Sobre o imbróglio PT-PSB, por Marco Antonio Carvalho Teixeira

Por Marco Antonio Carvalho Teixeira

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Sobre o imbróglio PT-PSB

Não foi apenas o PT que passou a rasteira em Ciro Gomes. Foram o PT e o PSB que agiram de forma rasteira contra ele. O PT desprezou o fato de que só foi possível governar o Ceará porque contou com a indicação e o apoio da família Gomes para a candidatura de Camilo Santana ao cargo. Se Ciro Gomes, por mero pragmatismo eleitoral, não se aproximou do movimento lulalivre, não é possível esquecer que ele sempre esteve ao lado de Lula e Dilma durante todo o processo de impeachment. Se considerarmos tudo o que envolveu o processo de impeachment, Ciro Gomes foi mais leal ao PT do que o próprio PSB.
O movimento desencadeado por dirigentes petistas e socialistas obedece a pelo menos duas lógicas:

1) conjuntural local: o grupo pernambucano do PSB tem sido hegemônico no partido e busca conter a possibilidade de perder o governo estadual para seu maior adversário local, o próprio PT que hoje conta com Marília Arraes que é egressa do PSB e parente do ex-governador Eduardo Campos, mas tornou-se as adversária política da família. A principal liderança política petista em Pernambuco, senador Humberto Costa, um dos articuladores desse acordo, vê suas chances de reeleição aumentarem se compor uma chapa com os socialistas abrindo mão de lançarem um candidato ao senado;

2) conjuntural nacional: com a inviabilização do projeto presidencial de Joaquim Barbosa, o PSB teve que se rearranjar, primeiro sinalizou apoio a Ciro, mas as clivagens internas do partido que se expressavam em diferentes direções como o apoio a Lula, a Ciro, a Alckmin e a projeto próprio, dificultava o consenso. Não por acaso a posição de neutralidade na eleição presidencial permite com que localmente se faça o melhor arranjo. Marcio França pode declarar voto em Alckmin, Rollemberg em Ciro Gomes e Paulo Câmara em Lula. Mas não combinaram nada com o Marcio Lacerda que não quer deixar de ser candidato em Minas para apoiar a reeleição de Fernando Pimentel. Esse é o típico caso em que o todo (a direção nacional) se sobrepõe as partes (as direções regionais) para impor decisões, o que vale também para as reações que já são registradas localmente no PT.

É importante registrar que o PT não está demonstrando muita preocupação com a eleição legislativa. Se encolher a bancada de deputados e senadores, como encolheu a de vereadores em 2016, pode perder recursos significativos do fundo partidário e do fundo eleitoral, o que pode comprometer o futuro do partido. Arrisca tudo numa candidatura ao Executivo que no final não vai existir, o que compromete as demais campanhas. Obter o apoio do PSB sem que se formalize em aliança que implicaria em ganho de tempo de TV, por exemplo, foi mais vantajoso para os socialistas que localmente vão apoiar o candidato presidencial mais conveniente para a dinâmica local, algo que o PT não conseguirá fazer.

Por fim, Ciro Gomes foi vitima de uma ação desastrosa que o jogou no isolamento político e vai dificultar em muito a sua campanha. Todavia, não é possível desprezar que se seu destempero verbal e sua busca incessante pelo apoio do centrão também afugentou possíveis aliados.

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24 comentários

  1. CIRO GOMES tem 4-6 % dos

    CIRO GOMES tem 4-6 % dos votos e com isso quer se impor à maioria de 60% dos votos uteis

    HOJE mesmo se disse ofendido (vê se pode ??!!) ao invés de envaidecido, pelo PT lembrar seu nome pra VICE e  juntos faturarem no 1o turno

    Como disse o profético DARCY RIBEIRO  ..no Brasil o cargo de VICE só serve pra fazer CONSPIRAÇÂO  ..então, melhor não ser com CIro não

    CIRO não é de confiança ..o projeto dele não é de Brasil, seu povo, como com LULA, pra ELE, Ciro, é ele 

    ..morde e assopra inveterado já disse poucas e boas do PT ..vira mais que biruta de aeroporto

    ..disse que não indultaria LULA, embora como professor de direito (cof cof), DEMAGOGICAMENTE, disse que LEU e que era um absurdo seu processo, e que tem certeza da inocência “do amigo de longa data” que esta preso ..como???? bobo eu ?

    fosse minha esta certeza, ALIADA a fama (prestígio) que ele tem, eu estaria fazendo campanha, não pra presidencia, mas pela liberdade IMEDIATA dum INOCENTE (ainda mais se amigo, como disse e diz de todo mundo que conheceu)

    em tempo – eu mesmo, peixinho, sem ser petista, não me furtei a ir a Curitiba prestar minha singela solidariedade a este importante líder que o BRASIL, tão cedo, outro,  jamais irá ter 

  2. A politicagem cansa

    Os partidos parecem não perceber que o povo está de saco cheio de poiliticagem, de arranjos e fisiologismo. O PSDB finge que Alckmin e Doria se dão bem, não obstanteo último ter se revelado deselal com o primeiro quando, ainda prefeito (por pouco tempo e de forma pífia) tentou se viabilizar como candidato a presidente mesmo asabendo que essa era a inteção de seu protetor Alckmin. Foi chamado de tradiro por colegas tucanos. O PT errou feio quando da foto com Maluf e principalmente quando, pela 2ª vez, indicou Temer como vice de Dilma. Deu no que deu. Agora, essa conduta que compromete Ciro. Apesar do destempero verbal, é o candidato com mais energia e planos concretos. Apesar de seus méritos, Lula está cansado (72 anos e muitas adversidades e injustiças). Isso tem que ser levado em conta pelo PT e evitar a politicagem para triunfar nas eleições.

     

  3. Análise cujo objetivo é dividir para reinar.

    Eu só não entendo uma coisa.

    Por que o objetivo do PT ou do PDT em se aliar com o PSB e o PCdoB não é se fortalecerem frente a seus adversários da direita, mas um enfraquecer o outro?

    “Ciro Gomes foi vitima de uma ação desastrosa que o jogou no isolamento político”

    Da mesma forma, se Ciro tivesse conquistado uma aliança com o PSB e o PCdoB, como tentou, Lula teria sido “vitima de uma ação desastrosa que o jogaria no isolamento político”?

    Por que essa ação do PDT de Ciro (se tivesse ocorrido), ao invés de ter como objetivo isolar Lula e, assim, torná-lo uma vítima, não poderia ter sido fruto de uma virtude sua (de PDT/Ciro), cujo objetivo era se fortalecer para enfrentar direita?

    Enfim, por que a palavra vítima e não virtude.

    Ou seja, por que ao invés da conclusão tirada, não se pode obter essa: Ciro/PDT ou Lula/PT fruto de uma ação virtuosa conseguiu aliar-se com o PSB e o PCdoB e assim saiu do isolamento, tendo, agora, mais chances de vitória frente a direita.

    Esse tipo de análise só interessa a direita. Pois, ao invés de reconhecer a força e competência do adversário temporário, para ele enfrentar a eleição contra a direita, ele é acusado de tirano, para dividir as forças do campo popular, progressista e nacionalista.

     

    • Estranho vitimismo de Ciro, poupando Alckmin

      Também acho estranho essa obsessão em colocar Ciro como coitadinho, como vítima de Lula. Tratam o PSB como se fosse um feudo de Ciro, retirado dele pelo PT. Nada mais irreal.

      O PSB ficou em cima do muro até o último minuto esperando ver para onde o vento popular soprava. Lula não caiu nas pesquisas e Ciro não decolou. Ora o PSB decidiu: continuar nacionalmente em cima do muro para pelo menos não ficar com o rótulo de anti-Lula na eleição, com adversários do PT nos estados os bombardeando por terem participado do governo Temer até a gravação de Joesley.

      E o PSB ficando em cima do muro não isolou propriamente Ciro. No DF, no ES, o PSB local deve apoiar Ciro. Como em estados do nordeste apoiará Lula.

      Mais estranho é Ciro não atacar Alckmin quando o tucano ganhou a disputa com Ciro pelo centrão (aí sim ganhando os minutos de TV). Esse discurso do Ciro de poupar o tempo todo Alckmin e só atacar o PT fica parecendo jogo de compadres de um não atacar o outro no primeiro turno para no segundo turno se apoiarem a quem chegar lá.

      Ciro deve pensar que o candidato do PT estará no segundo turno, e luta para ser ele o adversário. Logo calcula que o PSDB terá de apoiá-lo no segundo turno se for ele contra Lula (ou candidato de Lula). O problema de Ciro é que Alckmin tem o PIG para bater em Ciro, que só o poupa enquanto Ciro servir para atacar Lula e enquanto Bolsonaro estiver na frente de Alckmin. A estratégia de Ciro tem probabilidade próxima de zero de dar certo.

  4. O Ciro Gomes caiu em todas

    O Ciro Gomes caiu em todas as provocações antipetistas, todas. Não dá agora pra ficar se fazendo de vitima enquanto repete que o PT, PT, PT é isso ou aquilo.

    Quis formar com setores do centrão; foi atropelado; e cadê o chororô, o mimimi? Cadê declarações de que o centrão é isso ou aquilo?

    Se o PT, PT, PT, plano A ou plano B, não for para o segundo turno e ele, Ciro, se viabilizar, é evidente que ele tera apoio contra Alcckmin e Bolsonaro. Ele sabe disso, mas, tratou com desdém, como se não fosse “mais que a obrigação”. Agora vem dar uma de “injustiçado”?

    A unica interseção de Ciro Gomes com o PT, PT, PT está na agenda macreconomica. Fora isso, não se sabe muito mais.

    Eu que acho essse pessoal do PT, PT, PT uns frouxos, fiquei até impressionado: mesmo sendo chutados como cachorro morto conseguiram fazer um movimento interessante.

  5. Ciro eh mais macon que os

    Ciro eh mais macon que os proprios macons.  Tentou descer de ambos os lados do muro, foi enxotado de ambos os lados, e agora eh…

    Vitima!

    Entao ta.

  6. Tadinhho do Ciro, tão

    Tadinhho do Ciro, tão bonzinho, tão fiel, não é? 🙂

    Os 8 ou 9 partidos que ele deixou para trás, desde a falecida Arena, podem atestar isto 😀

  7. Prezado Sr. Romanelli, Eu ia

    Prezado Sr. Romanelli, Eu ia comentar, mas você disse tudo. O cavalo passou encilhado na frente do Ciro e ele não montou. Nunca ví um sujeito tão ambiguo na minha vida.

    Teve a chance de defender Lula, de colar no movimento Lula Livre e se acovardou. 

  8. Todo partido político tem um

    Todo partido político tem um único objetivo = o poder. Esse papo que um tem projeto pro país e outro não é bobagem. O objetivo é ter o poder de fato e cada um usará de todas os meios para atingir esse fim. A luta PT X PDT – que é na real a luta Lula x Ciro, é mais do que previsível. São dois partidos que apresentam um programa de governo com muitíssimos pontos em comum – o principal é o desenvolvimentismo. Portanto, se o primeiro objetivo é ganhar a presidência, o segundo é evitar que um candidato com propostas semelhantes à sua ganhe, pois se esse fizer um governo com êxito, tomará votos deste partido parecido ideologicamente. Se é pra perder, que o ganhador seja um oposto político. Essa ideia de uma frente de esquerda pra salvar o povo brasileiro é coisa de idealista, de quem acredita em pote no final do arco-iris. Na cabeça das pessoas que têm chances reais de chegar ao poder, isso passa longe. 

    Mesmo depois de dois lances importantes executados ( o casamento oficial de Alkimin é o Blocão, ex Centrão ) e o pacto de não agressão PT e PSB, não é possível dizer quem se deu melhor. É uma das eleições mais pulverizadas e que conta ainda com dois candidatos que na pratica nem têm partidos políticos – Bolsonaro e Marina. 

  9. É mais simples: Na democracia burguesa capitalista
    Quem manda e orienta é o Capital. Em Pernambuco, por exemplo, a neoligarquia Campos não tocou nada na Refinaria Abreu e Lima, nem em obras feitas, paralisadas ou por fazer. Não acumulou horrores pras negociações. A maioria da Direção do PT não conta com isso, claro. Mas esta é uma amostra. Não houve mensalão. Não houve presentes por amor ao imaculado líder. É uma pureza só. É ideologia. Wanderley Guilerme dos Santos, numa redação enviesada, foi claro sobre as mesquinharias de lutar prra afastar quem é do próprio campo, pelo messianismo. E pelo vil metal. Quem duvida da hipótese de manutenção de postos, $$, ou de desencaminhaar o PT já há tempos, sem infiltrados, sem infiltrações?

  10. O PT e a massa de manobra que se baseia em números…
     Wanderley Guilherme dos Santos  http://insightnet.com.br/segundaopiniao/?p=552 : “(…)Mais preocupado em derrotar competidores em seu próprio lado do que impedir a vitória da reação. Todos os quadros do PT e partidos próximos, além de personalidades historicamente admiradoras do extraordinário ex-metalúrgico, têm sido apresentados a um enigmático Lula, messiânico e expropriador da vontade autônoma das forças populares. Antes, o destino de Lula se associara ao destino dos pobres; hoje, Lula pretende que o destino das massas se associe ao seu, aprisionado a um combate mesquinho contra um personagem nanico – o juiz Sergio Moro. Os democratas esperam que o preço não seja a vitória da reação, com o encarceramento real da população pobre a seu destino miserável.”

  11. Sonho que este litígio entre Lula/PT e Ciro seja uma estratégia

    Para manter Lula na parada até o fim E não queimar Ciro antecipadamente, como seu plano B.

    Lembrando que Dilma foi eleita democraticamente, se o “golpe” permitir a candidatura, eleição, posse e governo de Lula, muito que bem, será meu candidato (embora Paz e Amor não possa mais ser seu estilo de governo). 

    Se não, vou de Ciro tranquilo, pois aprendi a votar não em quem promete, mas quem já mostrou resultados.

    Tem competência, conhecimento e intenções nacionais. O que nenhum dos demais primeiros colocados sem Lula têm (ou pode ter no caso de Marina Itaú).

    Se ele é boquirroto, tem temperamento ruim e quetais, isto é muito mais um problema de quem convive ou faz polpitica com ele do que um problema de governo. Afinal há bons governantes na História com diversos temperamentos.

    Além disso, a Manuela, o Boulos, o Haddad, o Requião, o Amorim e mais algum  que esqueço de citar (e poderiam ter meu voto) não tendem a ganhar (ou concorreer) neste cenário eleitoral de Boçalnário, Xuxu Dissimulado, de “óóótimo temperamento” (com o mesmo programa de Temer e mais apoio da Mírdia ), Marina fantocha  ou até o executivo bancário de patrimônio em refúgios fiscais.

    Ciro também não!

    A menos que seja o poste de Lula.

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