Brasilianas: ‘Precisamos rever política energética nacional’, alerta Andrioli do MAB

 
‘Há um plano organizado politicamente para, em 2026, liberar totalmente setor elétrico às privatizações’, alerta membro do Movimento dos Atingidos por Barragens
 
Foto: Euler Jr/Cemig
 
Jornal GGN – “Precisamos rever a política energética nacional e impedir a privatização da Cemig”, este foi o tema de grande preocupação abordado pelo palestrante Joceli Andrioli, membro da Coordenação Nacional do Movimento dos Atingidos por Barragens, (MAB), no fórum Brasilianas “O modelo do setor elétrico brasileiro e o papel da Cemig”, realizado nesta quarta-feira (19), em Belo Horizonte. 
 
O MAB tem aprofundado o debate sobre a questão energética em nível nacional. A organização apresenta uma proposta de desenvolvimento para o país, onde a energia está no centro do plano. “Achamos que de fato, para termos um desenvolvimento sustentável do setor elétrico e energético do brasil, precisamos urgentemente bloquear o processo em curso, que visa tornar esse setor cada vez mais voltado para a lógica do capital especulativo”. 
 
Andrioli ressalta que há um planejamento de quem tem a hegemonia no comando político do setor elétrico no Brasil em usar a lógica do lucro acima de tudo e de todos. “Eles têm um plano claro e organizado politicamente que é, em 2026, a liberalização total do setor elétrico brasileiro. Para concretizar isso, pretendem fazer o debate de avançar o processo de privatização”.
 
O representante do MAB pondera, ainda, que esse debate não pode ficar exclusivamente nas mãos de engenheiros e advogados, necessitando passar para o controle político da sociedade. ““Entendemos desenvolvimento sustentável não como sendo o índice da rentabilidade individual de uma empresa, mas como a função social dela na estratégia de desenvolvimento de uma nação, estado ou região. O principal é pensar o real desenvolvimento como um desenvolvimento humano. Se a lógica organizacional da sociedade, economia e da produção em várias cadeias não atender o objetivo de desenvolvimento humano, de que vale?”, reforçar.
 
E, um passo neste sentido, está sendo dado hoje em Minas Gerais, especificamente no projeto da Cemig para a construção de uma Fotovoltaica Flutuante, instalada na PCH Santa Marta, no município de Grão Mogol, ao norte do Estado. Essa será a segunda experiência no Brasil nestes moldes, com o diferencial de ter mais inovações do ponto de vista de geração, cooperação e controle popular. As obras estão previstas para iniciar ainda este ano.
 
Voltando à discussão política em torno de projetos energéticos, Andrioli lembra que, no final do governo Dilma, já no debate da renovação das concessões, mudou-se a política – ocorreu um golpe. Na esfera federal, veio a política de privatização, pautando a política de Minas Gerais. O estado, porém, foi contra a lógica da desestatização. Neste cenário, ficou claro que o debate político determina ações, indo além do debate sobre política energética, que em si mesmo já propõe grandes desafios.
 
“Então, é importante reafirmar que a decisão política interfere na decisão das cadeias produtivas e nas lógicas das empresas”, completou o representante do MAB no fórum, destacando, em seguida, que a Cemig tem escapado na conjuntura nacional e estadual, e agora irá depender do futuro cenário de governos para a definição dos novos rumos da companhia energética. 
 
O coordenador do Movimento dos Atingidos por Barragens avalia, portanto, que a grande principal disputa ainda é a privatização da parte estatal. “Em Minas nós perdemos as Usinas. Esta é a lógica que está perpassando o cenário nacional: tornar o setor elétrico um setor de especulação através da tarifa da energia. Isso foi claramente organizado com a entrega das usinas da Cemig e revela o debate de como esse setor é eficiente no Brasil”, explica.
 
Tendo esse cenário em vista, a discussão é  intensificar o debate da política energética que fortaleça algumas questões, como o controle integral da base natural brasileira (rios, solos, territórios), o que traz uma vantagem extraordinária na disputa geopolítica mundial. Mas, infelizmente, o Estado está entregando recursos naturais e de potencial energético que pertencem à população.
 
Outra questão abordada foi a do meio de produção, da volta do controle estatal. A lógica privada tomou conta da lógica organizacional e mesmo as estatais que permaneceram sob responsabilidade de governos, têm que seguir a lógica dos modelos institucionais privados – e essa é a grande questão da Cemig, que se adequa nas regras institucionais do mercado. “Se nós perdemos essa briga do controle estatal, vamos pagar o preço, porque a privatização vem para especular a energia e não para gerar desenvolvimento”, afirma Joceli.
 
Outro ponto fundamental, são que os setores energético e elétrico no Brasil têm a oportunidade de gerar uma renda extraordinária ao povo brasileiro. A renda desse setor tem como ser devolvida na forma de políticas públicas e isso foi feito no modelo pré-sal e também pode ser feito no setor elétrico brasileiro, se mantido o controle estatal. 
 
“Nossa proposta para a Cemig é, ao invés de privatizar, trocar as hidrelétricas em um acerto de contas. Então os 10 milhões ficariam com a União, descontando da dívida em Minas, e nós ficaríamos com um fundo de 42 milhões para saúde e educação. O terceiro ponto é superar o modelo de mercado e resolver o problema do financiamento, com a ajuda do sistema bancário, com o BNDES, por exemplo”, sugere Andrioli. 
 
 
Joceli Jaison José Andrioli é membro da coordenação Nacional do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB). Ele é técnico em Agropecuária, formado em pedagogia pela UERGS e com especialização em Energia e Sociedade no Capitalismo Contemporâneo pela UFRJ.

1 comentário

  1. UÉ, MAS NACIONALISMO JÁ FOI PALAVRÃO PARA O ESQUERDO FASCISMO

    Agora depois de 40 anos farsantes Redemocratas os Feudos do Estado Absolutista descobriram que uma Nação deve ser regida por seus Interesses? Não Somos mais a Imensa Aldeia Global?! 40 anos perdidos no deserto novamente. E tem quem diga que não entende esta barbarie 2018. O Brasil é de muito fácil explicação. 

Deixe uma mensagem

Por favor digite seu comentário
Por favor digite seu nome