Eduardo Bolsonaro, o mensageiro do Apocalipse, por Sergio Medeiros

Foto Metro Jornal

Eduardo Bolsonaro, o mensageiro do Apocalipse, por Sergio Medeiros

O silêncio de quem tem o dever de barrar a ditadura bolsonariana

Se alguém tinha alguma dúvida sobre a possibilidade da volta do regime de exceção, com todas suas consequências nefastas, mortes, derramamentos de sangue, demonstrações brutais de força e violações de direitos humanos em profusão, depois da divulgação do vídeo em que Eduardo Bolsonaro, ameaça de forma explícita,  com o fechamento,  o Supremo Tribunal Federal, tenho que não restaram mais quaisquer dúvidas.

A única questão que ficou em aberto é, quem pode deter a volta desta chamada marcha da insensatez, que traz consigo a morte da democracia e do estado de direito, a volta da tortura, das agressões, das prisões sem justificativa, da censura plena, enfim, a volta da barbárie em seu estado puro.

Este é o cenário estas são as alternativas possíveis.

Em primeiro lugar gostaria de dizer que sim, que a barbárie pode se detida.

Entretanto, há uma condição imprescindível, que haja, efetivamente a união massiva de todas as instituições livres com o povo brasileiro.

Prosseguindo.

Para que possamos ter um visão mais clara acerca do que realmente esta acontecendo e sua dimensão, passo a tecer algumas considerações prévias.

Inicialmente, como não poderia deixar de ser, por se mostrar mais em evidência, todas as análises estão sendo centradas na figura de Eduardo Bolsonaro.

Ocorre que, na realidade, apesar de sua importância, Eduardo Bolsonaro é apenas o mensageiro… e cumpriu a missão dada, ou seja, entregou a mensagem.

Qual mensagem? Como cumpriu a missão?

Cumpriu sua missão ao dizer – no vídeo – que fecharia o STF se este, por acaso, os contrariasse, tentasse impugnar a candidatura de seu pai – independentemente de serem legais, constitucionais, aliás, isso nem foi considerado – simplesmente proibiu o STF e – como se fosse a lei – previu sanções ao descumprimento  – no caso – a pena seria o fechamento da referida instituição.

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E, para demonstrar sua força e a fragilidade do eventual oponente – com absoluto escárnio e ironia disse – basta um soldado e um cabo – e, tripudiando – sem desmerecer o soldado e o cabo – definindo, neste ponto, quem verdadeiramente mereceria respeito.

Mas, este não é o ponto central.

A questão central prende-se ao alcance real da fala do filho do Bolsonaro (que apenas repete o que o pai diz há muito tempo, que não aceita outro resultado que não seja sua eleição).

No momento em que foi liberado o vídeo, foram dados dois recados.

O primeiro, exatamente no dia em que o TSE ia se pronunciar sobre a existência ou não de abuso de poder econômico nas eleições, de modo a fraudá-las, –  sendo o acusado, a campanha de Jair Bolsonaro -, neste preciso dia, foi liberado o aviso.

Neste singelo aviso, com antecedência de horas ao pronunciamento, foi dito, em suma, para bons entendedores  que:  Se vocês decidirem que há abuso…  será a ultima coisa a ser decidida por vocês.

Saliente-se, não foi nenhum assessor de terceira linha, o mensageiro, foi o próprio filho do candidato, deputado federal mais votado pelo estado mais poderoso da federação e principal porta voz da campanha de seu pai, Jair Bolsonaro.

E, com o agravante… não teria sido ele.. mas, pessoas, “lá” que disseram.

Em uma campanha em que o candidato a vice presidente é um General do Exército e mais quatro ou cinco militares de alta patente são cotados para os Ministérios, não há dúvidas que se o “lá”, era o Comitê de Campanha, certamente tal opinião não teria como ser dissociada de um forte componente militar.

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De qualquer sorte, falou em nome do Exército (ainda que, obviamente, a despeito deste).

E tal conclusão é básica, quem iria cumprir a ordem não precisaria de ninguém de patente superior, bastava um cabo e um soldado.

Pois bem, ai aconteceu o imponderável.

Até agora o Exército calou. E caberia uma reprimenda do tamanho da excrescência que foi dita.

E o pior, calou, e calou novamente.

E aí, eu pergunto.

A democracia pode conviver com o silêncio.

A democracia pode viver sob condições coercitivas.

A democracia pode viver sem liberdade e ainda ser chamada de democracia???

Ainda que a resposta possa ser desenganadoramente negativa,  restam outras dúvidas a serem postas à mesa.

De tudo isso, impõe-se um outro esclarecimento.

É que, o que esta em pauta não é somente o questionamento do poder do STF para impor sua autoridade, acerca do qual “bastaria” um cabo e um soldado para darem fim, o que efetivamente foi colocado subliminarmente, ou nem tanto, a questão é, quem pode impedir o Bolsonaro de tomar o poder, ainda que condenado, ou, pior, ainda que não eleito,

Sim, definitivamente, a questão essencial não se restringe a saber qual o poder real que o STF tem, se quiser impugnar a candidatura do Bolsonaro, até porque isso deveria ser inquestionável num estado de direito.

A esta pergunta se sucede outra, crucial.

A pergunta certa é, se o Haddad for eleito, quem vai impedir o Bolsonaro e seus -apoiadores –  de tomarem o poder à força, ou seja, mais a força do que já esta sendo.

Será tão difícil assim, reconhecer que foi gestado  um verdadeiro projeto de poder, baseado na violência e no ódio, ainda que a margem dos poderes constituídos e ao arrepio da Constituição.

Mesmo perante uma escancarada e expressa ameaça à democracia.

Quem foi ameaçado, não foi somente o Supremo Tribunal Federal, mas sim a Democracia, visto que este é parte incindível dela.

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E, a não ser pelo Ministro Celso de Mello, que rapidamente, sem delongas, reputou tal atitude como claramente irresponsável e golpista, os demais não chegaram a estes termos para definir o ocorrido.

Feitas estas considerações, prossigo.

Tardam as eleições… mas tarda mais ainda a sede de liberdade.

Agora, a democracia é ameaçada diretamente.

Tantos foram os ataques, tantas foram as decisões que em nome da mídia e de uma pretensa justiça popular, que agora se vê, foi  manipulada, que a enfraqueceram de tal forma, que aventureiros, sem quaisquer escrúpulos ousem atacá-la, impunemente.  

Neste momento.

O primeiro passo para barrar esta marcha, é a manifestação expressa da Instituições diretamente atacadas.

Cabe a todas instituições se alinharem, e, sem exceção, se pronunciarem de forma clara, cerrarem fileiras e concretamente manifestarem sua repulsa a quaisquer falas, que mesmo remotamente possam ser defensoras da volta de regimes de exceção.

Cabe, ainda, ao Supremo Tribunal Federal ou mesmo a Ministra Rosa Weber, a quem foi feita a afronta, bem como ao Comandante das Forças Armadas, se pronunciarem de forma contundente, repelindo qualquer possibilidade de Golpe de Estado.

O segundo passo, o mais importante, é que neste dia 28, se eleja a única opção que defende a democracia como princípio e a liberdade como meta para alcança-la de forma plena.

E que, juntos com o povo, possamos novamente trazer todos os movimentos para o campo da democracia e da liberdade, pois só assim se torna suficientemente forte o tecido de que é feita a democracia, o poder do povo.

 

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2 comentários

  1. Pianinho…

    Isso é para marcar território!

    É um grito de guerra, para assustar os adversários!

    Isso é mudança radical do que foi o PT, suave e democrático!

    O PT aguentou no lombo o Gilmar Mendes!

    Os bolsonaros já deram um aviso para o gilmar, se bobear cai…

    A tendência é que gilmar fique pianinho…

  2. Essa guerra contra a

    Essa guerra contra a Venezuela não é do Brasil, nem dos brasileiros.

    Ela é uma guerra do sub Coiso.

    Portanto, se Maduro resolver mandar um cabo e um soldado para acertar as contas com o sub Coiso não ficarei surpreso nem triste.

    Pequena perda, direi. 

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