Haddad propõe a emissoras que ‘abram microfones’ se Bolsonaro faltar a debates

“Se um de nós comparecer sem o outro, tem todo direito de apresentar seu plano de governo”, disse

da Rede Brasil Atual

Haddad propõe a emissoras que ‘abram microfones’ se Bolsonaro faltar a debates

“As concessionárias dizem que têm compromisso com a democracia. Se isso é verdade, mantenham a programação dos debates”, disse candidato à presidência

por Redação RBA 

São Paulo – Em vídeo gravado no Rio de Janeiro e divulgado na tarde de hoje (19), o candidato à Presidência da República pela coligação Povo Feliz de Novo, Fernando Haddad, fez uma proposta às emissoras de TV do país. “As concessionárias dizem que têm compromisso com a democracia. Se isso é verdade, mantenham a programação dos debates e abram o microfone ao candidato que comparecer. É um direito do cidadão conhecer os candidatos”, disse. “Espero que eu e meu adversário compareçamos, mas, se um de nós comparecer sem o outro, tem todo direito de apresentar seu plano de governo.”

Mais cedo, no Clube de Engenharia do Rio de Janeiro, Haddad já havia comentado sobre a ausência de seu adversário Jair Bolsonaro (PSL) em todos os debates no segundo turno. “A maneira de ele expor é não se apresentar. Ele simplesmente não se apresenta”, disse.

O petista lembrou que a reportagem da Folha de S. Paulo sobre “um tsunami cibernético” que disparou uma quantidade enorme de calúnias contra ele não foi abordada de maneira séria pelo Jornal Nacional.

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Ele disse que “quase nunca” assiste ao telejornal da Globo, mas ontem ficou curioso em saber como “uma notícia de capa do maior jornal do país foi retratada. Foi retratada da seguinte maneira: o Haddad está acusando  o Bolsonaro”.

O canal dos Marinho não se preocupou em tratar jornalisticamente a utilização de dinheiro ilegal para promover calúnias, durante o processo eleitoral, pelo WhatsApp. “Houve uma capitulação da imprensa nacional. E para minha surpresa, quem batia no peito dizendo que a Justiça Eleitoral não ia aceitar fake news, sob pena até de anular o pleito, silêncio absoluto diante da denúncia.”

Segundo o ex-ministro da Educação, o candidato do PSL não explica qual sua posição sobre a emenda que congela gastos em saúde, educação e outros gastos sociais por 20 anos, assim como acontece com a reforma trabalhista. “Ele não se compromete nem com a manutenção nem com a revogação, e quando perguntado ele delega para o posto Ipiranga, que é o Paulo Guedes, que também não responde”, disse o petista.

O candidato ironizou a chamada elite do país, que “durante dois anos procurava seu Macron e nos entregou Jair Bolsonaro, que figura entre os piores parlamentares da história republicana: nunca apresentou um único projeto importante”, em referência ao presidente francês Emmanuel Macron, considerado “centrista” pela imprensa europeia.

Haddad lembrou que parte da pauta defendida no Clube de Engenharia é dos anos 1950, como a Petrobras e a CLT. Segundo o candidato, a mesma elite que, naquela época, atacava a Petrobras e os direitos trabalhistas, encontra em Bolsonaro um representante de seus anseios, “sempre antinacionais e antissociais”.

“Já se disse que há ricos, mas não há uma elite propriamente dita, porque os ricos do Brasil não têm compromisso nem com o território nem com o povo brasileiro.”

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Para Haddad, outra parte da pauta defendida por sua candidatura remonta aos anos 70, como a questão da Amazônia e da soberania nacional. 

Em relação à defesa que Bolsonaro faz da ditadura brasileira deflagrada em 1964, o petista considera “curioso” notar que seu adversário invoca uma tradição que não representa. De acordo com Haddad, a “tradição do regime militar” tinha três características. A primeira é o viés nacionalista. “E ele não é nacionalista, é entreguista”, disse.

A segunda tradição, do ponto de vista comportamental, é que, para o ex-prefeito de São Paulo, o regime militar tinha “um viés liberalizante” quanto aos costumes. “Em vários momentos nos anos 70 e 80 a liberalização era patrocinada pelo próprio regime e nosso adversário é de uma regressividade a toda prova”.

Segundo Haddad, a única herança que Bolsonaro representa do regime militar “é a truculência com quem pensa diferente”. “Nisso ele herdou até a medula a genética do regime militar.”

 

 

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