O debate entre os pré-candidatos do Psol à Presidência, por Roberto Bitencourt da Silva

Na sequência das imagens, Hamilton Assis, Nildo Ouriques e Plinio de Arruda Sampaio Jr.

O debate entre os pré-candidatos do Psol à Presidência 

Por Roberto Bitencourt da Silva*

Na noite dessa sexta-feira (22/12), o Psol promoveu, pela internet, um debate público de ideias entre três dos seus pré-candidatos à Presidência da República.

Mediado pela ex-deputada federal Luciana Genro, o debate contou com a participação do pedagogo Hamilton Assis, baiano, ex-dirigente da CUT e ativista do movimento negro; do economista Nildo Ouriques, catarinense e professor da UFSC; e de Plínio de Arruda Sampaio Jr., paulista, também economista e professor da Unicamp.

A exposição de ideias e de diagnósticos dos problemas brasileiros transcorreu em nível elevado. Basicamente, todos os candidatos consideram a necessidade de que o partido ofereça não apenas uma alternativa eleitoral à esquerda, como também uma estreita interlocução com a população brasileira, sobretudo as classes populares, para além do calendário da eleição, de modo a prover uma visão de Brasil dotada de conteúdo programático.

Foi enfatizado ainda, pelos três postulantes à indicação partidária, que os trabalhadores e demais segmentos espoliados e oprimidos da sociedade constituam-se em agentes de mudanças, recuperem o protagonismo político e cidadão.

Assista ao vídeo: 

https://www.youtube.com/watch?v=Ue51Eeb2ugM&feature=youtu.be

Na ótica de Plínio de Arruda Sampaio Jr., o Brasil “vive uma crise grave, de grande envergadura, que se abate sobre todas as dimensões da vida nacional”, chamando a atenção para “o desmantelamento da indústria brasileira”, que seria traduzido pela “inserção subalterna do Brasil na nova divisão internacional do trabalho”.

Destacou também a prevalência de “uma crise social profunda, uma crise de desemprego aberto”, de um “estado de sítio sobre as periferias”. Sampaio Jr. avalia que o País está sendo convertido em uma “megafeitoria moderna”.

Por sua vez, Hamilton Assis considera necessário “reafirmar” a bandeira da “revolução socialista nesse País”, a partir de questionamentos feitos à “domesticação da classe trabalhadora”, encetada pela estratégia de “conciliação de classes” do PT e seus aliados.

Assis salientou que os conservadores que deram o “golpe jurídico-parlamentar” estão a impor “reformas” que promovem retrocessos sociais, trabalhistas e no Estado brasileiro, tendendo a nos “levar ao século XIX”.

Na perspectiva de Nildo Ouriques, “o sistema político colapsou”. Acentuou que “o Congresso Nacional é incapaz de expressar o desejo e a vontade da maioria da população”, tratando-se de um “Congresso rechaçado” por essa mesma maioria.

Entende ainda que há necessidade de uma “renovação das práticas dos movimentos sociais, sindicais”, ainda presos na lógica da “conciliação de classes do PT com a burguesia”. Porém, segundo Ouriques, em suas “andanças pelo País”, tem percebido que os movimentos “sabem que não podem ter as suas reivindicações atendidas” por um “Estado capturado pela financeirização mais absurda, pelo rentismo mais descarado”.

Importa observar que o debate foi realizado após a publicação de uma carta aberta redigida por Nildo Ouriques à direção do Psol. O pré-candidato demonstrou grande descontentamento com o que avalia ser uma desconsideração da cúpula partidária com o debate interno das pré-candidaturas. Criticou a expectativa depositada por setores da cúpula com a eventual candidatura do líder do MTST, Guilherme Boulos, que não é filiado ao partido.

Durante o debate transmitido online, os pré-candidatos não deixaram de demonstrar o mesmo desconforto, sublinhando a importância da valorização do debate democrático e do respeito ao envolvimento e à participação da militância e dos simpatizantes no processo decisório de escolha do candidato à Presidência.

*Roberto Bitencourt da Silva – historiador e cientista político.

 

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