Paulo Guedes irá criar Secretaria de Privatizações

Futuro governo já confirmou que levará adiante venda da Eletrobras e, recentemente, Bolsonaro disse que estuda privatizar “parte” da Petrobras 
 
Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil
 
Jornal GGN – O futuro ministro do Ministério da Economia, Paulo Guedes, declarou nesta terça-feira (20) que irá criar a Secretaria de Privatizações. O objetivo é acelerar o programa de desestatização, criado pelo governo Temer no início do ano. O pacote, com um total de 75 projetos de privatização, já está em andamento e foi responsável pela venda das subsidiárias da Eletrobras que ocorreram ao longo do ano.
 
O anúncio de Guedes foi feito durante sua chegada no Centro Cultural do Banco do Brasil (CCBB), onde foi instalada a equipe de transição do governo Bolsonaro. As privatizações foram um dos temas destacados durante toda a campanha presidencial do militar da reserva. As empresas que estão na mira da proposta são Eletrobrás e Correios. Ontem, durante uma coletiva feita na porta da sua residência, no Rio de Janeiro, Bolsonaro disse que pretende privatizar parte da Petrobras. 
 
“Nós estamos conversando sobre isso aí. Eu não sou uma pessoa inflexível. Mas nós temos que, com muita responsabilidade, levar avante um plano como esse aí. Eu vi lá atrás com muito bons olhos a questão da Embraer. Nós podemos conversar, tá certo? Mas entendo como um empresa estratégica que pode ser privatizada em parte”, respondeu aos jornalistas após o anúncio de Roberto Castello Branco na direção da Petrobras, executivo que já defendeu a desestatização da companhia brasileira. 
 
O lançamento de uma Secretaria de Privatização mostra que o futuro governo dará continuidade ao programa de governo atual. Com o objetivo de colaborar com a transição, o Ministério do Planejamento de Temer publicou um documento com 176 páginas com “informações estratégicas” sobre as contas públicas e com sugestões para o equilíbrio do orçamento na próxima gestão. 
 
O trabalho sugere que Bolsonaro encaminhe uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) para a reforma da Previdência até o dia 15 de janeiro do próximo ano para o Congresso, além de defender a privatização da Eletrobras e “necessidade imediata de revisão das despesas obrigatórias” que incluem, além do pagamento de pensões e aposentadorias, salários de servidores e benefícios assistenciais. 
 

4 comentários

  1. O que diria Roberto Kurz

    No artigo intitulado “A Privatização do Mundo”, Roberto Kurz escreveu:

    “[…]

    A PRIVATIZAÇÃO DO PÚBLICO

    Por um período de mais de cem anos, os sectores do serviço público e da infra-estrutura social foram reconhecidos em toda parte como o necessário suporte, amortecimento e superação de crises do processo do mercado. Nas últimas duas décadas, porém, impôs-se no mundo inteiro uma política que, exactamente às avessas, resulta na privatização de todos os recursos administrados pelo Estado e dos serviços públicos. De modo algum essa política de privatização é defendida apenas por partidos e governos explicitamente neoliberais; há muito ela prepondera em todos os partidos. Isso indica que não se trata aqui só de ideologia, mas de um problema de crise real. Seguramente, desempenha um papel nisso o facto de a arrecadação pública de impostos retroceder com rapidez por conta da globalização do capital. Os Estados, as Províncias e as comunas super-endividadas em todo o mundo tornaram-se factores de crise económica, ao invés de poderem ser activos como factores de superação da crise. Uma vez delapidadas as “pratas” dos sistemas socialmente administrados, as “mãos públicas” acabam por assemelhar-se fatalmente às massas de vítimas da velhice indigente, que nas regiões críticas do globo vendem nos mercados de segunda mão a mobília e até a roupa para poderem sobreviver. Porém o problema reside ainda mais no fundo. No âmago, trata-se de uma crise do próprio capital, que, sob as condições da terceira revolução industrial, esbarra nos limites absolutos do processo real de valorização. Embora ele deva expandir-se eternamente, pela sua própria lógica, ele encontra cada vez menos condições para tal, nas suas próprias bases. Daí resulta um duplo acto de desespero, uma fuga para a frente: por um lado, surge uma pressão assustadora para ocupar ainda os últimos recursos gratuitos da natureza, por fazer até mesmo da “natureza interna” do ser humano, da sua alma, da sua sexualidade, do seu sono o terreno directo da valorização do capital e, com isso, da propriedade privada. Por outro, as infraestruturas públicas de propriedade do Estado devem ser geridas, também, por sectores do capitalismo privado.

    […]”

  2. Fica cada vez mais evidente

    Fica cada vez mais evidente que Bolsonaro é um fantoche das corporações e um serviçal da Casa-Grande.  O patrimônio nacional vai ser transferido a preços módicos, a empresas estrangeiras. Pobre país.

  3. Lesa Pátria

    Privatizar a Eletrobrás é um abominável crime de lesa pátria. Até na pátria do coração do presidente, a cuja bandeira presta continência, os Estados Unidos, as grandes hidrelétricas são de propriedade estatal. Os canalhas que vão gerir a privatização ficarão, certamente, millionários à custa dos prejúízos incalculáveis e definitivos ao Brasil.  Bandidos.

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