A crise do setor elétrico brasileiro: a marcha da insensatez 5, por Roberto Pereira D’Araujo

"No Brasil, pelo critério vigente, mesmo quando a oferta de energia é insuficiente, a hidrologia tropical exuberante é capaz de distorcer os preços no sentido inverso. Portanto, o sistema de preços, além de sinalizar o inverso do equilíbrio insuficiente, permite que apenas o mercado livre se aproveite dessa anomalia"

Enviado por Ronaldo Bicalho

A crise do setor elétrico brasileiro: a marcha da insensatez 5

A crise atual do setor elétrico foi diligentemente construída ao longo do tempo. Entender essa sucessão de decisões equivocadas que nos trouxe até aqui é fundamental para reconhecer a natureza estrutural dessa crise, os enormes desafios que ela coloca e a absoluta inadequação das propostas governamentais colocadas na mesa para resolvê-la.

Roberto Pereira D’Araujo, do Instituto Ilumina,  preparou uma série de artigos que conta essa verdadeira saga de falsas promessas, tolices arrogantes e mimetismos provincianos.

Neste quinto capítulo, explica-se por que no Brasil, pelo critério vigente, mesmo quando a oferta de energia é insuficiente, a hidrologia tropical exuberante é capaz de distorcer os preços no sentido inverso. Portanto, o sistema de preços indexados ao PLD, além de sinalizar o inverso do equilíbrio insuficiente, permite que apenas o mercado livre se aproveite dessa anomalia.

A hidrologia exuberante esconde o déficit estrutural

À primeira vista, independentemente do destino da energia barata, quem olha o gráfico de preços do mercado livre da figura abaixo, poderia dizer que houve uma sobra de energia que durou 10 anos.

Nada mais equivocado. Na realidade, essa sobra existiu por apenas 3 anos como consequência do racionamento de 2001, quando a demanda se retraiu cerca de 15%. Entretanto, como deixa evidente a figura abaixo, o consumo tangenciou a garantia de todas as usinas por um longo período.

Geração e Garantia Física total.

Como se pode perceber, de 2009 até 2014, a geração de todas as usinas chegou ao limite da garantia física do sistema.

Como há evidências de que esse limite da GF está superestimado, passamos por um período de 5 anos de déficit estrutural de oferta e, consequentemente, de aumento de risco. Por que nada aconteceu?

Energias naturais (afluências traduzidas em energia) do histórico.

Simplesmente porque a série de hidrologia da sequência de anos 2007 até 2011 foram extremamente favoráveis, pois nenhum desses anos apresentou afluências abaixo da média. Os anos 2009 e 2011 apresentaram energias naturais 25% acima da média. Esse detalhe é de extrema importância. (…) Clique aqui para continuar lendo o texto no site do Instituto Ilumina

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