Nas quatro últimas eleições, presidente foi decidido no segundo turno


Foto: Divulgação

Da Agência Brasil

As convenções partidárias confirmaram 13 candidatos à Presidência da República – o segundo maior número desde 1989, quando foram 22 concorrentes, já que o comunicador Silvio Santos teve a candidatura impugnada. Neste período, somente o PSDB e o PT disputaram todas as eleições presidenciais com candidatos próprios.

Partido com maior número de filiados – 2,4 milhões -, o MDB não tinha candidatura própria há quatro eleições. Depois que o ex-governador de São Paulo e ex-presidente do partido, Orestes Quércia, ficou em quarto lugar na disputa de 1994, o MDB transitou entre chapas do PSDB e do PT – legendas que monopolizaram as eleições desde aquele ano.

Após o lançamento do Plano Real, o tucano Fernando Henrique Cardoso venceu a eleição no primeiro turno em 1994, com 54,3% dos votos. Naquele ano, o cardiologista Eneas Carneiro (morto em 2007), conhecido pelo discurso agressivo e o bordão “meu nome é Eneas”, surpreendeu o país conquistando cerca de 4,6 milhões de votos, mais do que Quércia e do que o pedetista Leonel Brizola (morto em 2004).

Em 1998, Fernando Henrique Cardoso foi reeleito, novamente vencendo no primeiro turno, com 53% dos votos. Naquele ano, 12 candidatos participaram da eleição presidencial. As eleições de 2002 marcaram o começo da hegemonia do PT: foram quatro vitórias seguidas, todas contra o PSDB.

Luiz Inácio Lula da Silva foi eleito e reeleito em 2002 e 2006. Depois, Dilma Rousseff conquistou o Palácio do Planalto em 2010 e foi reeleita em 2014, mas não completou o mandato.

Nas quatro últimas eleições presidenciais, a decisão veio no segundo turno.

Veja quem são os candidatos a presidente nas eleições 2018:

Álvaro Dias (Podemos) 

O senador Álvaro Dias foi escolhido pelos convencionais do Podemos para ser candidato à Presidência da República. A candidatura do parlamentar pelo Paraná foi oficializada em Curitiba, durante convenção nacional do partido. Na primeira fala como candidato, Álvaro Dias anunciou que, se eleito, vai convidar o juiz federal Sérgio Moro para ser ministro da Justiça, e repetiu a promessa de “refundar a República”.

Ele vai compor a chapa com o ex-presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Paulo Rabello de Castro, cujo partido, o PSC, havia decidido lançar candidatura própria à Presidência, mas desistiu em favor de uma aliança com o Podemos. Além do PSC, fazem parte da coligação até agora os partidos PTC e PRP.

Podemos confirma Álvaro Dias como candidato a presidente da República, nas eleições de 2018

Podemos confirma Álvaro Dias (de camisa azul) como candidato a presidente da República – Podemos/Direitos reservados

Cabo Daciolo (Patriota)

A convenção nacional do Patriota oficializou a candidatura do deputado federal Benevenuto Daciolo Fonseca dos Santos, o Cabo Daciolo. O evento ocorreu no município de Barrinha, no interior de São Paulo. O candidato foi escolhido por unanimidade. A candidata a vice é Suelene Balduino Nascimento, do mesmo partido. Ela é pedagoga com 23 anos de experiência e atua na rede pública de ensino do Distrito Federal.

Daciolo defende mais investimentos em educação e segurança por considerar áreas essenciais para o crescimento do país. Em discurso durante a convenção, Daciolo se posicionou contrário à legalização do aborto e à ideologia de gênero.

Cabo Daciolo é confirmado como candidato do Patriota nas eleições 2018

Cabo Daciolo é confirmado como candidato do Patriota nas eleições 2018 – Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados

Ciro Gomes (PDT)

O PDT confirmou, no dia 20 de julho, a candidatura de Ciro Gomes à Presidência da República, na convenção nacional que reuniu filiados do partido. A chapa é composta com a senadora Kátia Abreu (PDT-TO).

Esta é a terceira vez que Ciro Gomes será candidato à Presidência da República: em 1998 e 2002, ele concorreu pelo PPS. Natural de Pindamonhangaba (SP), construiu sua carreira política no Ceará, onde foi prefeito de Fortaleza, eleito em 1988, e governador do estado, eleito em 1990. Renunciou ao cargo de governador, em 1994, para assumir o Ministério da Fazenda, no governo Itamar Franco (1992-1994), por indicação do PSDB, seu partido na época. Ciro Gomes foi ministro da Integração Nacional de 2003 a 2006, no governo do ex-presidente Lula. Tem 60 anos e quatro filhos.

Brasília: PDT confirma Ciro Gomes como candidato à Presidência da República em  convenção nacional que reuniu filiados do partido. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

PDT confirma Ciro Gomes como candidato à Presidência da República em convenção nacional – Marcelo Camargo/Agência Brasil

Geraldo Alckmin (PSDB)

Em convenção nacional realizada na capital federal, o PSDB confirmou, nesse sábado (4), a candidatura do presidente do partido e ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, à Presidência da República nas eleições de outubro. Dos 290 votantes, 288 aprovaram a candidatura de Alckmin. Houve um voto contra e uma abstenção. A senadora Ana Amélia (PP-RS) é a vice na chapa.

No primeiro discurso como candidato, Alckmin disse que quer ser presidente para unir o país e recuperar a “dignidade roubada” dos brasileiros. Ele defendeu a reforma política, a diminuição do tamanho do Estado e a simplificação tributária para destravar a economia.

Convenção Nacional do PSDB, em Brasília, lança Geraldo Alckmin como seu candidato à Presidência da República.

Convenção Nacional do PSDB, em Brasília, lança Geraldo Alckmin como seu candidato à Presidência da República – José Cruz/Agência Brasil

Guilherme Boulos (PSOL)

O coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores SemTeto (MTST), Guilherme Boulos, foi lançado, no dia 21 de julho, como candidato à Presidência da República pelo PSOL, na convenção nacional em São Paulo. Também foi homologado o nome de Sônia Guajajara, representante do povo indígena, para vice-presidente. 

Boulos destacou que irá defender temas que pertencem aos princípios do partido, como o direito ao aborto e à desmilitarização da polícia. 

O  PSOL confirmou a candidatura de Guilherme Boulos à Presidência da República, na convenção nacional que reuniu filiados do partido

O PSOL confirmou a candidatura de Guilherme Boulos à Presidência da República – Rovena Rosa/Agência Brasil

Henrique Meirelles (MDB)

O MDB confirmou, no dia 2 de agosto, o nome de Henrique Meirelles, ex-ministro da Fazenda, como candidato à Presidência da República. O partido informou que Germano Rigotto, ex-governador do Rio Grande do Sul, será o vice na chapa.

Henrique Meirelles destacou como prioridades investimentos em infraestrutura, para diminuir as distâncias no país, além de saúde e segurança pública. O presidenciável também prometeu reforçar o Bolsa Família. Para gerar empregos, Meirelles disse que pretende resgatar a política econômica, atrair investimentos e fazer as reformas para que o país cresça 4% ao ano. 

O ex-ministro Henrique Meirelles durante convenção Nacional do MDB em Brasília.

Convenção Nacional do MDB confirmou candidatura de Henrique Meirelles – Antonio Cruz/Agência Brasil

Jair Bolsonaro (PSL)

O deputado federal Jair Bolsonaro (PSL-RJ), 63 anos, foi confirmado, no dia 22 de julho, como o candidato à Presidência da República nas eleições deste ano pelo PSL. O vice é o general Hamilton Mourão, do PRTB.

Na convenção, Bolsonaro adiantou que, se eleito, quer excluir o ministério das Cidades e fundir pastas como Fazenda e Planejamento, assim como Agricultura e Meio Ambiente. O candidato prometeu ainda privatizar estatais. 

PSL lança candidatura de Jair Bolsonaro  à presidência da República.

PSL lança candidatura de Jair Bolsonaro à Presidência da República – Fernando Frazão/Agência Brasil

João Amoêdo (Partido Novo)

João Dionisio Amoêdo foi oficializado candidato à Presidência da República pelo Partido Novo durante convenção na capital paulista, no dia 4 de agosto. O cientista político Christian Lohbauer foi escolhido como candidato à vice-presidente. Entre as principais propostas de Amoêdo estão equilibrar as contas públicas, acabar com privilégios de determinadas categorias profissionais, melhorar a educação básica e atuar fortemente na segurança. O presidenciável também é favorável à revisão do Estatuto do Desarmamento.

João Amoêdo disse que quer levar renovação à política e mudar o Brasil. O presidenciável defendeu a privatização de empresas estatais.

Partido Novo confirma João Amoêdo como candidato a presidente

Partido Novo confirma João Amoêdo como candidato a presidente – Rovena Rosa/Agência Brasil

João Goulart Filho (PPL)

O PPL lançou, no dia 5 de agosto, João Goulart Filho como candidato à Presidência da República. Ele é filho do ex-presidente João Goulart, o Jango, que teve mandato presidencial, de 1961 a 1964, interrompido pela golpe militar. É a primeira vez que João Goulart Filho concorre ao cargo. 

O candidato a vice é Léo Alves, professor da Universidade Católica de Brasília. Algumas propostas do candidato são a redução drástica dos juros da dívida pública para dar condições ao Estado de investir no desenvolvimento social, o resgate da soberania, o controle das remessas de lucros das empresas estrangeiras e a revisão do conceito de segurança nacional.

PPL lança João Goulart Filho a candidato a presidente nas eleições de 2018

João Goulart Filho concorrerá a presidente pelo PPL – PPL/Direitos reservados

José Maria Eymael (DC)

O partido Democracia Cristã (DC) confirmou, no dia 28 de julho, durante convenção na capital paulista, a candidatura de José Maria Eymael à Presidência da República, nas eleições de outubro, e do pastor da Assembleia de Deus Helvio Costa como vice-presidente.

Na área econômica, as diretrizes gerais de governo do DC incluem política macroeconômica orientada para diminuição do custo do crédito ao setor produtivo, apoio e incentivo ao turismo e a valorização do agronegócio com ações de governo específicas, que ainda não foram divulgadas, e apoio aos pequenos e médios produtores rurais.

Convenção Nacionald do Partido Social Democrata Cristão lança Eymael como seu nome para a disputa pela Presidência da República

Convenção Nacionald do DC lançou Eymael como seu nome para a disputa pela Presidência da República – Bruno Murashima/DC/Direitos Reservados

Luiz Inácio Lula da Silva (PT)

A convenção nacional do PT escolheu, por aclamação, no dia 4 de agosto, o nome de Luiz Inácio Lula da Silva para ser o candidato à Presidência da República. O encontro também homologou o apoio do PCO e do PROS à candidatura do PT. O vice é o petista Fernando Haddad, que foi ministro da Educação e prefeito de São Paulo. 

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva está preso em Curitiba, desde 7 de abril, após ter sido condenado em segunda instância no caso do triplex de Guarujá. O ator Sérgio Mamberti leu, na convenção, uma carta escrita por Lula, onde ele afirmou que “querem fazer uma eleição presidencial de cartas marcadas, excluindo o nome que está à frente na preferência popular em todas as pesquisas”.

Convenção Nacional do PT para lançamento da candidatura de Lula para presidente, na Casa de Portugal.

Convenção nacional do PT escolheu Lula para candidato a presidente – Rovena Rosa/Agência Brasil

Marina Silva (Rede)

A primeira convenção nacional da Rede Sustentabilidade confirmou, por aclamação, no dia 4 de agosto, o nome Marina Silva como candidata da sigla à Presidência da República. O candidato à vice na chapa, o médico sanitarista, Eduardo Jorge, do Partido Verde (PV), também foi apresentado oficialmente no encontro. 

A presidenciável prometeu uma campanha limpa, sem notícias falsas e sem destruir biografias. Se comprometeu com as reformas da Previdência, tributária e política, que acabe com a reeleição e incentive candidaturas independentes. Se eleita, Marina também disse que pretende fazer uma revisão dos “pontos draconianos” da reforma trabalhista que, segundo ela, seriam feitas a partir de um diálogo com o Congresso.

Marina Silva e Eduardo Jorge participam de convenção da REDE (Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

Marina Silva é confirmada candidata a presidente pela Rede  – Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Vera Lúcia (PSTU)

Em convenção nacional, o PSTU oficializou, no dia 20 de julho, a candidatura de Vera Lúcia à Presidência da República e de Hertz Dias como vice na chapa. A escolha foi feita por aclamação pelos filiados ao partido presentes na quadra do Sindicato dos Metroviários de São Paulo, na zona leste da capital paulista.

De acordo com Vera Lúcia, o plano de governo prevê reforma agrária, redução da jornada de trabalho sem redução de salário e um plano de obras públicas para atender as necessidades da classe trabalhadora. 

O PSTU decidiu que não fará nenhuma coligação para a disputa presidencial, nem alianças nas eleições estaduais.

Vera Lúcia do PSTU

Vera Lúcia é a candidata do PSTU – Romerito Pontes/Direitos Reservados

 

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2 comentários

  1. O Haddad é favorito pra

    O Haddad é favorito pra chegar num segundo turno, mas é mais favorito ainda pra perder nesse segundo turno, de qualquer um dos candidatos, o desastre é previsível, já tá no preço inclusive dos ativos do mercado financeiiro, é só dar uma olhada no Ibovespa.

  2. Haddad é a legitimação e do golpe e do picolé de chuchu

    Se dependesse de uma liderança sindical nascida em terras paulistas, JAMAIS o PT conseguiria ser o partido operário de massas, que levou o operário e dirigente sindiacal Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência da República, sendo tão bem sucedido que deixou o governo com 96% de aprovação (entre os que consideravam ótimo, bom ou regular o desempenho do Presidente Operário e o governo por ele chefiado), conseguindo a façanha de eleger como sucessora a então Ministra Dilma Rousseff, das Minas e Energia, que NUNCA havia disputado um cargo eletivo.

    Mas foi São Paulo o estado da federação mais agraciado com investimentos e incentivos federais (desde a era Getúlio Vargas, depois com Juscelino, sendo que esses presidentes fizeram essas generosas concessões ao estado dos bandeirantes escravocratas e exterminadores de índios e negros com o objetivo de conter levantes golpistas e separatistas, como ode 1932, chamado entre os paulistas de “revolução constitucionalista”) e foi na capital e cidades metropolinas circundantes dessa que surgiu uma massa operária que se organizou em sindicatos fortes, cuja atuação mais intensa, a partir de meados da década de 1970, ajudou a enfraquecer o regime da ditadura militar-empresarial então vigente. A atuação dos sindicatos se intensificou quando os EEUU começaram a retirar o apoio ao regime militar, então encabeçado por Ernesto Geisel, que tinha um viés nacionalista-desenvolvimentista de médio e longo prazo (PND) e via no setor estatal (sobretudo de petróleo e energia) alavancas para o desenvolvimento do País.

    A trajetória de Lula é bem conhecida e dispensa descrições mais detalhadas. Sem o pau-de-arara Lula não haveria o PT nem Esquerda Social-Democrata com viabiliade eleitoral, capaz de leger presidente da república e governar incluindo os secularmente explorados e excluídos pelo capitalismo periférico e neocolonial. Os colonizadores postergaram em 18 anos a chegada de um líder sindical-popular-político à presidência do Brasil; se não houvesse Lula e Brizola, os militares teriam deixado o poder já em 1983, quando quebraram o Brasil e o País se tornou insolvente e dependente do FMI. Havia então o real risco de o ex-governador gaúcho (eleito governador do RJ em 1982) ou do líder operário do ABC paulista, um ou outro,  ser eleito presidente da república, caso houvesse eleição direta em 1984 ou no início de 1985. Juntamente com o empresariado, os milicos deram outro golpe e adiaram a escolha do presidente por 5 anos, de modo que um modelo neoliberal, privatista e ntreguista fosse capaz de inviabilizar as estatais e a ação do Estado como agente do desenvolvimento do País. Não satisfeitos, a banca, o empresariado vira-lata e entreguista e parte do braço armado do Estado conseguiram inviabilizar a eleição de Lula e Brizola naquela eleição solteira de 1989, emplacando o midiátco e vazio Fernando Collor. Deposto Collor (por um impeachment com todas as características de golpe parlamentar), os setores herdeiros e representantes da casa grande não só enquadraram Itamar Franco, vice-presidente que assumiu após a deposição de Collor, como impuseram-lhe como ministro da fazenda o pseudo-intelectual, privatista e entreguista Fernando Henrique Cardoso, que se incumbiu de desmontar o Esatdo Brasileiro, inviabilizando completamente o desenvolvimento soberano e inclusivo (nos 8 anos de governo neoliberal de FHC houve contínua redução da renda média do trabalho, aumento do desemprego, da pobreza, da miséria e exclusão social).

    Em 2002, o governo neoliberal de FHC estava com a popularidade na lona e o Brasil novamente insolvente, três vezes quebrado que foi durante a era da privatifaria tucana. Os donos do poder real (banca financeira internacional e nacional, empresariado vira-lata e oligarquias da colônia, Deep State estadunidense) concederam, então, à Esquerda “bem comportada”, o PT, a chance de eleger Lula, desde que não fossem questionadas ou desfeitas as negociatas da privatifaria. Aquela “Carta aos Brasileiros”, de meados de 2002, era o cabresto que Lula se deixava colocar, para que pudesse concorrer e vencer a eleição presidencial (cujo sistema eletrônico, viciado, manipulável, fraudável e não auditável sempre esteve e continua nas mãos de famílias donas do poder desde a época da escravatura formal, no século XIX; o sobrenome da famíla que controla a empresa responsável pelas urnas eletrêonicas é Thompsom Flores, a mesma daquele presidente do TRF-4 que considerou irrepreensível uma sentença condenatória sem provas contra Lula, que ele sequer havia lido).

    Nunca houve uma investigação e o fato das urnas eletrônicas usadas no Brasil serem de 1ª geração (verdadeiras carroças, portanto), sem o registro impresso do voto – portanto não passíveis de auditoria – levantam fotíssimas e muito bem fundamentadas suspeitas de que quase todas as eleições são fraudadas. Mesmo considerando o eleitoreiro “Plano Real”, lançado em meados de 1994, visando impedir a eleição de um candidato de esquerda – sobretudo Lula e Brizola – não é crível que, passados 5 anos, o número de votos válidos na eleição presidencial (62,25 milhões) pudesse ser menor que o verificado em 1989 (67,63 milhões); o número de pessoas aptas a votar era de 82,07 milhões em 1989 e de 94,72  milhões em 1994. A maior evidência de fraude nessa eleição é o quase inexpressivo número de votos obtidos por Leonel Brizola (2.015.836 – 3,19%) frente aos significativos 11.168.228 (16,51%) votos obtidos por ele em 1989. Cabe observar que o nº de votos brancos, nulos e abstenções saltou de 11,93 % em 1989 para 18,79% em 1994. FHC foi eleito em 1994 com apenas 34.314.961 votos ou 36,22% do total de votos possíveis; essa votação de FHC foi apenas 10,4% superior à obtida por Lula, no 2º turno de 1989.

    A eleição de 1998 é aquela marcada pelo escândalo da compra de votos para emenda que instituiiu a reeleição, no ano anterior. O objeto claro dessa emenda era dar tempo ao governo neoliberal de FHC para desmontar o Estado Brasileiro e concluir o projeto privatista e entreguista iniciado por Collor e alavancado no primeiro mandato, para que  a Esquerda encontrasse uma terra arrasada e não fosse capaz de desfazer a pilhagem e desmonte já consolidados. Nessa eleição nº de votos obtidos por HC foi de 35.936.540, 4,73% superior ao obtido em 1994. Essa votação de FHC corresponde a apenas 33,87% do total possível. Vale dizer que o vice de Lula em 1998 foi Leonel Brizola.

    Ante o exposto fica nítido que o modelo eleitoral, assim como o sistema de votação eletrônica e não auditável usado no Brasil há mais de 20 anos, não se mostram confiáveis, sendo sujeitos a manipulações não auditáveis, sobretudo no processo de totalização de votos, como verificado em 1982, quando teve início o uso de computadores nesse processo. É muito provável que Leonel Brizola tenha tido uma votação muito mais expressiva em 1994 do que a que lhe foi atribuída pelas urnas eletrônicas; o anormal crescimento do número de nulos brancos e abstenções (entre 1989 e 1994) também não encontra razões lógicas que se possam embasar na falácia de que o comparecimento maciço verificado em 1989 não poderia se repetir em eleição posterior, já que a eleição solteira de 1989 ocorrera 29 anos após a última presidencial. Com suas forças políticas somadas é improvável que Lula e Brizola fossem derrotados em 1º turno pelo tucano neoliberal FHC.

    Pela leitura que faço, sem fraudes Lula teria vencido em 1º turno as eleições de 2002 e 2006. Em relação a 2010 não tenho muitos reparos a fazer. Na de 2014 a fraude foi escancarada e Gilmar Mendes chegou a telefonar para Aécio Cunha, comunicando-lhe a vitória. Aécio e sua entourage chegaram a abrir champagne par comemorar (Luciano Huck estava lá). Mas a avassaladora vantagem conseguida por Dilma no Nordeste não foi possível de ser suplantada pelas manipulações e fraudes realizadas em SP. O resto da história e o golpe em curso não necessitam de maior descrição. 

    Notem os leitores que o “sistema” sempre se valeu de fraudes e manipulações – às vezes mais explícitas, às vezes mais discretas – para impedir a Esquerda de chegar à Presidência da República, ou se lá chegar, não conseguir governar e ficar a reboque dos donos do poder real. Mesmo nesse cenário hostil Lula e o PT consegfuiram vencer 4 disputas; isso despertou nos donos do poder essa fúria golpista e a total perda de pudor. A cooptação do sistema judiciário (hoje evidente, escancarada) mostra que por meio de disputas minimamente democráticas e transparentes, a direita golpista, oligárquica, plutocrata, escravocrata, cleptocrata, privatista e entreguista tem e terá sempre muitas dificuldades para conquistar a presidência da república.

    Essa matéria – aparentemente despretenciosa –  da Agência Brasil, republicada acriticamente na chamada “blogosfera progressista”, que se esforça por convencer eleitores e militantes ada Esquerda de que o desastroso [des]acordo nacional imposto pelo Diretório Nacional do PT, ceifando a candidatura de Marília Arraes ao governo de PE (que se mostrava mais do que viável) e a reeleição de Vanessa Graziotin como senadora pelo PCdo B do Amazonas foi “uma sacada brilhante” do preso político trancafiado numa cela curitibana, o Ex-Presidente Lula, é de uma desfaçatez e desonestidade intelectual inomináveis. Fernando Haddad é apenas um técnico-burocrata-administrador uspiano, integrante do chamado “PT jurídico” ou “PT judicial”, que há cerca de 25 anos vem seqüestrando o DN do partido, sediado em SP; Haddad não tem expressão ou força política para rever quaisquer dos atos de desmonte enteguismo desse governo golpista e quadrilheiro de Michel Temer. Haddad é a versão brasileira de Emanuel Macron, o neoliberal oriundo da finança internacional que destruiu a Esquerda Francesa e, em ritmo acelerado, desmonta o Estado Social Francês, a duras penas erigido desde a II Guerra.

    Haddad tem prestígio e atua como think tank da finança nacional e internacional; basta observar a atuação dele como professor do ISNPER, os encontros dele com executivos da finança nacional e internacional, os encontros dele com FHC (de quem recebeu rasgados elogios), os levantamentos e “pesquisas” eleitorais feitos pela XP Investimentos (braço do Itaú), enchendo a bola do ex-prefeito paulistano, considerando-o o candidato ideal e vitaminando as intenções de voto nele, caso se confirme a impugnação da candidatura do Ex-Presidente Lula… Haddad é o candidato da Direita infiltrado na Esquerda, que de forma camaleônica conseguiu prestígio e notoriedade nacional como Ministro de Estado da Educação. Mas como líder político ele é um completo fracassso, já que na tentativa de reeleição, em 2016, foi humilhado por João Dória (um lobista e marqueteiro da política que se vendia como “gestor”), sendo derotado em 1º turno, sem conseguir sequer 20% dos votos. Naquele eleição o nº de brancos, nulos e abstenções foi superior à votação obtida por João Dória, deixando claro qu o eleitor da Esquerda e do PT deixou de comparcer à urna, devido não só à criminalização da política, da Esquerda e do PT pelo PIG/PPV e pela ORCRIM Fraude a Jato, mas também pela inexpressividade e nulidade política do então prefeito de São Paulo, que tentava se reeleger pelo partido.

    Com Haddad candidato, o PT e a Esquerda pó-de-arroz aceitam legitimar o jogo dos golpistas, privatistas e entreguistas. Como se isso não bastasse, usam o nome de Lula, para herdar o espólio político do Ex-Presidente, que deve passar o resto da vida numa masmorra curitibana.

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