Brasilianas: o desafio de criar cidades inteligentes e experiências de Minas Gerais

Fabiana Borges, presidente da Axxiom, falou do destino das cidades que serão mais desenvolvidas contextualizando os desafios na realidade brasileira  
 
Fabiana Borges
Foto: Fabiana Borges, Presidente da Axxiom. Por Euler Jr/Cemig
 
Jornal GGN – Cidades inteligentes e o mercado de energia, tema do 2º Fórum Brasilianas – Cemig, coordenado pelo jornalista Luís Nassif, reuniu um grupo de especialistas no auditório da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) na manhã desta quinta-feira, 30/08. Por mais de três horas o assunto foi a importância da transição energética em curso e o impacto sobre as grandes companhias do setor, indústrias, empresas dos segmentos de comércio e serviço, além, é claro, do mais importante envolvido: o consumidor. Como cenário de fundo, a preocupação com as mudanças climáticas e o impacto das transformações principalmente nos grandes centros urbanos, para onde se deslocará 80% da população em todo o mundo.
 
Se todos os prognósticos forem cumprimentos, o Brasil tem mais esse baita desafio pela frente, em meio a tantos outros, como recuperar a economia, eleger novo presidente e cuidar das dramáticas mazelas sociais: o de tornar as cidades inteligentes. E quando se trata desse assunto, o ponto em comum é a constatação de que “estamos atrasados, embora com ações pontuais na direção do futuro”, destaca Fabiana Borges Teixeira dos Santos, presidente da Axxiom Soluções Tecnológicas S.A., subsidiária da Cemig, que abriu as apresentações do evento.
 
Afinal, “ser inteligente é ter a capacidade de aprender, o que precisa vir junto com as novas tecnologias. Por isso mesmo, correr atrás do prejuízo e procurar se adequar rapidamente às determinações da Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (Unctad/ONU) em busca de sustentabilidade e bem-estar social é a meta a ser perseguida”.  Em linhas gerais, esse foi o recado dado pela presidente da Axxiom, também pesquisadora do Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional da Universidade Federal de Minas Gerais (Cedeplar/UFMG) e Phd pela Universidade de Cambridge (Inglaterra).
 
Com mestrado em Economia da Indústria e da Tecnologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e graduação em Economia pela Universidade Federal de Minas Gerais, Fabiana Borges foi coordenadora executiva do Parque Tecnológico de Belo Horizonte em 2005-2006 e acredita que “a transição energética em curso vai mudar significativamente a relação entre consumidor final, produtor e distribuidor, na forma como conhecemos hoje, a começar pela ampliação de número de unidades produtoras da própria energia elétrica.”. “É preciso pensar que tipo de desenvolvimento queremos neste momento de transição e de digitalização dos sistemas”, assinala.
 
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Ela lembra, ainda, o protagonismo de Minas Gerais na história do país, e assinala que não será diferente agora. Mesmo porque, o estado abriga a Cemig, companhia com maior rede de distribuição de energia da América do Sul, empenhada nos últimos três anos em ampliar as possibilidades dentro do mercado de Geração Distribuída (GD) e universalização do acesso à energia nas regiões que mais precisam de apoio institucional. “É preciso se adaptar às novas demandas e tipos de investimentos e possibilitar o envolvimento do maior número de pessoas nesse processo”.
 
Por isso mesmo, ela defende iniciativas como o projeto Conect.Me, levado adiante desde 2015, com uma rede integrada, com corredores de baixo carbono, com 14 eletropostos para abastecer veículos elétricos, entre o Aeroporto de Confins, Cidade Administrativa e Centro de Belo Horizonte, com resultados positivos contabilizados. O Projeto é resultado de parceria entre Fapemig, Codemig, BDMG e Cemig.  Nessa área circulam cerca de 17 mil funcionários e 5 mil visitantes diariamente.
 
Afinal, querendo ou não, as cidades do futuro (Smart Cities) já são uma realidade em várias partes do mundo e um conceito que ganha força e se espalha por diversos grupos sociais como uma tendência que veio para ficar neste século 21. Uma das pioneiras na defesa do tema foi a Ericsson Brasil, conforme lembrou Fabiana, que já  trabalha procurando se adaptar ao conceito, que, segundo ela, não pode ser desvirtuado pela seriedade do que representa.
 
Em cada parte do mundo, a discussão adquire tonalidades locais, de acordo com as características de cada país. Na Europa, passa por mobilidade limpa e acessível, reforçada pelo que se alcança com o avanço tecnológico e que proporciona qualidade de vida para os cidadãos. “É preciso que as pessoas também sejam inteligentes em suas escolhas, mas cabe aos governos estabelecer políticas públicas para que isso aconteça”, assinala. Para tal, universidades, empresas, ONGs e instituições públicas devem trabalhar integradas.
 
 
 
Conect.Me
 
A plataforma de tecnologia e inovação Conect.ME colabora para dinamizar a Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) com redes nacionais e internacionais do conhecimento, referências nas áreas de sustentabilidade e mobilidade sustentável. Faz parte de um sistema de políticas públicas focadas na sustentabilidade ambiental e socioeconômica, com ações de mobilidade urbana, geração de novos negócios e desenvolvimento de tecnologias.
 
Em Belo Horizonte, a conexão com projetos de empreendedores, startups e centros de inovação que trabalham com tecnologias de informação e comunicação, novos materiais, aplicativos para smart cities/smart home contribuem para ampliar o conceito, com a rede integrada de startups locais. Procura incentivar o uso da tecnologia na relação com o cidadão e serviços urbanos.
 
O projeto conta com vários modais de transportes integrados e monitorados em tempo real. Nesse sentido, contribui para o planejamento de políticas públicas nas áreas de mobilidade e sustentabilidade. Veículos elétricos foram adaptados em modelos convencionais do mercado de concessionárias e rodam cerca de 3 mil km/mês, com comprovada redução da emissão de CO² e do volume utilizado, dentro do Conect.Me.
 
Além disso, embora ainda não seja regra geral no Brasil, onde as discussões e as ações ainda estão atrasadas com relação a outros países, alguns nichos de mercado já estão em sintonia com o que vem por aí, como a Eletra, em São Bernardo do Campo (São Paulo), empresa 100% nacional que produz ônibus elétrico (Dual Bus) ao defender a sustentabilidade. A Weg já oferece o primeiro Eletroposto Multimarcas de Santa Catarina.
 
A criatividade do brasileiro, no entanto, quanto posta à prova, responde positivamente. Esse é o caso da Telsa – multinacional da África do Sul – de carros elétricos, que busca inovação em todo o mundo. A empresa patrocinou experiência com alunos de graduação de engenharia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e não se decepcionou. Em menos de um ano, estudantes da graduação em engenharia fizeram o protótipo de um carro elétrico, que funciona bem.
 
Decisões estratégicas nessa direção, no momento, ainda não assumiram a dimensão necessária e requerem ampliar ainda mais os debates, como já se empenha a Plataforma Brasilianas. Isso é importante para quem não quer perder o futuro de vista.
 

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