Quem tem meia dúzia de candidatos não tem nenhum, por Helena Chagas

 
Jornal GGN – Quem tem meia dúzia de candidato não tem nenhum, disparou a jornalista Helena Chagas em artigo no portal Os Divergentes, sobre o torneio entre nomes de centro-direita para decidir quem será o candidato viável para eventualmente derrotar Lula em 2018.
 
Até agora, já forma apresentados ao establishment Geraldo Alckmin, Henrique Meirelles, João Doria, Luciano Huck (que já desistiu) e, mais recentemente, Rodrigo Maia. Todos eles não chegam aos 10% das intenções de voto, individualmente. Mais do que isso: cada vez que se apresentam como a melhor opção, saem arranhados.
 
“Enquanto disputam, os pré-candidatos do centro vão se desgastando uns aos outros”, apontou Chagas.
 
“Do jeito que a coisa vai, nesse ritmo autofágico, as forças de centro vão passar da profusão de candidatos à situação oposta: não vai sobrar nenhum para contar a história. Muito menos para ganhar a eleição’, avaliou.
 
Por Helena Chagas
 
 
Em Os Divergentes
 
Quem tem meia dúzia de candidatos não tem nenhum – e as forças da centro-direita brasileira estão quase nessa situação. Já têm Geraldo Alckmin, Henrique Meirelles, Michel Temer, e, agora, nas festas de Natal, ganharam Rodrigo Maia – que, informa-se, terá sua pré-candidatura lançada pelo DEM na convenção de fevereiro. Se contarmos os que ainda podem hipoteticamente sonhar em entrar no páreo – o desafiante tucano Arthur Virgílio, o sempre pronto João Dória e, quem sabe, um arrependido Luciano Huck – chega-se fácil À superpopulação. Mas dificilmente à presidência da República.
 
Diante desse plantel, Rodrigo Maia, que inegavelmente vem crescendo e adquirindo dimensão política, tem todo o direito de colocar seu nome na pedra como representante do campo conservador, queridinho do mercado e promessa na nova direita brasileira. Teoricamente, tem as ferramentas necessárias para ser candidato a candidato do establishment. Só que o Alckmin também. E o Meirelles também. Com alguma boa vontade – que só surgirá em caso de sucesso explícito da economia -, Michel também.
 
Outra característica comum entre eles é que, em maior ao menor grau, parecem padecer do mesmo mal: falta de votos. Nas pesquisas, têm percentuais mínimos, com a modesta exceção de Alckmin, que em alguns levantamentos chega aos 8% – o que também não é proeza para quem é governador de S.Paulo e já disputou a presidência.
 
Essa situação pode mudar? Claro que sim, sobretudo se, algum dia, todos se juntarem.
 
Raras vezes o establishment econômico, o chamado PIB, apostou num só cavalo no início de uma disputa, a um ano da eleição. Em 1989, por exemplo, flertou com muita gente – inclusive o tucano Mário Covas – até se fixar em Fernando Collor, quando este se tornou o mais viável para derrubar Lula. É curioso que, quase vinte anos depois, estejam numa situação parecida, tentando derrubar de novo o mesmo sujeito, embora as circunstâncias sejam totalmente outras – e o eleitor também.
 
Mas o que estamos vendo agora é um bando de nomes da centro-direita, sem maior atratividade, em teste para ver se algum deles convence. Em tese, quem conseguir vira “O” candidato do centro. É alto porém, o risco dessa estratégia dar errado. Enquanto disputam, os pré-candidatos do centro vão se desgastando uns aos outros.
 
Só nos últimos dias, Meirelles deu várias estocadas em Alckmin, na pior delas dizendo que ele não será o candidato do Planalto. Levou também as suas, como a observação de Rodrigo Maia de que sentiu falta de uma palavra de Meirelles sobre a reforma da Previdência no programa de seu partido, o PSD.
 
Maia, por sua vez, bastou botar a cabeça para fora para ver publicado na imprensa relatório da investigação da PF sobre doações da Odebrecht à sua campanha na caixa 3. Episódio parecido, aliás, com o da semana passada, quando o Cade, órgão governamental, resolveu divulgar informações sobre a investigação dos cartéis em obras de São Paulo nos governos tucanos…
 
Do jeito que a coisa vai, nesse ritmo autofágico, as forças de centro vão passar da profusão de candidatos à situação oposta: não vai sobrar nenhum para contar a história. Muito menos para ganhar a eleição.

 

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