Lula critica vitória de “não políticos” e dá apoio a protestos de estudantes

Lula na cidade de Buri, visitando o campus Lagoa dos Sinos, da Universidade Federal de São Carlos. O terreno foi doado à UFSCar pelo escritor Raduan Nassar duante o governo do ex-presidente. Acompanhando Lula e Nassar, Eduardo Suplicy. Foto: Ricardo Stucker

Jornal GGN – Em passagem por uma universidade federal no interior de São Paulo, a UFScar, o ex-presidente Lula falou pela primeira vez sobre política após o fim das eleições 2016, disputa da qual o PT saiu com quase 60% menos prefeitos eleitos numa comparação com 2012. Lula fez críticas indiretas ao mote de vários candidatos, de negação à política, e deu apoio moral aos estudantes que têm ocupado escolas contra a PEC do teto dos gastos e a reforma do ensino médio.

Segundo Lula, os estudantes devem debater o que motivou o impeachment de Dilma Rousseff (PT) e o que está por trás da agenda política e econômica que Michel Temer (PMDB) assumiu com o apoio de PSDB e aliados, além da grande mídia.

“Vocês têm de construir uma discussão sobre isso. Por que aconteceu esse golpe no Brasil? Será que por causa do pré sal? Será porque 75% dos royalties iriam resolver o problema da educação? Será que essa coisa tem a ver com o Brasil ter virado protagonista, ter criado o BRICS, um banco internacional? Tem a ver com a UNASUL, MERCOSUL, relações do Brasil com a África? É importante que a gente discuta que o que acontece nesse País nao é por acaso. Tem algo maior acontecendo”, disse.

Segundo o ex-presidente, os jovens não devem recuar nem permitir que o direito à manifestação seja podado, entre outros tantos retrocessos. “Se eu que fiz 71 anos e não quero desistir, o jovem não tem motivação para desistir. Toda vezes que vocês estiverem descrentes e assistirem ao Jornal Nacional e ficarem mais desanimados, você tem de ter noção de uma coisa: o político que vai mudar esse País não é o lula. São vocês.”

“Ao invés da gente negar a política”, disse Lula, “a gente tem que fazer política. Porque a desgraça de quem não gosta de política é ser governado por quem gosta. E quem gosta é sempre a minoria, é sempre a elite”, concluiu o ex-presidente.

A frase foi um comentário indireto a dois pontos de destaque na eleição de 2016: a vitória do discurso do “não sou político”, que favoreceu uma série de “outsiders” – empresários, como Joao Doria, ou religiosos, como Marcelo Crivella; e o alto número de abstenções, brancos e nulos, superando, em muitas capitais, o volume de votos depositados nos candidatos que venceram a eleição.

Para Lula, a elite está confiante de que vai fazer o Brasil voltar ao que era décadas atrás, quando os mais pobres não tinham acesso à universidade nem direito de andar em aeroportos e estabelecimentos comerciais. “Esse País foi pensado intelectualmente por uma elite que pensou que 35% deveriam ter tudo e 65%, nada.”

Lula ainda disparou contra a velha mídia, citando a “perseguição” de veículos como a Globo, com produtos como o Jornal Nacional. Nas contas do ex-presidente, de março até aqui, só o JN produziu 14 horas de conteúdo negativo para ele, “achando que falar mal do Lula vai acabar com o Lula”.

“Eu não nasci por causa deles. Eu, na verdade, existo porque o povo brasileiro foi criando consciência política. Foi buscando direitos, aprendendo que nada vem de graça, que a gente tem que buscar as coisas”, disse Lula.

O petista tentou demonstrar otimismo, mesmo com os jornais noticiando que o país deu uma “guinada à direita”.

 

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