A “esquerda trumpista” está perdendo o juízo, por Breno Altman

Enviado por Vânia

A “esquerda trumpista” está perdendo o juízo, por Breno Altman

em seu Facebook

Duas novas fantasias da rapaziada.

A primeira delas é achar que o novo presidente norte-americano está se voltando contra a “globalização neoliberal”.

Que piração é essa?

Trump foi eleito defendendo uma política econômica interna ultraliberal, como não se via desde Reagan, prometendo criar empregos às custas de reduzir impostos de empresas e dos mais ricos, desregulamentar a legislação trabalhista, reduzir a intervenção do Estado na economia interna e eliminar investimentos na rede de bem-estar social, afetando especialmente os grupos sociais mais vulneráveis, como é o caso dos imigrantes.

Montou um gabinete na medida para essa política e já começou a entregar o que prometeu.

Do ponto de vista internacional, seus “ataques à globalização”, salvo eventualmente em casos pontuais, como pode provisoriamente ocorrer com Rússia e Siria, Trump não representa menos imperialismo, mas exatamente o oposto: os pactos atuais com as burguesias europeias, asiáticas e dos países emergentes serão revistos para impor mais benefícios e vantagens à burguesia norte-americana, não ao contrário.

Trump é contra a Nafta porque considera esse acordo excessivamente condescendente com os mexicanos e canadenses, desejando alterar o equilíbrio de uma balança já desequilibrada.

A mesma coisa com o TPP.

Trump será o presidente mais anti-Cuba e pró-Israel das últimas décadas.

A derrota de Hillary foi positiva, de um ponto de vista geopolítico, porque Trump terá mais dificuldade de manter a unidade da burguesia mundial e o acirramento das contradições nas classes dominantes pode ajudar a reorganização e a retomada de iniciativa do campi anti-imperialista.

Daí a considerar Trump um adversário da “globalização neoliberal”, vai uma enorme é intransponível distância.

A segunda fantasia da “esquerda trumpista” se revela de forma melíflua, na crítica velada ou aberta às gigantescas manifestações de mulheres contra o novo presidente.

O argumento: seria a reação do “neoliberalismo progressista” contra uma política que deseja superar o Consenso de Washington e burlar o resultado eleitoral.

Papo furado: as marchas foram chefiadas pela esquerda norte-americana, Angela Davis à frente, e não há qualquer protagonismo dos democratas de Hillary e Obama, que simplesmente foram deslocados do centro da disputa política que se trava nas ruas, pois são incapazes, por interesses da classe a qual se vinculam, a mesma de Trump, de fazer uma crítica frontal às opções do récem-empossado mandatário.

Se a fração mais progressista dos democratas, Sanders e seus seguidores, se juntar com o movimento liderado por mulheres e negros, mas que arrasta o conjunto das forças progressistas, talvez a esquerda norte-americana volte a ter uma chance, cinquenta anos depois da mobilização contra a guerra do Vietnã e dos levantes negros dos anos 60, de construir uma alternativa unitária e viável de poder.

A “esquerda trumpista” pode continuar ladrando, mas é melhor se dar conta de qual caravana está passando.

 

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor.

Apoie e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Apoie agora