É um contrassenso músicos e artistas apoiarem Bolsonaro no 2º turno, por Augusto Diniz

É um contrassenso músicos e artistas apoiarem Bolsonaro no 2º turno

por Augusto Diniz

Uma leitura no plano de governo do candidato Jair Bolsonaro (PSL), que disputa o segundo turno da eleição presidencial com Fernando Haddad (PT), nota-se não haver nenhuma proposta específica voltada à cultura e as artes neste documento.

A única citação à cultura no plano de governo de Bolsonaro se refere a algo que já ocorre e é assunto polêmico no meio artístico cultural. No plano, o tema está alocado somente nas atribuições propostas ao Ministério das Relações Exteriores: “Países, que buscaram se aproximar mas foram preteridos por razões ideológicas, têm muito a oferecer ao Brasil, em termos de comércio, ciência, tecnologia, inovação, educação e cultura”.

Pelo que se conclui, é que um possível governo Bolsonaro pretende-se fomentar a aproximação com outras nações, que pode propiciar ao País, entre outros itens, cultura. Porém, sabe-se que uma das maiores críticas do meio cultural é a grande presença da manifestação artística de fora, principalmente nos meios de comunicação, em detrimento da brasileira.

O plano de governo de Bolsonaro está disponível nos anexos desse texto – na página 78 do “Plano Governo Bolsonaro” encontra-se o item citado acima. Relata-se ainda que o candidato defende o fim do Ministério da Cultura (transformando-o em secretaria) e tem críticas severas à Lei Rouanet – o meio artístico também as tens, mas pela necessidade de aperfeiçoamento para evitar distorções e desvios, e não pelo seu fim, como Bolsonaro propõe fazer.

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Já no plano de governo de Fernando Haddad há um capítulo específico à cultura, onde se aponta preocupação com o abandono e criminalização do setor nos dois últimos anos; necessidade de um novo ciclo de políticas públicas por meio de maior participação no Ministério da Cultura; ampliação de fomento; ações específicas envolvendo agentes das culturas tradicionais, populares e regionais; aprofundamento da política de desenvolvimento audiovisual; mecanismos para remunerar artistas e criadores no ambiente digital e o diálogo da cultura com outros campos.

Em um determinado trecho do plano, cita-se: “Para efetivar esse direito, construiremos novos mecanismos de circulação dos bens culturais, enfrentando o monopólio das empresas que atuam no setor pela lógica estrita do mercado”. Para ler o item completo relacionado à cultura no programa de Fernando Haddad, se dirigir à página 33 do anexo “Plano Governo Haddad”.

Um leitor aqui pode questionar por que a cultura e as artes precisam do amparo do governo. Pois cita-se que políticas públicas nesse campo são também extensivas em países desenvolvidos. Há também de se entender que governos trabalham nesse campo como articulador socioeconômico, na maioria das vezes, e menos como um financiador. Menciona-se ainda que a grande maioria de músicos e artistas, de alguma forma, depende de políticas públicas para desenvolver seus projetos (principalmente para uso de seus equipamentos e iniciativas de fomento). 

Além disso, a indústria cultural – inclua-se também a indústria do entretenimento, já que são temas indivisíveis, embora exista conflitos de conceitos entre os estudiosos sobre ambos os assuntos – no Brasil é grande devido a sua diversidade, envolvendo um sem número de profissionais, gerando riqueza e desenvolvimento. Por fim, o incentivo à cultura e as artes é estratégico para melhoria da qualidade da educação no País.

Poderia se citar mais alguns pontos aqui da relevância da cultura e das artes dentro do âmbito do cinema, teatro, música, dança, circo, artes plásticas e qualquer outra manifestação artística (inclusive pelos meios de comunicação), mas seria muito extensivo. Talvez nesse momento o mais relevante a dizer é que é um contrassenso o meio artístico cultural apoiar Bolsonaro neste segundo turno que nada pretende ao setor, pelo menos a partir de seu plano de governo.

7 comentários

  1. Mais odio e castigo

    Eh inacreditavel que artistas e musicos apoiem bolsonaro. Parece que o fascismo seduz a muitos, até aqueles que pode dever de oficio e conhecimento, deveriam ser mais humanos e democratas. 

  2. Do Tijolaço

    Reportagem do jornal A Tarde, o maior de Salvador, publicada minutos atrás:

    O mestre de capoeira e compositor Romualdo Rosário da Costa, de 63 anos, conhecido como Moa do Katendê, foi morto a facadas na madrugada desta segunda-feira, 8, após uma discussão política no Bar do João, na comunidade do Dique Pequeno, no Dique do Tororó, em Salvador. 

    Segundo informações da Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP-BA), o autor do crime, que não teve o nome revelado, não concordou com a posição política de Moa, contrária ao candidato à presidência Jair Bolsonaro (PSL), e desferiu 12 facadas na vítima.

    O suspeito foi preso e confessou o crime à polícia. Segundo a SSP-BA, ele teria se aproximado do grupo em que Moa estava e afirmado que era eleitor de Bolsonaro. O homem reagiu com violência após o mestre de capoeira afirmar que o grupo votava no PT. 

    Não é uma “amostra grátis” porque custou a vida de um ser humano, mas um alerta para a loucura do ódio que se despertou e que até ao próprio Bolsonaro atingiu, em Juiz de Fora.

  3. Importa?

    Qual a importância eleitoral do apoio do Chico Buarque ou Annita?

    Proxima de 0.

    Vamos nos preocupar com a eleição. Temos que conseguir votos e o maior desafio para isso é adequar o discurso.

    O PT e o Haddad perderem o discurso popular para um Deputado insignificante. É isso que tem que ser decifrado. É o dialogo com o povo que importa para vencer a eleição.

    O povo está sedento por uma resposta rápida sobre a violência, qual a proposta do PT para isso? Eu não sei.
    O povo está sedento por uma resposta rápida sobre o desemprego. Qual a resposta para isso?
    Essas respostas têm que ser claras e objetivas e o PT está muito prolixo.
    Dizer que a partir de agora será uma “defesa da Constituição de 88” não levará o Haddad à vitória.
    O povão quer saber é do almoço de amanhã. Se terá emprego no mês que vem. Das garantias para seus filhos chegarem com vida e saudáveis da escola. Do atendimento no Hospital que ele nem sabe se é publico, se é do Município, Estado ou União.
    As questões de fundo (como respeito as Direitos Humanos, IDH, Macroeconomia, Sustentabilidade, Meio-ambiente, Política Internacional) devem ficar no fundo. Para o Haddad ganhar essas eleições ele terá que descer para arena que o Bolsonaro está e esta arena é a das mazelas diárias que a população vivencia.

  4. Ainda não entendi quais

    Ainda não entendi quais musicos e artistas. Dos que conheço, todos apoiam Haddad ou Ciro. Será que estão falando do Frota ou do Lobão? Esses não são artistas.

  5. Então…

    … pode ser um contrassenso, mas deve haver alguma outra causa, outro motivo.

    Incoerente é? Sim, é. Mas falta alguma coisa. 

  6. O que é ser artista?

    Nem toda celebridade é artista. Celebridade é a pessoa que é famosa por ser… famosa.

    Além disso não é porque a pessoa é artista que está invulnerável às ilusões. Por exemplo Fagner jura de pés juntos que Moro está mesmo combatendo a corrupção e que por isso merece todo seu apoio. E há ainda, como bem lembrou nosso colega abaixo, o caso do Alexandre Frota, cujo produto cultural certamente receberá apoio financeiro caso Bolsonaro seja eleito. E uma olhada na ficha técnica do filme “A lei é para todos” seria suficiente para não ter que procurar mais por reginas-duartes, lucianos-hucks e que-tais.

  7. Contrassenso, em minha

    Contrassenso, em minha opinião, é considerar que artistas, por serem artistas, seriam seres naturalmente dotados de capacidade intelectual.

    A História dá farta demonstração em contrário.

    Para ficar numa seara cômoda para mim, o rock, é um verdadeiro circo dos horrores de declarações e posições lamentáveis. Procurem saber, até mesmo por curiosidade antropológica, das opiniões políticas de gente como Eric Clapton, Morrissey, diversos metaleiros, todos com o adesivo de rebeldes (de butique) pregados na testa.

    Prá não falar do absurdo sexismo e apologia à sociedade de consumo em que se transformou a música negra americana.

    É um horror.

    E tem o Noel Gallagher, para as gerações mais novas, que, ainda por cima, tem origens proletárias.

    http://www.tenhomaisdiscosqueamigos.com/2018/10/05/noel-gallagher-oasis-corbyn/

    É de um primarismo e indigência mental de dar pena.

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