Não existe nenhum pacto entre Aécio e Eduardo Campos em Minas

Jornal GGN – Não bate a informação veiculada pelo jornal O Globo, de que os presidenciáveis Aécio Neves e Eduardo Campos estariam articulando um pacto para conseguir palanque duplo em Minas Gerais. A informação não é confirmada nem por fontes do PSDB nem do PSB mineiros.

Segundo o jornal:

“De olho nos 15,1 milhões de eleitores do segundo maior colégio eleitoral do país, Minas Gerais, os presidenciáveis Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB) deram passos importantes esta semana para acertar palanques duplos no estado, como forma de fortalecer suas prováveis candidaturas na disputa com a presidente Dilma Rousseff ano que vem. Estão articulando também repetir a fórmula em Pernambuco e São Paulo, maior colégio eleitoral, com 31 milhões de eleitores. A ideia é ter candidatos diferentes aos governos estaduais, onde for possível, ou fazer alianças em torno de um nome, mas dividindo o palanque para os dois presidenciáveis. Assim, acreditam, poderão isolar candidatos governistas, com prejuízo para os palanques da presidente Dilma” (clique aqui).

As evidências, segundo a matéria, seriam a retirada de Walfrido Mares Guia da presidência do PSB mineiro e a indicação do ex-prefeito Pimenta da Veiga para coordenar a campanha de Aécio.

Ambos os movimentos têm outras motivações, conforme o Jornal GGN apurou junto a fontes tucanas do Palácio das Mangabeiras (sede do governo do Estado) e a fontes pessebistas junto a prefeitura de Belo Horizonte (do PSB).

No caso de Walfrido, devido ao fato de publicamente apoiar a reeleição de Dilma e ser o interlocutor mais próximo a Lula no estado. No caso de Pimenta, devido ao fato de Aécio não dispor de um nome forte para a disputa do governo do Estado.

Em ambos os casos, o candidato do PT Fernando Pimentel desponta como franco favorito.

O pacto mineiro

Pelas  características que só existem em Minas, tempos atrás montou-se um pacto político no estado entre a maior liderança do PT – Ministro Fernando Pimentel – com a do PSDB – senador Aécio Neves – para eleger um prefeito do PSB para Belo Horizonte – Márcio Lacerda.

Agora se tem a seguinte situação:

O PSB de Márcio Lacerda apoia Eduardo Campos para a presidência. Mas o antigo presidente do PSB, ex-Ministro Walfrido Mares Guia, é homem de confiança de Lula e apoia a reeleição de Dilma. Walfrido foi indicado vice-presidente do PSB por Márcio Lacerda. Seu pecado maior foi ter promovido um jantar com Lula durante a campanha eleitoral de 2012. Foi isso que determinou sua destituição do cargo e não uma eventual aproximação com Aécio. Foi afastado do cargo, que passou a ser ocupado por Júlio Delgado, filho do antigo peemedebista Tarcísio Delgado. Trata-se de uma operação interna do PSB, sem nada a ver com possíveis futuras alianças, conforme explicou o prefeito Márcio Lacerda ao Jornal GGN.

Márcio poderia sair candidato a governador de Minas. Mas, segundo fontes do PSDB, é hipótese difícil, pelo distanciamento com Aécio, posterior à sua reeleição e por não querer se indispor com Pimentel. O próprio Márcio parece disposto a desistir da carreira política e admite sua candidatura apenas na hipótese – atualmente improvável – de um futuro acordo político com outra forças.

O novo quadro eleitoral

Por sua vez, alguns meses atrás Aécio considerava que ia para o sacrifício, candidatando-se a presidente pelo PSDB, conforme explicou ao Jornal GGN pessoa do círculo íntimo de Aécio. Quando tinha chance – em 2010 – foi atropelado pelos paulistas, reclamava a fonte. Sem chances – como se pensava até algum tempo atrás – era lançado candidato.

Com os episódios das últimas semanas e a queda de popularidade de Dilma, o quadro mudou. Agora, nas hostes de Aécio, acredita-se na sua candidatura. Para impedir a ocupação do espaço por Marina Silva, Aécio tornou-se mais atuante, opinando sobre temas nacionais e buscando montar palanques nos estados. Mas deixou Minas desguarnecida para o PSDB, sem candidato forte para manter o governo sob controle.

Há dois meses, em uma reunião em sua casa, com candidatáveis, Aécio pediu calma, que os candidatos congelassem a disputa e que ele definiria o candidato do partido até novembro. No início, despontaram os candidatos Marcos Pestana e o vice governador Alberto Pinto Coelho. Agora, avaliou-se que ambos têm pouca densidade eleitoral. E Aécio importou de Brasília o ex-Ministro Pimenta da Veiga que, desde que se tornou Ministro de Fernando Henrique Cardoso, fixara residência na cidade.

É quase certo que Pimenta assuma a coordenação da campanha presidencial de Aécio e, possivelmente, a candidatura a governador pelo PSDB. Ou seja, Pimenta chega para suprir a falta de nomes fortes do PSDB e não dentro de um suposto pacto com o PSB.

Afastado há muitos anos de Minas, Pimenta tem pouca penetração junto ao público mais jovem, mas considera-se que deixou boas recordações de seu curto tempo como prefeito – no maior erro político da sua vida, abandonou o mandato para se candidatar a governador e ser derrotado.

Especulou-se que Aécio poderia apoiar Joaquim Barbosa – de quem é amigo pessoal – para governador de Minas. Recentemente Barbosa ganhou a Medalha Tiradentes, entregue pelo próprio Aécio. Mas é mera especulação. Dentre os aecistas, julga-se que, se sair candidato, Barbosa optará pelas eleições para Presidente.

Ao contrário dos políticos, terá até abril do ano que vem para se decidir.

o fator Eduardo campos

A mudança de popularidade de Dilma também afetou os planos de Campos. A ideia é que se lance candidato e aguarde até junho do ano que vem. Caso não cresça nas pesquisas poderá se habilitar a ser vice tanto de Dilma quanto de Aécio.

Como explicou um prócer do PSB, os bons políticos deixam todas as possibilidades em aberto. No PSB logia-se Aécio por trabalhar bem as simbologias, sua noção de timming e simpatia pessoal, que o faz um político querido em Minas. Mas critica-se sua falta de visão de futuro.

Uma das datas de corte é setembro, prazo para os políticos mudarem de partido. Mas o quadro só deverá se definir em junho do próximo ano, nas convenções partidárias que decidirão definitivamente os candidatos.

Luis Nassif

1 Comentário

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  1. Quadro Politico em Minas

    A materia acima parece que não considerou o que podera acontecer com o governador Anastasia. Não citou o seu nome, sendo importante também analisar as sua pretenções politicas pois estas poderão ter influencia sobre o quadro.

     

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