Ibope registra guinada de Lula no Rio Grande do Sul, avalia Katarina Peixoto

Intenções para ex-presidente chegam a 32%, surpreendendo no Estado onde PT não vence eleições nacionais desde 2002. Mas, segundo filosofa, ‘não há uma onda lulista, nem a imensa maioria dos eleitores’ do RS ‘é fanática’. Entenda seus argumentos a seguir. 
 
Lula e Dilma. Foto: Lula Marques Agência PT
Foto: Lula Marques/Agência PT
 
Jornal GGN – O que explica a virada de Lula no Rio Grande do Sul, um estado onde o Partido dos Trabalhadores não vence as eleições nacionais desde 2002? Pesquisa do Ibope, a primeira após o início oficial da disputa eleitoral, mostra o ex-presidente com 32%, seguido pelo deputado federal, Jair Bolsonaro, com 20%, na sondagem entre eleitores rio-grandenses. Nenhum dos outros concorrentes alcança dois dígitos no levantamento: Ciro Gomes (PDT) e Marina Silva (Rede), com 6% cada, seguidos de Geraldo Alckmin (PSDB) e Álvaro dias (Podemos), Henrique Meirelles (MDB) e João Amoêdo (Novo), com 5%, 2% e 1%, respectivamente.
 
Em um artigo publicado no Viomundo, a filósofa e pós doutora pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), Katarina Peixoto, pondera que “não há uma onda lulista, nem a imensa maioria dos eleitores brasileiros (assim como do rio Grande do Sul) é fanática”. 
 
Para ela, o resultado da pesquisa Ibope/RS revela que os abusos políticos de setores conservadores na sociedade brasileira acarretaram no fortalecimento da esquerda, consequentemente da figura de Lula e do seu partido, completando que, dificilmente, o ex-presidente, o PT e o governo Dilma conseguiriam aumentar a popularidade pavimentando o caminho para a retomada da presidência com o atual quadro de recessão econômica e recrudescimento mundial. E, apesar de Fernando Haddad aparecer nas pesquisas com 4%, acredita que quando o eleitorado identificar sua ligação com Lula, a transferência de votos para o paulista será significativa. 
 
Identificação. Katarina lembra que, aproximadamente, 20 milhões de brasileiros enfrentam algum processo penal no país. Segundo o jurista Raúl Eugenio Zaffaroni, da Corte Interamericana de Direitos Humanos, esse quadro “torna intuitiva a percepção de que há algo errado sendo cometido contra Lula”, avalia.
 
Os atores envolvidos na dinâmica para afastar o nome de Lula das urnas também chama atenção da sociedade: membros do poder judiciário mais caro do mundo e sem accountability (mecanismo de prestação contas à sociedade). 
 
O resultado do processo de impeachment que afastou Dilma Rousseff, colocando no lugar uma classe de políticos com indícios firmes de corrupção, os níveis de desemprego, queda nas matrículas nas universidades, crescimento expressivo de homicídios, terminam montando o quadro que explica o porquê do aumento de eleitores pró-PT e, portanto, a virada do partido no Rio Grande do Sul.
 
Katarina Peixoto pondera, portanto, que a guinada de Lula no estado é nada mais do que uma resposta da classe média letrada às consequências do golpe. 
 
“Essa relação pode não ser percebida da mesma maneira nos níveis variados de intuições e sentimentos, mas parece tão sólida como o medo de andar nas ruas, a desconfiança frente a instituições assimétricas na relação com a cidadania, a perda de direitos, a discrepância entre o que é mostrado nas televisões e o que é vivido na relação com bancos e policiais. Não há uma onda lulista, nem a imensa maioria dos eleitores brasileiros é fanática”, conclui. 
 
Vale lembrar que pesquisa mais recente do Datafolha aponta que a preferência pelo PT chegou a 24% em todo o país, índice mais alto desde 2014. Na região Nordeste a proporção chega a 34%, contra 32% no Norte, 17% no Sul, 20% Sudeste e 17% Centro-Oeste. 
 
O pior desempenho do PT, em termos nacionais, foi em dezembro de 2016, quando o Datafolha registrou 9% da preferência. O melhor desempenho foi em abril de 2012, no primeiro mandato de Dilma Rousseff, quando foi mencionado por 31% dos entrevistados.  
 

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor.

Assine e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Assine agora

Leia também:  Aplicativo e-título: a quem interessa elevar a abstenção do voto?, por Álvaro Nascimento

7 comentários

  1. Questão de grafia

    Nassif: tenho de me redimir. Existem Sulista e sulista. Igualmente, Gauchos e gauchos. Os do Judiciário, por exemplo, em sua maioria, escreve-se em minúsculo. Por isto, vai o brado:

    — Gauchos unidos jamais serão vencidos!

    Para aqueles merecedores da grafia em maiúsculo.

  2. É? Mas até agora não vi nem

    É? Mas até agora não vi nem ouvi nenhum gaúcho admitindo a ca***da que fez ao voltar contra Dilma em 2014, ao votar no Sartori ou que teve delírios de prazer quando participava das “marchascontraacorrupição” e do “foraPetê” e que chegou ao orgasmo quando Dilma sofreu impeachment…

    O que vejo é um monte de gaúcho sem entender o que aconteceu

    O que vejo é muito gaúcho desesperado, pois sofrendo o desastre dos governos da dupla Temer-Sartori, que tanto apoiaram, afinal “qualquer coisa era melhor do que o Petê”.

    O que vejo é um monte de gaúcho louco pra votar no Sartori, achando que ele é um coitadinho que está tentando resolver os problemas do Estado. Afinal, “Meu Partido é o Rio Grande”;

    O que vejo é um monte de gaúcho louco pra votar no Bolsonaro. O que vejo é um monte de gaúcho se achando e com vergonha de admitir o quanto é otário, manipulado e trouxa. O que vejo é que gaúcho sofreu e sofre muito pouco pela quantidade de m****a que fez e faz.

     

      • E por acaso escrevi alguma

        E por acaso escrevi alguma mentira? Saia e conviva com a gaúchada pra ver o que eles falam e sentem… 

        Deve viver num universo paralelo, como toda anarquista… Aliás, nunca vi UMA anarquista que fosse lúcida… Muito menos qualquer uma que tivesse capacidade de viver a realidade…

        Mas você, também por não ter o que fazer, vem aqui encher meu saco.

Deixe uma mensagem

Por favor digite seu comentário
Por favor digite seu nome