Do poder à compaixão, por Monge Sato

Mais do que nunca, precisamos difundir a concepção da Terra Pura como utopia que dá sentido à Vida. Nela reside todo o bem que uma pessoa pode desejar e receber da outra.

Do poder à compaixão

por Monge Sato

Regente do Templo Shin-Budista de Brasília

Com o crescimento das mortes e casos ligados à pandemia, aumentou a polêmica sobre o auxílio emergencial que o Congresso Nacional aprovou para os que terão suas rendas prejudicadas. Para uns, o benefício deve ser temporário; para outros, permanente. No fundo, o papel do Estado.

O ser-humano sempre fez cálculos de escassez e privilégio, esquecendo-se da abundância que a ciência e a tecnologia propiciam. Mais vidas, mais recuperação da economia, pois são pessoas que produzem e dão significado à riqueza. Mais vidas, mais visões para uma saída melhor. Mais do que nunca, precisamos difundir a concepção da Terra Pura como utopia que dá sentido à Vida. Nela reside todo o bem que uma pessoa pode desejar e receber da outra.
Como nos lembrou o líder indígena Ailton Krenak, “o modo de funcionamento da humanidade entrou em crise”. Concordo com ele: “se voltarmos à chamada ‘normalidade’, não valeram de nada as mortes de milhares de pessoas”. Krenak nos fala do que no Shin-Budismo chamamos Outro Poder, que nos permitiu ganhar tempo para aprender sobre a doença. Os indígenas foram o único povo que teve a experiência da Terra Pura, por isso sobreviveu ao ritual capitalista.
Temos a chance de nos reconciliar com a Natureza, com o mundo em que vivemos e com a nossa humanidade real, não a ilusão colonialista. Façamos nossa parte, trocando a perspectiva do poder pela da compaixão. Se algo deve continuar é esta renda básica, precisaremos do Estado que cria condições favoráveis e estímulos positivos.
Se quiser conversar sobre as incertezas do contexto, pode me enviar mensagem para estabelecermos um diálogo sobre a natureza desta crise e como lidar com ela. Namandabu. E-mail omongesato@gmail.com

 

 

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1 comentário

  1. Também acredito que é bem por aí mesmo………………………….temos que contar vidas protegidas e não mortes……………………………..

    a terceira consciência, em palavras que conheço, é a do equilíbrio sem a insensatez atual de se ter poucas pessoas de um lado e muitas do outro sem ter como se aproximar do que aquelas produzem sem correr o risco de morrer. Não há equilíbrio no lucro pelo lucro. Há na distribuição. Na gratuidade. Como na Natureza

    até a Natureza sentiu isso, com a morte de muitos animais nas últimas décadas, com os quais nos igualamos com os nossos 5 sentidos atuais, quando mais voltados para a morte do que para a vida

    pudesse eu encontrar palavras que não existem mais, que se perderam no tempo dos que se foram tentando fazer o mesmo que muitos estão tentando fazer agora. E naquele tempo eram raros, poucos

    Reparem que no caso de não dar certo este amparo, ficaremos sem muitos iguais aqueles que se perderam no tempo. Tem que dá certo dessa vez. Ou nunca mais dará. Elos da corrente humana a flutuar, perdidos novamente. E neste então estaremos reféns da quarta consciência, muito mais que maligna. Isolada do seu lado. Inalcançável pelo bem.

    devo ter escrito muita bobagem. Pudesse eu me comunicar por símbolos. Outra coisa que se perdeu no tempo. Desenho um sol/viro a folha/dia nublado

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