Eleição 2018: o antipetismo está descolado das forças do Golpe, por Alexandre Tambelli

Foto: Agência PT

Por Alexandre Tambelli

O antipetismo descolado das forças que arquitetaram o Golpe: midiáticas, econômicas e da Lava-Jato é uma interessante novidade eleitoral de 2018, forças que não impulsionam uma candidatura eleitoralmente viável. Uma visão, ensaio particular deste processo eleitoral. 

Um movimento dentro da sociedade como um todo se dá nestes mais de 2 anos do Golpe: o movimento de descrédito para com a Mídia hegemônica e o Judiciário modelo Lava-Jato por parte da população, traduzido de maneira simples nas pesquisas eleitorais nos dois candidatos líderes, Lula e Bolsonaro:

1) O PT cresce eleitoralmente mesmo com Lula preso, mesmo com todo o Lawfare diário contra o PT, Dilma e Lula de 4 anos, ao menos, para cá;

2) Bolsonaro encarna com mais força o antipetismo eleitoral e não mais o PSDB, que é o partido político preferencial do Judiciário modelo Lava-Jato, da Mídia hegemônica e do “Mercado” + Império.

A dobradinha: Judiciário modelo Lava-Jato e Mídia hegemônica capitaneada pela Rede Globo está associada ao Golpe, ao Governo Temer, ao Brasil da depressão econômica e do desemprego e isto dissocia estes três componentes: Justiça da Lava-Jato, Globo & velha mídia e Governo Temer da capacidade de influência no voto da grande maioria do eleitorado, que está independente nas escolhas em relação aos agentes internos centrais do Golpe.

É interessante observar que quase 90% dos votos válidos não seguem a Lava-Jato e a Rede Globo & velha mídia e seus desejos de voto no candidato do PSDB. Estavam programando entregar o Poder em 2019 nas mãos dos tucanos e está longe disto acontecer.

Sempre falamos de Moro como cabo eleitoral do PSDB, e Alckmin não passa dos 7% nas pesquisas de intenção de votos; o Álvaro Dias, que alguns analistas dizem ser o outro candidato da Lava-Jato, não passa de 4%, e se aventa no noticiário, nas conversas com parte dos empresários tops nacionais e em análises do “Mercado” a hipótese de incorporar Bolsonaro ao Sistema como tentativa de tábua de salvação eleitoral contra o candidato do PT. Bolsonaro que agregaria boa parte do antipetismo clássico (pouco menos 30% da sociedade) + um eleitorado conservador nos costumes ajuntado do eleitor do pensamento: “bandido bom é bandido morto”.

É notório: não é mais segura a blindagem de Moro aos tucanos, não é garantia de voto no partido, excetuando a República do Café com Leite (São Paulo e Minas Gerais) que ainda tem as rebarbas eleitorais de governos tucanos seguidos, e lembrando, está em menos de 1/3 hoje as intenções de votos que por 6 eleições os tucanos receberam em São Paulo.

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E não é a perseguição implacável pela dobradinha Globo e Judiciário a Lula, Dilma e ao PT aglutinador de opinião pública favorável aos desejos eleitorais dos patrocinadores maiores do Golpe: o “Mercado” e o Império e por isto o desespero em impugnar a candidatura Lula, dificultada com a determinação Lula Candidato do Comitê de Direitos Humanos da ONU, da qual o Brasil é signatário, cobrando o Estado brasileiro em criar as condições necessárias de Lula concorrer na Eleição realizando entrevistas, aparecendo nos debates e fazendo campanha, mesmo que esteja preso.

Fica evidente que o anti establishment domina o cenário brasileiro atual a contragosto da Mídia hegemônica e do Judiciário modelo Lava-Jato.

Agora, Bolsonaro se movimentar para ser candidato aceito pelo Sistema (candidatura do Golpe) pode ser uma jogada falha, porque se boa parte do eleitorado do PSDB migrou para a sua candidatura foi por causa do modelo econômico totalmente equivocado e pelo desprezo ao Governo Temer da qual o PSDB é visto como fiador/participante; pode se considerar uma traição de Bolsonaro ao antipetismo. Temer que é enxergado pelo antipetismo como vice do PT e não como Presidente do Governo nascido do Golpe de Estado da qual os tucanos apoiaram.

PSDB, então, se associou ao petismo por vias tortas, exagerando no dizer, apoiando e governando com Temer, enxerga  parcela significativa do antipetismo tradicional situada nas classes médias: alta, média e em parte da classe média baixa.

Não tendo opinião pública significativa que acredite e obedeça ao Judiciário modelo Lava-Jato e à Mídia hegemônica, apoio a Bolsonaro do Sistema pode gerar um aumento do voto nulo ou a outro candidato anti-petista, não um retorno ao PSDB. E, sabemos, candidato ligado a Temer perde voto do petismo e do antipetismo.

Podemos até associar Mídia hegemônica, Judiciário modelo da Lava-Jato e Governo Temer como parte de um mesmo pacote, e dizer sem medo de errar, que Alckmin não decolará por ser no imaginário popular um aliado do pacote e por vias tortas do petismo.

O anti-petista não necessariamente queria o Governo Temer e, sim, a saída do PT do Governo Federal.

Quando o PSDB apoiou o Impeachment ele até manteve o eleitorado anti-petista, porém, quando o partido se associa/ é parte integrante ao (do) impopular, da mentira do boom econômico, do corrupto e desastroso Governo Temer continuadamente faz com que o anti-petista gradativamente deixe de apoiar a legenda e, certamente, junto a isto, Lava-Jato e Mídia hegemônica, que “venderam gato por lebre”,  não se dissociaram do programa e do Governo do Golpe e pouparam da Justiça seus participantes, perderam de vez a maior parte da opinião pública, pró e contra a derrubada de Dilma.  

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Lembrando, a candidatura de continuidade do Golpe: Alckmin tem no máximo 7% de intenção de votos em pesquisa estimulada, na espontânea por volta de 2%.

Penso comigo, se Bolsonaro e outros candidatos acabarem colado como aliado destes três personagens: Temer, Judiciário modelo Lava-Jato e Mídia hegemônica pode ficar mais tranquila a vitória de Lula/Manuela ou de Haddad/Manuela se impugnarem a candidatura Lula.

Ditas todas estas coisas concluo com a seguinte constatação.

O fenômeno eleitoral de 2018 é o seguinte:

Descolou-se a maior parte do antipetismo do Sistema (dos Golpistas e seus patrocinadores) e de suas duas forças centrais de defesa dele no Brasil: a Justiça modelo Lava-Jato e a Mídia hegemônica capitaneada pela Rede Globo de Televisão, que até 2016, antes do Golpe e do desastre Temer e da associação do PSDB ao seu Governo estavam caminhando em uma mesma direção.

O que nos pode levar a crer que saturou o modelo bipolar de Justiça e Jornalismo da dobradinha Mídia hegemônica e seu braço no Judiciário da seletividade das denúncias, do tratamento amigo ou inimigo, das condenações ou arquivamentos processuais conforme o partido e a Ideologia dos políticos, intelectuais, militantes, etc. tendo, a dobradinha, pouca eficácia eleitoral em 2018, para além do que conseguiu até aqui, que é aumentar a tendência do número de votos brancos, nulos e das abstenções, votos que não são válidos e que no máximo podem gerar uma situação de vencedor com menor apoio popular do que o desejado.

P.S.1. O antipetismo se caracteriza por ser um voto anti e não a favor de um candidato. Lembram-se de Collor?  Que do fiasco do seu Governo não aparecia nenhum eleitor dele e nenhum defensor? 2016 é fenômeno idêntico, não tem eleitor nem defensor do Aécio no antipetismo atual, pois, o anti-petista vota no candidato oposto ao candidato dos trabalhadores e dos pobres, não no partido X e nem no candidato por ser do partido X.

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O anti-petista foi anti-Prestes, anti-Getúlio, anti-JK, anti-Jango, anti-Lula, anti-Dilma e será, certamente, anti-Haddad. É voto de classe social (dos incluídos) contra classes sociais não incluídas ou semi-incluídas, dentro da lógica da exclusividade, da distinção e do medo da competição na sociedade de castas brasileira.

P.S.2. O anti-petista perdeu 4 eleições seguidas, apoiou o Impeachment como a fórmula vitoriosa de vencer o petismo sem votos, como comemorou o julgamento do “Mensalão” e a “vitória simbólica” que teve com a prisão de Dirceu e Genoíno.

Apoiou o anti-petista a Lava-Jato para tirar o PT do Poder, não necessariamente prestou apoio incondicional ao Governo Temer, tanto é verdade, que se você pergunta ao anti-petista sobre a sua responsabilidade na chegada de Temer ao Poder ele responde (a grande maioria) claramente o seguinte: – quem elegeu o Temer foram vocês, o vice é da Dilma, se eximindo de culpa pelo desgoverno atual.

O apoio anti-petista ao Governo Temer, se houve, foi inicial, estávamos no tempo de namoro da Lava-Jato com o antipetismo e a Globo & velha mídia vocalizavam os anseios das classes médias, ainda não traídas pela realidade desastrosa que nasceu meses após o Golpe. Da traição continuada é que se fez, em maior número, o ressurgimento do PT e o crescimento exponencial de Lula e o iminente declínio eleitoral dos tucanos.

O PSDB é coadjuvante eleitoral, hoje, ao não ter base social e nem defensores do partido e candidato em número mínimo que seja na Internet, como possuem PT, Lula, Bolsonaro e até Ciro. Lembremos, o antipetismo não tem partido.

P.S.3. Em 1992, pós-Impeachment de Collor, o PSDB adentrou ao Governo Itamar, ali foi realizado um Governo de coalizão e não se tinha a imagem de Itamar no mesmo patamar da de Temer hoje. O PSDB foi associado ao Plano Real que derrubou a inflação. Hoje, é associado ao desgoverno Temer. São casos de adesão pós-Impeachment, creio eu, diferentes e o Poder da Mídia hegemônica era grande naquele tempo pré-internet e ela foi capaz de associar a derrubada do processo inflacionário continuado ao candidato do Sistema: FHC.

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5 comentários

  1. E a análise sobre o que
    E a análise sobre o que Haddad e o pt deveriam fazer ?

    A meu ver a chance de Haddad no 2 turno é caminhar em direção ao centro, ainda que de fachada, e tentar isolar Bolsonaro na direita.

    Os grandes políticos e estadistas sempre são dissimulados. Precisa parar essa estória politicamente correta que político ” teria que dizer sempre a verdade”.

    Se Haddad não fizer isso será difícil ganhar no 2 turno.

  2. E a análise sobre o que
    E a análise sobre o que Haddad e o pt deveriam fazer ?

    A meu ver a chance de Haddad no 2 turno é caminhar em direção ao centro, ainda que de fachada, e tentar isolar Bolsonaro na direita.

    Os grandes políticos e estadistas sempre são dissimulados. Precisa parar essa estória politicamente correta que político ” teria que dizer sempre a verdade”.

    Se Haddad não fizer isso será difícil ganhar no 2 turno.

  3. E a análise sobre o que
    E a análise sobre o que Haddad e o pt deveriam fazer ?

    A meu ver a chance de Haddad no 2 turno é caminhar em direção ao centro, ainda que de fachada, e tentar isolar Bolsonaro na direita.

    Os grandes políticos e estadistas sempre são dissimulados. Precisa parar essa estória politicamente correta que político ” teria que dizer sempre a verdade”.

    Se Haddad não fizer isso será difícil ganhar no 2 turno.

  4. a blogosfera não tem alcance significativo em mudar

    pq o povo,com smartphones e leituras ligeiras – e saco cheio – só se decide de última hora.E se assiste a debates também já é de opinião formada,seja de que lados forem.Este blog,mesmo,dos raros que têm participação,as mesmas particdipações,têm um perfil de opinião fechada. Ilusão achar que influi,só tocam fogo, animam mais quem já tem sua opinião (que é unânime, ou quase).Venho de curioso e fico contente quando não me dão nenhuma estrela.Repito que a Defesa faz seu papel como advogados:sempre dar expectativas,a última é o que eu acho Fake News multiplicada no jogo eleitoral,essa história de Comitê “da ONU” e Pacto assinado pelo Brasil.Vamos recorrer a fontes, não só trechos,e veremos as traduções “livres”.

  5. O pró-petismo é fruto da Economia e não da Ideologia…
    Nassif, a Economia comanda o voto, razão pela qual não podemos confundir os promotores e adeptos do golpe com o eleitorado que irá decidir a eleição de outubro próximo. Uma coisa é o anti-lulismo dos mais ricos e da mídia, outra coisa é o voto dos mais de 70 milhões de pobres que o World Inequality Report registrou entre nós em 2015. Em um país com 42 bilionários e 117.421 milionários (sic Forbes e Anima, Associação Brasileira dos Mercados Financeiro e de Capitais), o voto é a única arma de 208 milhões de brasileiros descontentes com essa implementação do programa tucano por Michel Temer, entre os quais se sobressaem os 60 milhões de brasileiros que mudaram para melhor nos governos Lula e Dilma. Não há amnésia ou Alzheimer que resista ao desemprego atual de mais de 30 milhões de pessoas em idade econômica ativa, aí incluídos os “desalentados” registrados pelo IBGE; com o recrudescimento da violência e miséria incrementando a saudade dos quatro governos petistas. Dizer que nossos 30 milhões de idosos com mais de 60 anos puxam a fila dos anti-getulistas e lulistas é fazer pouco caso da inteligência coletiva que levou o povo a descartar FHC em troca de um operário – ali tivemos o plebiscito que repudiou o privatismo neoliberal e incrementou o Bolsa Família e demais políticas de inclusão social. Nesse contexto, não há pregação ideológica do PIG que resista à realidade ou constatação de que o anti-petismo ignora os ganhos sociais obtidos durante os 14 anos de gestão lulo-dilmista, razão pela qual se instaurou a ditadura togada em vigor, que tem contra si um detalhe decisivo: se dependesse de seu principal apoio, o Sistema PIGlobo, o PT jamais teria sido eleito e reeleito, numa demonstração cabal de que nossa mídia e seus prepostos não comandam o voto popular.

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