceitar se eu vencer” do Trump …

    Rindo muito e feliz por votar nulo em Niterói …

  10. + comentários

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