Breve histórico do muro e algumas sugestões, por Eduardo Vasco

Em seus primeiros dias como presidente, Trump assinou vários decretos, entre os quais o da construção de um muro na fronteira com o México                                 Foto de Karl-Ludwig Poggemann (CC BY 2.0)

por Eduardo Vasco

O novo representante dos donos do mundo cumpriu sua promessa de campanha e assinou o decreto para levantar um muro na fronteira dos Estados Unidos com o México.

Os três mil quilômetros da décima maior fronteira do mundo já são, na verdade, permeados de muros. Um terço da fronteira entre os dois países foi murada pelos EUA na década de 1990, quando ocupava a presidência Bill Clinton, marido de Hillary, candidata derrotada por Donald Trump nas últimas eleições. Após tanto bate-boca durante a campanha, Trump deveria é agradecer ao casal pelo início das obras.

Menos de dois séculos atrás, a fronteira entre os dois países norte-americanos (sim, mexicanos também são norte-americanos, assim como os canadenses) ficava bem mais acima do Rio Bravo.

Cinquenta anos após sua independência, os Estados Unidos começavam sua transformação de colônia para metrópole. Em 1823, o quinto presidente estadunidense James Monroe já fabricava seu impreciso gentílico, proclamando, na doutrina que levou seu nome, uma “América para os americanos”.

Poucos anos depois, apareceu a doutrina do Destino Manifesto, que argumentava que Deus havia escolhido os Estados Unidos – dentre tantas outras nações – para dominar o continente inteiro.

O México foi a primeira vítima da divina missão. Não demorou nada após a Doutrina Monroe e imigrantes estadunidenses já estavam cruzando a fronteira para o México, uma ironia histórica. E mais: a maioria era de imigrantes ilegais. Aos poucos, pressionado, o governo mexicano foi cedendo privilégios, como a posse de escravos e a repressão aos indígenas, aos latifundiários e oligarcas vindos do norte.

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Finalmente, esses não reconheceram mais o governo mexicano e, com seu dinheiro, financiaram a guerra de independência do Texas, que acabou sendo anexado pelos Estados Unidos em 1845.

Logo depois, os EUA simplesmente invadiram o México e abocanharam metade de seu território: além do próprio Texas, se juntaram Novo México, Califórnia, Nevada e Utah, além de partes do Arizona, Colorado, Wyoming, Kansas e Oklahoma. Os mexicanos que ocupavam essas áreas foram expulsos de suas terras e tiveram seus direitos retirados.

Entre as inúmeras violações da soberania mexicana ainda está aquela de cem anos atrás. Para repelir a Revolução liderada por Pancho Villa e Emiliano Zapata, mais uma vez as forças do Tio Sam adentraram território vizinho, atirando para o alto, para a frente e para os lados, como os vilões dos filmes de faroeste. A desculpa era de que os revolucionários haviam colocado os pés em uma cidade do outro lado da fronteira.

Durante o século XX o expansionismo territorial deu lugar ao imperialismo. Multinacionais ianques dominam o mercado mexicano, superexplorando a mão de obra barata e instituindo salários de fome àquele povo, que para se alimentar ainda tem de comer as porcarias fabricadas e impostas pela indústria estadunidense.

A violência proveniente da desigualdade de um país submetido a uma grande potência é acompanhada pela violência do tráfico de drogas, vindas dos Estados Unidos. Para simular o combate ao tráfico, forças de repressão anglo-saxãs impulsionam a manivela, para que continue girando o ciclo que não tem fim.

Para fugir da miséria imposta de fora, turbas de mexicanos tentam atravessar a fronteira que antes não existia para um país que em boa parte lhes pertencia. Caem aos montes, vítimas da sede, da fome, do cansaço, dos estupros, dos saques, das balas e dos cães da patrulha fronteiriça.

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Os poucos que chegam ao outro lado são obrigados a desfazer-se de seus pertences e começar uma morte nova: sem documentos legais, viram prostitutas, faxineiros, babás, aceitando míseros trocados para que seus patrões não lhes entreguem.

O muro que Trump terminará de construir será bom para o México?

Enrique Peña Nieto, presidente mexicano, pediu licença antes de se dirigir publicamente aos seus senhores. Rebatendo a cobrança de Trump de “reembolso” por parte dos mexicanos, com todo o orgulho patriótico do mundo, afirmou que o México não pagará pela construção do muro. Não pagará! Em resposta a esta ousadia, Trump ordenou que Peña Nieto não fosse mais encontrá-lo na Casa Branca, no que o súdito obedeceu, cancelando sua visita.

Não dá pra acreditar quão submisso a Washington é o governo mexicano. Os Estados Unidos dizem que vão construir um muro para que os “bandidos” mexicanos não cruzem a fronteira e ainda terão de pagar pela construção e tudo o que o mais alto mandatário mexicano responde é que não pagarão pelo muro! E só cancelou a visita à Casa Branca depois que Trump mandou!

O México deveria responder à construção do muro e às outras humilhações expulsando as empresas estadunidenses de seu país, nacionalizando-as e entregando-as ao Estado mexicano. Deveria dizer: “O México para os mexicanos” e que os ianques voltem para casa. Não queremos mais suas empresas sugando o suor de nosso povo, controlando nossa política e nossos assuntos econômicos, poluindo nossas águas e entorpecendo nossos jovens. Isso também diminuiria enormemente a imigração para o norte.

Yankees go home! Vayan-se al carajo! Mas, infelizmente, Peña Nieto não é Hugo Chávez e o México de hoje não é a Cuba de 1959. O presidente mexicano não passa de um serviçal do vizinho de cima.

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Agora, uma sugestão para Trump: erga um muro na fronteira com o México. Depois, como você prometeu, traga de volta as tropas que estão matando civis pelo mundo. Devolva todos os soldados e suas armas ao território estadunidense. Em seguida, amplie os limites desse muro de maneira que ele dê a volta nos Estados Unidos. Mas o muro tem que ser bem alto e resistente, para que as bombas não violem as tão sagradas fronteiras. Então, para finalizar, construa um belo telhado que impeça os mísseis e os gases tóxicos de ultrapassarem o espaço aéreo de seu país, evitando os “efeitos colaterais”.

Eduardo Galeano uma vez se perguntou se algum dia ficará o mundo sem inimigos: “Haverão de se autobombardear os Estados Unidos? Invadirão a si mesmos? Cometerão os Estados Unidos esse ato de coerência, fazendo consigo o que fazem com os demais? As lágrimas molham meu travesseiro. Queira Deus poupar de semelhante desgraça essa grande nação que jamais foi bombardeada por ninguém.”

Não se pode descartar que dentro em breve essa seja a única opção que restará à grande potência defensora da humanidade.

 

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36 comentários

    • Respondo a Luís
      Respondo a Luís FS,29/01/2107,17:02.Se Lula ou Dilma,vice versa,usasse esse porretaco que o emperucado exótico leva nas costas,para enfrentar a velha mídia,Don Altobello nem ao teatro teria ido.

  1. “Cometerão os Estados Unidos

    “Cometerão os Estados Unidos esse ato de coerência, fazendo consigo o que fazem com os demais?”

    Mas isso eles já fizeram na guerra civil americana.

    • Os EUA nao cometem ato “de

      Os EUA nao cometem ato “de coherencia”.  So cometem atos de complexo de inferioridade.

      Que enfiem no olho doi rabo sua doutrina de “eleitos por Deus” um pouquinho mais rapido.

  2. Dória se propõe a colaborar

    Se necessário for, brigadas especiais, organizadas pelo governo do estado de S. Paulo, poderão participar da pintura do novo muro…

    com cinquenta tons de cinza.

    • Vai aa merda, filho da puta.

      Vai aa merda, filho da puta.  Nao venha mentir aqui, ok?  Pra piorar…

      O assunto nao eh esse.  Va trollar sua mae, ok?

    • A fronteira entre ambos não tem metade disso.

      De onde tirou sua medição, foi lá medir palmo a palmo, passo a passo? Fez isso de quatro, sua especialidade?

      O trollha, vulgo pau no cu, é um sem vergonha pra mentir; gosta de aparecer como quem come e caga merda pela boca; tem a cara de e fede a merda; tem o caráter de merda e é a própria merda em pessoa.

      Sem um pingo de apreço a verdade, ele sai pelo mundo a transmitir mentira: http://noticialibre.com/2016/07/29/el-muro-el-muro-de-la-verguenza-construido-por-mexico-en-su-frontera-con-guatemala/

      Não se importa com o fato de que com simples ferramentas de busca, a rede fez a mentira ficar com pernas mais curtas:

      http://www.eldiario.es/desalambre/Fotos-EEUU-Melilla-Mexico-Guatemala_0_606139660.html

       

      • Almeida e demais comentaristas

        (Almeida, esse comentário não é contra você, é ´so para constar o que pra nós mulheres é óbvio e ululante!)

        Eu e Ana Torres fomos chamadas de petulantes, linguarudas, raivosas, etc. por muito menos que isso:

        “O trollha, vulgo pau no cu, é um sem vergonha pra mentir; gosta de aparecer como quem come e caga merda pela boca; tem a cara de e fede a merda; tem o caráter de merda e é a própria merda em pessoa.”

        http://jornalggn.com.br/blog/almeida/la-se-vai-o-bom-obama-negro-em-vao-por-ilka-oliva-corado

        http://jornalggn.com.br/noticia/superficialidade-e-ignorancia-nas-analises-sobre-trump-por-j-carlos-de-assis

        Não foi a primeira vez que os homens (se eu chamar de esquerdomachos ofende, né?) do blog chamaram a atenção de comentários de mulheres por não estarem de acordo com a boa conduta esperada dos participantes (das “MOÇAS”? Claro!)

        Quer dizer, mulher quando é enfática, ofende! Homem que xinga descaradamente sem o menor controle leva estrelinhas e é ovacionado.

        Inclusive o Ivan (de quem gosto muito) ficou “chocado” com os comentários da AT e subscreeu o Rdmestri. (Ressaltando que, de fato, a AT não usou vocabulário chulo, apenas foi enfática). Eu não vi ela falando nem a metade do que já vi aqui dito por você agora ou por outros comentaristas mais afoitos… o que acontece eventualmente. Mas quando vem de homem é coisa de macho! rs

        Entenderam um pouco mais sobre violência contra mulher?

        Pois é…

        Continuo tentando mostrar o óbvio ululante! O machismo (inclusive o esquerdista: esquerdomacho) que nos oprime e nos exclui. Ou melhor, que usa toda sua força para tentar (!) continuar a nos oprimir e excluir. 

        Mas nós não aceitamos mais esse muro. Que, aliás, já está sendo demolido há tempos… pedra por pedra.

        Vão dizer que é vitimização, né? 

        Já sei!

        Se escondam atrás das pedras que ainda restam…

        ***

        Declare guerra a quem finge te amar, declare guerra
        A vida anda ruim na aldeia
        Chega de passar a mão na cabeça de quem te sacaneia

        [video:https://www.youtube.com/watch?v=81PoBASZYAE%5D

         

         

        • Como fui citado nominalmente de forma imprópria, tenho que …..

          Como fui citado nominalmente de forma imprópria, tenho que necessariamente defender-me.

          Minha cara, a forma que colocaste o texto parece que fui grosseiro e que usei comentários chulos, coisa que não faço quando sou agredido por qualquer pessoa de qualquer gênero, chamei sim a posição de vocês de petulante (que ou aquele que se atreve, que ousa; atrevido, insolente) e não passei deste nível, logo misturar o petulante com linguarudas e raivosas ou deixar a entender que comentários chulos foram utilizados por mim é uma calúnia, pois já tive algumas grandes brigas com o próprio Almeida, em que ele me chamando de nomes nada abonadores, não respondi a provocação.

          Acho inclusive interessante que logo abaixo a dita rusga, não houve nenhuma reclamação deste tipo, e posso dizer que foi petulância da parte de vocês adotarem adjetivações do tipo “machista trumpista” ou “esquerdista trumpista” que demonstrou claramente um atrevimento em adjetivar pessoas conforme as posições que estas possuem.

          Tudo isto fica tremendamente injusto, pois como fui o único nominado como agressor, vejo simplesmente que há pela parte de vocês uma incapacidade de simplesmente contestar os meus comentários no local oportuno para quem os ler tenha como julgar.

          E que fique bem claro, incapacidade de contestar algo não é uma questão de sexo, cor ou religião, é simplesmente uma incapacidade, talvez por falta de argumento ou vontade.

           

          • Incapacidade de contestar?

            Você tá brincando, né, querido?

            A Ana Torres deu milhares de argumentos no referido post. 

            http://jornalggn.com.br/blog/almeida/la-se-vai-o-bom-obama-negro-em-vao-por-ilka-oliva-corado

            (Tá tudo no link acima pra não deixar dúvidas)

            Você se intrometeu (do nada!) na conversa dela com o Almeida e chamaou-a de petulante e sem argumentos – “sem capacidade de contestar” – como repete agora de forma petulante (você sim!).  E disse que valia pra mim também. Sendo que nenhuma de nós duas tinhamos lhe dirigido a palavra até então.

            Ah vá!  

            Não confunda proselitismo prolixo (como costumam ser seus textos) com argumentos.  Em suma: Cara, você é o maior lero-lero.

            ***

            Ana:

            Almeida, vitimas do nazismo

            O Bundestag, o Parlamento alemão homenageia hoje as vítimas do campo de concentração e extermínio de Auschwitz. Hoje, 27 de janeiro, foi o dia da libertação de Ausschwitz. As homenagens se voltam esse ano especialmente para as vítimas da Eutanásia: cerca de 300.000 deficientes e doentes foram exterminados sistematicamente pelo regime nazista.
            O Conselho Judaico na Alemanha está fazendo um apelo veemente de alerta a todos os cidadãos devido ao crescimento dos partidos de extrema direita populista fascista na Europa.  

            Almeida, provavelmente você não tomou conhecimento, mas no último sábado na cidade de Koblenz, na Alemanha, foi realizadoo  O Congresso  Dos partidos de extrema direita na Europa. Compareceram:  Marie le Pen, França  (Front National),Harald Vilinsky, Áustria (FPÖ), Geert Wilders , Holanda,  (PV) e naturalmente os anfitriões alemães, AFD. Poucos dias antes o presidente da AFD no estado de Thüringen, Björn Höcke, um expoente do partido portanto, fez um discurso inflamado em Dresden para centenas de sectários em que afirmou que o Monumento Judaico em Berlim é o Monumento da Vergonha e que a Alemanha tem que mudar em 180° sua atitude em relação ao passado. Ou seja, a negação do Holocausto. Almeida, para sua informação, sabe quem foi ovacionado de pé e cujo  nome foi falado 160 vezes no Congresso em Koblenz ? :TRUMP . Cada minuto que esse nazista fascista abre a boca para bradar contra estrangeiros, muçulmanos, construir muros, ofender minorias, bradar contra Angela Merkel pela sua política de abrigar refugiados ele está impulsionando os partidos de direita fascista. Mas isso não te importa, nã é mesmo, porque ele é seu ídolo. Aqui você pode ver o link onde ele humilha e faz escárnio de quem é deficiente. Exatamente o mesmo modelo na nazista. Mas você parece não se interessar pelos crimes horripilantes nazistas.

            O Nationalsozialismus,  surgido  no final da década de 20 na Alemanha,  não foi  erradicado com o final da Segunda guerra mundial, nem na Alemanha e nem  em outros países europeus.A  ideologia marrom continuou existindo, porém à margem da sociedade. O que há de NOVO, Maestri, é que os partidos de extrema direita populista como o  Front  National francês de Marie le Pen, somente a partir de 2012 estão representados com dois assentos no Parlamento francês e a partir de 2014 no Parlamento Europeu.  E o AFD (Alternative für Deutschland), o correlato salemão ,   foi fundado em 2012 e (ainda) não tem representante no Parlamento Akemão.  O NOVO é que o Front National está em primeiro lugar nas pesquisas para as eleiçòes presidencias na França esteano e o AFD  está com 15% para as eleições parlamentares na Alemanha em 24.9.17! Um partido criado há menos de  5 anos. .   Mas o que é completamente novo, NOVÍSSIMO, Maestri, e que você não conseguiu detectar, é que essa ideologia marrom, que era um câncer, por assim dizer, europeu, atravessou o Atlântico.   Nunca antes  na história desse país liberal democrático houve um presidente representante  da extrema direita populista fascista.  NosEstados Unidos da América, a maior potência mundial.      

            ***

            Ana

            Concluindo (´para o Almeida) :

            E a ignorante esquerda trumpista tupininquim se abraça à extrema direita populista fascista européia, porque não tem a mínima idéia do que está acontecendo aqui na Europa. É preciso enxergar um palmo à frente do nariz !

            ***

            Rdmaestri (se intrometendo)

            O que concluo é que a facilidade de adjetivar é imensa.

            Minha cara amiga, quem lhe deu procuração para sair adjetivando todos, recebestes uma procuração das famílias de Marx, Trotsky, Lenin ou de socialistas europeus.

            Acho tremenda petulância de tua parte, resguardada por uma pseudo posição de mulher oprimida e sais chutando as canelas de todos sem o mínimo critério e sem a mínima representatividade.

            Para mim, apesar de ter me posicionado nas tuas intervenções não recebi caneladas, porém acho extremamente desagradável que alguém sem muitos argumentos passe a ser juiz de todos. Por acaso és uma Sérgio Moro de saias (ou mesmo de outra indumentária).

            Quem disse que tens noção melhor do que os outros do que está ocorrendo na Europa?

            Quem deu o diploma de conhecedora da direita fascista?

            Na realidade és uma verdadeira PETULANTE junto com a tua amiga de presunção Vânia são repositórios de adjetivos, já tivemos discussões anteriores e nelas ficam clara várias posições direitistas e elitistas, logo por favor, restrinja-se as tuas tamancas.

            ***

            Ana:

            Petulante? Quem é o petulante

            Petulante? Quem é o petulante aqui? Quem você acha que é? O dono do blog? Nassif te deu procuração para ser o  ditador moral do blog? Vc determina o que é permitido escrever e o que não é ? Isso é um espaço democrático ! Petulante é você que se intromete em comentários entre um outro comentarista e eu. Pseudo posição de mulher oprimida ? ? Sou uma mulher super autossuficiente e não admito comentários machistas. cuide de sua vida e de seu português! 

          • Antes do gênero, a opressão capitalista é de classe

            Que briga, Gente. Os gêneros (masculino e feminino) não podem ser suprimidos, mas as classes sociais. Sim.

          • “até porque a Lei Maria da Penha não permite radicalização.”

            Pois é, né!

            ***

            http://www.revistaforum.com.br/2017/01/01/em-carta-assassino-de-campinas-disse-que-mulheres-se-beneficiam-da-lei-vadia-da-penha/

            Em carta, assassino de Campinas disse que mulheres se beneficiam da lei “vadia da penha”

             

            ***

            http://www.bbc.com/portuguese/brasil-38503326

            Assassino de Campinas atirou sozinho, mas não inventou assassinato de mulheres sozinho, diz filósofa

             

          • chamo a atenção deste caso

            pois o cara matou 8 ou 9 mulheres de uma vez só e deixou a famosa cartinha…

            Mas depois disso, ao longo do mês de fevereiro, já aconteceram diversos outros feminicídios aqui no Brasil.

            Mas tá tudo certo! Bora nos concentrar na luta de classes!

          • Enquanto houver classes sociais, haverá opressão de gênero

            Olá, Vânia, bom dia, Amiga.

            Vânia, nenhuma daquelas mulheres que foram mortas pelo serial killer de Campinas era da classe exploradora. Já aí dá prá ver que o problema não é de gênero, mas de classe. Se fosse de gênero, ele só teria matado mulheres.

            Mas é claro que a luta pela igualdade de gênero não exclui luta luta de classes, pelo contrário, tais lutas se complementam.

          • Como argumentar com quem nega fatos assombrosos

            como essa chacina motivada por ódio às mulheres e joga tudo no balaio da “luta de classes” ?

            ***

            Em cartas, autor da chacina de Campinas revela ódio de mulheres: ‘Quero pegar (MATAR) o máximo de vadias’

            http://www.brasilpost.com.br/2017/01/02/chacina-mulheres_n_13927036.html

            Autor da chacina em Campinas expõe ódio a mulheres a quem chama de “vadias”

            Dos 12 mortos, NOVE eram mulheres. 

            http://brasil.elpais.com/brasil/2017/01/02/politica/1483367977_559818.html

            ***

            Outra obviedade: o assassino era da mesma classe social das vítimas.

             

          • O ódio às mulheres deriva justamente de opção de classe

            A misoginia do serial killer de campinas deriva da posição por ele desempenhada na sociedade dividida em classes e de sua opção por uma classe da qual não faz parte mas cujos valores ele comunga. Aliás, Vânia, a discriminação das mulheres e crianças deriva justamente do fato da sua dependência econômica. Se a nossa sociedade fosse socialista, não teríamos fatos como o ocorrido em Campinas.

          • Tem gente q está do mesmo lado mas que devia estar do lado de lá

            O Renato Russo escreveu que tem gente que está do mesmo lado que você mas que deveria estar do lado de lá. O Serial Killer de Campinas é uma dessas pessoas. Estava do lado dos oprimidos mas apenas no que diz respeito aos sofrimentos. Mas a ideologia dele era a ideologia dos opressores e a sua trincheira era a trincheira dos opressores. O que ele fez foi luta de classes mas na trincheira dos opressores.

            Brecht escreveu um Epitáfio a Rosa Luxemburgo. Nele, o dramaturgo e poeta comunista disse:

            “Aqui jaz
            Rosa de Luxemburgo
            Judia da Polônia
            Vanguarda dos operários alemães
            Morta por ordem
            Dos opressores.
            Oprimidos,
            Enterrai as vossas desavenças!”

          • Se a gente não se ocupa…

            … a direita populista se concentra nela.

            Quantos morrem no crime, muitas vezes executados pelo estado? O que é o crime, senão luta de classes?

          • Uma pergunta leninista: O que fazer?

            Organizar um partido de vanguarda feminista, disposto a se armar como esse psicopata, até a supressão do macho?

            Na luta de classes, o partido leninista de vanguarda se dispunha a luta radicalizada até a supressão final da sociedade de classes, vale dizer das classes, e sempre causou polêmica; no feminismo, não sei como seria encaminhada a coisa, mas desconfio que não pode haver supressão final de gênero, vale dizer uma sociedade sem gênero.

          • plural de homem: homens

            Pelo menos não atrapalhem!

            Frase dirigida aos homens em geral. Como qualquer pessoa que não estivesse usando de má-fé notaria pelo contexto.

        • Antes de mais… não retiro nada do que disse do trollha PNC.

          Respondi porque é a segunda vez que o vejo postando o mesmo hoax, em justificativa do asqueroso muro; quem sabe assim, o sem vergonha sossega e vaza. Tudo que está dito lhe é merecido, esse excremento é troll contumaz, provocador barato e manjado no espaço; é irritante, natural que sintam empatia com meu desabafo, acho que deve ser até o seu caso.

          Sobre o tema postado, tinha o pressentimento, de que ao postar este, assim como como nos casos anteriores relacionados, apareceria a polêmica que já vinha se verificando, embora no início da série não soubesse a forma exata que assumiria ─ “esquerda trumpista x neoliberalismo progressista”. Esperava até que eu mensageiro levasse pedradas no meio da polêmica, mas não hesitei. Sabia vagamente das possibilidades interpretativas que as questões trariam; optei por expor os textos, com risco de gerar esses contrapontos polêmicos, não faz mal deixar aflorar esses aspectos de modo transparente e nada encoberto, é assim que combatemos e nos afastamos da hipocrisia. O pior risco, que aconteceu, era o desvio do tema principal, sobrar pra mim foi de menos.

          Em meio a debates polêmicos, principalmente quando se carrega na tinta emocional, xingamentos acontecem, ou no mínimo pequenas rusgas e incompreensões pessoais. Mesmo prevenido para pedradas e de boa em aceitar tipo um “esquerda trumpista” no “tratamento” ─ sacumé, entre amigos muito próximos e antigos, se aceita fraternalmente um FDP no trato em conversas animadas ─ não achei lá muito “enfático” ser taxado de “indigente intelectual” e atribuirem a mim um “ídolo Trump” que eu não tenho.

          Não sei, não entendi o que aquilo queria “enfatizar”. Procurei rir, levar no bom humor e na ironia, o melhor que pude; depois, claro, de se levantar, tomar um ar, fazer um café, ou dar uma banda, escrever uma resposta, reler, reescrever, reler de novo, tomar uma água, fazer outro café… tudo para encompridar meu pavio e não “enfatizar” de retorno em demasia. Mas não estou ressentido, se é que isto ajuda para mútua compreensão.

          Sobre a série em geral, pintaram excelentes contribuições, que poderiam ser maiores. O artigo da Nancy Fraser, por exemplo, é uma ótima reflexão para ser relida. Não sou partidário de largar na estrada companheiros dos “novos” movimentos sociais, até porque me identifico com eles, nem é o que o artigo defende, mas devemos pensar nas suas limitações, assim como pensamos sobre as lutas economicistas e da política institucional. O ser humano não é fracionado, mas ele tem uma hora de se concentrar no trabalho, uma hora de se alimentar, uma hora de conviver com os seus, de se divertir e namorar, etc. Em cada momento da conjuntura histórica, uma das facetas assume a principalidade nas lutas sociais; normal, isso depende das classes e segmentos sociais que exercem o protagonismo. No momento, é Trump e asseclas que surfam de modo populista esse protagonismo, é fundamental e urgente a esquerda entender o fenômeno. A série tem a finalidade de trazer uma compreensão sobre isto, para além de análises rasas.

          Acho um erro os “novos” movimentos sociais se atrelarem, ao que representou o governo Obama e a candidatura Killary em particular. É um erro também ver e taxar, como fez Killary, os sessenta e poucos milhões de eleitores de Trump de um balaio de racistas, homofóbicos, xenófobos, machistas e predadores ambientais; milhões deles votaram em rejeição ao mais do mesmo, de uma política vazia de respostas concretas, para demandas sociais urgentes. Enxergar o fenômeno Trump e correlatos, através de rótulos sobre seus slogans aparentes, sem uma análise de suas causas e das classes sociais que mobilizam, não levará a uma resposta política consistente.

          Um beijo.

          • Pois seu desejo se realizou!

            Esperava até que eu mensageiro levasse pedradas no meio da polêmica, mas não hesitei. 

            Parece que era exatamente essa a sua esperança. Da minha parte, desisti de discutir esse tema aqui. Até pq, mesmo quando eu faço referências aos atos do fascista Trump (que parece que uma parcela da esquerda faz questão de ignorar, enquanto se apega a assuntos relacionados apenas perifericamente – por exemplo o tal muro)

            Só quis ressaltar aqui o que acontece rotineiramente nesse blog. Homens xingam, agridem, ofendem sem o menor pudor. Não é tão raro assim. Mas quando uma mulher simplesmente comenta em tom mais veemente, menos conciliador, mesmo sem usar os termos chulos tão recorrentes nos comentários masculinos, ela é admoestada por estar sendo “agressiva”. E mais, por mais que argumente e mostre fatos, ainda assim seus argumentos são ignorados ou, pior, ela é chamada de ignorante e sem argumentos.

            Quer ver mais um exemplo:

            ***

            …em tempos de midiotização, inclusive das esquerdas sem conhecimento de geopolítica, fica difícil as pessoas, principalmente as mulheres convocadas e obedientes ao george Soros entenderem algo que não seja vociferar qq coisa contra o abominável homem-branco.

            http://jornalggn.com.br/comment/1048766#comment-1048766

            ***

            Enfim, são vários. Mas a quem interessa? Certaemnte não a vocês (homens brancos de esquerda) que só pensam em “luta de classes” rs

            O pior risco, que aconteceu, era o desvio do tema principal, sobrar pra mim foi de menos.

            mas não era o esperado?

            Seus últimos posts parecem ter exatamente esse objetivo, a começar pelos títulos, como por exemplo:

            Para as inconsoladas viúvas da hipocrisia do neoliberalismo “progressista”, por Almeida 

            http://jornalggn.com.br/blog/almeida/para-as-inconsoladas-viuvas-da-hipocrisia-do-neoliberalismo-progressista-por-almeida

            Se eu e a Ana Torres subimos um pouco o tom naquele post (muito menos do que você próprio, Almeida, costuma fazer com seus interlocutores que discordam de você) foi pelo histórico de comentários machistas ou trumpistas dos dias anteriores. 

            Por fim, repito a pergunta que fiz em comentário anterior:

            Quem tinha entre seus temas favoritos aqui no blog ‘energia limpa’, ‘sustentabilidade’ e que tais (todos sabemos o que pensa e qual será a política de Trump nessa área), subitamente desapegou-se dos mesmos e resolveu postar sobre os crimes do Obama – que os praticou durante 8 anos ininterruptos. Por que só agora expor suas mazelas? Por que não condenar (ao menos de passaagem) Trump por suas declarações e nomeções diretamente relacionadas a tema tão caro para você, Almeida? 

             

             

             

          • complementando um dos parágrafos

            Até pq, mesmo quando eu faço referências aos atos do fascista Trump (que parece que uma parcela da esquerda faz questão de não ver, enquanto se apega a assuntos relacionados apenas perifericamente – por exemplo o tal muro) esses não servem ou são ignorados.

            Apenas dois dos posts que passaram em brancas nuvens pelos honrados comentaristas de esquerda do blog. Sem mencionar os que postei como comentário.

            Trump: “O ambientalismo está fora de controle”

            http://jornalggn.com.br/blog/vania/trump-o-ambientalismo-esta-fora-de-controle

            Consciência Sul: o mundo por José Mujica

            http://jornalggn.com.br/blog/vania/consciencia-sul-o-mundo-por-pepe-mujica

            E, agora, vão desqualificar o Mujica também?

             

          • Estou muito contente com sua adesão a luta ecológica.

            De fato sempre me interessei pelo tema e tenho inúmeras postagens nesse sentido. Gostei muito dessas suas duas recentes postagens. Se eu não participei delas, a recíproca me parece verdadeira. Ao menos, não me lembro de sua participação nas minhas postagens ecológicas, mas eu ando meio caduco, segundo um generoso diagnóstico que você me fez graciosamente.

            Acho que foi o Trump que lhe despertou esse repentino interesse ecológico. Fico com ciúmes. Ah, se você me autografar essas postagens com dedicatória, vou sonhar, vou acreditar… que maravilha viver!

            Um beijão, meu amor!

          • Esperava porque os artigos não tocavam nas declarações polêmicas

            Não se fixavam nas asquerosas declarações dadas durante a campanha, muita das vezes com intuito de ganhar fácil repecussão midiática, e era previsível questionamentos sobre isto. De repente, apareciam abordagens que mostravam uma personagem tão declaradamente reacionária, mas que por contraste com a derrotada, aparecia como mal menor. Que fique claro que não havia contentamento com a personagem vitoriosa, mas júbilo com a derrota de sua adversária.

            O pior tipo de desvio que podia acontecer é esse maniqueísmo, essa abordagem cega em tom moralista e sectário. O exemplo está nesta postagem, que é uma crítica do ponto de vista mexicano e de outros povos ao sul; trata-se de crítica ao governo Trump, mas parece que ela só é válida se tiver aval feminista, no caso, somente de uma ala aqui representada por você.

            A maioria de minhas últimas postagens foram de balanço do governo Obama, natural que apareçam no período que se encerra o mandato. Não sei se você se sente uma viúva do neoliberalismo do governo cessante, espero sinceramente que não, mas a postagem que menciona essa expressão no título é uma denúncia grave. Mostra a trama e o envolvimento do governo passado com o fascismo do Estado Islâmico. Você poderia dar sua opinião sobre isso?

            Você uma vez lamentou e me cobrou que “nunca vi o senhor Almeida fazendo uma crítica veemente ao Trump, somente ao Obama“.
            http://jornalggn.com.br/comment/1050049#comment-1050049

            Fiz sim, olha aqui:
            Mais brutalidade de Trump: defendeu a tortura por afogamento
            Enviado por Almeida seg, 04/07/2016 …
            https://jornalggn.com.br/fora-pauta/mais-brutalidade-de-trump-defendeu-a-tortura-por-afogamento

            Agora espero um dia ver uma sua ao Obama, ou pelo menos a Killary.

          • Sua crítica ao Trump foi em 04/07/2016

            Realmente eu não vi ou não me lembrava… Nem sei se foi alçada a post no blog. De todo modo, parabéns pelo árduo trabalho que teve em encontrar uma crítica sua dirigida ao Trump. 

            Minha crítica ao Obama pode ser vista no comentário acima, se é que você não notou: Inclusive grifei que Obama praticou crimes durante 8 anos ininterruptos.

            ***

            …os crimes do Obama – que os praticou durante 8 anos ininterruptos.

            ***

            Pra mim chega. Não precisa mais se dar ao trabalho de elaborar textos retóricos.

            E desculpem-me por importuná-los com o tema chato do feminismo em tempos de Trump.

            Vocês tem razão.

            Tudo se resume a luta de classes, como ressaltou seu amigo Rui aí embaixo. Até mesmo o assassinato de 9 mulheres por um homem que era pai do filho de uma delas e chamava todas de vadias.

            Pode ir descansar. Prometo não mais me dirigir diretamete a você e muito menos atrapalhar seus posts tão cuidadosamente elaborados e embasados por sua posição política.

          • Vânia e Almeida, espero de vocês uma crítica ao capitalismo

            Almeida e Vânia, espero de vocês uma crítica veemente não ao Trumpo e/ou ao Obama, mas ao capitalismo. O problema não é Trump nem o Obama, o problema é o capitalismo. A solução é o Comunismo.

          • A carapuça na minha cabeça, pois sou negro e de esquerda, mas…

            Não é que, no meu caso, eu só pense em luta de classes. Penso também na luta por igualdade racial, igualdade de gênero, etc. Eu posso até não concordar com uma só das palavras que você diga mas não só defenderei até á morte o seu direito de expressá-las mas o direito de dizê-las no tom que você quiser.

  3. Sabe o que combina com o muro? Uma base militar Russa

    O México está calado aceitando essa humilhação há décadas! 

    Nesse momento de ascensão da direita conservadora… será que a Rússia e China não tentaram nenhuma aproximação com o México?

    Acho que para ajudar a vigiar a fronteira seria bom colocar uma base militar russa… só anunciar o projeto já seria bacana observar a reação. 

  4. O muro é mais tem um efeito mais simbólico do que prático.

    Quanto a praticidade de se construir um “muro” com defesas eletrônicas ou o raio que parta só vai tornar mais caro a ação dos “coiotes” que levam as pessoas a atravessar a fronteira, pois não há uma defesa deste tipo para quem deseja passar e tem dinheiro para isto, porém o efeito positivo disto tudo e mandar para o ralo todo a pouquíssima boa imagem que os USA tenha no mundo (que já era pouca).

    Imaginem como se sentirão agora mesmo os muçulmanos que habitam em países que ainda não foram impedidos de entrar nos USA e os restantes dos lambe-botas dos USA latino americanos, o presidente do México era um destes.

    Isto tudo será um triunfo de outros países que não adotarem políticas truculentas como as norte-americanas, ou seja, o Trump está se tornando o maior propagandista da esquerda em todo o mundo.

    • pele-laranja

      A oportunidade que o mundo esperava para o reavivamento global da esquerda, inclusive, e principalmente, a estadunidense, Sanders à frente.

  5. + comentários

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