Pernambuco vota em Lula e Haddad e rejeita Bolsonaro

Diretora de pesquisa na região disse estar surpreendida com a capacidade de transferência de votos de Lula a Haddad no estado 
 

Foto: Ricardo Stuckert
 
Jornal GGN – O nível de rejeição contra o candidato da extrema-direita Jair Bolsonaro (PSL) chama a atenção no estado de Pernambuco tanto quanto as intenções de votos dos habitantes a Fernando Haddad, mesmo distante de conhecer a gestão do ex-prefeito de São Paulo, quando apoiado por Lula.
 
Foi o que mostrou a pesquisa da Datamétrica, dirigida por Analice Amazonas, na região. “Fernando Haddad, que tem somente 2% das intenções estimuladas de voto, salta para 16% quando apresentado como candidato ‘com apoio de Lula’, e vence todos os adversários, nas estimuladas de primeiro e segundo turnos”, foi a conclusão da pesquisadora.
 
O levantamento que foi feito em julho deste ano também ressalta a grande rejeição dos pernambucanos a Bolsonaro: é o candidato com maior quantidade de eleitores (55%) que não votariam de jeito nenhum nele. Depois dele, a pesquisa mostrava Collor (42%), que não está mais na disputa à Presidência.
 
E também com grande nível de rejeição, em julho, 36% dos eleitores afirmaram que não votariam no tucano Geraldo Alckmin. 
 
Se o ex-presidente Lula atrai posições extremas por todo o país, com favoráveis e contra, em Pernambuco, o ex-presidente é o que tem menos índice de rejeição, 12%. E em segundo lugar, Fernando Haddad, com 25%.
 
Mas os pernambucanos já sabem: se Lula for impedido de participar das eleições este ano, grande parte de seus eleitores irá migrar para o hoje confirmado vice, Haddad. 
 
E a capacidade de transferência de votos no Estado surpreende, não somente porque a sua capita, Recife, está a mais de 2.700 quilômetros de distância de onde Haddad governou, a capital paulista. Mas também porque aumenta em 14 pontos percentuaisi os votantes em Pernambuco do ex-prefeito para presidir o país.
 
“A pesquisa feita talvez supere a expectativa da maioria daqueles que acompanham as tendências eleitorais”, manifestou Analice Amazonas, a sócia-diretora da Datamétrica Pesquisa e Consultoria Econômica, ao Diário de Pernambuco.
 
“Embora se soubesse que Lula é um nome de peso elevadíssimo no estado, além dele despontar em primeiro lugar nas simulações de primeiro e segundo turnos que supõem seu nome na disputa, ele demonstra uma capacidade de transferência de votos de dimensões espantosas”, completou.
 
Para ela, essa capacidade muito forte de transferência de votos por Lula é algo “sem precedentes”. “O protagonismo de Lula nestas eleições, estando ele dentro ou fora da prisão, será provavelmente sem precedentes. A rejeição baixíssima dele, a menor dentre todas as registradas na pesquisa, a aposta dos eleitores de que ele será candidato, a disposição de votar no candidato que ele apoiar, tudo isso sinaliza que a oposição ao candidato do PT, aqui em Pernambuco, terá dificuldade em emplacar um nome que supere essa força”, resumiu.
 
Não à toa, na outra ponta, o candidato que lidera o placar de rejeição, Jair Bolsonaro teve no mês passado apenas 10% das intenções de votos no Estado, e Lula mantinha 59%, ainda que quase um terço dos entrevistados (28%) já achassem que o ex-presidente não poderá disputar as eleições. 
 

7 comentários

  1. Estranhamente, outro instituto em Recife cancelou pesquisa

    foi o da UNINASSAU. num momento em que ,provavelmente, a pesquisa (de credibilidade anterior) mostraria Marília Arraes à frente para o governo do estado. Porém, as negociações tiraram ela do páreo para apoiar o PSB do atual governador (que apiou o golpe).

    Infelizmente, não confio nesta pesquisa dos donos do Diário de Pernambuco. Tomara que seja.

    Mas o que vejo é pessoas dizerem que votarão em branco, anularão, ouB olsonaro, ou Lula, ou Ciro.

    É muito cedo pra se fazer tal pesquisa mais rigorosa.

  2. O tiro dos Jateiros saiu-lhes pela culatra

    Diz o Hélio Gurovitz:

    ” Em todos os cenários em que seu nome é apresentado ao eleitor, Lula lidera as pesquisas de intenções de voto. A operação lava jato alimentou o discurso de vitimização ne resgatou sua popularidade do limbo. O poder de transferência de votos a Haddad será testado na urna no dia 7 de outubro. Não é absurdo supor que ele seja alto”.

    Os Jateiros devem estar passando vaselina nos próprios esfincteres.

  3. Quanto ilusionismo!

    Não é preciso pesquisa para saber que Bolsonaro tem enorme rejeição no Nordeste. Analogamente nã é preciso pesquisa para saber que Lula detém a esmagadora maioris das intenções de voto, não só em Pernambuco, mas em todos os estados do Nordeste. Alckmin, o candidato do establishment golpista, é assim corretamente identificado pela maioria dos nordestinos, tirante as casats pertencentes às oligarquias locais. 

    Haddad tem baixa rejeição porque é pouco conhecido. Mas sem associá-lo ao Ex-Presidente Lula ele tem traços de intenção de voto, apesar de ter sido por mais de 5 anos Ministro de Estado da Educação e ter tido bom desempenho nessa pasta. A falta de carisma, verve e liderança de Haddad faz dele apenas o “poste” de Lula, pois por si próprio o ex-prefeito paulistano não empolga e não se mostra capaz de conquistar o apoio e o voto do eleitor do Brasil profundo. No sul  e grande parte do sudeste do País, fascistizados e tomados pelo ódio a Lula, ao PT e à Esquerda, é improvável que Fernando Haddad consiga herdar votos do eleitorado lulista, menos ainda conquistar eleitores indecisos ou optantes pelo campo golpista ou pela extrema direita nazifascista.

    Esse tipo de pesquisa, divulgado dois dias após a oficialização de Fernando Haddad como “Plano B”, serve apenas para enganar incautos. FH não tem carisma, liderança e “pegada” de candidato presidencial; ele apenas servirá para legitimar a vitória de Geraldo Alckmin, o candidato do establishment golpista  que está destruindo o Brasil.

  4. CONFIRMADA A NECESSIDADE DE ESTRATÉGIA AMPLA

    Os resultados da pesquisa  realizada em Pernambuco pelo Datamétrica indica o elevado grau de transferência da votação para Haddad com o apoio de Lula.

    E este elevado grau de transferência de votos será tanto maior quanto mais se divulgar o apoio de Lula ao candidato a presidente que deverá ser indicado por ele, e crescerá na medida em que forem mais conhecidos os mérito de Haddad, em especial no que tange às excelentes iniciativas da sua gestão em SP.

    Por outro lado, a transferência de votos acima referida irá aumentar ainda mais quando for difundido o entendimento de quo o insucesso na tentativa de reeleição à prefeitura paulistana não diminui o brilho das conquistas resultantes da gestão inovadora do ex-prefeito, bem como de que tal insucesso sofreu pesada influência da  onda anti-petista e fascistóide catalisada em São Paulo em 2016.

    Ademais, será maior a transferência de votos quando forem rebatidas com vigor as críticas feitas por certos militantes sectários contra Haddad, pois fato é que o diálogo com os adversários é importante, não implica em nenhum conchavo indecoroso, e é requisito elementar da postura de estadista, necessária para a condução de sociedades diversificadas.

    Portanto, resta evidenciado que a insistência na tentativa de manter a discussão judicial da candidatura de Lula até a última instância constitui um equívoco, pois reduziria o tempo disponível para divulgar o apoio do ex-presidente a Haddad e as razões da sua indicação como candidato a presidente.

    Além disso, a manutenção da candidatura de Lula sub judice permitiria que o STF procrastinasse o julgamento do recurso que venha a ser ajuizado contra provável decisão desfavorável do TSE e, dessa forma, limitasse de maneira prejudicial a campanha da frente de esquerda na disputa pela presidência, e pudesse depois invalidar a vitória das forças populares, pois o indeferimento ou a cassação da candidatura do líder petista após sua vitória nas eleições iria implicar na realização de novo pleito presidencial, conforme disposto no artigo 224, § 3º, do Código Eleitoral.

    De modo que a idéia de delongar ao máximo a discussão judicial da candidatura de Lula pode vir a invalidar sua vitória no pleito, e, por esta via, acarretar a realização de novas eleições em condições desfavoráveis, posto que a definição dos critérios para realização do segundo pleito ficaria a critério da jostiça, não haveria nenhuma garantia de tempo para nova campanha eleitoral, e poderia ser ainda mais difícil viabilizar outra vitória das forças populares num contexto tão adverso.

    Por todos os motivos acima explicitados, é recomendável driblar as inúmeras chicanas judiciais que favoreceriam a direita golpista, através de deliberação de Lula que sustente o registro da candidatura Haddad-Manuela, para que a campanha eleitoral siga no ritmo adequado à conscientização e mobilização dos eleitores, pois é preciso lembrar que a pré-campanha é agora tão importante quanto a campanha oficial, e que o amplo debate acerca da plataforma política e das propostas concretas para o programa de governo é imprescindível para garantir a vitória na eleição presidencial e maximizar a formação de maioria parlamentar, indispensável para sustentar a viabilidade do próximo governo.

  5. fake news

    o Diário de Pernambuco não tem credibilidade (pro meu gosto), nem o Datamétrica ligado ao Diário. Mas pelo jeito o Diário vai ter mais espaço neste blog. Aliás, a imprensa em Recife não tem. E por aí vai a luta política espalhando pesquisas. Lamento dizer que, apesar de ser muito cedo, por aqui houve pesquisa (Uninassau) que apontou que metade do eleitorado de Lula migra pra Bolsonaro (não é eleitorado politizado – e quem é neste país? Uma meia dúzia que se acha, e metade desta que é. [Hoje, por exemplo, num restaurante japonês de classe média em Recife, na mesa de trás, ouvi declarações de voto em Bolsonaro. É nisso que dá não ter havido nas ditas esquerdas amplitude e renovação, mas rasteiras não faltaram ao longo do tempo ]

    • Pro meu gosto, só DataFalha e Ibope têm credibilidade

      Apesar de nenhum deles ter previsto a vitória do Tucano Doriana em Sampa no 1º turno.

      “Hoje é sex-feira, dia 7 de setembro. Considerando a margem de erro do Ibope, feliz Páscoa!”

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