Planos de Bolsonaro, por Sergio da Motta e Albuquerque

Foto UOL

Planos de Bolsonaro, por Sergio da Motta e Albuquerque

É duro acreditar que Lula não conseguiu transferir todos o seu potencial eleitoral para Fernando Haddad. Mais difícil ainda é aceitar que muitos de seus antigos eleitores agora apoiaram o ex-capitão. O defensor de Brilhante Ulstra, o torturador. Um dos maiores párias da nossa política até 2014, ele foi melhor no Nordeste que Haddad no Sul, Norte, Sudeste e Oeste. Manteve um bom número de votos. Neste país, os eleitores não votam em em partidos ou ideias, mas em personalidades.

Bolsonaro não é o melhor exemplo delas, mas tem o suficiente para a situação: ele fala grosso e faz cara de mau. Já foi militar e sabe atirar com um rifle. Diz que vai acabar com o crime. Que vai trazer segurança. Duvido. Ele nunca disse como vai operacionalizar nenhuma de suas promessas de campanha. Surfando a onda do momento, ele acredita não precisar de mais nada para governar.

Lula está preso. Isso basta, para ele e para muitos, para desqualificar Haddad como fantoche de um “presidiário”. E Bolsonaro – assim como Sérgio Moro – não debate com condenados pela justiça. Ele não precisa debater nem apresentar planos de governo. Seus eleitores passaram a ele um cheque em branco. Que prometeu resolver os problemas do Brasil na força bruta e na vontade do macho. O Brasil vai pagar caro por sua escolha emocional e irracional.

Bolsonaro não vai comentar planos de governo com Haddad porque não tem nenhum. Mesmo assim, o dólar ensaia agora a recuperação de sua queda, e o mercado financeiro explode em alegria e lucros. Para onde vai a economia brasileira em prazo mais longo, ninguém mais sabe.

4 comentários

  1. O Pais a beira do CAOS

    O pais está na UTI, vamos a caminho das trevas se este monstro fascista vencer. #elenunca. Militares de um lado, togados de outro e jaleco branco na frente. Nisso tudo acima de tudo a MAÇONARIA. Estamos literalmente nas TREVAS. É o caos.

  2. Como ficarão os planos

    Se a investigação mostrar o que não deve: 

    “O Ministério Público Federal (MPF) em Brasília abriu Procedimento Investigatório Criminal (PIC) para investigar o economista Paulo Guedes, conselheiro econômico do presidenciável Jair Bolsonaro (PSL). A informação foi revelada pelo jornal Folha de S.Paulo e confirmada pelo jornal O Estado de S. Paulo.

    Chamado de “Posto Ipiranga” pelo presidenciável e indicado como ministro da Fazenda em caso de vitória de Bolsonaro, Guedes é suspeito de cometer crimes de gestão fraudulenta e temerária à frente de fundos de investimentos (FIPs) que receberam R$ 1 bilhão, entre 2009 e 2013, de fundos de pensão ligados a empresas públicas. Também será apurada a emissão e negociação de títulos imobiliários sem lastros ou garantias.

    https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/agencia-estado/2018/10/10/mpf-investiga-guedes-economista-de-bolsonaro-por-suspeita-de-fraude-em-fundos.htm

  3. O momento do segundo turno no Brasil

    Acho que ainda há tempo para uma virada em prol da derrota do fascismo: eleger Haddad e pressionar o Congresso Nacional para impedir retrocessos, fazendo avançar então pautas de lutas por direitos sociais. A hora é esta. Avante, sem esmorecimento, por uma consciencia nacional de luta solidária!

  4. Por que acho que perderemos

    Ou talvez ainda não, se soubermos chegar aos corações e mentes de antigos eleitores petistas e que hoje estão convictos de que o voto em Bolsonaro é a cura para os grandes males do país, e que, ainda por cima, passaram a acreditar que, destes, o maior mal é o PT.

    Mas confesso que acho difícil. Muito difícil.

    Mas é por acreditar que por nos restarem ainda 2 semanas e meia, e que neste intervalo alguma coisa pode ainda ser feita, revirando de cabeça para baixo o tom da campanha, a fim de resgatarmos tanta gente, já tão sofrida, que se constiuirão nas primeiras vítimas de um período negro que se avizinha que faço o relato abaixo.

    Vou tentar repetir de memória o diálogo que tive hoje com um porteiro, negro, morador em favela, pessoa educada, embora sem muita escolaridade, sempre solícita, sorridente, enfim, aquele tipo que costumamos chamar de uma boa pessoa.

    Não gosto de sair expressando/impondo a minha opinião política, principalmente a quem é de camada social mais desfavorecida, por que sei que muitas madames (reconheço que estou sendo preconceituoso, mas a imagem é esta mesmo) usam e abusam deste poder “de convencimento” e não quero me igualar a elas, e por que sei que muitas vezes, se não tomarmos cuidado, corremos o risco de nos mostrarmos arrogantes, tipo “nós sabemos mais do que eles”. 

    Mas não tive opção. A conversa foi provocada por um outro porteiro nordestino e que, como eu, também vai votar em Haddad, e que me usou como argumento de autoridade para convencer o colega.

    Claramente, o assunto foi levantado como uma provocação, criando uma pequena saia justa inesperada que eu tive que administrar na hora.

    A resposta à provocação deste segundo porteiro foi uma declaração séria e muito firme de que o voto dele seria para Bolsonaro. Disse que sempre tinha votado no PT, mas que se decepcionou e que agora não votaria mais.  Reconhecia que o PT fez muita coisa boa, mas que é preciso mudar tudo o que está aí por que não pode mais continuar assim. 

    Questionei-o sobre votar em alguém que já deu diversas declarações racistas, se ele como negro não se importava. Ele mostrou saber disso, mas argumentou que achava que era como um cão que ladra, mas que não morde. Sabe que Bolsonaro é um cara esquentado, mas que é disso que o Brasil precisa para dar um jeito de uma vez.

    Em seguida fez uma misturada sobre Lei Rouanet, direito de portar arma para se defender de bandido, que as forças armadas são respeitadoras da Constituição, que Haddad iria soltar o Lula juntamente com um monte de presos… etc..

    Diante de uma saraivada dessas, costuma ser muito difícil argumentar pois cada tópico é um tópico, o que exige argumentos específicos para cada um.

    Disse-lhe que não era verdade que Haddad iria soltar o Lula. Lula já tinha afirmado não querer indulto e Haddad já tinha declarado publicamente que não o faria, até por que não teria o poder para isso.

    Ele pareceu um pouco confuso quando eu disse que não era verdade, uma vez que tinha recebido em seu grupo de whatsapp, proveniente de um policial, um vídeo, que ele fez questão de me mostrar, no qual Haddad discorria sobre a elevada taxa de presos por pequenos delitos e que ele pretendia concentrar as prisões naqueles crimes mais importantes. Argumentei que isso não era uma coisa ruim, tendo em vista a quantidade de crimes de vulto tais como helicópteros cheios de cocaína, e que não conseguem ser acompanhados pela polícia. Pedi para ele repetir o que o Haddad tinha dito no vídeo e ele não conseguiu reproduzir a acusação original.

    Mas ele não se mostrou derrotado. Fez questão de mostrar outro vídeo no qual Haddad dizia que se eleito Lula subiria o palácio junto com ele. Este foi mais difícil de argumentar. Ainda assim, disse-lhe que era uma forma figurativa de falar já que Lula não poderia ser solto. 

    Tentei argumentar, ainda, sobre o perigo de distribuir armas para a defesa pessoal, mas ele estava absolutamente convicto do seu direito de atirar em um bandido se necessário por que a criminalidade está solta e fazendo o que quer.

    Não aprofundei a discussão por que eram muitos os tópicos e tinha receio de causar um sério mal estar com uma pessoa a quem sempre respeitei e com quem teria que conviver passado o período das eleições.

    Bem… o relato acima, que não foi o único caso entre meus conhecidos, mostra como a campanha de Bolsonaro foi bastante hábil e eficiente para chegar com solidez, ainda que com notícias falsas ou meias verdades, aos corações e mentes daqueles que normalmente seriam os eleitores potenciais de Hadadd e do PT.

    Se a campanha de Haddad não der um cavalo de pau (e eu confesso não saber como), a eleição do próximo dia 28 estará perdida, com trabalhadores, negros, mulheres, LGBTs e índios votando alegremente em Bolsonaro.

     

     

     

Deixe uma mensagem

Por favor digite seu comentário
Por favor digite seu nome