Que Sergio Moro e Carolina Lebbos deixem Lula falar, defende Kennedy Alencar

Jornal GGN – O jornalista Kennedy Alencar criticou nesta quinta (16) as ações adotadas pela chamada “República de Curitiba” com a finalidade de “calar e isolar” Lula em meio à corrida presidencial. Na visão do jornalista, “tentar calar Lula é interferir no processo eleitoral e no debate público brasileiro. A sentença que o ex-presidente cumpre não lhe tirou os direitos políticos nem lhe ceifou a voz.”

Nesta semana, Sergio Moro definiu que não vai interrogar o ex-presidente sobre o sítio de Atibaia antes do dia da votação, para evitar a exposição do petista. Em outra frente, a equipe de procuradores liderados por Deltan Dallagnol pediu à juíza Carolina Lebbos, que cuida da execução da pena no caso triplex, para que as visitas a Lula sejam restringidas. A Lava Jato em Curitiba exibiu seu incômodo com a influência de Lula no processo eleitoral, ainda que preso.

Para o jornalista, “seria importante ouvir o que ex-presidente tem a dizer, seja numa entrevista autorizada pela Justiça, seja num depoimento a um processo ao qual responde.” Ou seja, Moro ou Lebbos deveriam rever seus posicionamentos – a juíza vem impedindo que Lula conceda entrevistas à imprensa em qualquer formato.

Kennedy ainda provocou: “(…) o que o ex-presidente poderia dizer a ponto de causar um impacto eleitoral que possa ser considerado danoso pelo juiz federal? Se é algo tão bombástico, há interesse público, o que justificaria o depoimento em período eleitoral.”
 
Ele ainda escreveu que, gostem de Lula ou não, ele “é uma força política e social que não pode ser ignorada.”
 
 

Por Kennedy Alencar

Moro e MPF fazem Operação Delenda Carthago contra Lula

Em manifestações recentes, o juiz Sergio Moro e o Ministério Público Federal reforçaram mais uma vez a percepção de que tratam o ex-presidente Lula com parcialidade. Atuam como se fosse necessário destruir Lula, uma espécie de Operação Delenda Carthago.

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Moro quer adiar depoimentos de Lula à Justiça para depois do segundo turno das eleições. Procuradores da República apresentaram reclamação à Justiça de que o ex-presidente teria transformado a cela na Superintendência da Polícia Federal de Curitiba num comitê político.

Moro e o MP erram. Abrem nova brecha para serem acusados de perseguir Lula.

Afinal, o que o ex-presidente poderia dizer a ponto de causar um impacto eleitoral que possa ser considerado danoso pelo juiz federal? Se é algo tão bombástico, há interesse público, o que justificaria o depoimento em período eleitoral.

Criminosos com sentença transitada em julgado já deram entrevistas da cadeia. Para Moro, Lula não pode ser ouvido durante a eleição num processo em que terá de responder a acusações criminais. O Ministério Público está preocupado com um suposto excesso de visitas do ex-prefeito Fernando Haddad e da senadora Gleisi Hoffman.

Enquanto o PCC comanda o crime organizado de dentro da cadeia, procuradores da República estão horrorizados com as conversas políticas que um político tem com outros políticos autorizados a visitá-lo na prisão.

O procurador Deltan Dallagnol, que faz política divulgando um vídeo por semana com críticas ao Congresso e aos políticos, está incomodado com ações políticas de um político. Parece brincadeira, mas esse tipo de atitude reforça a narrativa de que Lula é vítima de perseguição.

Seria importante ouvir o que ex-presidente tem a dizer, seja numa entrevista autorizada pela Justiça, seja num depoimento a um processo ao qual responde.

O petista não está acima da lei. Tampouco está abaixo. Gostem ou não dele, é um personagem da nossa história. Se participa hoje do jogo eleitoral mesmo preso, isso decorre do peso expressivo num setor da sociedade. Ele é uma força política e social que não pode ser ignorada.

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Se Lula cometeu um crime, que pague por isso. Se há abusos nas visitas em Curitiba, que sejam reavaliadas.

Mas tentar calar Lula é interferir no processo eleitoral e no debate público brasileiro. A sentença que o ex-presidente cumpre não lhe tirou os direitos políticos nem lhe ceifou a voz. Ele, inclusive, contesta a possibilidade de inelegibilidade, a sentença e a própria prisão. Está numa fase em que tem direito de recorrer. Não há pena que o obrigue a ficar calado, incomunicável e isolado de outras pessoas.

Com um Judiciário e um Ministério Público que agem abertamente de forma política, é absurda a queixa de que um político esteja fazendo política ainda que de forma limitada por estar na cadeia. O nome disso é autoritarismo.

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4 comentários

  1. Kennedy é emocionante

    Kennedy alencar é um craque, usa seus poderes de pura razão para nos emocionar e persuadir. Não sei como pode conviver no sistema Globo.

  2. Zona federal

    É autoritarismo e o reconhecimento da superioridade de Lula diante da mediocridade de todo o judiciário e da PF. Entraram numa canoa furada e não sabem como sair dela. Enquanto ficam a espera de um milagre, que os livre do linxamento merecido que sofrerão, produzem mais absurdos e ilegalidades que fazem da intituição da Justiça Federal e da polícia Federal verdadeiras Casas da Mãe Joana, ou seja, uma verdadeira zona. 

  3. Respeito ao País Chamado Brasil

    Vemos  que  passou  do  momento  que , tanto  PGR,  Judiciário  ,  Juiz  Moro,  devem  respeitar  a  constituição  brasileira  e  parar  de  inventar  regras  que  não  existem, se  é  direito  constitucional  do  cidadão  Luis  Inácio  Lula  da  Silva , participar  dos   debates,  ser  canditato  conforme  vontade  de  grande  parte  da  população  brasileira, o  que  está  acontecendo, com esta  falta  de  ética  da  própria  justiça  brasileira , que  está  deixando  de  cumprir   corretamente  seus  deveres ?

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