Presidenciáveis participam de sabatina sobre o agronegócio

Alckmin e Alvaro Dias defenderam reintegração de posse e chamaram ocupações de “invasão”. Meirelles defendeu créditos de bancos para área rural. Lula não foi convidado, nem um representante do PT
 
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Jornal GGN – Alguns dos presidenciáveis participaram da sabatina promovida pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e pelo Conselho do Agro, nesta quarta-feira (29), em Brasília, para debater, principalmente, propostas para o Agronegócio.
 
Geraldo Alckmin (PSDB), Henrique Meirelles (MDB), Marina Silva (Rede) e Alvaro Dias (Podemos) mostraram suas propostas e responderam a perguntas desde a manhã desta quarta. As apresentações foram feitas individualmente, com a intermediação de produtores rurais e lideranças do setor.
 
Para uma platéia de empresários e produtores rurais, o candidato tucano Geraldo Alckmin se sentiu a vontade para defender a ampliação da medida provisória que proíbe que terra “invadida” seja desapropriada para a reforma agrária. 
 
A proposta do tucano é aumentar de dois para quatro anos a proibição de que áreas rurais ocupadas por movimentos sociais, por exemplo, sejam desapropriadas para o uso da reforma agrária, ou seja, que sejam restabelecidas as funções sociais a estas terras até então sem uso. 
 
A medida provisória também impõe um prazo de quatro anos a mais, em caso de reincidência de ocupações. Para Alckmin, no caso de reincidência, a proibição deve se estender a 8 anos. Diante da plateia, defendeu a proteção à propriedade privada.
 
“Não há hipótese de não ter cumprimento de ordem judicial e, por outro lado, a defesa da propriedade privada”, disse, defendendo também que cobrará de governadores o cumprimento de reintegração de posse, ou seja, devolver espaços ocupados aos proprietários de terra, com a expulsão dos que ocuparam.
 
“Sendo presidente, vou cobrar dos governadores, porque muitas vezes tem decisão judicial de reintegração de posse e que não é cumprida. Se nós não cumprirmos decisão judicial, nós estamos abrindo mão da democracia. Isso é valor, é princípio”, disse.
 
Alckmin também elogiou o agronegócio e defendeu medidas para impulsionar o setor, como impedir a exportação do imposto. “Vamos sentar com estados. O caminho é o diálogo, mas não trazer de volta exportação de imposto, tirando a competitividade dos produtos brasileiros”, afirmou.
 
Também convidado, Henrique Meirelles (MDB) defendeu as reformas tributárias e da Previdência e programas de concessões para estimular todos os setores da economia. “A Previdência brasileira é injusta: é o maior programa da história de transferência de renda dos mais pobres para os mais ricos”, tentou reverter.
 
Defendeu a simplificação de tributos, o aumento no número de bancos que ofertam créditos para área rural e investir em infraestrutura, para construir hidrovias, rodovias e ferrovias.
 
Sobre segurança, Meirelles disse que é preciso enfrentar a violência com inteligência e diz que distribuir armas seria “voltar à situação de selvageria”. 
 
“Não é com volta atrás. Distribuir armas, entendo perfeitamente que pode ser uma primeira tentação. Se o Estado não cumpre a sua obrigação, então me deixa aqui carregar uma metralhadora que vou dar tiro aí em qualquer invasor. Só que com isso nós vamos voltar à situação de selvageria”, afirmou.
 
O terceiro a participar, o candidato do Podemos, Alvaro Dias, manteve o mesmo posicionamento de Alckmin sobre a reintegração de posse: “Essa reintegração sumária de posse está muito lenta. Ela vai além de um ano”, disse, defendendo que a retomada da área aos proprietários de terra deve ser imediatamente após a “invasão”.
 
Dias criticou a defesa do mercado nacional como “gargalos do protecionismo”, ao afirmar que defende acordos comerciais com outros países e não com as “ditaduras boquirrotas da América Latina”, ao se referir as investimentos do BNDES na Venezuela e Cuba.
 
“Queremos que a política diplomática se volte para países do primeiro mundo para celebrarmos a ampliação das nossas relações comerciais, eliminando esses gargalos do protecionismo de lá e de cá”, disse.
 
Ainda, aproveitou o encontro para responder às críticas que vem recebendo por querer que seu ministro da Justiça seja Sérgio Moro. “Reclamam até que eu quero o Sérgio Moro como ministro da Justiça. Eu posso querer, eu tenho o direito de querer. E eu posso convidá-lo. Outros não podem”, ironizou.
 
Após Alvaro Dias, Marina Silva foi a quarta a apresentar suas propostas. Reconhecida por sua defesa do meio ambiente, brincou que os ruralistas presentes não precisavam ter medo dela. “Quando a gente sabe o que está fazendo, onde está pisando, fica mais fácil resolver os problemas. E eu tenho um bom exemplo: a transposição do rio São Francisco jamais teria sido feita se não fosse por uma ministra que tivesse credibilidade”, disse, defendendo a sua credibilidade.
 
Entre as propostas, Marina defendeu o “desmatamento zero” em situações que hoje é permitido por lei. “Desmatamento legal zero é trabalhar para que aqueles que podem desmatar, que não desmatem, porque podem aumentar a produção por ganho de produtividade”, afirmou, acrescentando que há área suficiente para produzir sem desmatar.
 
Segundo a fundadora da Rede, ela é a opção alternativa contra caciques da velha política. “Não sou uma coqueluche, mas com certeza eu sou uma das alternativas talvez a mais forte para unir o Brasil”, sustentou.
 
Ciro Gomes (PDT) e Jair Bolsonaro (PSL) foram convidados, mas não estiveram presentes. Lula (PT) não foi convidado porque, segundo o CNA ele não pode estar presente porque está preso. A entidade não explicou por que não convidou um representante de Lula, como o seu vice Fernando Haddad.
 
Os candidatos ainda receberam o documento “O Futuro é Agro 2018-2030”, elaborado pelas 15 entidades que integram o Conselho do Agro, com sugestões para área. 
 

 

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