Hélio-3: o combustível do futuro no satélite natural da Terra

 (Foto: AFP Photo/Mark Ralston)

por Rogério Mattos

Texto traduzido por mim do site da tv chinesa CGTN

Nenhum ser humano colocou os pés na superfície lunar desde que a missão americana Apollo terminou, em 1972. Desde quase cinco décadas para cá, a lua não é mais vista apenas como o satélite natural da Terra.

Independente de missões tecnológicas, os cientistas têm pesquisado ao longo dos anos a presença de metais preciosos e fontes energéticas desconhecidas que possam ser usadas na Terra.

Mas por que as pessoas continuam a trabalhar na exploração da lua? Talvez aqui possa estar a resposta.

Independente de ajudar os seres humanos no estudo dos mistérios do sistema solar, a lua atraiu a atenção mundial graças à presença de ricos recursos naturais na sua superfície e núcleo.

Assim, ela é chamada de o Golfo Pérsico do sistema solar. Os cientistas acreditam que a lua é rica em recursos raros na Terra, como o titânio e o urânio.

Mas o mais importante deles é o hélio-3.

O isótopo hélio-3 é extremamente raro na Terra, mas existe em abundância na lua.

Ele é emitido pelo sol e levado através do sistema solar pelos ventos solares, mas repelido pelo campo magnético terrestre, onde apenas uma pequena quantidade penetra a atmosfera.

Mas na lua, onde o campo magnético é fraco e a atmosfera extremamente fina, o hélio-3 se deposita em grandes quantidades.

O elemento é visto como um componente chave no desenvolvimento da energia de fusão controlada, um processo difícil porém possível.

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Olhando para o potencial do hélio-3, especialistas acreditam que 5000 toneladas de carvão possam ser substituídas por apenas 40 gramas de hélio-3.

E apenas 8 toneladas de hélio-3 nos reatores nucleares teria o potencial energético de 1 bilhão de toneladas de carvão, reduzindo dramaticamente os custo de transporte e protegendo o meio ambiente.

Em uma entrevista para a BBC em 2013, o grande cientista chinês Ouyang Ziyuan estimou que os recursos de hélio-3 na lua podem solucionar as demandas energéticas do planeta por pelo menos 10 mil anos.

Mais ainda estamos a décadas de distância de minerar a lua, retornando com suas riquezas e usando-as finalmente.

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5 comentários

  1. Enquanto a China está

    Enquanto a China está minerando o lado oculto da  Lua em busca de alternativas energéticas, aqui no ocidente, temos que minerar a lado oculto das informações.

  2. O Hélio-3 pode gerar energia
    O Hélio-3 pode gerar energia em um tipo de reator nuclear ainda em desenvolvimento, o reator de fusão, completamente diferente dos reatores de fissão que usam Urânio. Essa tecnologia de fusão ainda é uma promessa distante. Não é necessário usar Hélio-3 como combustível em tais reatores e, de fato, os primeiros reatores de fusão devem usar uma mistura de Deutério e Trítio, que podem ser obtidos na Terra, e cuja fusão requer temperaturas nais baixas, pois ambos os elementos contém carga elétrica de 1 próton apenas. Já a fusão de 2 núcleos de Hélio-3 precisa de temperaturas muito mais altas, porque esse elemento tem dois prótons e portanto a repulsão entre dois dos seus núcleos é 4 vezes maior.

    Então por que Hélio-3? É que a fusão de núcleos de Hélio-3 produz prótons energéticos, e não nêutrons como o Deutério e o Trítio. Isso significa que 1. Não produz lixo nuclear pela ativação dos materiais circundantes e 2. A energia elétrica pode ser produzida diretamente, sem a necessidade de uma caldeira e uma turbina.

    Em resumo: a tecnologia de fusão ainda não existe, e quando existir não usará Hélio-3 no começo. A tecnologia dos reatores de Deutério e Trítio ainda demoram uns 30 anos para amadurecer. A dos reatores de Hélio-3, uns 100 anos.

    • Reatores de Hélio-3 no Brasil demoraria 200 anos para……

      Reatores de Hélio-3 no Brasil demoraria 200 anos para desenvolvermos a tecnologia, no ritmo que anda a China, que cresce 100 anos em 10, podemos pensar nuns 30 anos.

      • Não fale asneira.
        Não fale asneira. A China não cresce 100 anos em 10, e mesmo que crescesse, crescimento econômico não é sinônimo de desenvolvimento tecnológico, que depende de um esforço de pesquisa mundial. Se a China pudesse ter reatores de Hélio-3 em 30 anos, os EUA já os teriam agora.

  3. Umas continhas básicas.

    Se 8 toneladas de hélio-3 substitui 1 bilhão de toneladas de carvão, isto representa apenas 2 meses de consumo mundial desse combustível. Seria preciso 48 toneladas de hélio-3 para substituir somente o consumo anual de carvão, faltaria ainda umas cem toneladas para substituir o gás e o petróleo.

    O hélio-3 é um elemento quimicamente inerte, só existe como gás livre na natureza, não está combinado em nenhum minério, por definição de um gás nobre. As 8 toneladas de hélio-3, na pressão de nossa atmosfera, têm um volume de uns 60 mil metros cúbicos; na tênue atmosfera lunar ele ocuparia um volume 1 trilhão de vezes maior. Seria preciso sugar toda atmosfera lunar e depois separar o hélio-3, dos outros elementos presentes na composição atmosférica do nosso satélite natural. São tarefas tão ou mais complicadas do que fazer um reator de fusão nuclear do hélio-3.

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