FHC quer algum candidato para derrotar Lula, mesmo que não seja do PSDB

Foto: Agência Brasil
 
 
Jornal GGN – Na primeira entrevista de 2018, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso admitiu que se o PSDB não conseguir apresentar um nome realmente competitivo para a próxima eleição presidencial, a opção para derrotar Lula e sua “capacidade de aglutinar” o povo será a de apoiar outro partido ao centro.
 
A avaliação foi feita ao Estadão, segundo matéria publicada nesta terça (2). O jornal perguntou a FHC o que o PSDB deveria fazer se o PMDB de Michel Temer insistir em lançar um candidato ao Planalto em nome do governo. FHC, então, disse que, a princípio, o tucanato “tem que ter um” nome para lançar, e desejou que “que esse (candidato) tenha capacidade de aglutinar”. Mas, nas palavras do tucano, “se houver outro (nome, de outro partido) que aglutine, vai fazer o quê?”
 
“Quem entra na política sai da área de conforto. Tem que ter capacidade de juntar pessoas com opiniões diferentes. Se houver alguém com mais capacidade de juntar, que prove essa capacidade e que tenha princípios próximos aos nossos, tem que apoiar essa pessoa. Não vejo quem seja”, disse.
 
No começo da entrevista, FHC disse que tem preocupação em 2018, porque não gostaria que a eleição fosse pautada por candidaturas “radicais” à direita ou esquerda. O caminho, segundo ele, deveria ser pelo centro. Mas falta organização capaz de romper a polarização entre Lula e Bolsonaro que vem sendo captada nas pesquisas de opinião.
 
“Se tivermos condição de eleger alguém confiável ao País, tem possibilidade de um certo avanço no Brasil. Nesse lado sou otimista. O meu temor é que não se consiga organizar o centro. É preciso que haja lideranças capazes de organizar. Há o perigo de que um demagogo dê sensação às pessoas de que vão influenciar a favor dos que mais precisam. Mas acredito que dá tempo de organizar o centro”, disse.
 
“(…) Quem tiver uma mensagem mais abrangente tem mais chance. As pessoas querem emprego, segurança – que é um tema que não estava na pauta eleitoral, mas hoje está – e as questões básicas. A mais básica da agenda do Estado é a educação. Não há emprego possível sem educação. Do ponto de vista da agenda das pessoas, há também o transporte e a saúde”, afirmou.
 
FHC ainda admitiu que Lula é um candidato que cativa as massas, e denotou que eventual candidato de oposição ao petista deverá ter a mesma capacidade de se comunicar
 
“O Lula mesmo se declarou uma metamorfose ambulante. Ele é extremamente sensível aos estímulos do momento. Sabe se posicionar definindo o inimigo. Esse inimigo varia, de acordo com o momento. O que ele tem não é demagogia no sentido banal, mas a capacidade de explicar. É muito importante em uma sociedade de massa que o líder fale. A sociedade nem sempre quer ouvir, mas agora está aberta porque está perplexa. É preciso que alguém toque nas cordas sensíveis à população. O Lula toca de ouvido.”
 

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