Em despedida, Obama defende diálogo para manter democracia

 
Jornal GGN – No último discurso na cadeira da Presidência dos Estados Unidos, Barack Obama defendeu a democracia norte-americana, o diálogo, os valores do país, e disse que o racismo ainda está presente e que há “muito a ser feito” para eliminar preconceitos contra minorias e imigrantes no país.
 
As palavras proclamadas para cerca de 18 mil pessoas em Chicago, cidade onde também festejou a sua vitória na Presidência, em 2008, fez uma retrospectiva dos oito anos no cargo. De forma emocionada, também agradeceu à sua família.
 
Mas o destaque da noite foram extensas palavras sobre a democracia e o progresso, sobretudo com as diferenças – um recado ao seu sucessor, Donald Trump. “Assim como nós, como cidadãos, devemos permanecer vigilantes contra agressões externas, também nos devemos proteger do enfraquecimento dos valores que fazem aquilo que nós somos”, disse.
 
“A democracia não requer uniformidade. A democracia requer um sentido básico de solidariedade – a ideia de que perante todas as diferenças continuamos juntos nisto, subimos ou caímos como um só”, afirmou.
 
Entre as ameaças à democracia, apontou a desigualdade econômica, as divisões raciais e o conservadorismo. “A nossa democracia não funciona sem um sentimento de que toda a gente tem oportunidades económicas”, criticou.
 
“Se todas as questões económicas forem tomadas como uma luta entre a classe média branca e as minorias não merecedoras, então os trabalhadores de todas cores estarão a lutar por sucata, enquanto os ricos se retiram para os seus enclaves privado”, completou.
 
Sobre o racismo, lembrou que a sua eleição, como o primeiro presidente negro dos Estados Unidos, não conseguiu acabar com a segregação racial. “Depois da minha eleição, houve uma discussão sobre uma América pós-racial. Esta visão, apesar de bem-intencionada, nunca foi realista. A raça continua a ser uma força potente e que muitas vezes divide a nossa sociedade. Vivi o suficiente para saber que as relações raciais são melhores do que eram há 10, 20 ou 30 anos atrás. Você pode ver isto não só em estatísticas, mas também nas atitudes dos jovens americanos em todo o espectro político. Mas não estamos onde precisamos estar”, manifestou.
 
Ressaltou que a transição para a presidência do republicano Donald Trump será “pacífica” e que dará espaço necessário a ele para assumir o posto, assim como George W. Bush lhe deu. Após dura campanha durante o pleito eleitoral, Obama adotou um discurso mais apaziguador: “cabe a todos nós assegurar que o nosso governo nos pode ajudar a enfrentar os muitos desafios que temos pela frente”, também afirmou.
 
Por fim, pediu aos norte-americanos que tenham fé na democracia, participando e mantendo o diálogo com aqueles que discordam, e agradeceu: “Vocês me fizeram um presidente melhor. Vocês me fizeram um homem melhor”. Ao encerrar, fazendo referência ao famoso slogan dos EUA “Yes, we can” (sim, nós podemos), afirmou: “Yes, we did” (sim, nós fizemos).
 
Assista ao discurso:
 
 

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